O Mestre das Relíquias: A Cidade Sombria - Catherine Fisher

Saudações, caros leitores, como vocês estão?


"O Mestre das Relíquias: A Cidade Sombria" foi uma leitura que criei uma espécie de amor e ódio. Apesar da sinopse ser atraente, eu ainda me sentia inseguro quanto a trama, mas ao finalizar, fui surpreendido com uma história inteligente e intrigante, uma vez que, se ligarmos os pontos, poderemos perceber uma pitada de filosofia e até mesmo de distopia. 





A única esperança para Anara, um mundo às portas da total devastação, reside em um mestre, seu aprendiz e nas antigas e ilegais relíquias com poderes misteriosos que eles colecionam. Ao saírem à procura de uma relíquia secreta com grande poder escondida há séculos, Raffi e Galen serão caçados, espionados e testados além dos seus limites, pois existem monstros — alguns deles humanos, outros não — que também desejam o poder desta relíquia até consegui-la.






Desde que seus Criadores foram embora, Anara não era mais a mesma. Dominada pelos Vigias, um espécie de exercito, os guardiões tiveram que viver às escondidas, vez eram caçados e torturados arduamente pela "instituição" que dominava o mundo. Nisso conhecemos Galen Harn e seu aprendiz, Raffael Morel, que durante uma noite se depararam com um cavaleiro a procura do guardião, dizendo que seu povo havia encontrado uma relíquia. Assim como já previra, tudo não passava de uma armadilha planejada por Alberic, que depois de alguns acontecimentos, exigiu em troca de um objeto a captura do Sekoi que havia roubado seu ouro. Porém, a busca por essa criatura, além de levarem a conhecer Carys - espiã dos Vigias -, os conduzirão para a "Cidade Ferida", Tasceron - antiga capital da Ordem e que hoje se encontra em ruínas

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Mapa de Anara | Vejam ampliadamente clicando aqui
"A Ordem irá sobreviver. Eles jamais conseguirão matar todos nós. Nosso conhecimento está bem escondido debaixo da terra, e irá perdurar mesmo que o mundo acabe."
As célebres últimas palavras do
Arquiguardião Mardoc, ditas sob tortura
Pág. 73
Para um livro introdutório, Catherine Fisher conseguiu me surpreender do inicio ao fim, apesar de algumas partes serem previsíveis. A forma como os fatos são narrados foi uma grande aposta feita pela autora, uma vez a parte central - envolvendo todos os personagens - é narrada na terceira pessoa, o que possibilita uma exploração dos diversos detalhes presentes em Anara. Já os trechos pertencentes a Carys, é exposto como se ela estivesse relatando todas as suas observações em uma espécie de diário, o que enriquece ainda mais a trama. Além disso, ela é uma obra de fácil entendimento, o que interfere diretamente na fluidez da leitura. 

O que me incomodou bastante durante foi justamente a falta de respostas sobre alguns fatos, como por exemplo: "Como os Vigias conseguiram dominar Anara e derrubar a Ordem?", dado que isso não teve o seu devido aprofundamento. Porém, creio que esses acontecimentos sejam esclarecidos nos livros posteriores a este. Ademais, o que chamou a minha atenção foram as relíquias, visto que estas são na realidade tecnologias deixadas pelos Criadores e que se parecem muito com coisas humanas, e, além disso, são dadas como algo mágico.

Calen Harn foi um verdadeiro dilema, uma vez que ele é essencial, mas ao mesmo tempo não (o motivo não poderei dizer, pois é spoiler). Aliás, senti muita dó do seu aprendiz, Raffi, posto que este quase nem tem voz para opinar, vivendo a mandos de seu mestre. A personalidade de Carys chega a ser previsível, mas não a torna insuportável em face a suas qualidades, que sobrepõem seus defeitos.

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Livros da série Relic Master (O Mestre das Relíquias)
"Abaixo deles estendia-se a escuridão. Um vale de trevas. Torres altas erguiam-se aqui e ali; bem ao longe, estranhos domos desapareciam em meio à fumaça e aos vapores. A escuridão era pesada; até onde eles conseguiam enxergar, ela cobria tudo. Carys jogou os cabelos enlameados para trás, e Galen continuou parado, sem dizer nada.
Todos sabiam que estavam diante de Tasceron."
Pág. 191
Esperava mais do final, visto que este foi apresentado rapidamente, transparecendo que a autora queria economizar páginas ou simplesmente acabá-lo rápido. Contudo, a trama, em certos momentos, nos remete a filosofia e, fora isso, a pergunta que fica na mente é: distopia?, já que de fato há uma população reprimida por forças superiores e o ambiente é "quase" pós-apocalíptico, mas ao mesmo tempo nos deparamos com magia. A continuação se chama O Mestre das Relíquias: A Herdeira Perdida e não vejo a hora de lê-la.

Apesar da diagramação estar mediana, a edição está bem detalhista, com um alto relevo nos títulos presentes na capa, que por sinal está bonita, um tamanho de fonte agradável e páginas amareladas. Além disso, o livro é dividido em quatro partes, que por sua vez, também são divididas em capítulos e no inicio de todos há partes de livros ficcionais pertencentes ao mundo de Anara, como: Litania dos Criadores, Livro das Sete Luas, Mandamento dos Vigias, entre outros. Encontrei somente um erro de digitação na palavra "Uusava" que estava com um "u" extra. Ademais, leitura recomendada!

Ouça o que a autora tem a dizer sobre a trama

Resenha redigida ao som de Tim McMorris: Wonderful, Feeling Good Today, Were Going Up e On Top of The World

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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