Infinity Ring: Dividir e Conquistar - Carrie Ryan

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Em Dividir e Conquistar, segundo volume da série infanto-juvenil Infinity Ring, escrito pela Carrie Ryan, damos continuidade às mirabolantes aventuras dos jovens Dak, Sera e Riq que começaram em Um Motim No Tempo - leia a resenha aqui -, pelas épocas mais remotas da humanidade.

Essa resenha pode conter spoilers do primeiro volume da série.



Depois de garantirem que Colombo descobrisse a América e que a Revolução Francesa fosse um sucesso, Dak, Riq e Sera viajam com o Anel do Infinito para tentar corrigir mais uma falha histórica e salvar a humanidade. O cenário agora é a Paris medieval, e centenas de navios tripulados por guerreiros vikings estão cercando a região, prontos para exigir que a população se renda. Sem saber ao certo que caminho tomar, os três jovens acabam causando uma guerra entre os parisienses e os nórdicos invasores, e se preparam para defender a cidade. Mas a situação se complica quando Dak é capturado e forçado a lutar junto ao exército adversário. Em meio a chuvas de flechas, jatos de óleo quente e ataques de catapultas, os três viajantes só conseguirão sair vivos - e continuar sua missão de restituir a ordem do mundo - se encontrarem um aliado entre os soldados inimigos mais ferozes da história.


Segundo relatos históricos, Paris foi tomada pelos vikings no dia 25 de novembro de 885, apesar de alguns historiadores contestarem essa data, pois acreditavam que a correta seria exatamente o dia 24. E acreditem, os jovens foram parar justamente nessa época crítica e delicada que poderia ser decisiva quanto ao futuro da cidade-ainda não luz

Já com as vestimentas adequadas a época, Dak, o curioso, avista alguns sacerdotes e soldados indo em direção à ponte, onde poderia entrever o semblante do sanguinário viking Siegfried, que logo em seguida adentrou em uma igreja, juntamente com os clérigos. Ele sabia que o tratado que seria feito ali era sobre a redenção pacifica de Paris e que mesmo aceitando, na manhã seguinte a cidade fortificada seria atacada pelos vikings. Pensando que essa era a fratura antes mesmo deles descodificarem a mensagem do SQuare e acharem o Guardião da História, Riq interveio na conversa acreditando que Siegfried era membro da SQ, e começou a traduzir de forma errada o que o bispo Gauzelin estava falando. Ele só não tinha conhecimento de que estava começando uma guerra.


Mapa mostrando a Île de la Cité (Ilha da Cidade em português)

"Tudo estava acontecendo muito rápido. A única coisa que deixava Sera menos ansiosa é que agora os parisienses teriam pelo menos uma chance de lutar. Originalmente, segundo Dak, depois que o bispo entregou a cidade, os vikings deram a todos uma falsa sensação de segurança, antes de destruírem a ilha na manhã seguinte. Agora, graças a Riq, os parisienses haviam tido um aviso justo e seriam capazes de organizar suas forças e elaborar um plano para se defender"
Pág. 39
A narrativa se mostrou um pouco cansativa e diverge muito quando a relacionamos com a do primeiro volume, desenvolvida pelo James Dashner. Retirando as clássicas tiradas de Dak, algo que deixava a leitura descontraída, Carrie objetivou algo sério, porém, o resultado foi falho em alguns pontos. Além disso, ela está sempre nos lembrando de que Dak é um talentoso jovem que tem bastante conhecimento sobre história, algo que achei desnecessário. 

Apesar da Carrie ter falhando um pouco na narrativa, ela acertou quanto ao desenvolvimento de alguns personagens, visto que Riq teve uma maior participação e sua personalidade foi mais explorada, deixando transparecer sua arrogância mesclada com compaixão. Porém, Sera continuou a mesma, sempre tendo as Reminiscências, que por sinal estavam só piorando, e seus ataques de nervos quando Dak desrespeitava alguma ordem, mostrando que ela sentia afeto ao se preocupar com à sua segurança.

Dak não evoluiu em nada e creio que até piorou quanto a sua personalidade, visto que as suas brigas com Riq deixaram de ser incríveis e se tornaram algo cansativo e estressante. Ademais, a sua curiosidade nesse volume ultrapassou todas as barreiras, colocando-o em diversos momentos de pavor e perigo, já que ele acaba sendo capturado por um viking, mas se não fosse pela sua incrível facilidade de fazer amizade, o dizer popular “Curiosidade mata” iria se concretizar. 

Apesar de adorar os vilões, nessa leitura não me apeguei a nenhum, já que o Siegfried quase não aparece na história, tendo uma pequena participação no começo e aparecendo com mais frequência no final. Além disso, as suas características eram obsoletas, chegando a serem previsíveis. Quanto aos Guardiões do Tempo (pessoas que eram aliadas da SQ e que mantinham um objetivo diferente dos Guardiões da História), preferi o que estava no primeiro livro, mas o Gorm aparentou ser um verdadeiro monstro sanguinário, mostrando ser uma pessoa sem coração e bastante violenta. 

Esquecendo as falhas e acertos presentes tanto na narrativa quanto no desenvolvimento dos personagens, a trama ficou mais eletrizada, detalhando mortes e afins, já que o livro inteiro é ambientando no meio de uma Guerra entre os parisienses e os Vikings, como já fora citado, tornando a nossa leitura uma quase-verdadeira aula de História, já que o Cerco de Paris realmente aconteceu entre os anos de 885 – 886, porém, não exatamente como ele é relatado na obra.

Siegfried acompanhado pelo Guardião do Tempo, Gorm

"Efeitos prolongados da Reminiscência que ela vivenciara na igreja passaram pela sua cabeça, apertando seu coração. Em alguma outra época e lugar devia haver outras pessoas com quem ela se importava, perdidas por causa da SQ e de sua busca incessante por poder. Lágrimas borraram sua visão e ela se agachou, colocando a mão sobre o rosto."
Pág. 154
De uma forma quase que deliciosa, o final foi degustado perfeitamente, ficando aquele gostinho de quero mais, em face das dezenas de explicações e revelações que vão acontecendo nos rumos finais, isso sem contar das lições de moral que o livro nos deixa, como lealdade, amizades, determinação e amor. 

Minha classificação de mediano está muito longínqua da realidade, já que, apesar dos erros, gostei bastante da leitura e a minha ansiedade para o próximo livro foi renovada e conservada a base de formol. Entretanto, o meu preferido ainda continua sendo o primeiro livro da série e espero que esta conclusão mude com O Alçapão, o terceiro volume.

A diagramação está perfeita e a edição louvável, já que a tonalidade das páginas é o amarelado, a fonte é legível e satisfatória e na capa há uma ilustração de um capacete Viking, dando uma pista do que os três jovens irão enfrentar. Recomendo que cada um leia para tirar suas próprias conclusões. 

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre Negra, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
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