O Terceiro Anjo - Alice Hoffman

Saudações, caros leitores, como vocês estão?


O Terceiro Anjo, da escritora Alice Hoffman, foi um livro que não deveria ter sido escrito, a não ser que o seu real intuito seja causar sonolência e... mais sono. Minhas expectativas já não eram as mais animadoras, mas depois de lê-lo, você percebe que as coisas realmente podem piorar. Desanimador, melancólico e chato, melhores palavras para definir essa obra.


Neste romance mágico, Alice Hoffman apresenta-nos três mulheres apaixonadas pelos homens errados. Madeline, uma nova-iorquina independente e com uma carreira de sucesso, sente-se irremediavelmente atraída pelo noivo da irmã. Frieda, filha de um médico de província, foge para Londres, onde se torna na musa de uma estrela de rock condenada. E a destemida Bryn está prestes a casar-se, embora esteja secretamente obcecada por outro homem. No epicentro de todas estas convulsões está Lucy Green, que se culpa a si própria por um trágico acidente que testemunhou aos doze anos no mesmo hotel onde as outras mulheres se encontram. Lucy passou as quatro últimas décadas em busca de redenção. Poderá o Terceiro Anjo renovar a sua fé? O Terceiro Anjo é um fascinante relato sobre a natureza mágica do amor e as leis da atracção. Um testemunho inesquecível do talento de Alice Hoffman, uma das mais admiradas escritoras da actualidade.


Em 1999, conhecemos Maddy, uma advogada bem sucedida já com seus 34 anos que morava em Nova York, mas que vai para Londres com o intuito de ajudar a irmã, Allie, a organizar os preparativos da sua cerimônia de casamento com Paul, um editor cinematográfico. Contudo, ela acaba se envolvendo em uma paixão proibida com o noivo, que por sinal, corresponde ao sentimento. Ela só não sabia que ele estava sofrendo por uma enfermidade. 

Recuando alguns anos, voltamos para 1966, onde conhecemos mais sobre a vida amorosa de Frieda Lewis, mãe de Paul, que ganha o seu sustento como arrumadeira no hotel Lion Park. Ela poderia muito bem ter uma vida de luxo, já que seu pai era médico e tinha condições para sustentá-la, mas por uma certa razão, ela deseja criar sua própria jornada. Nisso, ela acaba conhecendo Jamie, um astro do rock e viciado em heroína, que, obviamente, acaba se apaixonando pela jovem. 

O amor é incrível, assim como a traição.
"Casado, não. Apaixonado. Fui criado para ser egocêntrico, mas não culpo minha mãe por isso. Ela é uma pessoa incrível. Sério mesmo. Eu que sou um idiota egoísta. Deve estar em meu DNA. E no seu DNA, o que há além de beleza?"
Pág. 26

A narrativa é feita em terceira pessoa, o que possibilita uma ampla visão dos acontecimentos. Contudo, a autora não soube utilizar isso de uma forma adequada, deixando a narrativa um pouco cansável e desanimadora. Além disso, as falas são representadas pelas aspas (estilo de diálogo presente em livros em inglês), algo que não teve um grande impacto na minha leitura, porém, pode confundir alguns leitores. 

A trama é abusiva e esbanja melancolia. Apesar do livro ser dividido em três partes, sendo, respectivamente, ambientada em 1999, 1966 e 1952, todas tem o mesmo roteiro, apesar do terceiro ser um pouco diferente. Porém, o que vemos em toda a obra são sempre os mesmos acontecimentos, as mesmas atitudes e emoções, ficando uma pergunta: onde está a criatividade? Contudo, todas as histórias estão interligadas, algo que achei até interessante, mas eu trocaria a ordem das partes. 

Apesar dele ser dado como um romance, percebi só uma pequena dose do mesmo. Creio que autora quis, de certa forma, transmitir ao leitor a lição de moral de que todos nós temos e devemos seguir o nosso caminho, enfrentando os obstáculos para assim conseguir o que desejamos. Isso chegou até ser um ponto positivo para a obra, mas os seus defeitos obscureceram essa qualidade. 

A Vida e a Morte, um verdadeiro jogo. Vamos jogar? 

"[...] Na verdade, havia dois anjos, o Anjo da Vida e o Anjo da Morte, ambos ao lado da janela, esperando. Um ficava nas sombras, outro na luz; era difícil decidir qual se queria cuidando de si. E havia o Terceiro Anjo, aquele sobre o qual seu pai falara, aquele bem no centro, que podia cair para qualquer lado, aquele que se deve tentar resgatar, se puder, e foi aí que o bebê nasceu."
Pág. 185
Os personagens são carentes de características únicas e que convençam o leitor. Não existe felicidade em nenhum, pois a tristeza e o "Anjo da Morte" estão sempre aos seus lados. Em raros momentos percebi emoções reais, dando um pouco de luz a essa obra, mas depois este artificio foi deixado de lado, assumindo a postura de egocêntricos e traidores. Lucy, mãe de Allie e Mady, talvez seja a única que teve uma significativa importância na obra.

Os acontecimentos finais poderiam terem sido mais aprofundados e mais explicado, já que tudo ocorre de uma hora para a outra. Depois de lê-lo por completo, fico com a conclusão de que, inicialmente, ele nem deveria ter sido escrito, em face da absurda enrolação, além da monotonia. Contudo, caso esteja com insônia e desesperado para dormir, eis uma bela dica: O Terceiro Anjo, que está mais para "O Terceiro Estágio do Sono". 

A diagramação está simples e a edição poderia ter sido mais trabalhada, porém a capa condiz fortemente com o intuito do livro: fazer você dormir igual o anjo que está estampando-a. Além disso, as páginas são amareladas e o tamanho da fonte é mediana. Leitura não recomendada. 

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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