Mundo Novo - Chris Weitz

Hey pessoal, tudo bem? 

Há algum tempo que já cobiçava um exemplar de Mundo Novo e o motivo era sua premissa instigante e uma capa linda com cores fortes. Contudo, a leitura não foi agradável e a obra se mostrou mais uma história de romance adolescente recheado de clichês, e não o grande apocalipse que promete. 


Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos.
Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes.
Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.



Um vírus mortal, relacionado com a produção de hormônios no organismo humano, erradicou toda a população adulta e infantil do planeta, deixando apenas os adolescentes de até 18 anos sem serem infectados. Contudo, ao atingir tal idade, eles começam a apresentar os sintomas e acabam morrendo e é assim que é dado o pontapé inicial da história, com a morte do irmão de um dos protagonistas e a busca do irmão sobrevivente pela cura para a doença para salvar seus amigos e aquela que ama. O título Novo Mundo se relaciona realmente a um novo mundo criado após a morte de tanta gente. O planeta se dividiu em facções cujo único objetivo é a sobrevivência. 

Bem-vindo ao Mundo Novo
UM BOM LIVRO É O SANGUE PRECIOSO DE VIDA
DE UM ESPÍRITO MESTRE, CONSERVADO E GUARDADO
COM O PROPÓSITO DE UMA VIDA PARA ALÉM DA VIDA
Pág.: 76

A narrativa é feita sob dois pontos de vista, o de Jeff e o de Donna. Ele é o típico cara nerd que herdou de seu irmão o título de líder de sua tribo e deve fazer de tudo para encontrar uma cura para a doença, mas gasta a maior parte do seu tempo se remoendo por não conseguir se declarar para Donna, dizer que a ama e todo aquele blá blá blá clichê de adolescente que estamos tão acostumados a ver em Malhação. Donna me agradou, e muito. Sua personalidade é ímpar e a maneira como ela narra a história de maneira irônica e sarcástica faz com que o leitor simpatize com sua trajetória e torça por ela no final. Sem contar que ela é uma sniper muito talentosa.

O mundo criado por Chris Weitz é rico em detalhes e muito bem construído, contudo, o que decepciona na obra é que o foco do autor não é no apocalipse em si, mas sim a história entre Donna e Jeff, e toda aquele esquema: Garoto é apaixonado pela garota mas não tem coragem de se declarar > garoto se declara para garota > garota fala que são amigos e que nunca pensou nele assim > garota percebe que o amor estava sempre do seu lado. É basicamente isso que acontece no livro todo, ficando o apocalipse - Donna o apelidou de Poca - como mero plano de fundo. As vezes os pensamentos dos personagens estão tão focados um no outro e no quanto querem estar juntos ou com ciúmes que esquecemos algumas vezes que o mundo está acabando. 

Um vírus foi capaz de acabar com o mundo como o conhecemos. Que o apocalipse comece!
Então. Meia hora atrás eu estava bebendo com Minifu e Peter, em um episódio de, tipo, Gossip Girl Pós-Apocalipse. Agora, pela terceira vez em poucos dias, estou sendo caçada por assassinos psicopatas.
É um ótimo treino aeróbico. Mas, de modo geral, fugir de canibais, hippies enfurecidos e atletas com metralhadoras não é minha praia.
Pág.: 181

O final foi meio forçado e inconclusivo, o que pode ter sido proposital para uma possível sequência. As mortes deram a impressão de que o autor usou alguns personagens para alcançar um determinado objetivo e quando ele não precisava mais deles ele os matava de uma forma qualquer, não dando credibilidade para as cenas, o que é estranho vez que o autor é renomado por ter dirigido e escrito o roteiro de A Bussola de Ouro e Crepúsculo: Lua Nova, e lá conseguiu, mesmo em um mundo cheio de criaturas fantásticas, convencer o leitor com veracidade das mortes presentes.  

A edição está linda. A capa é de um tom laranja forte, possui o título escrito como se fosse uma pichação em um muro e ilustrações em preto e branco dos personagens da obra, cada um com um estilo bem próprio e diversificado. A revisão está impecável, as folhas são amareladas e os capítulos possuem fontes diferentes, uma que simboliza a narrativa sob o ponto de vista de Jeff e uma outra para demonstrar que é Donna quem está narrando. As referências à cultura pop são um ponto positivo na obra, mas não o suficiente para ofuscar os demais problemas na história. 

Vale lembrar que essa é minha opinião pessoal e que, apesar de não recomendar a leitura, muitos blogueiros gostaram da obra e recomendam. Fica a critério de cada um ler ou não ^_^.