Reiniciados - Teri Terry

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Quem me conhece sabe que sou doido por distopias pelo fato da politica estar presente, mesmo que seja em segundo plano. Digo que Reiniciados vem acompanhado com uma pergunta enigmática e filosófica: Quem eu sou? Além disso, a questão central que Teri Terry, autora do livro em questão, quis focar nesse primeiro volume foi justamente a busca de Kyla pela sua identidade, não a reiniciada, mas a verdadeira.







As lembranças de Kyla foram apagadas, sua personalidade foi varrida e suas memórias estão perdidas para sempre. Ela foi reiniciada. Kyla pode ter sido uma criminosa e está ganhando uma segunda chance, só que agora ela terá que obedecer as regras. Mas ecos do passado sussurram em sua mente. Alguém está mentindo para ela, e nada é o que parece ser. Em quem Kyla poderá confiar em sua busca pela verdade?









Depois de alguns acontecimentos, tanto políticos, quanto econômicos, o governo do Reino Unido toma uma decisão com o intuito de dar uma segunda chance aos jovens que, segundo eles, eram criminosos: Reiniciar sua personalidade. Assim sendo, conhecemos Kyla, uma Reiniciada de dezesseis anos que após passar onze meses no hospital, devido as suas constantes crises de pesadelos, fora adotada pela família Davis, onde irá passar por um processo adaptativo para sua nova vida, reaprendendo coisas básicas do cotidiano. Contudo, mesmo com essas novas possibilidades, ela não sente segura de si mesmo, ou melhor, de quem ela foi no passado. Apesar de estarem "livres", os Reiniciados são controlados através de um Nivo - dispositivo que mede o grau da felicidade - que está conectado a um chip localizado em seus cérebros, dessa forma, podendo ocasionar morte, desmaios ou convulsões caso o índice esteja abaixo de dois em dez.

Kyla, por sua vez, é dada como diferente dos demais e isso acaba sendo um benefício, tanto para ela, quanto para a Dra. Lysander - médica responsável. O medo, os pesadelos, as vozes dentro dela não a deixarão quieta, mesmo que tais questionamento sejam proibidos e violem cláusulas de seu contrato estabelecido ainda antes de sua partida do hospital. Aspirando ter um ensino educacional, ela é matriculada na mesma escola onde sua nova irmã, Amy, estuda, onde ela começará a se entrosar com os demais, possibilitando a construção de novas amizades cuja verdade e suas consequências também estão inclusos. 

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Trilogia Slated
"Isso é mais interessante. Quero dizer, sei o que eles fizeram comigo, em termos gerais. Eles apagaram do meu cérebro as sinapses e conexões que me constituíam. Minha personalidade, minhas memórias. E sei as razões pelas quais normalmente isso é feito: perigo para nós ou para a sociedade é o mais comum. Mas não sei o porquê de eles terem feito isso no meu caso específico. Será que está tudo em algum lugar dos arquivos da enfermeira Penny?"
Pág. 66/67
A narrativa de Teri Terry é feita em primeira pessoa e apesar da minha certa relutância, acabei sendo conquistado pelo seu jeito de narrar os acontecimentos. Como consequência, somos inundados com sentimentos, tais como sofrimento, dor e felicidade, e pensamentos da Kyla. Além disso, o que mais admirei nessa obra, além de sua premissa, foram justamente os questionamentos feitos, pois se aprofundarmos na tese do livro, percebemos um embasamento filosófico bem estruturado, tais como: Quem eu sou? Sou livre como dizem? Somos determinados? A verdade traz felicidade? Seria o Estado o detentor da nossa liberdade? Ou nós mesmo?

Embora muitos esperem encontrar uma trama eletrizante, com diversas cenas de ação, até mesmo por se tratar de uma distopia, Teri Terry apostou, como já havia dito no começo dessa resenha, na busca de Kyla pela sua verdadeira identidade, o que consequentemente deixa o enredo um pouco sem sal, quase dramático. Por sua vez, os Lordeiros - uma espécie de polícia - são responsáveis por agirem como a força repressora, algo que acabei admirando dado os diversos aspectos de sua atuação na sociedade, uma vez que eles capturam qualquer tipo de pessoa que apresente ideais contrários aos estabelecidos, resultando na eliminação da liberdade de expressão.

Os personagens são bem construídos, e apesar de ter admirado alguns aspectos da personalidade de alguns, Kyla acabou fragmentando a minha opinião, dado que ela é forte, pensativa e inteligente, porém, em alguns momentos, ela acaba se rendendo às suas emoções, que por sua vez nos leva a momentos dramáticos. Não que eu tenha achado isso um "problema", já que devemos considerar tudo o que ela passou e, principalmente, sua luta pela busca do que está dentro de si. E, apesar de ter ficado como plano de fundo - algo que gostei -, acabamos vislumbrando o surgimento de um romance, embora ela desacredite disso.

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Teri Terry, autora da trilogia
"- Houve essas descobertas. Não entendo muito o lado científico. Sobre memórias no cérebro. Eles estavam tentando ajudar as pessoas com autismo e coisas do tipo. Mas eles descobriram, meio por acidente, que um certo procedimento apagava a memória de uma pessoa.
- Reiniciados.
- Exatamente. Assim, essa foi a solução perfeita para a coalizão governamental. Em vez de punir severamente os criminosos, eles poderiam ter a memória apagada, que é de onde vem o termo popular Reiniciados, um recomeço. Uma segunda chance."
Pág. 325
Ao contrário de muitas distopias, o final não é tão agitado, mas mesmo assim não perde a classe em aguçar sua curiosidade para ler o próximo volume da série: Fragmentada. Olhando por um certo ângulo, acredito que Reiniciados foi um rápido livro introdutório, apresentando-nos todos os questionamentos de Kyla e alguns acontecimentos "estopim" para o que deve acontecer na sequência.

Acredito que a diagramação poderia ter sido mais trabalhada. Porém, a edição conta com folhas amareladas e um tamanho de fonte mediana, além de uma representação da Kyla na capa, apesar de não imagina-la daquela forma. Não encontrei erros de ortografia ou de digitação, o que conta pontos a favor pela revisão. Apesar dos pequenos pontos negativos mencionados nessa resenha, gostei bastante dessa leitura, da qual deixo a minha - quase obrigatória - recomendação.

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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