Cidade dos Segredos - Sasha Gould

Hey pessoal, tudo bem?

Dizem que o primeiro livro que você lê no ano ditará se você terá boas leituras, ou não, até que o próximo ano chegue. Eu, sinceramente, do fundo do meu coração espero que essa seja a maior mentira de todas vez que o livro que primeiro li em 2014 foi Cidade dos Segredos e ele se mostrou uma obra arrastada, sem graça e com uma sociedade secreta que de secreta não tem nada. Com muito custo dei duas estrelas para a obra. 



Laura foi enviada para o convento logo depois da morte de sua mãe. Passa a maior parte dos dias em silêncio, e, apesar de ser tolerante e obediente, no fundo da alma não consegue aceitar a ideia de viver ali para sempre. Uma noite, sem maiores explicações, Laura é informada de que seu pai a quer de volta em casa. Feliz da vida, ela começa a se preparar para rever sua irmã mais velha, Beatrice, que há algum tempo deixou de responder suas cartas. O que ela jamais imaginava era chegar durante o velório de Beatrice, que morreu em uma situação inexplicável. Agora, o pai de Laura ordena que ela se case com Vincenzo, noivo de Beatrice, um homem muito mais velho e de aparência repugnante. A sociedade Segreta faz um pacto com Laura e promete ajudá-la a se livrar de Vincenzo – e a descobrir quem matou Beatrice. Sem alternativas, Laura é obrigada a depositar todas as suas esperanças nas mãos dessas mulheres enigmáticas. Mas até que ponto se pode confiar na palavra de alguém?
Após a morte de sua mãe, Laura é enviada a um convento e passa grande parte da sua vida trancafiada dentro daquelas muralhas cinzentas. Eis que seu pai manda buscá-la pois sua irmã havia morrido e como ele estava se afogando em dívidas e tendo que vender as obras de arte da casa e as joias da falecida esposa, ele precisaria que alguém casasse com Vincenzo, noivo de sua falecida filha, para que ele seja indicado ao Conselho e possa salvar a propriedade da família. Contudo, Vincenzo se mostra um velho tarado, repugnante, com cabelo saindo pelas orelhas e um hálito mais azedo que aquele cheetos de bolinha, para o desespero de Laura. Porém, nem todas as esperanças estão perdidas, pois ela é abordada pelas mulheres de uma sociedade secreta que promete livrá-la desse encargo. Tudo o que ela precisa fazer é contar-lhes um segredo. 

Shhhh....
"O sentimento de perda é uma serpente negra que se move dentro de mim; ela se mantém enrolada ali, à espreita, poderosa. Acho que nunca mais me deixará."
Pág. 23
Sinceramente não sei nem por onde começar a falar desse livro. A sinopse é instigante e muito misteriosa, contudo, uma grande enganação vez que tudo o que é dito ali foi resolvido antes mesmo do livro chegar à página 100 e é aí que os problemas com a narrativa começam. Não sei se a autora tinha alguma meta para cumprir quanto ao número de páginas ou se realmente esse é seu estilo de narrativa, mas o que sei é que esse foi um dos livros mais arrastados que já li - perdendo somente para os do Tolkien - e cheio de cenas e detalhes desnecessários. Ela se preocupava em descrever o clima e o que os outros estavam vestindo e a acrescentar diálogos que se não existissem não mudariam em nada o desfecho da obra. Contudo, na intenção de ter o que contar na sequência da obra, a autora por volta da página 200 (livro com 253 páginas) decide dar uma guinada nos acontecimentos na intenção de, a meu ver, despertar um possível interesse do leitor, interesse este que fora destruído ao longo das páginas do livro, para com a continuação. 

Os personagens são rasos e completamente desprovidos de qualquer característica que faça com que o leitor se prenda a eles ou que desenvolva aquele sentimento de que quer que algo de bom ou ruim aconteça. No lugar disso, passamos a obra toda em um sentimento de "Ah... ok", vez que a falta de personalidade marcante e caráter profundo faz com que os protagonistas tenham o mesmo destaque dos personagens secundários que só estão na história para morrer. 

Segreta!
"- Ou nós somos marionetes, ou então aqueles que controlam as marionetes - diz ela. - Sempre presos a cordas. E alguém as controla sempre. É assim que Veneza funciona; é assim que as cortinas do teatro são abertas no inicio e fechadas no final. É assim que alguns ficam ricos e outros, pobres. É assim que as promessas são feitas, mantidas e quebradas - diz ela, sorrindo."
Pág. 138
Outros dois aspectos que me desagradaram na obra. Um deles foi o fato de que a sociedade secreta não é tão secreta quanto deveria ser esse tipo de sociedade, tanto que até a abordagem feita por elas para com os novos membros é feita descaradamente nas festas de gala no palácio do Duque. O segundo fator que não gostei foi o romance entre Laura e o pintor. Sério pessoal, ela vê o homem duas vezes e já fica se remoendo querendo saber como ele está, com quem está e sentindo uma necessidade de estar na presença dele como se ela dependesse disso assim como depende de ar e isso me soou muito falso e forçado. 

A edição é muito bonita e a capa é simplesmente deslumbrante, o que nos remete aos bailes de mascara tão famosos de Veneza, cidade onde é ambientada a história. A diagramação é simples e não achei nenhum erro de revisão ou digitação ao longo de minha leitura. A diagramação é simples, porém agradável aos olhos pois o tamanho da fonte facilita a leitura. Infelizmente, não recomendo a leitura. Como disse no começo, dei 2 estrelas (de 5) para esse livro mais pelo esforço do autor do que pela qualidade da obra. 

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 8º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
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