Visão do Além - Charlaine Harris

Hey pessoal, tudo bem?

Sempre gostei da série televisiva True Blood, mas nunca fui fã dos livros pois achava a escrita da autora um tanto crua e pouco envolvente e, em face a esta opinião, demorei eras para poder ler "Visão do Além" - obra da mesma autora. Se soubesse que se tratava de um dos thrillers mais envolventes e alucinantes que já li em 2013, teria lido a muito mais tempo.




Harper Connelly e seu meio-irmão, Tolliver, são especialistas em realizar o serviço (encontrar cadáveres de pessoas desaparecidas), receber o pagamento e partir rapidamente, pois as pessoas que os contratam têm o estranho hábito de não querer ouvir o que eles têm a dizer. E à primeira vista, a experiência com os moradores da pequena cidade de Sarne, nas Montanhas Ozarks, parece não ser diferente. Uma adolescente está desaparecida, e Harper sente imediatamente que ela está morta. Mas os segredos que envolvem este assassinato e a própria cidade são profundos demais até mesmo para que a habilidade especial de Harper consiga desenterrá-los. Ao perceber a hostilidade crescer ao redor deles, ela e Tolliver querem apenas resolver o assunto e ir embora, mas então outra mulher é assassinada... E o criminoso ainda não terminou seu trabalho...

O livro conta a história de Harper e Tolliver, meio-irmãos que viajam por todo os país - EUA - encontrando pessoas mortas. Isso mesmo, você leu certo. Eles não buscam os vivos desaparecidos, mas sim, aqueles que já morreram mas que o corpo ainda não foi encontrado. O que acontece é que Harper possui a habilidade de ouvir os ecos dos mortos, ou seja, ela pode ouvir/ver/sentir os últimos momentos de vida da vítima e descobrir onde o corpo está (ela precisa estar pelo menos perto do corpo - alguns quilômetros) e como ele foi morto. Ambos viviam sua vida indo de um lado para o outro até o momento em que um caso em particular vira suas vidas de cabeça para baixo. Um assassino está a solta e sua última vítima, não aparentava ser realmente a última. Conseguirá Harper resolver mais este caso, ou a fina linha que a separa dos mortos finalmente será cruzada?

Harper Connelly

"O zumbido se transformou em um som contínuo e caí de joelho nas folhas. Ela estava lá. Não inteira, mas uma boa parte. Grandes galhos haviam sido jogados sobre ela para esconder o corpo, mas agora já estavam secos e fracos."
Pág. 27

Achei a ideia da autora simplesmente genial. Tudo bem que uma mulher que pode falar com os mortos não é uma grande novidade - Mediadora/The Summoning feelings -, mas inserir essa habilidade em um contexto do dia a dia das pessoas, como o fato de uma garota estar desaparecida e que a maioria tem convicção de que foi assassinada é algo completamente diferente e eletrizante. O fato de ter um criminoso ainda solto e que o mesmo está perseguindo a protagonista com medo dela descobrir que foi ele quem cometeu o homicídio é algo tão envolvente e alucinante que quase não consigo colocar em palavras.

Achei a justificativa de como ela obteve os poderes um tanto quanto "sem sal" e e me lembrou muito a série "Desaparecidos" da Meg Cabot, cuja protagonista sofre o mesmo acidente que Harper e em seguida começa a encontrar pessoas desaparecidas, porém, vivas. Como não sei qual livro foi publicado no exterior primeiro, não posso afirmar quem foi que copiou quem, mas eu fiquei com esse sentimento de que já tinha lido isso em outro lugar.

Capa da Graphic Novel 

"Coloquei minha mão enluvada na bochecha e vi sangue nela. Ele era diferente do vermelho vivo da luva, e fiquei olhando para aquilo espantada. Ouvi o mesmo estouro novamente e de repente percebi que estavam atirando em mim."
Pág. 183

Tolliver é um cara legal, mas penso que a presença dele é meio desnecessária. O papel dele no livro é dirigir, proteger a Harper de pessoas loucas que querem a cabeça dela por acharem que ela é uma fraude e ser preso, ou seja, a autora poderia muito bem ter colocado uma protagonista com uma personalidade um pouco mais forte e dispensado ele, mas pelo que vi, ele parece ser um apelo para o público feminino, o que me faz pensar novamente o que um autor não faz para conseguir vender mais.

Os demais personagens do livro são intrigantes, pois a autora conseguiu criar uma teia de mistério envolvendo várias figuras importantes da cidade de Sarne de maneira que o leitor não descubra facilmente quem é o real assassino. Confesso que estava convicto de que seria o personagem X, pois a história te leva a creditar nisso em face ao passado e algumas atitudes dele(a), mas quando vi quem realmente era e o motivo dele(a) ter matado os dois jovens deixou meu queixo no chão. Não passou sequer uma vez pela minha cabeça que poderia ter sido ele(a).

Os diálogos, revisão e diagramação do livro são impecáveis. A cada início de capítulo temos um círculo negro com um número dentro e uma fumaça - que penso ser aquela que uma vela solta quando é apagada - nos cantos das páginas. Outro fato curioso, é que aquela folha onde estão as especificações como nome do autor, edição, local de publicação e outros, está no final do livro e não no começo - e eu que nem bobo procurando para ver quem tinha traduzido e achando que minha edição estava faltando página...Hahahaha.

Podem adicionar este livro na lista de "Desejados" do Skoob pois ele é um dos que realmente valem a pena ler. Só fico triste de não ter tempo (R$) para ler o segundo agora, mas em breve isso mudará e já já trarei a resenha da série toda para vocês.


Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 7º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos.
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