Amor na 3ª Guerra: A Ilha - M. G. Curado


Saudações, caros leitores, como vocês estão?

A possibilidade de uma terceira guerra mundial é um medo que atinge boa parcela da população, já que a cada ano encontramos maior aperfeiçoamento em tecnologias armamentistas e medicinais - no campo das armas biológicas -, o que tornaria esse conflito um dos mais mortíferos. Sendo assim, encontramos uma realidade parecida no livro Amor na 3ª Guerra: A Ilha, do escritor brasileiro M. G. Curado, entretanto, apesar de ter uma premissa capaz de fazer os leitores questionarem e levantarem possibilidades, acabei me decepcionando um pouco com algumas falhas presentes na estruturação da história.


No auge da prosperidade da raça humana, um jovem romance está para nascer. Mike e Liza são dois adolescentes comuns que vivem em Nova Iorque. Eles, e seus amigos, são jovens apaixonantes que não sabiam o que o destino iria trazer às suas histórias. Algo estaria prestes a acontecer, quando um grupo de terroristas nada habituais, com um objetivo menos comum ainda, resolve mostrar sua face ao mundo. Suas vidas de uma maneira geral, e de todos os outros homens na Terra, serão viradas de cabeça para baixo. Um novo conflito mundial está para nascer. Um conflito cujo objetivo se restringe a uma frase apenas. Permanecer vivo... Uma guerra com objetivos jamais almejados antes, em que uma vida humana nunca fora tão valiosa em meio a uma guerra de magnitude global.






Ignorando sua timidez, apesar dela ainda estar enraizada dentro dele, Mike convida Liza para irem no Central Park - local onde ocorreria algumas apresentações de bandas -, juntamente com seus amigos Beth e Jeremy, que por sua vez, é dado como um verdadeiro malandro e com atitudes impróprias para suas idades. Eles acabam indo, no precário e velho carro de J, apelido de Jeremy, para onde iriam ocorrer os shows, cuja oportunidade não poderia ser a melhor para o jovem casal. Contudo, há um ano atrás, um grupo terrorista, coordenado pelo Abdullah e financiado pelo príncipe Hatim - embora ele não participasse publicamente para não suspeitarem dele -, estava planejando um grande atentado mundial. Porém, eles iriam começar, inicialmente, por Staten Island, pertencente a Nova York, que serviria como um aviso e lembrete de como sua "arma" é poderosa e mortífera. Dessa forma, essa nova ameaça invisível, mas destruidora, colocará a vida de muitos e do novo casal em risco.

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O homem tem que estabelecer um final para a guerra, senão, a guerra estabelecerá um final para a humanidade. (John Kennedy‎)
"O objetivo era acabar com as barreiras impostas pelo próprio ser humano. Barreiras como, disputas entre vizinhos, bairros, cidades, estados, países, continentes, religiões, raças, opção sexual, idiomas, moedas e etc. Enfim, queriam a união do homem. Príncipe Hatim havia plantado essa semente na cabeça de Abdullah, e uma vez que ele já tinha uma visão similar sobre o mundo, foi apenas questão de tempo para que aquilo virasse um objetivo de vida. Esse mesmo objetivo de vida do príncipe Hatim, compartilhado ao de seu braço direito no grupo, era inserido e fomentado na cabeça dos Justiceiros."
Pág. 119
Apesar de não ler muitos livros de autores nacionais, estranhei a forma como o autor narra os acontecimentos da trama, principalmente quando a relacionamos com os diálogos, mais especificamente a sua iniciação e finalização. Além disso, ela acabou me causando uma divisão de opiniões, já que ela tem uma certa fluidez, até pelo fato de ser feita em terceira pessoa, porém, encontrei algumas repetições de palavras que poderiam serem substituídas por simples pronomes ou sinônimos adequados à essência do trecho. Ademais, há alguns "palavrões", algo que pode acabar por não agradar alguns leitores. Contudo, M. G. Curado soube, de forma harmônica, argumentar alguns eventos do enredo, sobretudo, as partes narradas sobre o ponto de vista dos terroristas, que foram as que mais gostei, pelo teor politico e fundamentalista, muito ligado a nossa realidade; claro, eliminando a finalidade de tais atos desse grupo, mas considerando somente seu fundamento. 

Ao contrário de sua narrativa, a construção de sua trama chega até ser interessante, apesar de contarmos com um romance teen que merecia uma melhor estruturação, uma vez que ele, por um certo ângulo, não acaba convencendo o leitor devido as atitudes um pouco infantis dos personagens. Por outro lado, acabei adorando a arquitetação do grupo terrorista, intitulado de Justiça Magna, composto por pessoas que em algum momento de suas vidas sofreram devido ao egoísmo de outros ou por motivos de conflitos. Sendo assim, em comemoração aos 15 anos, os recrutas ganhavam um "presente", onde poderiam matar quem tivesse feito as atrocidades contra sua vida ou de conhecidos, como uma vingança, ficando conhecidos como Justiceiros. 

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Procuramos a paz provocando novas guerras/conflitos. Seria ela inexistente? 
"Apenas Abdullah sabia sobre os sinais, e somente ele tinha ligação com o príncipe. Nenhum outro integrante tinha acesso a essa informação. Assim, Abdullah ordenara que cada um dos Justiceiros procurasse por notícias diferentes nos noticiários. Em diversos canais de televisão de diversos países. Era mais seguro pois podiam interceptar o sinal de vários satélites e assim, como uma comunicação unidirecional, era impossível serem rastreados. A internet e outros meios de comunicação estavam terminantemente proibidos durante o "período de hibernação" (assim chamavam o período de um ano escondidos). Para Abdullah, o único meio seguro de comunicação eram os sinais por meio de ondas de televisão e/ou rádio, previamente combinados pessoalmente."
Pág. 272
Como esse livro é o primeiro do que me parece ser uma trilogia, não contamos com um final definitivo, mas a junção de todos acontecimento que resultaram na eclosão da Terceira Guerra Mundial e, apesar dos erros aqui relatados, gostei da premissa do livro, até mesmo por conter assuntos discutidos na nossa realidade e/ou pelos fundamentos da "arma" utilizada. 

A diagramação está simples, porém, a edição conta com páginas amareladas, um tamanho de fonte mediano, uma bela ilustração na capa, da qual já dá uma dica do que seria essa "arma" e uma representação de Mike e Liza. Contudo, a revisão está um pouco precária, posto que encontrei vários erros de digitação. Recomendo que cada um leia e tire suas próprias conclusões. 

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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