A Menina Que Tinha Dons - M. R. Carey


Hey pessoal, tudo bem?

A Menina Que Tinha Dons é um livro que, pelo título, engana o leitor. Quando vemos o nome e que o autor foi roteirista de X-men e Hellblazer (Constantine), imaginamos uma criança com superpoderes e habilidades que vão muito além da compreensão humana, contudo, o que nos é apresentado é algo mais simplório, mas de extrema importância. Um dom que todos nós temos e que muitas vezes esquecemos de usar. 




Cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um bestseller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.




O livro conta a história de Melanie, uma criança que todos os dias é tirada de sua cela, amarrada em uma cadeira de rodas pelos braços e pescoço e é conduzida para uma sala de aula, onde professores não só os ensinam, como avaliam a curva de aprendizado de cada uma das crianças. Com o tempo e passar de páginas, vamos descobrindo o que realmente está acontecendo e o motivo pelo qual todos parecem ter tanto medo dela e das demais crianças que são semelhantes à protagonista. O mundo como o conhecemos não existe mais.

Faminto

Agora ela tem 10 anos e a pele de uma princesa de contos de fadas; uma pele branca como a neve. Então ela sabe que, quando crescer, será bela, terá principes atropelando-se para subir em sua torre e resgatá-la.
Pág.: 7

A enredo em si não me agradou muito. Como disse no começo do texto, o título e qualificações do autor fazem com que sejamos levados a acreditar que a obra seguirá um determinado caminho e, à medida que vamos lendo, percebemos que não é nada daquilo. Contudo, o que me agradou na obra foi justamente a sua simplicidade, não temos poderes mirabolantes e habilidades sobrehumanas, mas sim, uma relação fraternal entre uma criança e sua professora e o objetivo que uma tem de manter a outra viva em um mundo cujas bases ruíram. A narrativa é em terceira pessoa e não irá agradar a todos, vez que ela não é tão dinâmica quanto os demais livros do gênero, tendo um estilo mais descritivo, chegando a causar impaciência em algumas situações em face à morosidade no desenrolar dos fatos.

Os personagens dividem opiniões. Ao passo que a Srta. Justineau e Melanie despertam no leitor sentimentos de simpatia e afeto, outros como a Dra. Caldwell e o Sargento Parks despertam, inicialmente, o mais profundo desprezo, o que aos poucos vai mudando com relação ao Sargento vez que vamos vendo suas motivações e atitudes ao longo da trama. A protagonista é capaz de comover e assustar o leitor, ela não possui poderes, como já foi dito, mas isso também não quer dizer que seja humana. Cabe a cada um ler e descobrir o que ela realmente é.

Estado Atual do Mundo

Ela saiu da linha de visão da Melanie, muito rapidamente. Melanie quer chamá-la de volta, quer dizer algo que a faça ficar: Eu amo você, Srta. Justineau. Serei uma deusa e um titã para você, e vou salvá-la. Mas não consegue dizer nada, entra o pessoal do sargento e leva as crianças uma por uma.
Pág.: 29

Chocante é uma palavra que pode descrever o final do livro. Jamais esperaria algumas atitudes de determinados personagens, ao passo que a de outros já eram bem previsíveis, mas ainda assim, chocantes. O autor não se preocupa com um final feliz ou cheio de alegria e vida, muito pelo contrário. Por isso, se espera um livro como um conto de fadas, desista, pois M. R. Carey nos apresenta o mundo como ele realmente é, um lugar onde o mais forte sobrevive.

Essa foi a primeira publicação da Fábrica123, novo selo de fantasia da Rocco, e devo dizer que a edição está belíssima. A capa é soft touch (aquela sensação de emborrachamento) e é fiel à versão americana, possuindo as mesmas cores e arte de capa. Os tons de amarelo e vermelho utilizados são bem chamativos, a diagramação está simples, mas bem estruturada e não achei nenhum erro de revisão. Recomendo a leitura para quem não espera um final feliz e poderes mirabolantes, mas sim uma aventura cruel cuja morte permeia todas as páginas.

Abraços,
      Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Bacharel em Direito pela UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos.

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