Confesso que Menti - Justine Larbalestier

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Um coisa posso afirmar: sinopses tem um grande poder de persuasão. Confesso que Menti, da autora Justine Larbalestier, apresenta uma premissa interessante, misteriosa e que até então nunca havia lido. Entretanto, confesso que minha animação já não era a melhor, e depois que comecei a ler, ela literalmente desabou da ponte mais alta, posto que notei uma narrativa arrastada e repetitiva.  




Micah Wilkins é uma mentirosa compulsiva. Para ela, mentir é tão natural quanto respirar. Por isso é preciso prestar muita atenção a seu relato e desconfiar de tudo o que ela disser. Por que ela mente? É um segredo que envolve o outro. Tudo começou quando ela nasceu com a doença da família. E desde então Micah criou um labirinto de mentiras para manter todos afastados da única e terrível verdade. Mas quando seu namorado Zach é encontrado morto em circunstâncias violentas e misteriosas, o comportamento nada confiável da menina a transforma na principal suspeita do crime. Agora, para desvendar essa trama e provar sua inocência, Micah Wilkins promete contar apenas a verdade e nada mais que a verdade.





Nessa trama passamos a conhecer Micah Wilkins, uma adolescente de 17 anos que, quando ingressou para o colégio, fingiu ser um menino para ter maior participação e interatividade com os meninos. Depois de descoberta, passa a ter fama de mentirosa, e assim acaba inventando outras mentiras para esclarecer a primeira. Apesar de sua impopularidade positiva, Micah passa a conhecer e a namorar fora dos portões, Zach, um dos rapazes mais populares da escola e que, acreditem ou não, namora Sarah. Um certo dia, o diretor aparece na sala de sua turma avisando de que o corpo de Zach fora achado no Central Park. Nisso, uma grande comoção por parte dos alunos está para surgir, o que leva muitos a apontarem Micah como uma grande suspeita.

Capa estrangeira
"Eu sabia a resposta para essa pergunta, mas não levantei a mão. É porque os adultos não se lembram de quando eram adolescentes. Não de verdade. Eles se lembram de algo que parece ter saído de um filme da Disney e querem nos manter lá. Não gostam de pensar nos nossos hormônios ou que podemos sentir cheiro de sexo uns nos outros. Que andamos pelos corredores explodindo com um milhão de feromônios diferentes. Que nos vemos, de relance, e o mais breve olhar manda um arrepio por nossos corpos até as partes que nossos pais não queriam que existissem."
Pág. 121 

Confesso que Menti se mostrou do começo ao fim um livro bem mediano, apresentando uma estruturação precária e deficiente, uma vez que a autora não soube de forma coerente utilizar da possibilidade de narrar os acontecimentos que antecedem o presente momento. Narrado em primeira pessoa, os capítulos oscilam entre o passado e a atualidade depois da morte de Zach, sendo reconhecidos através dos subtítulos "Antes" e "Depois" presente no começo de cada um. Outro aspecto a ser mencionado diz respeito ao "Histórico Familiar e Pessoal" da Micah, visto que nessa parte gostei do posicionamento da autora em relação aos seus personagens, tais como as informações ali contidas que se mostraram essenciais para o entendimento do contexto da vida da protagonista e o que a levara a praticar a arte da mentira.

Entretanto, percebi uma certa repetição de ideias que acabaram por cansar a minha leitura, assumindo uma postura arrastada e que transpareceu deficiência na estruturação no decorrer da leitura. Um exemplo mais visível: a morte do Zach. Os personagens não demonstram empatia para o leitor, não selando aquela relação de amor e ódio, mas sim, somente de antipatia. Ademais, a questão do não saber o que é verdade e mentira foi uma sacada interessante, já que ela nos proporciona questionamentos sobre as consequências que isso por inferir na relação da sociedade como um todo.

Justine Larbalestier, autora do livro
"Rondei a árvore em silêncio. Não tinha aquela sensação de estar sendo observada. Zach estava lá em cima. Talvez tivesse adormecido. Já havia acontecido. Ele treinava tanto, ficava tanto tempo acordado fazendo os deveres de casa que frequentemente só dormia três ou quatro horas por noite. Eu já o tinha visto dormir nas aulas, no almoço. Às vezes quando corríamos , ele chegava a quase dormir em pé. Se tivesse aceitado uma bolsa em função das habilidades esportivas, poderia dormir o quanto fosse necessário, mas ele queria uma bolsa por sua inteligência."
Pág. 219

O final foi compensatório, mas devo dizer que nem isso acabou mudando minha classificação do livro. Claro que não irei comentá-lo, justamente pela absurda quantidade de spoilers que ali se encontram, além do mais, não quero estragar as surpresas. Confesso que Menti é um livro enigmático, questionador e com uma proposta original, porém, com algumas características negativas que o tornam uma obra mediana.

Alguns aspectos quanto a diagramação não me agradaram, um vez que o espaçamento das margens superiores e inferiores das páginas não estão legais (quase uma edição econômica), contudo, apresenta um tamanho de fonte agradável. Acredito que a edição poderia ter recebido um tratamento melhor, já que título do livro não apresentam auto-relevo, deixando a capa pobre em detalhes. Recomendo que cada um leia e tire suas próprias conclusões.

- Caso queira ler um trecho do livro, clique aqui

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre NegraTigana, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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