Tigana: A Lâmina da Alma - Guy Gavriel Kay


Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Tigana: A Lâmina da Alma, de Guy Gavriel Kay, é um livro que foi me conquistando aos poucos, pois quando li a sinopse pela primeira vez confesso que não fiquei interessado. Porém, percebi que a história se estende muito além de meras vinganças, nos transportando para um mundo com personagens dotados de personalidades fortes que, como um todo, conseguem dar vida a um mundo dominado por duas forças opressoras. 


Tigana é uma obra rara e encantadora onde mito e magia se tornam reais e entram nas nossas vidas. Esta é a história de uma nação oprimida que luta para ser livre depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. É a história de um povo tão amaldiçoado pelas negras feitiçarias do rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado. Mas anos após a devastação da sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa de recuperar um nome banido: Tigana. Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, este épico sublime sobre um povo determinado em alcançar os seus sonhos mudou para sempre as fronteiras da fantasia.



Devin d'Asoli saiu aos 14 anos de casa após conhecer Menico d'Ferraut, dono de uma trupe de cantores que utilizavam suas vozes e seus instrumentos em festas. Desta vez, eles estavam diante de uma grandiosa oportunidade para suas carreiras: cantar no Palácio Sandreni, onde velariam o corpo do duque exilado, Sandre. Para conquistar tal oportunidade, eles precisariam de passar por uma seleção organizada por um dos filhos do falecido, Tomasso d'Astibar, que por sinal ficou emocionado com a música cantada. Como já era previsto, eles tiveram seus talentos reconhecidos e foram selecionados para abraçar o ritual fúnebre que aconteceria no mesmo dia de uma festividade chamada Dia das Brasas. Contudo, Devin acaba presenciando o inicio de uma conspiração contra Alberico, o Tirano, uma traição que não traria nada além de mortes. 

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Mapa da Península da Palma
"Eu quero Brandin. Eu quero Brandin de Ygrath morto, mais do que eu quero a imortalidade de minha alma além do último portal de Morian."
Pág. 82
A narrativa é rica (milionária) em detalhes, algo que pode acabar confundindo alguns leitores. Não vou negar que tive uma certa falta de entendimento no primeiro capítulo, mas creio fortemente que isso seja pelo fato de estarmos diante da construção de um novo ambiente que fora nomeado de Península da Palma, que consistia em várias províncias que são divididas entre os dois tiranos: Brandin d'Ygrath e Alberico d'Barbadior. Além disso, a trama é narrada em terceira, o que amplifica ainda mais a visão de mundo, e é dividida em três partes. 

Com personalidades consistentes, somos apresentados aos personagens que dão vida à obra que acabou me conquistando. É compreensivo a vingança que Brandin arquitetou contra a população de Tigana, tornando-o um atroz vilão que acabou ofuscando a minha visão de Alberico, devido as suas proezas. Brandin também é o que detêm maior poder, tanto político, quanto mágico. Os demais personagens tem suas capacidades previsíveis e isso pode ser apontado como uma pequena falha por outros leitores. 

Guy Gavriel Kay fora brilhante ao arquitetar a Península da Palma, construindo uma rica cultura entre as províncias - apesar do excesso de detalhes -, além de detalhar assuntos políticos, conflitos pela posse de terras e deuses que por si só criam toda a "religião" presente na trama. Porém, acredito que a magia seja mais discutida no segundo volume, já que foi pouco abordada nesse volume, até mesmo quando nos deparamos com magos que viviam nas sombras com o receio de serem raptados pelas forças de Alberico e colocados nas típicas rodas de torturas.

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Parte da Trupe de artistas
"E, com Morian, viera ao mundo tanto a vida quanto a morte; e, com a vida e a morte, vieram os homens mortais para andar sob as estrelas recém-nomeados, sob as duas luas do céu e sob o sol do dia." 
Pág. 213
Como o livro fora dividido em dois volumes, ele não apresenta um final definitivo. Entretanto, os acontecimentos que dão encerramento a obra foram um pouco apaziguados, sem muitas cenas de conflitos. Para aumentar a minha ansiedade para ler o segundo volume, a editora disponibilizou um trecho de Tigana: A Voz da Vingança no final da obra, além de termos um posfácio exclusivo para edição brasileira. 

Não tenho nenhuma reclamação da edição, já que essa se mostrou impecável e bastante detalhada, com mapas no inicio de cada parte, além de ter o interior da capa ilustrada com o mapa da Península de Palma. Caso queiram ler um trecho da obra, você pode acessar o link que a editora disponibilizou clicando aqui

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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