O Pacto - Joe Hill


Hey pessoal, tudo bem? 

O Pacto estava na minha lista de "vou ler" desde o final do ano passado mas somente agora que consegui finalizar a obra. Com uma narrativa envolvente e um personagem principal intrigante, Joe Hill conseguiu provar que até mesmo o demônio tem um lado humano. Ou seria que todo humano tem um lado demônio? 

Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.
Normalmente este parágrafo é dedicado a um pequeno resumo da obra pois sei que muitos de vocês não gostam de ler a sinopse, já que muitas vezes eles contem spoilers, mas, felizmente, a deste livro não tem e por isso podem ler sem medo. Uma informação que não consta nela, é a de que O Pacto está sendo adaptado para os cinemas e quem fará o papel de Ignatius é o ator Daniel Radcliffe - Harry Potter - e pelo que andei vendo parece que será uma adaptação fiel ao livro.

Daniel como Ignatius

"As pontas de seus dedos tocaram os chifres e ele gritou de medo. Estava a ponto de dizer Deus, por favor, Deus, faça-os desaparecer... mas então ele se controlou e não disse nada.
Uma sensação de formigamento foi subindo por seus braços. Se agora ele era um demônio, será que ainda podia falar de Deus? Será que um raio cairia sobre sua cabeça com um clarão, o despedaçando? Arderia em chamas?"
Pág. 31

A mitologia de pessoas que são possuídas por demônios ou são geradas a partir do amor proibido entre a raça humana e a destes seres do submundo não é novidade na literatura atual, contudo, a maneira como Joe conseguiu mostrar que uma pessoa pode se tornar mais humana ao se tornar um demônio foi algo sensacional. Ignatius sempre foi uma humano cheio de imperfeições e quando adquiriu seus novos "dons" sua humanidade foi ainda mais ressaltada, já que não é a perfeição que nos fazem humanos, mas sim a capacidade de errar e aprender com seu erro, mesmo que as chances de incorrer no mesmo mais umas duas ou três vezes seja praticamente inevitável.

Outro aspecto que me agradou bastante foi que até mesmo os poderes demoníacos de Ig foram apresentados de maneira inusitada. Toda vez que alguém chegava perto dele e olhava para seus chifres, elas começavam a contar seus pecados mais inconfessáveis, mas não era de uma maneira como "Eu usei drogas e meu computador tem pornografia", mas sim algo mais "O que você acha de usarmos drogas e baixar pornografia como fiz ontem?", ou seja, as pessoas meio que pediam a permissão do demônio para realizar seus pecados. Como se precisassem de uma desculpa do tipo "foi culpa do demônio" para se sentirem melhores ao cometer certas atrocidades. 

Joe Hill lendo trecho de seu livro. Em inglês o livro se chama "Horns" que significa Chifres

"Só o Diabo opera com um minimo de lógica, prometendo punir os que fizeram da Terra um inferno para aqueles que ousam amar e sentir."
Pág. 192

Infelizmente nem tudo nesse livro é perfeito e uma das coisas que mais me desagradou foi quando o autor ficava voltando a momentos no passado de nosso personagem principal, ou até mesmo cenas envolvendo personagens insignificantes, e isso, a meu ver, foi completamente desnecessário e feito apenas para encher página. Claro que algumas partes foram bem elaboradas pois precisávamos saber o que realmente aconteceu na noite do assassinato, mas cenas como momentos românticos debaixo de uma ponta poderiam ter sido cortados facilmente sem prejudicar a história. 

A diagramação do livro é bem simples e a capa possui detalhes que se assemelham a arranhões feitos em verniz localizado, como se alguém tivesse passado as garras na capa em vários lugares. Os capítulos não são dividido por páginas. Quando um capítulo termina e outro começa, não importa se está no meio da página ou no final, não há aquela divisão. Recomendo a leitura desse livro para ontem! HAHAHA

Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 7º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
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