Vintage Rock Resenha: O Reino das Vozes Que Não Se Calam - Carolina Munhóz & Sophia Abrahão


Hey pessoal, tudo bem?

Há algum tempo estava querendo dar uma mudada em alguns aspectos e abordagens do blog e a primeira delas será uma parceria entre o Vida de Leitor e a Vintage Rock Store. A Mayra, administradora da página, que além de uma grande leitora também possui um estilo único de ver o mundo, irá resenhar alguns livros aqui para o blog, trazendo para vocês um texto de qualidade, mas que foge aos padrões que sempre utilizamos. Penso que isso não só agradará muita gente, como também trará uma visão um pouco diferente das obras que estão circulando hoje pelo mercado.

Espero que gostem e deixem a opinião de vocês sobre o que acharam dessa ideia nos comentários ^_^. 

Att.
Matheus Braga
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Olá Vintagers, tudo bem?

O Reino das Vozes Que Não se Calam é o primeiro livro da autora Carolina Munhóz em parceria com a atriz e cantora Sophia Abrahão (intérprete da personagem Mia na adaptação brasileira de Rebeldes).






O Reino das Vozes Que Não Se Calam traz uma espécie de conto de fadas contemporâneo, em que um mundo mágico é palco para uma história de autoconhecimento e o poder dos sonhos, o romance conta a história de Sophie, uma garota cansada de sofrer com a indiferença das pessoas até descobrir um Reino onde seus talentos são reconhecidos. Cedo ou tarde, porém, ela terá que decidir entre a realidade e a fantasia, numa jornada repleta de descobertas e desafios.





Resumo
Sophie é uma garota de 17 anos, vive em uma cidade pacata e estuda em uma escola normal. Apesar tudo, ela é diferente. De gosto “peculiar”, como muitos dizem, ela é ruiva e curte Rock’n Roll, gosta de usar roupas largas (preferencialmente blusas de bandas), tênis All Star e caveiras, um estilo considerado descolado por alguns e esquisito para muitos.

Porém ela possui um distúrbio alimentar e exibe uma magreza fora do comum, e por isso é taxada por todos de anoréxica e esquisita. Com isso já dá para perceber que Sophie sofre muito todos os dias, o que a torna uma garota triste, muito fechada, insegura e que enxerga a escola e sua cidade como um mundo cinzento, sem vida e cheio de criaturas asquerosas e cruéis. Sua melhor amiga, Anna, é aquela típica garota popular com um namorado gato e uma turma descolada e que, apesar de gostar de Sophie, fica evidente que elas não pertenciam a um mesmo mundo.

"Se você encontrasse um lugar onde todos te aceitassem... Seria capaz de abandoná-lo?"

Nossa protagonista adora explicar os acontecimentos em sua vida com trechos de algumas músicas, uma delas (e a que mais me chamou a atenção, e que eu amo) é Aerials da banda System of a Down

A vida é uma cachoeira
Nós somos um no rio
E um, de novo, após a queda
Nadando pelo vazio
Nós escutamos a palavra
Nós nos perdemos
Mas, encontramos de tudo...
- System of a Down, Aerials (tradução livre)

A letra diz claramente que a garota sofre de uma grave depressão graças às constantes humilhações dos colegas e a pressão dos pais em tentar ajudá-la. Sua situação nos atenta a uma questão séria e constante na realidade dos jovens, o bullying!

Eis que em uma noite de muitas humilhações, Sophie chega em casa arrasada e ao adormecer se sente “sugada” (esse é o termo que ela utiliza para retratar a sensação interessante e até então desconhecida) para uma outra dimensão, um mundo maravilhoso onde ela pode ser ela mesma e é aceita e admirada por todos, um lugar onde ela é uma princesa. 

Sophie passa por uma experiência incrível neste reino encantado chamado Reino (sim, esse é nome), e lá ela conhece criaturas excêntricas como pássaros gigantes, uma linda Fênix e um gato falante que canta Jazz. Neste lugar mágico ela encontra uma família, um povo que está pronto para lhe dar todo o amor e respeito que ela merece, eles são os Tirus (o legal é que este é o nome carinhoso dado pela atriz Sophia Abrahão para os seus fãs).

As descrições do Reino me lembraram os cenários do filme Malévola.

Apesar de se apaixonar por este novo mundo e querer viver lá para sempre Sophie não pode, ela precisa se dividir entre a realidade cinzenta e o “sonho” colorido e cheio de vida que é Reino. Com isso a garota vai ficando mais triste e deprimida por ter que suportar viver a realidade, mas ela percebe que nem todos querem feri-la depois que conhece um garoto mais que especial, lindo, rockeiro (hihihi) e descolado chamado Léo, que faz de tudo para chamar sua atenção e fazê-la enxergar que podemos aproveitar a vida ao máximo. 

Léo

Posso dizer que fiquei in love com o Léo por ele ser descrito como uma garoto tão fofo e meigo, daqueles que a gente fica querendo pegar no colo e sair correndo, mas vocês precisam ler e tirar suas próprias conclusões.

Opinião

Quando peguei O Reinos da Vozes Que Não Se Calam para ler, não sabia o que iria encontrar pela frente, principalmente por não saber como a questão do bullying, intercalada com um mundo fantástico, seriam abordados. Posso dizer de olhos fechados que me surpreendi, vez que nas entrelinhas da história podemos refletir sobre causas muito sérias envolvendo a autoaceitação, o preconceito, a depressão e até mesmo o suicídio. Mas toda essa questão “pesada” é dosada com uma porção de magia, porque nossa vida seria muito sem graça sem uma pitada de mágica, não é mesmo?

Neste livro conhecemos uma garota de personalidade forte, muito inteligente, mas que é muito maltratada - emocionalmente falando - que precisa de ajuda e encontra neste mundo encantado um refúgio. Porém, ter que escolher entre viver em um mundo eternamente feliz onde você é amada incondicionalmente e outro onde você é julgada e ridicularizada o tempo todo parece uma escolha fácil, não é? Mas será? É neste momento que nossa protagonista passa por momentos de provações e escolhas difíceis.

Outro ponto que me chamou muito a atenção na obra foi que, além da história, a autora explorou muito os elementos musicais (mais relacionados ao Rock, que é minha paixão, hehe) citando Ramones, Kurt Cobain, The Beatles, Oasis e muita gente bacana.

Playlist

Acredito que Carolina e Sophia alcançaram seu objetivo de atingir um público mais jovem unindo assuntos pertinentes a essa geração com uma escrita jovem e uma pitada de humor sarcástico e engraçado. O livro possui uma diagramação muito bonita, e na capa traz Sophia Abrahão como Sophie dentro de uma floresta densa que entendemos que seja um paradoxo entre o seu mundo sombrio e o Reino, e sua expressão preocupada nos remete à duras escolhas que Sophie precisa fazer durante o desenrolar do livro


Enfim, o Reino das Vozes que não se Calam vem para nos mostrar que nossa vida pode sim ser dura e difícil, mas precisamos ter força para carregar nossos fardos e que uma hora o sol vai nascer lindo e brilhante e aí sim as coisas irão se ajeitar aos poucos!

Rock Kisses,
             Mayra Luíza
É administradora do Vintage Rock Store e resenhista aqui no Vida de Leitor. Possui um estilo Rock Vintage de ser e, assim como Marilyn Monroe, acredita que a imperfeição é bela e toda loucura é genialSeus livros favoritos são: Harry Potter e Crônicas de Gelo e FogoSuas bandas favoritas são: Nightwish e Epica
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