Coração de Pedra - Charlie Fletcher

Hey pessoal, tudo bem?

Simples e envolvente são as palavras que definem este livro. Em pouco mais de 400 páginas, Charlie Fletcher consegue nos arrastar pelas ruas da bela e majestosa Londres. O que vocês não sabem, é que não é uma Londres qualquer, mas sim, uma metrópole povoada por gárgulas e estátuas que permeiam cada página com magia e perigo.


O romance ''Coração de Pedra'', do inglês Charlie Fletcher, publicado pela Geração-Ediouro, conta a fascinante história de uma guerra entre estátuas mitológicas e estátuas de seres humanos em Londres. O início de tudo foi um soco de um adolescente, George Chapman, decepando a cabeça de um dragão de pedra do pórtico do Museu de História Natural. Ele é perseguido por um Pterodáctilo, réptil de dentes afiados e pontudos, que se soltou da fachada do museu e o olhava fixamente com ódio e fome. George é salvo pela estátua do Artilheiro do Memorial de Guerra. Somente o jovem enxerga as estátuas em movimento. Para reparar o estrago que aprontou, ele tem de colocar a cabeça do dragão no Coração de Pedra, mas George não sabe onde encontrá-la. Na busca, conta com a ajuda de Edie, uma menina bem decidida. Com linguagem ágil e fácil, a história tem ritmo eletrizante, mas ao mesmo tempo diverte.

O livro conta a história de George, uma garoto que ao ficar de castigo em uma excursão de sua escola, quebra a cabeça de uma gárgula em forma de dragão e isso desencadeia um efeito dominó no qual sua vida está pendendo no final do trajeto. Eis que enquanto estava sendo perseguido por um grupo de salamandras e uma rocha que parecia um pterodáctilo, ele é salvo por uma estátua de um Artilheiro, que lhe informa que existe uma guerra secular entre os Estigmas (gárgulas e demais estátuas com forma animal) e os Cuspidos (estátuas com forma humana, capazes de pensar e agir). Para devolver a ordem ao mundo, George deve encontrar o Coração de Pedra no coração de Londres e até lá, ninguém estará a salvo.

"Nas copas sou um símbolo, mas também posso ser de ouro. No entanto se me partes, é porque me tens de pedra. Posso ser dado a alguém, porém sem mim não podes viver. Aquele que me tem se revela corajoso, mas aquele que vê cara, é porque não me vê. Sou como o caroço, sou o âmago, mas se me revelas, é porque és sincero."
Enigma da Esfinge - Pág. 103

Ao iniciar a história senti que o autor iria enrolar muito para descrever cada cena e cada ação a lá Tolkien. Entretanto, tal impressão permaneceu apenas nos primeiros capítulos pois ele precisava introduzir um enredo bem elaborado e cenários bem descritos para engajar nessa aventura eletrizante em busca do Coração de Pedra. A unica objeção que tenho além dessa já exposta, é que em algumas partes no final do livro senti uma queda de qualidade em alguns dos diálogos entre o George e a Edie. Tudo bem que eles são duas crianças, mas para personagens que demonstraram uma capacidade de diálogo dinâmica e até divertida em algumas passagens, eles acabaram voltando às origens e tendo conversas sobre assuntos banais enquanto o mundo se desintegra ao seu redor.

De todos os personagens o que mais gostei foi o Artilheiro. Uma estátua em forma de um guerrilheiro - armado até os dentes - com um senso de justiça e compaixão por seus companheiros fora do comum. Foram inúmeras as vezes que ele colocou seu próprio corpo na linha de fogo para proteger George e Edie e isso para mim foi o que me cativou, pois até mesmo uma pedra possui mais senso de amor ao próximo que o ser humano.

O livro é narrado em terceira pessoa, por isso estranhei um pouco a leitura, já que estou acostumados em livros escritos em primeira, mas isso não atrapalha em nada, é apenas uma consideração que faço para quem tem o mesmo problema que eu e acha estranho quando o autor escreve dessa forma. Não achei erros de revisão nem de tradução e a diagramação é simples, porém com uma espaçamento bacana, ao contrário de um livro que li recentemente que tinha letras minúsculas.

Quem gosta de aventuras ambientadas na Europa irá amar esse livro. Não só temos cenas  e lugares bem detalhados em Londres, como no inicio do livro tem uma mapa maravilhoso onde mostra os pontos turísticos e os locais exatos onde cada estátua - sim, elas realmente existem na cidade e não só no livro - está situada.


Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 7º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos.
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