Assassin's Creed: Bandeira Negra


Hey pessoal, tudo bem?

Apesar de ser uma grande fã dessa série, senti que em face ao objetivo de se manter fiel à essência dos jogos, o autor se perdeu em algum lugar na história. Por mais que Bandeira Negra tenha nos apresentado um mundo pouco conhecido dentro do enredo de Assassin's Creed, qual seja, o dos piratas e corsários, penso que a tão alucinante história que começou com Ezio e Altair teve sua base perdida e modificada. 



"Assassins’s Creed: Bandeira Negra é a mais recente novelização inspirada na franquia de games Assassin’s Creed. Escrito por Oliver Bowden, o livro começa em 1715 e conta a história de Edward Kenway, um notável pirata e corsário que viveu na Era Dourada dos Piratas. Ele é o pai de Haytham Kenway e avô e Ratonhnhaké: ton (Connor Kenway), personagens apresentados aos leitores em Assassin’s Creed: Renegado. Assassin's Creed: Bandeira negra mistura exploração naval com combate e aventuras, tanto em terra quanto no mar das Caraíbas. • Lançamento simultâneo com o game. • Só no Brasil a série já ultrapassa a marca de 1 milhão de exemplares vendidos • O game vai virar filme, produzido e estrelado por Michael Fassbender, de X-Men Primeira Classe e Prometheus. • Os games da franquia já venderam mais de 38 milhões de cópias



O livro é focado na história de Edward Kenway, filho de criadores de ovelhas e que dá uma caneca de cerveja para não entrar em uma briga, mas dá um barril para não sair de uma que já entrou - uma versão mais carrancuda e menos sarcástica e engraçada do famoso Capitão Jack Sparrow. Logo no começo temos o próprio personagem contando sobre seu passado e como se tornou um famoso corsário, para então se tornar um temido pirata. Ao longo de sua jornada ele se depara com grandes nomes, sendo um deles o lendário Barba Negra, até que finalmente se depara com a Irmandade dos Assassinos. Icem as velas, caros leitores, e embarque nessa aventura. 

Edward Kenway
"As armas abaixo estavam apontadas para a lateral do Galley. Uma palavra e abriríamos fogo com uma saraivada de tiros, o bastante para partir sua nave ao meio, mandando todos para o fundo do mar. Nos rostos da tripulação deles havia a mesma expressão aflita e apavorada. O olhar de homens apanhados desprevenidos, que agora tinham de enfrentar as terríveis consequências."
Pág. 80
A narrativa de Bowden continua a mesma. Não posso dizer se ele foi completamente fiel ao jogo, pois não cheguei a jogá-lo, mas mesmo que seu objetivo principal seja o de fazer uma adaptação, penso que em algum momento, como foi dito no começo desse texto, ele perdeu a essência da história em si, que era para ter um foco na Irmandade dos Assassinos, que dá título à série. Contudo, tirando os poucos encontros entre Kenway e alguns dos integrantes do Credo, a Irmandade em si ficou apagada, tendo o livro como foco principal as aventuras do referido personagem em alto mar.

Senti uma certa perda de linearidade nesse livro e li em alguns lugares que a justificativa da Ubisoft - produtora do jogo - fez essa "mudança drástica" com o intuito de não ficar repetitiva a história, contudo, a meu ver, para que se mude o rumo de um enredo você primeiro precisa finalizar e juntar todas as pontas soltas nele, o que não tivemos, vez que a história da maçã, a Assassina que abordou Ezio em seus momentos finais, dentre outros, não tiveram seus detalhes explicados ou sequer apresentados ao leitor.

Os personagens são muito interessantes e bem desenvolvidos, mas quando comparados com os dos demais livros, eles parecem ser maçantes e sem sal, como é o caso do protagonista, que mesmo sabendo lutar e matar seus oponentes, não possui aquele requinte presente em outros membros da Irmandade, como Ezio e Altair. Afinal, segundo Black Star, o assassinato chega a ser uma arte. Assim sendo, o título de personagem favorito vai para Barba Negra, que conseguiu me cativar desde o começo.

Quem disse que só homens podem ser piratas?
"Ele olhou para o ponto onde minha lâmina ainda incrustava em seu ombro e pescoço. Era só isso que o mantinha vivo, porque assim que eu a retirasse, sua artéria se abriria, a sacada seria banhada de seu sangue e ele estaria morto em um minuto."
Pág. 289
O final me despertou sentimentos conflitantes. Ao passo que esperava que ele fosse resistir até o fim, lutar até que não houvesse mais vida em seu corpo, também reconheço que a atitude que ele tomou foi a mais correta para sua tripulação, afinal, ele vem fazendo isso desde o começo do livro, mesmo que sua visão de certo e errado, em alguns pontos, seja um pouco mais distorcida que a de uma pessoa normal... HAHAHA.

A edição da obra segue os mesmos padrões dos livros anteriores. A capa contendo verniz localizado e alto relevo no título e nome do autor, páginas amarelas e uma diagramação simples, tendo sempre no topo dos capítulos que retratam passado ou futuro a data na qual é narrada cada acontecimento. A revisão está excelente e não achei nenhum erro de digitação. Se você já leu os cinco primeiros livros da série e é um enorme fã dos jogos ou de livros que retratem piratas, recomendo que leia essa obra para ontem, mas, infelizmente, penso que esse é o último livro da série que irei ler, vez que não estou aceitando muito bem o rumo que a saga está tomando.


Trailer legendado do jogo. 


Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
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