Convergente - Veronica Roth

Hey pessoal, tudo bem?

É com enorme tristeza no coração que digo que Convergente, a finalização de uma das trilogias mais promissoras da atualidade, foi a maior decepção literária que tive esse ano. A história não só tomou um rumo nada agradável, como um dos meus personagens favoritos em toda a saga sofreu uma inversão de personalidade que deixou-o irreconhecível. Nesta obra, Tobias perdeu, em minha concepção, a coragem e audácia que representavam com tanto afinco os ideais de sua antiga facção.

Este livro pode conter spoilers dos livros anteriores, mas evitarei o máximo dar spoilers sobre este. 







A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. No poderoso desfecho da trilogia Divergente, de Veronica Roth, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor.







O livro dá continuidade imediata aos acontecimentos finais de Insurgente, tendo se passado apenas algumas horas. Após a divulgação do vídeo de Edith Prior e da dominação de toda a cidade pelos Sem-Facção (SF), as facções em geral foram abolidas e uma nova ordem social foi instaurada por Evelyn, líder dos SF e mãe de Tobias, sendo uma de suas primeiras ordens a prisão de várias pessoas, estando entre elas Tris, protagonista da série. Rebeliões e tramas políticas são os principais focos desse livro, bem como a descoberta do que há por fora da cerca que sempre manteve todas as pessoas, com ou sem facção, dentro dos limites da antiga Chicago (não vou falar o que há lá fora pois seria considerado spoiler por alguns, mas gostaria de deixar clara a minha indignação para com a autora, pois ela "viajou legal" nessas explicações).

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"Por que me importo?, pergunto a mim mesma. Ele me traiu. Ele não tentou impedir a minha execução.
Eu não me importo. Eu me importo. Eu não sei."
Pág. 60
Esta obra possui o mesmo estilo de narrativa - dessa vez também sob o ponto de vista de Tobias - dos livros anteriores, que são considerados por mim leituras obrigatórias, mas a quantidade de informação e a justificativa da existência da cidade de Chicago, das facções e de tudo o que fomos levados a acreditar nos volumes passados foi, a meu ver, algo fora do comum (e digo isso no mau sentido). A autora em alguns momentos buscou justificar demais algo que não havia necessidade e outros pontos, como o motivo pelo qual Tris é imune aos soros, não tiveram nenhum aprofundamento. Era como se a autora dissesse "o motivo é que ela é divergente" e tivéssemos que simplesmente engolir isso calados, sem questionar a origem dos divergentes ou uma explicação mais detalhado sobre o assunto (eu particularmente não engoli a explicação da pureza nos genes e etc, achei muito forçado). Entretanto, devo tirar meu chapéu para a criatividade no que tange à existência dos soros das facções. Justo quando você esperava que as pessoas da Abnegação fossem os mais bonzinhos e tudo mais, vem a autora e "BOOM!", esfrega na sua cara a realidade (não posso entrar em detalhes pois prometi uma resenha spoiler free). 

Tris teve um desenvolvimento de personalidade um pouco maior do que em Insurgente, mas quem ganha destaque total no quesito personalidade em Convergente é Tobias, que sinceramente pareceu que sofreu uma lavagem cerebral, ou foi abduzido e colocaram uma cópia muito mal feita no lugar. Quem acompanhou a trajetória do rapaz que virou um mito entre os audaciosos por ter apenas 4 medos se sentirá tão frustado quanto eu ao ver que essa personalidade forte e destemida está completamente ausente e em seu lugar temos um garoto que passa a maior parte do seu tempo remoendo o passado e se sentindo para baixo, ou, segundo a Gleice do @MPessoais, ele está "mais fêmea" que ela. 

Tris e Tobias na adaptação cinematográfica de Divergente. 
"Existem tantas maneiras de ser corajoso neste mundo. Às vezes, coragem significa abrir mão da sua vida por algo maior do que você ou por outra pessoa. Às vezes, significa abrir mão de tudo o que você conhece, ou de todos os que você jamais amou, por algo maior.
Mas, às vezes, não.
Às vezes, significa apenas encarar a sua dor e o trabalho árduo do dia a dia e caminhar devagar em direção a uma vida melhor.
Esse é o tipo de coragem que preciso ter agora."
Pág. 502
Apesar de todas as criticas, que não são poucas, confesso que eu me emocionei com uma determinada cena no final, quem leu sabe do que estou falando (jurava que ia ter bolo T__T). Foi algo que foi narrado de tal maneira a dar bastante realidade à cena, o que poucos autores sabem fazer. Contudo, mesmo me emocionando e reconhecendo que Veronica narrou esse capítulo com maestria, não gostei deste final. A autora foi MUITO corajosa ao fazer o que fez, mas mesmo assim eu não gostei. 

A edição segue o mesmo padrão dos livros anteriores, sendo a tradução feita por Lucas Peterson. A diagramação é simples, com uma fonte mediana e um espaçamento entre linhas razoável, e achei apenas um erro de revisão, onde inseriram a palavra "vou" em uma frase erroneamente. Penso que cada um deveria ler o livro para tirar suas próprias conclusões e terminar a série, mas esta é uma leitura que sinceramente não recomendo, infelizmente.

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Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
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