Nosferatu - Joe Hill

Saudações, caros leitores, como estão?

Vocês devem ter notado que o blog ficou um pouco desatualizado esses dias e o motivo é que o Matheus, que é o adm aqui do Vida de Leitor, iria prestar uma prova de concurso e por isso seu foco estava no certame e não aqui, atrasando um pouco a ordem das postagens em geral. Contudo, agora que a prova já ocorreu, nada melhor do que voltar à ativa com a resenha da obra do filho do Mestre do Terror

Confesso que minha curiosidade quanto a trama presente em Nosferatu estava bem aguçada, o que acabou refletindo na minha saúde mental ansiedade. O livro, escrito por Joe Hill, acabou me conquistando logo nas primeiras páginas, literalmente falando, uma vez que já somos surpreendidos no prólogo.


Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. 
Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor.
E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie.
Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.
Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

Apesar de Vic poder atravessar uma ponte, mais conhecida como O Atalho, e encontrar coisas perdidas, ela implementa mentalmente que esses acontecimentos são meras ilusões da sua própria imaginação, inventando histórias sobre como achou tal objeto. Mesmo assim, ela ainda continua com suas viagens, até que em uma delas ela acaba conhecendo Maggie, detentora de um dom diferente do de Vic, que a conta sobre o Espectro, deixando-a alarmada. 

A bordo do seu Rolls-Royce, cuja placa é NSO4A2 (leia-se Nosferatu), Charlie Manx consegue viajar para o que ele próprio chamou de a Terra do Natal, onde nenhuma criança é infeliz justamente por sempre estar em clima de natal, tocando músicas natalinas, dentre outros detalhes. Porém, ele é uma pessoa doentia, maníaca, psicopata e persuasiva, que usa um dom igual ao de Vic para "resgatar" crianças cujos pais não são qualificados para cuidarem dos seus filhos. Desta maneira, ele utiliza a persuasão para convencer Bing a ser seu ajudante, que na realidade seria uma cobaia para dar encobrimento aos casos, tendo como recompensa a estadia eterna na Terra do Natal

Ilustração posterior a contra-capa

"- Eu já disse que o caminho para a Terra do Natal é pavimentado por sonhos. Este carro velho tem o poder de sair do mundo cotidiano e adentrar as estradas secretas do pensamento. O sono é só a via de acesso. Quando um passageiro pega no sono, meu Espectro sai de qualquer estrada que esteja percorrendo e entra na Via Panorâmica São Nicolau. Nós estamos compartilhando este sonho. O sonho é seu, Bing, mas a viagem continua sendo minha. Venha, quero lhe mostrar uma coisa."
Pág. 69

Quando iniciei a leitura de Nosferatu, um dos primeiros pontos que notei foi justamente a forma como Joe Hill foi apresentando os acontecimentos ao leitor. Ele consegue ao mesmo tempo ser detalhista e objetivo, surpreendendo-nos a cada página, uma vez que ficamos bastante curiosos para saber o que vai acontecer. Além disso, achei interessante a maneira como ele distribuiu algumas informações no decorrer da leitura, ao mesmo passo que estruturou a sua narrativa, feita em terceira pessoa e em capítulos que apresentam sub-capítulos datados de forma coesa, sem deixar o leitor perdido. Porém, confesso que algumas partes foram entendiantes, mas nada que me desanimou a continuar.

Desde que li Sob a Redoma nunca havia sentido tanto ódio, desprezo e raiva de um vilão como Charlie Manx, a ponto de querer atirar o livro da janela mais próxima. Maníaco e serial-killer, o cara consegue ser odiado tanto pelos personagens, quanto pelos leitores. Porém, é inegável dizer que ele consegue nos prender, sendo pelas suas formas de expressão ou pela forma como ele usufrui do seu lado persuasivo. Olhando por um certo ângulo, todos os personagens presentes nessa trama apresentam algum defeito em sua personalidade. Perturbadora, desesperadora, tortuosa e agonizante talvez sejam as melhores palavras para classificar essa leitura que acabou rompendo completamente a minha expectativa, vez que fiquei completamente surpreendido com a ideia central do enredo. 

Joe Hill, autor da obra

"- O automóvel está fazendo nós dois melhorarmos. É feito um daqueles carros que existem agora, aqueles híbridos. Já ouviu falar nos híbridos? Eles funcionam metade a gasolina, metade a boas intenções. Mas este aqui é o híbrido original! Este veículo funciona metade a gasolina, metade a más intenções! Pensamentos e sentimentos não passam de um tipo diferente de energia, iguaizinhos à gasolina. Este Rolls-Royce antigo está rodando muito bem como todos os seus sentimentos ruins e todas as coisas que já machucaram e amedrontaram você. E não estou falando apenas metaforicamente. Você tem alguma cicatriz?"
Pág. 450

Claro que não irei comentar muito sobre o final, exatamente para não acabar soltando spoilers. Porém, posso dizer que gostei dele e fiquei com um gostinho de quero mais. Fora isso, digo e confirmo, Nosferatu é uma ótima leitura, recheada de reviravoltas e futuros incertos. Contudo, acredito que esse livro não atenda todos os requisitos dos leitores que estejam procurando MUITOS assuntos sobrenaturais e horripilantes, como acontece em alguns livros do Stephen King. 

Como havia dito, o livro é dividido em várias partes, que por sua vez, também são divididas em capítulos. Além disso, na diagramação contamos com fontes pequenas e um agradável espaçamento entre as linhas, além de ilustrações que se encontram posteriores à contra-capa. A edição conta com uma bela e enigmática capa mostrando o Rolls-Royce do demônio maníaco Charlie Manx, além de termos folhas amareladas. Encontrei alguns erros de revisão, mas nada que interfira. Leitura obrigatória. 

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre NegraTigana, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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