Sangue de Tinta - Cornelia Funke


Hey pessoal, tudo bem?

O que você faria se pudesse entrar em sua história favorita? Não digo imaginar ou fantasiar-se como um personagem, mas sim, ser sugado para dentro do livro e se tornar seu próprio protagonista. Cornelia Funke conseguiu em 559 páginas nos apresentar as maravilhas de fazer parte de um mundo que tanto amamos, mas como nem tudo são rosas, ela também nos mostra que todas nossas escolhas possuem consequências e que nem o mais leve conto de fadas está imune ao mal e a perversidade de determinados personagens.






"Sangue De Tinta" dá seguimento à aventura de Meggie e seu pai, Mo, um encadernador de livros que tem o estranho dom de dar vida às palavras dos livros que lê em voz alta, fazendo seres das histórias surgirem à sua frente como que por mágica. No primeiro volume da trilogia "Mundo De Tinta", a língua encantada de Mo traz à vida alguns personagens de um livro chamado "Coração De Tinta", e acaba mandando para dentro da trama a mãe da menina. Agora, neste segundo episódio, Meggie dá um jeito de entrar ela mesma no mundo fictício de Coração de tinta, onde tem o prazer de encontrar fadas, príncipes e saltimbancos que dançam com o fogo; e o sofrimento de acompanhar as artimanhas de vilões cruéis e sem misericórdia. Uma jornada sombria, repleta de fantasia e aventura.

Quem leu Coração de Tinta sabia do desespero que Dedo Empoeirado sentia de voltar ao seu mundo dentro das páginas e eis que finalmente ele consegue. Contudo, ele não volta sozinho. Após o ocorrido, Farid convence Meggie a ir atrás de D.E. e a partir daí viver uma aventura inigualável. Muito preocupados com sua filha, Mo e Resa decidem segui-la para que nada de ruim aconteça. O que eles não esperavam era que ao entrar na história, ela mudasse nas páginas. Fenoglio, autor do livro Coração de Tinta (dentro do livro Coração de Tinta da Cornelia) vê que o final que ele deu a seus personagens estava sendo alterado e acaba por piorar muito mais as coisas ao tentar concertar.

"Quando escureceu, Dedo Empoeirado arrastou-se até o lado de fora. Ele se encostou numa coluna e olhou para o cimo sobre o qual ficava o Castelo da Noite. Imóvel, ficou observando as torres de prata. Meggie perguntou-se, certamente pela centésima vez, se ele a ajudava somente por causa de sua mãe. Talvez o próprio Dedo Empoeirado não soubesse a resposta."
Pág. 407

Esse foi um livro pelo qual construí uma relação de amor e ódio - como se isso fosse novidade já que o que mais construo é esse tipo de relação ¬¬. Mas o que me fez ter esse tipo de posicionamento é que, mesmo conseguindo transcrever o maior sonho de qualquer leitor, qual seja, o de entrar em seu livro, a autora o fez com uma narrativa lenta e MUITO detalhada, deixando a leitura bem arrastadas em cenas que clamavam um pouco de ação e dinamismo.

A meu ver todos os personagens, tanto os presentes em Coração de Tinta quando os novos que nos foram apresentados, evoluíram ao longo da história - com exceção de Elinor e de Dedo Empoeirado no que tange à sua covardia e senso extremo de auto-preservação. Ela está chata como sempre, reclama de tudo e nunca  nada está bom o suficiente. Ele continua colocando seus interesses à frente dos demais, apesar de não ser algo tão descarado como no livro anterior.

*Penso que se você está lendo a resenha de Sangue de Tinta, é porque já leu o livro anterior, por isso farei um comentário nesse parágrafo que pode ser considerado spoiler para alguns.* Achei esse "romance" entre Farid e Meggie MUITO, mas MUITO forçado. Sério, tudo bem que no livro anterior eles demonstraram um certo interesse um no outro, mas nesse livro aconteceu assim do NADA. Acho que foi realmente desnecessário e a autora colocou-o ali somente para encher páginas e agradar alguns leitores - o que deu certo pois vi gente se derretendo. Tipo, a menina tem 13 anos (ou 14, não me recordo direito) e está envolvida com um dos quarenta ladrões e ninguém fala nada! Que exemplo de pai você está sendo hein MO!! ¬¬.

O final da obra foi bastante interessante, mas não sei se vou ler o livro final da trilogia - Morte de Tinta. Não sei se aguentaria mais 500 páginas de pura enrolação e descrições exacerbadas por parte da autora, que por sinal é um dos motivos pelo qual não suporto o estilo narrativo de Tolkien.

No mais, se você gostou do livro um, recomendo que leia a continuação pelo menos para saber o desfecho da história ou, se você gosta desse tipo de narrativa, leia para descobrir um novo mundo repleto de fadas, magia e muita aventura.

Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 7º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos.
Twitter/Facebook/Skoob - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.