EONA: O Olho do Dragão - Alison Goodman


Hey pessoal, tudo bem?

Todos sabem que tenho uma certa predileção pela figura da Bruxa, contudo, um outros seres que também são objeto do meu fascínio são os dragões, criaturas místicas dotados de poder e sabedoria e que governam os céus com disciplina e justiça. Quando me indicaram os livros EON e EONA fiquei com um certo pé atrás pois de todas as mitologias draconianas, as asiáticas são as que eu menos gostava (agora eu gosto Hahaha) em face à forma física assumida pelos dragões. Por isso deixo aqui meus parabéns para a tia Goodman, vez que ela não só mudou drasticamente minha opinião como demonstrou uma grande habilidade de pesquisa e enquadramento do que aprendeu na história de seu mundo









Ela já foi Eon, uma menina que se disfarçou de menino para se tornar uma aprendiz de Dragoneye. Agora ela é Eona, a Dragoneye Espelho e a salvação de sua nação. Mas Eona não é capaz de controlar seu poder. A cada instante em que tenta se conectar com seu dragão, o Dragão Espelho, Eona cria um elo com os espíritos dos dez dragões, cujos Dragoneyes foram mortos por Lorde Ido. Em meio a reviravoltas e muitas surpresas, Eona terá de provar que é mais forte que seu passado, e até mesmo que seu dragão.

EONA dá continuidade aos acontecimentos de EON, exatamente onde este havia parado - com todos escapando do castelo enquanto Sethon usurpava o trono do Imperador Pérola e trazia caos às terras do império. Eona descobre que seu dragão, o Dragão Espelho, possui a habilidade de curar outras pessoas e ao tentar curar Ryko ela descobre que a chacina cometida por Ido perante os 10 Dragoneyes havia feito com que os demais dragões perdessem a razão e com isso Eona se vê atacada pelos poderes das feras toda vez que adentra o mundo espiritual para tentar uma comunhão com seu próprio dragão. Entre salvar o Império, salvar o Imperador, consumir um amor proibido ou seguir os passos de seus antepassados, Eona se vê presa entre o desejo e o dever. Qual será sua escolha?

Eona e as Espadas de Kinra

"- O que está fazendo? - A mão dele fechou-se em torno do meu pulso, e um pesado anel dourado pressionava minha carne.
A dor arrancou-me do mundo de energia em um borrão de cores afluentes. Pisquei, e floresta era, mais uma vez, sombras e luar. Kygo encarava-me com olhos arregalados e intensos. Meus dedos ainda estavam pressionados em sua pulsação acelerada. Soltei a mão que ele segurava, afastando-a dele.
- Eu não sei.
Era minha primeira mentira como Naiso."
Pág. 98

Apesar de ter EON como meu livro favorito - por sua inovação e maneira como a autora apresentou-nos seu mundo - devo confessar que o nível da escrita e desenvolvimento de personagens alcançaram um nível muito superior em EONA. A maneira como Goodman faz seus personagens travarem batalhas internas e após toda ponderação ainda fazer com que façam algo errado é, a meu ver, o que torna os personagens mais próximos de seres humanos reais, onde eles erram e arcam com as consequências de seus erros. Ela até mesmo faz com que torçamos para que o cara mau da história consiga seus objetivos unicamente porquê ele conseguiu te cativar em sua maneira doentia e gananciosa de ser... HAHAHA

Outra mudança que notei na narrativa e que só serviu para dar mais realidade à obra foi o fato de que, uma vez que estavam todos fora do castelo, as pessoas ao redor de Eona começaram a tratá-la sem toda aquela pomposidade que o título de Dragoneye carrega. Claro, ela ainda era tratada por "Milady" por aqueles que ocupavam um posto muito baixo na hierarquia, mas a relação em seu grupo fechado de "amigos" passou a ser mais informal e, pelo menos para mim, ela começou a ser tratada como uma garota normal e não com aquela idealização de ser a "última esperança de retomarmos o Império". 


Clico Dragoneye - Ascensão do Dragão Rato e do Dragão Dragão (Espelho)

"- Achei que havia jurado nunca fazer isso com seu dragão.  Você continua traçando suas fronteiras morais e, ainda assim, continua cruzando-as. - Seus olhos fisgaram os meus, e a voz dele ficou mais baixa, assumindo um tom de carícia. - Você e eu somos iguais, Eona. Cruzamos fronteiras que outros não se atrevem a transpor. Cruze essa última comigo.
Ele queria o poder do dragão. Queria tudo. E queria me levar a tomar todo o poder ao seu lado."
Pág. 463
Achei apenas um erro de digitação em toda obra, fora isso o trabalho realizado pela editora nos quesitos revisão, diagramação e tradução então impecáveis. Contudo, gostaria que a editora tivesse mantido a capa original americana que é MUITO mais bonita que a nacional. A versão americana tem como capa a imagem que coloquei lá no inicio do post. A que tem a Eona, Eona e o exército de Sethon. 

Mudaria alguns aspectos do final da obra, principalmente no que tange à morte de alguns personagens (sim, esteja preparado pois é um banho de sangue), mas de uma maneira geral EONA é um excelente livro com a temática "dragões" e eu até mesmo já comecei a recomendá-lo para meus amigos. Penso que a autora pode adicionar mais um livro à série pois a meu ver alguns pontos ainda podem ser trabalhados com mais profundidade, como a relação entre Kygo e seu Naiso e a reconstrução do Império, mas claro, de maneira a não estragar a obra, como é muito comum de se acontecer - infelizmente. o/

Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 8º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
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