As Pedras Élficas de Shannara - Terry Brooks

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

É impossível negar a capacidade criativa do Terry Brooks. Felizmente, o segundo volume da trilogia foi lançado e a minha ansiedade foi amenizada logo nas primeiras páginas do livro. Como se já não bastasse ser melhor que o primeiro volume da série, As Pedras Élficas de Shannara conseguiu superar todas as minhas expectativas, sobretudo no quesito trama, já que está mais complexa, tensa e frenética em relação a que encontramos em A Espada de Shannara - resenha aqui.




As Pedras Élficas de Shannara - Um mal antigo ameaça os elfos: a árvore Ellcrys, criada por magia élfica perdida há milênios, está morrendo, colocando em risco o feitiço que mantém os demônios afastados do mundo. Jogar a sua semente no misterioso Fogossangue é a única forma de trazer a árvore de volta à vida e afastar os demônios. Amberle, uma jovem elfa, assume essa difícil missão.
O caminho, no entanto, é perigoso, e ela vai precisar de um protetor. Will Ohmsford, herdeiro da magia élfica de Shannara, é o escolhido para acompanhá-la. Mas o temível Ceifador já conseguiu se libertar, junto com dois aliados. Será que Will conseguirá controlar a magia das misteriosas Pedras Élficas de Shannara para salvar as Quatro Terras?




Décadas já se passaram desde a derrota do Lorde Feiticeiro e a paz finalmente retornou... mas não por muito tempo. Nos primórdios dos tempos, as criaturas mágicas, como os elfos, entraram em conflito com poderosos demônios. Para derrotar esse mal, foi criada a Proibição, uma barreira que os isolavam do mundo, impedindo-os de retornarem às Quatro Terras. O que mantinha esse bloqueio funcionando perfeitamente era a Ellcrys, uma árvore concebida através de uma magia antiga élfica. Embora tenham mantido alguns rituais para cultuá-la, ela estava morrendo, ocasionando assim um enfraquecimento na Proibição, o que causou a libertação de um dos mais poderosos demônios, e a única forma de evitar uma grande catástrofe é um renascimento. Para que isso ocorra, é necessário que ele seja feito através de um Escolhido, que deve levar a semente da árvore até uma fonte de magia denominada Fogossangue e em seguida plantá-la nos Jardins da Vida. 

Capas estrangeiras da trilogia
Sua vingança chegaria, pensou. Assim como a liberdade chegara. Conseguia sentir. Esperara por séculos, posicionado na muralha da Proibição, testando sua força, procurando fraquezas - sempre sabendo que em algum momento ela iria começar a falhar. E o dia chegara. A Ellcrys estava morrendo. Ah, que palavras doces! Ele queria gritá-las! Ela estava morrendo! Ela estava morrendo e não podia mais sustentar a Proibição!
Pág.: 22

Às vezes fico imaginando o que deve passar na mente desses autores para terem tamanho talento para instigar o leitor e criar mundos. Apesar de ainda estar no segundo volume, já mantenho grandes considerações quanto a capacidade criativa do autor ao projetar toda a história do seu mundo. É encantador, simplesmente. A riqueza em detalhes que Brooks esbanja neste livro foi um dos pontos mais bem avaliados por mim durante toda a minha leitura, uma vez que ele consegue manter o foco na história central, mas ao mesmo tempo apresentar fatos passados sobre o mundo de Shannara, como os conflitos entre os povos feéricos e os demônios. A trama ainda continua sendo narrada em terceira pessoa e, diferentemente de A Espada de Shannara, nesse volume temos alguns trechos sob o ponto de vista dos vilões, que por sinal, pareceram-me mais resistentes e de gênio forte. 

O protagonista desta vez é o Wil Ohmsford, neto de Shea, que irá ajudar a Escolhida Amberle, princesa élfica, a levar a semente até seu destino final. Neste volume revemos velhas e saudosas personalidades que conhecemos no primeiro livro, uma até inesperada devido às circunstâncias, mas que faz todo sentido em estar inserida na trama, vez que sua participação é de extrema importância. Apesar do enredo do volume anterior ter me agradado, posso afirmar que este aqui consegue ser melhor, pois a trama conseguiu me agradar com mais facilidade.

Terry Brooks, autor
- Como você vai pegar as Pedras de volta? -  perguntou ele, cuidadosamente.
Ela sorriu pela primeira vez, aquele sorriso familiar e estonteantemente lindo que lhe tirava o fôlego.
- Como vou pegá-las? Curandeiro, sou cria dos nômades e a filha de um ladrão, comprada e quitada. Ele as roubou de você, eu as roubarei dele. Eu conheço o assunto melhor que ele. Só preciso encontrá-lo.
Pág.: 373

Originalidade é o que não falta nos livros do Terry Brooks, só lendo para entender todo o meu delírio e ânsia para ler todos seus títulos. Não poderia deixar de concordar que as obras do Tolkien serviram de inspiração para o autor, mas neste volume ele conseguiu se distanciar dessas taxações feitas pelos fãs da trilogia Senhor dos Anéis. Apesar das obras contarem com desfechos definitivos, não recomendo uma leitura fora da ordem de lançamento, vez que alguns elementos e spoilers de A Espada de Shannara estavam presentes neste livro. 

No que diz respeito à diagramação, posso afirmar que a editora manteve as mesmas características da obra anterior, isto é, um tamanho de fonte pequeno, capítulos terminando e iniciando na mesma página e um mapa (frente e verso) posterior ao sumário. Já na edição contamos com páginas amareladas e uma bela ilustração na capa. Encontrei um minúsculo erro de revisão, mas nada que possa interferir no seu entendimento. Leitura para ontem!

PS: Aos que não sabem, a MTV vai produzir uma série sobre Shannara ainda em 2015, sendo que a primeira temporada será baseada neste livro aqui resenhado. O seriado terá Austin Butler, como Wil Ohmsford, Poppy Drayton, como Amberle Elessedil, Ivana Baquero, como Eretria, dentre outros.