Tempo em Fúria - Myra McEntire

Hey pessoal, tudo bem?

Ao passo que Hourglass (Amor Contra o Tempo é o título nacional), resenha aqui, foi uma das melhores leituras que fiz do segundo semestre de 2012, tenho Tempo em Fúria como uma das piores do segundo semestre de 2013. Myra me fez crer que não somente sua narrativa decaiu, como também os personagens presentes no primeiro livro não são os mesmo do segundo em face a sua mudança completa de personalidade e carisma.


Kaleb Ballard começa a enxergar dobras no tempo, mesmo não tendo o gene para isso. Será que há algo de errado nele ou está apenas por uma expansão natural do seu poder? Para piorar, Jack Landers, o homem que tentou assassinar seu pai, está de volta, aparecendo em diferentes momentos da sua vida. A organização Hourglass acaba não tendo escolha. Ou encontram Jack e os documentos que ele roubou ou a linha do tempo será alterada definitivamente. Fazendo uso do seu novo poder, Kaleb, Emmerson, Michael e outros integrantes da Hourglass partem em busca do perigoso vilão.
O livro desta vez é narrado por Kaleb, filho do Dr. Liam, um dos fundadores da Hourglass. Desde criança kaleb é atormentado pelas emoções das outras pessoas em razão de sua habilidade como empata, conseguindo então sentir tudo o que aqueles ao seu redor, ou cujo vínculo com ele seja muito forte, sentem e por isso sempre buscou refúgio nas bebidas pois elas entorpeciam seus sentidos e o impediam de "surtar". Contudo, após os acontecimentos do livro Hourglass, as dobras estão agora podendo ser vistas por qualquer pessoa e como se não bastasse a vida de Emerson (o nome é masculino, mas ela é uma mulher) está em perigo e a culpa de tudo é de Jack Landers que busca de qualquer forma uma maneira de voltar no tempo para alterar seu passado e mudar o curso da história. E, como se não bastasse, nosso herói ainda contará com a ajuda da "garota Tigresa" mais petulante do mundo e também com a possibilidade de que uma arma mais antiga que o próprio tempo caia nas mãos das pessoas erradas.

O que você faria se pudesse mudar seu passado?
"- Ah, mais que coisa. Qualquer coisa tomada pode ser devolvida. Qualquer coisa dada pode ser destruída - disse Poe, ainda sorrindo, caminhando de volta para a saída. - Teague disse que seu pai compreenderia."
Pág. 38
Estava comentando outro dia no twitter que Kaleb e Lily se tornaram meus personagens favoritos da saga, aí você me pergunta: "Mas Matheus, se você gostou dos personagens como essa pode ser a pior leitura do segundo semestre?". A resposta é "personagens secundários". Os protagonistas desse livro são simplesmente perfeitos e cada um conta com o seu diferencial e nesse aspecto a autora me surpreendeu. Kaleb, por ter o poder de empata, narra sua história de maneira a transmitir para o leitor o que ele está sentido ao sentir o que os outros sentem. Confuso? Sim, mas genial. Já Lily é aquela mulher com temperamento forte e que se faz de difícil só para conquistar nossos corações. Sem falar de suas curvas quando se veste de Tigresa... Hahahaha. Mas, infelizmente nem tudo é perfeito e o que destruiu esse livro, aos meus olhos, foram os personagens secundários, principalmente Em e Mike, o que é algo chocante pois no livro um eles eram meus favoritos. O que me leva a  reafirmar o que foi dito no começo deste texto e dizer que eles não parecem os mesmos que estavam narrando a história em Hourglass. 

Em está com uma personalidade infantil e temperamento muito impulsivo, condizente com sua idade, mas completamente não condizente com a personalidade apresentada no primeiro livro da saga. Já Michael está mais insuportável que nunca, querendo sempre ser o herói para todas as situações e tratando Em como se ela fosse de vidro e estivesse para quebrar a qualquer momento. Para terem uma noção, em uma das cenas Em sai correndo e gritando igual a uma louca quando ela vê que a Phone Company estava em chamas mas quando alguém fala que era uma dobra ela simplesmente, do nada, se acalma em segundos e fica tipo "Ah, ok então" sendo que em outros momentos ela leva horas para acreditar que algo é ou não uma dobra. Bipolar, sim ou claro?

E se ao mudar o passado, você mudasse o futuro de toda a humanidade?
"Em um segundo ele estava ali, no seguinte tinha sumido. Corri até a porta da frente, abrindo-a com tanta força que as dobradiças rangeram em protesto. Havia um véu ao lado da mesa onde ele estava sentado. ele tinha deixado uma mensagem em um guardanapo branco, escrito com tinta preta.
Agora você o vê, agora não vê mais."
Pág. 92
Um outro aspecto que não me agradou muito foi toda a modificação na dinâmica das dobras e dos véus (dobras são cenas do passado e/ou do futuro que podem ser vistas como um Flashback/forward em 3D e os véus são, como o próprio nome diz, um véu que separa o tempo presente do continuum, sendo necessário entrar em um deles para viajar para o passado ou futuro). Antes somente aqueles com o gene específico para viajar no tempo que poderiam ver, agora qualquer um pode e até mesmo aqueles que não podem viajar, como o caso de Nate e Dune, podem não somente ver como também retirar objetos de dentro da cena, como um fêmur de um esqueleto e isso, a meu ver, foi forçar um pouco demais a barra. Se quisesse mostrar que o passado, presente e futuro estavam em colapso em face às mudanças que Jack fez, poderia ter aumentado suas aparições ou mudança na ocorrência de alguns fatos históricos, e não permitir que todo mundo veja, entre e interaja com elas, já que é meio "forçação de barra" alguém que tem a habilidade de mudar as fases da lua tenha agora as mesmas "vantagens" que alguém que efetivamente viaja no tempo.

A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, como dito acima, e apesar dos pontos citados sobre os personagens e a alteração na dinâmica das dobras, ela é de fácil entendimento e rápida leitura (li em dois dias o livro). A revisão está muito bem feita e a tradução também, embora eu tenha tido uma certa dificuldade para entender alguns termos específicos no começo pois li o primeiro volume em inglês, presente da Lívia do blog Wishing a Book. A diagramação é simples e achei a letra um pouco miúda, mas nada que vá atrapalhar sua leitura. 

Bom pessoal, essa foi a minha opinião sobre a obra e devo lembra-los que ela não é absoluta e nem retrata o que o livro é em si, pois cada leitor tem um gosto e o que não é agradável para mim pode ser para outros. Recomendo que cada um leia para tirar as próprias conclusões e se ainda estão na dúvida, deem uma olhada na resenha da Chrys (Beta mais querida) aqui. Ela leu o mesmo livro e amou, cabendo então a você, caro leitor, tirar as próprias conclusões. o/

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 8º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
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