Quem Teme a Morte - Nnedi Okorafor

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Diferenciada talvez seja a melhor palavra para classificar essa leitura. Porém, confesso que não esperava muito de Quem Teme a Morte, uma vez que a sinopse não é tão chamativa, diferente do seu título. Contudo, Nnedi Okorafor criou uma história inteligente, intrigante e criativa, tecendo uma incrível fantasia distópica. 





Numa terra devastada por uma hecatombe nuclear, uma jovem e misteriosa mulher com o incomum nome de Onyesonwu – que pode ser traduzido como Quem Teme a Morte – descobre que tem superpoderes e foi escolhida para salvar a humanidade. Este seria um romance distópico como qualquer outro se não transcorresse na África e sua autora não fosse a surpreendente Nnedi Okorafor, elogiada pelo prêmio Nobel nigeriano Woyle Soyinka. Fantasias, batalhas, tradições e alta tecnologia, sonhos, visões, discriminação racial e sexual, tudo se mistura numa narrativa tensa e poética que confere uma nova linguagem para os romances do gênero.






Nessa trama conhecemos Onyesonwu, oriunda de um violento estrupo durante um ataque do povo Nuru aos Okeke. Já com o conhecimento de que ela é uma Ewu, que são aqueles filhos provenientes da violência e de fácil identificação, ela se vê uma vergonha para sua família e nisso observamos seu lado emocional e afetivo, além de ser temida por todos e, especialmente, pelo povo de Jwahir. Porém, sem nenhum pressentimento, ela acaba tendo alguns "apagões" que lhe revelam algumas imagens misteriosas e intrigantes, sendo que alguns deles acabaram acontecendo justamente no rito dos onze anos, tradição onde meninas eram circuncidadas, passando, a partir desse ponto, a serem meninas e ao mesmo tempo mulheres. Nesse momento, ela conhece as outras que passariam pelo mesmo rito, sendo elas: Luyu Chiki, Diti Goitsemedine, e Binta Keita, que mais tarde se tornariam amigas.

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Quem não temeria a Morte nesse deserto?
"Os combatentes Nuru esperaram pelo retiro, quando as mulheres Okeke caminhavam até o deserto e lá ficavam durante sete dias, para prestar respeito à deusa Ani. Okeke significa "aquele que foram criados". O povo Okeke possui a pele da cor da noite porque foram criados antes do dia. Eles foram os primeiros. Mais tarde, depois que muita coisa aconteceu, os Nuru chegaram. Eles vieram das estrelas e é por isso que sua pele é da cor do sol."
Pág. 20/21
Uma das coisas que mais odiei nesse livro, foi justamente a forma como a autora fez a sua narrativa, visto que esta é feita em primeira pessoa, porém, em alguns momentos - quando narrava memórias -, ela era feita em terceira pessoa. Inicialmente achei a leitura um pouco tediosa, mas avançando um pouco mais, percebemos que vale a pena passar por todo o processo de adaptação. Além disso, em raros momentos, tive dificuldade em assimilar o que é passado e presente, digo que se não fosse as idades e a presença de alguns personagens, certamente ficaria perdido. 

Diferentemente da narrativa, a trama foi um ponto principal para alavancar minha leitura, já que ela ostenta qualidades bem construídas e pensadas. Além disso, passamos a ter conhecimento sobre alguns traços culturais pertencentes a África - onde a história se passa -, e apesar de alguns detalhes serem ficcionais, é possível captar a essência e origem dos personagens, como o fato das batalhas entre tribos e a religião que ela engloba. Ademais, notamos que a escravidão no continente africano, de fato, serviu como plano de fundo, pois os Nuru - brancos - "foram criados" para escravizar os Okeke - negros.

Uma das minhas maiores dificuldades nessa leitura foi pronunciar os nomes dos personagens, que por sinal, são bem apresentados, apesar de alguns não serem cativantes. Por se tratar de uma trama densa, com estupros, incesto e coisas do tipo, bem como magias, muitos não esperam uma pitada de romance, o que na realidade é inverídico, já que notamos uma certa aproximação de Onyesonwu e Mwita, que também é um Ewu. 

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Nnedi Okorafor, autora deste livro
"O Grande Livro falava desses lugares, cavernas cheias de computadores. Eles haviam sido colocados ali por Okeke assustados que tentavam fugir da ira de Ani quando se virou para o mundo e viu a devastação que eles haviam feito. Isso foi logo antes de trazer os Nuru das estrelas para escravizar os Okeke... ou pelo menos era o que o livro dizia. Isso queria dizer que partes do Grande Livro eram verdadeiras? Será que os Okeke haviam escondido a tecnologia em cavernas para ocultá-la de uma deusa irada?"
Pág. 352
Creio que o final poderia ter sido mais trabalhado, porém isso não retira todo o brilhantismo que Nnedi Okorafor teve quando escreveu o livro. Apesar de ter sido uma leitura complica e muito adaptativa, não tive demais dificuldades em entender o seu contexto. Além disso, recomendo que leiam os agradecimentos da autora, onde podemos ter algumas referências de como a trama foi baseada.

A diagramação está simples, porém com detalhes no cabeçalho e ilustrações de tribais africanas no começo de cada parte. Fora isso, a edição conta com fontes pequenas, páginas amarelas e uma representação de Onyesonwu na capa. Porém, não posso dizer o mesmo da revisão, pois achei erro de ortografia, como por exemplo: "epialmente" que deveria ser "especialmente".

Resenha escrita ao som de Where We Belong, Papaoutai, Princess Of China e playlist Noite Eletrônica [Spotify]

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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