Os Servos do Apocalipse - Cleiton Machado


Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Livros com conteúdos ligados a religião sempre são taxados como polêmicos, principalmente quando eles são contrários aos preceitos do Cristianismo, como os livros do famoso escritor Dan Brown. Recentemente tive a oportunidade de ler o livro do autor nacional Cleiton Machado, Os Servos do Apocalipse, cuja obra não só aguça os sentidos do leitor como também apresenta inúmeras polêmicas. Mas, como nem tudo são flores, pude perceber algumas falhas que, corrigidas, poderiam melhor o enredo. 







Desde o ano de 1559 um segredo é guardado e se perde no tempo com a morte de um Monarca. Esse segredo revela fatos os quais uma vez comprovados podem levar á salvação da humanidade. Após 454 anos este segredo está prestes a ser revelado, porém, o fim da humanidade pode estar próximo e sua revelação será em vão.







Muitos mistérios rondam os escritos da Bíblia, e para muitos pesquisadores isso a torna interessante para seus estudos. Enquanto dava sua aula, o pesquisador Dr. Henry Leflour é interrompido em meio às suas explicações por um rapaz que entra em sua sala apressadamente e lhe entrega um envelope, que mais tarde revelaria conter um papiro com um enigmático escrito. Defronte de tal objeto, ele chama seu amigo Vicenzo Marchelli, também professor da Universidade de Paris, para lhe ajudar no caso. Contudo, diante de um assassinato e da insegurança causada, os dois acabam percebendo a importância daquele pedaço de papel, levando-os à busca pela solução dos enigmas e a revelação de quem seria o possível Apocalipse. 

"Pra que tanto dinheiro? Não adianta por no bolso do terno... Eles não aceitam isso lá no inferno" - Apocalipse 16

- Pelos meus estudos, as previsões de Nostradamus sempre apontaram mais para as mazelas do mundo, inclusive indicando o anticristo, sempre dizendo que seriam três e o último seria o responsável pela terceira guerra mundial. - Leflour começa a abrir a bíblia em "Apocalipse" e analisar as centúrias enquanto Marchell observa em silêncio e atento.
Pág.: 39

Uma das coisas que chamou a minha atenção antes mesmo de ler o livro foi justamente o ponto central da trama, o Apocalipse. Entretanto, pude perceber certas similaridades com os escritos do cultuado e criticado Dan Brown, principalmente quando pegamos referências religiosas ligadas a grupos praticantes de seitas secretas que buscam a todo sacrifício ocultar os enigmas, e aqueles que buscam decifrar os mesmos. Apesar dessas características funcionarem dentro do contexto da história, senti falta de um grupo perseguidores mais persistentes e atrozes, já que eles acabaram passando a imagem de fracos e desinteressados. Entretanto, Cleiton fez um excelente trabalho ao incentivar o imaginário do leitor no decorrer da obra sobre quem poderia ser o Apocalipse e os Quatro Cavaleiros.

Já sabemos que quando uma trama é feita em terceira pessoa o autor ganha um pouco mais de liberdade para detalhar o ambiente, apresentando para o leitor visão mais ampla do seu mundo, fator que foi bem trabalhado na narrativa presente na obra. Porém, pude perceber algumas repetições de palavras e o fato de que a caracterização dos personagens, bem como dos ambientes que se passam a história, ser feito de forma direta e linear, como uma mera descrição tópica em certos momentos, como se estivéssemos lendo uma ficha cadastral. Além disso, algumas explicações dos termos  desconhecidos empregados poderiam ser colocados como nota de rodapé, o que talvez aumentaria a fluidez da narrativa.

Cleiton Machado

CENTÚRIA VI - 92 
Quarenta e cinco graus, o céu em chamas,
O fogo próximo da grande cidade nova,
Uma enorme chama irromperá para o alto
Quando se puserem os normandos à prova.
Pág.: 69

Muitos chegaram ao final com a pergunta: "Quem é o Apocalipse?". A resposta é um tanto inusitada, mas confesso que achei ÉPICO e POLÊMICO o nome da pessoa, simplesmente adorei. Os Servos do Apocalipse é um bom livro para ser lido em uma tarde, simplesmente pelo mergulho que o leitor faz ao se deparar com os enigmas e escritos de Nostradamus. Poderia deixar minha recomendação para todos, mas como a trama trabalha sobre um assunto tão delicado quanto a religião, irei deixá-la àqueles que tenham mentes abertas, independentemente da história ser ficcional.

A diagramação está simples, com um tamanho de fonte mediano, sumário e um ótimo espaçamento entre as linhas. Na edição temos folhas amareladas, uma ilustração na capa que nos remete a algo sombrio e/ou gélido, o que combina com o assunto da trama. Sobre a revisão, encontrei somente um erro no nome de um dos protagonistas e alguns de concordância, mas nada que interfira no entendimento.

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre NegraTigana, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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