Dia 21 - Kass Morgan

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

The 100 foi uma das raras vezes em que uma série de livros me deixou contente com seu desenvolvimento, vez que a escrita da Kass Morgan, juntamente com a trama, conseguem despertar curiosidades e ansiedade para dar continuidade na leitura. Para minha felicidade, a Galera Record lançou o segundo volume, Dia 21, onde podemos perceber alguns enfoques e progressos significativos na história, em especial, os acontecimentos na Terra que antecedem a chegada dos 100. 





Dia 21 - Vinte e um dias após os cem terem chegado à Terra com a missão de recolonizar o planeta, um inimigo desconhecido é descoberto. Pensa-se que eles eram os únicos humanos a pisar na superfície terrestre em séculos, mas agora, nada mais é certo. Entre resgates, buscas e romances, segredos são revelados, crenças são quebradas e relacionamentos são testados.









Depois de terem ciência de que não estão sozinhos na Terra, os sobreviventes passam a viver com medo de serem atacados novamente pelos terráqueos que levaram Octavia. Diante da falta de recursos alimentícios e médicos, Wells passa a ter certa liderança sobre o grupo, tentando estabelecer a paz e algumas regras na clareira. No entanto, tudo muda quando eles conseguem capturar uma terráquea, aumentando ainda mais a tensão e medo de alguma revanche por parte do povo dela. Na visão de Bellamy e outros, ela deveria ser usada como moeda de troca, já Clarke e Wells acham que ela pode ser usada como uma rica fonte de conhecimentos sobre o passado do planeta. 

 Banner da série televisiva.
- Já ouviu o ditado "Não morda a mão que a alimenta"? - rebateu ele, com um sorriso. - Ou, por que não colocamos nesses termos? Temos dois coelhos, como você ressaltou de forma tão inteligente, e somos muito mais do que duas pessoas. - Noventa e três, para ser exato, embora ninguém precisasse ser lembrado do fato de já terem perdido tantos membros do grupo. - Nem todos vão ganhar um pedaço. E você acabou de deixar essa decisão um pouco mais fácil para mim. Então, obrigado. - Ele esticou a mão como se a oferecesse para Lila apertar. - Fico muito grato pela sua ajuda.
Pág.: 90

Um dos primeiros pontos que percebemos logo no começo da leitura é a forma como a trama irá se desenvolver. Diferentemente do primeiro volume, em Dia 21 Kass Morgan deu mais atenção à elaboração de seus personagens, mostrando seus conflitos internos, sentimentos e alguns segredos durante a "estadia" na Terra. Aproveitando esse gancho emocional, ela inseriu em seu enredo alguns mistérios e revelações acerca do passado do planeta, fazendo uso de argumentos consistentes e convictos, sobretudo nas questões ligadas a sobrevivência dos terráqueos e as bombas nucleares lançadas durante a guerra. Embora tenha tido um ótimo desenvolvimento, o romance de Glass e Luke foi quase que insignificante para o contexto da trama, servindo unicamente para mostrar a situação na Colônia.

Apesar da autora ter dado mais enfoque ao desenvolvimento de seus personagens, ainda podemos perceber as questões políticas como plano de fundo, principalmente quando nos referimos a distribuição de recursos e organização espacial, tanto na Colônia quanto na clareira onde os 100 vivem, uma vez que percebemos uma grande disputa por alimentos e espaço dentro das cabanas. A narrativa ainda continua sendo feita em terceira pessoa e em capítulos intercalados entre o ponto de vista da Clarke, Bellamy, Glass e Wells.

"O conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância." (Buda)
Wells o ignorou. Enquanto os outros cadetes sempre pareciam energizados pelos exercícios de treinamento em Walden, aquilo deixava Wells exausto. Não o componente físico - ele gostava de dar voltas correndo na pista de gravidade, e de lutar nos exercícios de combate. Era o resto que o deixava vagamente nauseado: conduzir invasões de treinamento em unidades residenciais, parar consumidores aleatórios no Entreposto para interrogá-los. Por que tinham que supor que todos nessa nave eram criminosos?
Pág.: 232

Bem como já sabem, o livro faz parte de uma trilogia, portanto, ainda não contamos com um final conclusivo. Todavia, posso afirmar que o encerramento desta obra consegue deixar o leitor ainda mais ansioso para ler o terceiro volume, Homecoming. Felizmente, ou infelizmente para alguns, a trama aqui presente se diverge bastante quando relacionamos com a apresentada na série televisiva, o que para mim é interessante, pois podemos ter uma visão diferente do que está acontecendo nas telas. Por esses e outros motivos, recomendo a leitura da obra. 

A diagramação está um pouco simples; com um tamanho de fonte mediano e um agradável espaçamento entre linhas. Já a edição conta com o estilo clean da capa, além de trazer páginas amareladas. Sobre a revisão, encontrei somente um erro, mas nada que interfira no entendimento.