Redenção: Legionella - M. A. Costa


Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Se há algo que me encanta na literatura brasileira é a criatividade de alguns escritores. Apesar do autor esbanjar criatividade ao compor seu mundo "futurista", Redenção: Legionella não supriu minhas expectativas, mas conseguiu chamar atenção em alguns aspectos bem pensados e que dizem respeito a ética e ao contexto geopolítico e cientifico existentes atualmente, além de pequenas referências a fatos históricos, como a ideologia Nazista de Hitler e sua obsessão por uma raça pura e "limpa". 


Caos, ódio e morte voltam a bater à porta da humanidade. No século XXVI, um grupo racista desenvolve uma super bactéria que mata seletivamente. Caberá a Peter Brose, político jovem, influente e bem intencionado, o desafio de salvar a humanidade de sua autodestruição. Entretanto, sua experiência de vida não o preparou para os fatos deploráveis que se seguirão.
Legionella, primeiro livro da série Redenção, dá o pontapé inicial nesta trilogia de ficção científica com muita ação, suspense e imaginação. Ao mesmo que o mundo idealizado pelo autor tem a plausibilidade como principal característica, os personagens que nele habitam são únicos, e os caminhos que a obra segue são marcados pelo inesperado.
Além de entreter, a obra de M.A. Costa leva o leitor a refletir sobre a essência humana e os caminhos que a humanidade insiste em seguir, apesar de sua privilegiada capacidade de evolução como espécie e de cada um de nós como indivíduo.


Mostrando fatos importantes que aconteceram entre os anos de 2030 a 2580, logo percebemos algumas drásticas mudanças no cenário geopolítico, como o estabelecimento de novas uniões entre países e culturas, e na medicina, cuja proeza foi aumentar a expectativa de vida dos seres humanos em até 200 anos. Em meio a todas essas evoluções tecnológicas e medicinais, passamos a conhecer Peter Brose, um norte americano formado em Psicologia Digital e Investigação Digital e casado com a geneticista Mirtes. Após uma ligação informando-os sobre um caso peculiar de mortes em Nairóbi, o casal parte para a região em busca de soluções e conhecimentos mais aprofundados sobre o que podeira estar acontecendo.

Legionella Pneumophila, bactéria.
- Duas horas após a contaminação - continua Dra. Pearl - o hospedeiro começava a tossir muco, em mais poucos minutos a tosse passa a ser de sangue. Segue-se febre alta e o plasma sanguíneo começa a engrossar. Cerca de quatro horas após a contaminação, o paciente chora sangue, em mais de duas horas, transpira-o. E, em até 12 horas, o paciente morre por insuficiência cardíaca crônica.
Pág.: 81

Logo no começo da leitura já fui percebendo que Redenção: Legionella seria uma leitura atípica devido a um simples fato: a quase ausência de diálogos. Isso se deve ao fato da obra ser narrada como se fosse um caderno de memórias, onde o foco central são os acontecimentos da vida de Peter. Consequentemente, o leitor é presenteado com grande riqueza no detalhamento de acontecimentos do passado e presente. Apesar da trama se passar em um futuro distante, percebi algumas referências a nossa atual realidade, como a busca pelo controle de natalidade (o que já ocorre em alguns países, como a China) e a busca cultural em meio a uma padronização vigente em nossa vida.

Em alguns momentos tive a pequena impressão de que a ideologia Nazista serviu como ponto central e construtivo para a elaboração da trama, vez que pude perceber certas semelhanças, principalmente quando nos referimos a "superioridade racial" e ao "nacionalismo". Apesar da obra ter um excelente desenvolvimento, não foi possível ignorar alguns trechos que estavam ali para somar páginas, e que não acrescentavam e/ou influenciavam diretamente na história.

M. A. Costa, autor.
A Legionella era uma bactéria simples, fácil de liquidar: o cloro que aplicamos nas nossas águas eliminava qualquer traço dela. Mas, esta cepa teve seu DNA modificado. Fora introduzido um gene que mudou a estrutura de sua membrana celular - a camada de gordura que reveste - tornando-a grossa e resistente. O cloro simplesmente não conseguia mais romper esta camada causando a posterior oxidação e destruição da bactéria.
Pág.: 197

Aos que não sabem, o livro é o primeiro livro de uma trilogia, portanto, não contamos com um final definitivo. Entretanto, o encerramento presente neste volume não deixa a desejar. Apesar de ter gostado da premissa, alguns detalhes no desenvolvimento da trama me incomodaram, como o fato do ritmo da leitura ser arrastada no começo, em consequência das inúmeras informações ali presentes. Mesmo que a obra tenha seus defeitos, recomendo que cada um leia e tire suas próprias conclusões.

A diagramação está impecável, temos fontes alternadas quando está sendo narrado relatórios, avisos e manchetes televisivas, e um bom espaçamento entre linhas. Na edição temos folhas amareladas, um mapa no meio do livro, uma imagem estampando o início de cada capítulo e uma bela capa. Apesar dos cuidados com a aparência da obra, a revisão deixou alguns erros para trás.