A Espada de Shannara - Terry Brooks


Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Preencher a lacuna deixada por Tigana foi algo complicado. Sendo assim, não vinha mantendo muitas expectativas para essa, uma vez que estava vivenciando a famosa "ressaca literária". Contudo, logo nas primeiras páginas de A Espada de Shannara, percebi a originalidade do autor, impondo um mundo do qual aspectos nem imaginaríamos, justamente por se tratar de uma fantasia épica. 


Há muito tempo atrás, as guerras de um anciente Mal arruinou o mundo e a humanidade foi forçada a competir com muitas outras raças - gnomos, trolls, anões e elfos. No pacífico vale de Shay o meio-elfo Shea Ohmsford sabe pouco de tais problemas, isso até o gigante proibido com poderes druidas estranhos, Allanon, lhe revelar que o supostamente morto Lorde Warlock está tramando para destruir o mundo em pequenas parcelas. A única arma capaz contra seu poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada apenas pelo verdadeiro herdeiro de Shannara. E Shea é o último dessa linhagem e nele repousa a esperança de todas as raças. Logo o Portador da Caveira, um pavoroso favorito do Mal, se dirige para o Vale para matar Shea. Para salvar o Vale da destruição, Shea foge, levando em seu encalço o Portador da Caveira.




Antes das Grandes Guerras acontecerem, a civilização era composta por humanos que por milhares de anos vinham colecionando conhecimentos que os levaram à quase compreensão dos segredos da vida. Apesar das doenças estarem praticamente erradicadas, a morte sempre foi uma segunda opção para aqueles que estavam no poder, tornando contraditória a busca pelo prolongamento da vida humana. Assim, quando as Guerras chegaram, até mesmo a geografia do mundo foi alterada e a humanidade viera a descobrir que haviam outras criaturas habitando o mundo. Desta feita, gnomos, trolls, anões e elfos, estes últimos considerados os mais importantes, acabaram se isolando depois de uma Guerra entre raças nas quatro partes do hemisfério (Norte, Sul, Leste e Oeste). ´

Deixando o passado desse mundo para trás, passamos a conhecer Flick Ohmsford e seu irmão de criação Shea - que é metade elfo -, que após conhecer Allanon, passa a ficar sabendo que é único herdeiro vivo de Shannara. Assim sendo, depois de ter ciência de sua valiosa linhagem, Shea não estará mais seguro no Vale Sombrio, já que o Lorde Feiticeiro já estava a sua procura. Nisso, uma grande aventura está para começar, percorrendo lugares nos quais eles nunca passaram, conhecendo e/ou enfrentando criaturas inóspitas, além de encontrar aliados, como Menion - Príncipe de Leah, tal como o próprio Allanon e outros, resultando em um grupo de oito pessoas em busca de uma esperança, a Espada de Shannara. 

Mapa | Veja ampliadamente aqui

"[...] Brona estava obcecado com a necessidade de aumentar seu poder de dominar os homens e o mundo que habitavam através do domínio daquela força terrível. O resultado dessa ambição foi a infame Primeira Guerra das Raças, quando ele conseguiu dominar as mentes fracas e confusas da raça humana, fazendo aquelas pessoas guerrearem com outras raças, subjugando-as ante o poder de um homem que não era mais um homem, que nem sequer dominava a si mesmo."
Pág. 132

Apesar de ser um recente lançamento aqui no Brasil, A Espada de Shannara foi publicado nos anos 70 e desde então vêm recebendo duras criticas, sobretudo, pelas "semelhanças" apontadas pelos fãs da trilogia Senhor dos Anéis para com a trama em questão. Como já era de se esperar em uma fantasia épica, a sua narrativa é bastante detalhada, porém, a escrita de Terry Brooks é de fácil compreensão, uma vez que ele não faz o uso repetitivo de palavras rebuscadas. Contudo, apesar de ser feita em terceira pessoa, senti falta de uma narrativa feita sob o ponto de vista do vilão, mostrando sua visão sobre os acontecimentos e/ou até mesmo aprofundando em sua perversidade. Fora isso, há parágrafos e diálogos enormes, o que pode incomodar alguns leitores.

A parte que mais gostei durante a minha leitura foi justamente a originalidade que o autor teve quando criou o mundo de Shannara. Ao contrário do que a maioria espera em uma fantasia épica, a trama vai sendo desenvolvida sob as ruínas de um passado marcado por guerras. A premissa é bastante simples, porém, Brooks trouxe consigo inovação, mesmo para um livro de fantasia, o que podemos perceber durante a nossa leitura, assim como nas ambientações da história. Da mesma maneira, ele soube de forma coerente e bastante detalhista mostrar-nos tanto o passado dos personagens, quanto o do seu mundo, além do perigo eminente de que um novo conflito entre as raças possa ressurgir sob as "mãos" do Lorde Feiticeiro. Ademais, a caracterização do vilão foi algo que eu não esperava e acabou chamando a minha atenção exatamente pelo modo como ele é apresentado, bem como seu passado, o que envolve diretamente a sociedade dos Druidas*

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Terry Brooks, autor da obra

"[...] O tempo tinha quase perdido o sentido nos dias intermináveis e cruéis de correr e se esconder, de lutar com criaturas que pertenciam a outro mundo. Os anos vividos, enquanto crescia em paz e solidão do Vale Sombrio, estavam distantes, dias esquecidos do começo de sua juventude. As únicas forças constantes em sua vida revirada nas últimas semanas foram seus companheiros, especialmente seu irmão. Mas eles também haviam se espalhado um a um, até que Flick estivesse sozinho, a ponto de cair de exaustão física e mental, seu mundo parecendo um louco quebra-cabeça de peças e espíritos que perseguiam e o assombravam até o limite do desespero."
Pág. 325

Apesar de ser uma trilogia, em A Espada de Shannara encontramos um final definitivo em relação a sua trama. Sendo assim, devo mencionar que o encerramento fora bem escrito e emocionante, algo que acaba nos motivando a continuar a ler os próximos livros. Fico no aguardo, ansiosamente, para ler o posterior a este, intitulado de As Pedras Élficas de Shannara, que irá contar com um dos elementos apresentados neste aqui resenhado. 

Alguns aspectos quanto a diagramação não me agradaram, dado que ela conta com um tamanho de fonte pequena e não há aquele espaçamento entre o término e o início de um capítulo, ou seja, se o capítulo 11 termina na página 151, o 12º irá começar na mesma folha, contudo, há um mapa posterior ao sumário. Temos também uma bela ilustração na capa e títulos em alto relevo, fora que há uma fita de cetim logo abaixo do nome do livro. Não encontrei erros de revisão. Leitura mais que recomendada. 

- Caso queira ler um trecho, clique aqui.

*Grupo de filósofos e estudiosos de todas as artes e ciências, responsáveis por manter os conhecimentos e as artes perdidas do mundo antigo. 

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre NegraTigana, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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