Old But Gold: Quem é um bom Garoto?

Hey pessoal, tudo bem?

Como muitos de vocês pediram, a segunda edição do Old But Gold, escrito novamente em parceria com a Chrys (Beta mais linda) do blog Todas as Coisas do Meu Mundo, será sobre a mitologia que circunda os homens que podem se transformar em lobos nas noites de lua cheia, os lendários lobisomens.

O objetivo deste texto é, assim como o "Old But Gold: O que aconteceu com o Vampiro que estava aqui?", trazer à tona uma discussão sobre a "romantização" - neste caso seria a "domesticação" - dessas criaturas mitológicas que permeiam não somente a literatura, como também jogos e contos de fadas "desde as eras mitológicas".

"Eu sou o Alpha"

As lendas que envolvem os licantropos tem sua origem na mitologia grega, quando Zeus transformou Licáon, o primeiro rei de Arcádia, em lobo pois este ousou servir para o deus dos deuses a carne de um bebê humano em um jantar. Contudo, existem várias outras interpretações e origens deste mito e uma delas é a versão brasileiras, que dita que a sétima criança, de uma sequencia de sete filhos do mesmo sexo, se tornará um lobisomem.

Os lobisomens vivem em bandos e devem obediência e devoção ao lobo Alpha. Para ser um Alpha, o referido lobisomens deve ser descendente de uma linhagem de Alphas ou, através de uma batalha até a morte, tomar o poder de um outro Alpha, herdando então o seu bando. Contudo, para se tornar um lobisomens Beta (aqueles que não são o Alpha do bando), basta que você seja mordido por um outro lobo ou amaldiçoado por um mago ou sacerdote de grande poder. No primeiro caso, teoricamente, o que seria responsável pela transformação seria o vírus lykanthropminus que sai da presa do lobo como o veneno sai da presa da cobra. As lendas mais modernas afirmam que apenas artefatos feitos com prata podem matar essas criaturas. Contudo, coisas como decapitação, arrancar seu coração ou incendiá-lo, são bem eficientes.

"A mordida é um presente"

Na literatura, as criaturas já eram mencionadas desde Bocage em seus sonetos, até se transformarem em criaturas adoráveis e desejadas pelas mulheres, como é o caso de Jacob de Crepúsculo, de Sam de Calafrio. Já na TV, o encanto e objeto de desejo da maioria feminina fica por conta de Scott MacCall de Teen Wolf. Confira aqui um apanhado sobre a série > Teen Wolf

Porém, o que nos fez discutir bastante, foi a questão da natureza desta criatura e de sua drástica domesticação. Segundo as lendas, o lobisomem é uma criatura híbrida, dividida entre a natureza humana e a animal, sendo que independente o seu caráter como humano pois quando a criatura se transformada, ela fica animalesca, cruel e completamente implacável com seres indefesos. É o maior inimigo dos pastores de ovelhas, dos andantes noturnos e das crianças das aldeias onde vivem e ele está sendo vendido como algo que pode ser objeto de desejo por alguém, tanto com uma conotação sexual como na obtenção de força, agilidade e melhores sentidos.

"Tenha orgulho do que você é!"

Seria possível então que a natureza humana se sobreponha à do lobo como estão tentando nos empurrar na literatura e na TV? Não nos lembramos nenhuma criatura totalmente maligna, exceto a do filme O Lobisomem de 2010. Muito pelo contrário, o licantropo trazido pelas lendas atuais são aqueles que são forte o suficiente ou amam sua(seu) parceria(o) o suficiente para fazer com que sua bondade humana dominar seu instinto animal, como é o caso do Professor Remo Lupin de Harry Potter e de Monroe da série Grimm.

Você, caro(a) leitor(a), opta por uma literatura/cinegrafia onde tais seres são retratados como os animais que realmente são durante as luas cheias, ou prefere a versão domesticada onde ele não só pode controlar seu lado selvagem, como também é capaz de amar e ser amado?

PS: Uma grande dica e exemplo do que realmente acontece com a transformação dos lobos é o que ocorre na série Hemlock Grove (eu, Matheus, indico essa série). Lá, durante as luas cheias, o personagem principal realmente esquece seu lado humano e destrói tudo aquilo que possa lhe causar algum mal. 

Texto por Matheus Braga & Chrys Audi

Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 8º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
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