The 100: Os Escolhidos - Kass Morgan

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

The 100: Os Escolhidos foi uma das melhores leituras que tive até o momento e acredito que isso seja oriundo dos elementos distópicos presentes na obra. Além disso, é perceptível menções à nossa realidade, justamente no que tange à politica, organização dos espaços e sobrevivência, seja daqueles que estão na "Colônia" ou na Terra, através dos interesses pessoais ou comunitários.





Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida.







A Colônia, lar onde a humanidade estava tentando sobreviver no espaço, estava morrendo aos poucos e sem recursos para prolongar a duração de resistência da mesma, planeja, secretamente, enviar 100 delinquentes, vez que os crimes na Colônia eram punidos com a morte, para a isolada e perigosa Terra - que ainda poderia apresentar altos índices de radiação, resultado de uma guerra nuclear que ocorrera anos atrás. Sem informarem os parentes dos prisoneiros, os réus são enviados como membros de uma experiência, com um bracelete que iria monitorar os seus sinais vitais enviando os dados obtidos para a Colônia, para que assim eles verificassem se realmente é seguro voltar para o planeta abandonado. 

Image and video hosting by TinyPic
"Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem." (Jean-Paul Sartre)
"Ela estava na plataforma de quarentena, a seção mais antiga de Walden. Quando a guerra nuclear e biológica ameaçou destruir a Terra, o espaço tinha sido a única opção para aqueles suficientemente afortunados para sobreviver aos primeiros estágios do Cataclismo. Mas alguns sobreviventes infectados conseguiram entrar em cápsulas de transporte - apenas para serem barrados de Phoenix, abandonados para morrer em Walden. Agora, toda vez que existia a menor ameaça de doença, qualquer um que estivesse infectado era colocado em quarentena, afastado do resto da população vulnerável da Colônia, o que sobrara da raça humana."
Pág. 36
A forma como a autora construiu sua narrativa foi um dos pontos mais positivos da obra, visto que somos apresentados ao presente e o passado dos quatro personagens que narram os capítulos intercalados, sendo eles Clarke, Bellamy, Wells e Glass. Além disso, ela é feita em terceira pessoa e acredito que não poderia ter sido outra, já que a trama é bem detalhada, deixando-a intrigante a ponto tornar a leitura fluida e dinâmica. 

Amor e ódio talvez sejam as melhores palavras para classificar a minha opinião sobre a Clarke, que por sinal, mostrou-se um pouco chata, principalmente quando ela expõem constantemente a sua indignação com o que Wells, seu ex melhor amigo, havia feito com seus pais. A personalidade de Bellamy diverge muito quando a comparamos com a presente na série televisiva, sendo no livro mais coerente e amigável. Entretanto, o que percebi em quase toda a obra, foram personagens dotados de características fortes, como por exemplo, a Glass, que esta a todo momento lutando pelo seu sonho de ficar com Luke, habitante de Walden, e nos mostrando as desigualdades sociais que rodeiam a Colônia. 

Além da sobrevivência, a trama trabalha de forma sensacional assuntos como política e divisão "agrária", visto que a Colônia é dividida em três partes, como se fossem estados e a junção das três, formassem uma espécie de país. Podemos complementar isso utilizando a dominação que Phoenix exerce sobre Walden e Arcadia, uma vez que estas duas são compostas por trabalhadores e carentes de privilégios. 

Image and video hosting by TinyPic
Kass Morgan, autora da obra.
"[...] Era estranho pensar que a vida continuava da mesma forma a centenas de quilômetros de distância - os waldenitas e arcadianos dando duro enquanto os phoenicianos elogiavam as roupas uns dos outros na plataforma de observação e ignoravam as estrelas. [...]"
Pág. 242
A obra não tem um final definitivo e confesso que isso foi uma das partes mais estressantes, uma vez que a trama para justamente na parte mais interessante. E o fato que mais me entristece, é concluir que a série não tem quase nada em comum com o livro, apresentando apenas alguns elementos e, obviamente, a premissa. Contudo, fico feliz em saber que existe uma continuação intitulada de The 100: Day 21, na qual fico no aguardo para dar continuidade a essa aventura. Caso queiram ler o primeiro capítulo, cliquem aqui.

A capa está bem minimalista e clean, sem deixar transparecer muitas informações, além disso, a edição traz páginas amareladas e um tamanho de fonte agradável, sem prejudicar o ritmo de leitura. A diagramação está um pouco simples e a revisão muito bem feita. Leitura mais que recomendada. 


Trailer da Série

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.