Sangue Quente - Isaac Marion

Resenha

Hey pessoal, tudo bem?

Este livro foi um presente da Amanda do blog Lendo & Comentando. Estava a muito tempo comentando que queria ler esta obra e ela acabou me dando no meu aniversário, isso depois de passar dias me torturando falando que tinha um livro surpresa que ela tinha enviado para mim e que só saberia quando os Correios decidissem dar o ar da graça em minha residência. Infelizmente minha expectativa para a obra era muito alta e não foi correspondida, mas isso não quer dizer que ele é ruim. Ele é apenas não é TÃO bom quanto outras obras que li.



R é um jovem vivendo uma crise existencial - ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a "vida" de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.
O livro conta a história de R, um zumbi diferente dos demais em face à sua capacidade de, de certa forma, discernir entre o certo e o errado e se apaixonar. Quando um zumbi come um cérebro, ele absorve as memórias da pessoa e quando R se delicia com a massa cinzenta de Perry ele acaba por absorver todas as memórias sobre Julie e assim desenvolve uma certa obsessão pela garota. Obsessão esta que o faz escondê-la em um aeroporto cheio de zumbis e protegê-la cotra todos eles. Com o tempo Julie percebe que R não é igual aos demais de sua raça e que aos poucos ele está mudando. Estaria R se tornando mais "humano" em face a este amor? Será que realmente existe uma cura? Leiam e descobrirão!! Hahaha. 
"Comer não é uma coisa prazerosa. Mordo e arranco fora o braço de um homem, e odeio isso. Odeio os gritos, porquê não gosto da dor, não gosto de machucar as pessoas, mas agora o mundo é assim e é isso que temos que fazer. é claro que se não comer o cara inteiro, se poupar o cérebro, ele se levantará de novo e me seguirá de volta ao aeroporto, e isso pode fazer com que eu me sinta melhor. Apresentarei ele a todos e talvez a gente fique ali um pouco e d~e uns grunhidos."
Pág. 17
Achei muito interessante ver a história narrada pelo ponto de vista de um zumbi. Normalmente temos a história narrada pelo humanos como os bonzinhos e os zumbis no papel de monstros, por isso gostei dessa nova perspectiva. Entretanto, por mais que ache algumas passagens geniais (como o treinamento zumbi para atacar humanos) eu penso que um zumbi que se apaixona é algo MUITO sem noção. Convenhamos que não sou o único a pensar assim e que até a ideia de vampiros se apaixonando é mais aceitável que essa. Mas se essa foi a vontade do autor, a única coisa que podemos fazer é ter paciência e ficar imaginando como seria uma dominação mundial pelo vírus zumbi de maneira que a raça humana sucumbiria perante estes vorazes inimigos.

Meu personagem favorito foi M. Claro que ele é um zumbi que baba uma gosma preta tem alguns pedaços do corpo faltando, mas mesmo não conseguindo expressar-se de maneira coesa, ele conseguia ser mais sensato que R. Se eu fosse M, desmembraria R para ver se ele deixa de ser idiota e a colocar a "colmeia" (não sei o coletivo de zumbis...Hahahaha. alguém se habilita?) em perigo. Julie também não me agradou nem um pouco. Por mais que ela não seja mais uma patricinha que precisa sempre ser salva, ela não é nem um pouco carismática e algumas vezes me peguei torcendo para R comê-la. Literalmente. XD
"Depois de uma hora ou duas, temos apenas um pedacinho rosa. M põe tudo na boca e suas pupilas se dilatam enquanto ele tem suas visões. O cérebro acabou, mas não estou satisfeito. Coloco a mão no bolso e tiro um pedaço do tamanho de um punho que tinha guardado. Mas este é diferente, especial. Arranco um pedaço, ponho na boca e mastigo devagar."
Pág. 37
Uma coisa que acontece frequentemente durante a narrativa é a mistura das memórias de R e Perry, homem que ele guardou o cérebro e aos poucos está comendo e absorvendo suas lembranças. O autor separa estas partes com espaçamentos maiores e fica claro que não estamos mais na "presença" de R, mas creio que ele poderia fazer isso um pouco menos uma vez que eu não acredito que um cérebro dure tanto. O_O

Alguns erros como um "ela" no lugar de "ele", falta de uma palavra na sentença ou diálogos sem travessão são mais comuns do que eu gostaria. Isso não atrapalha na leitura, mas é um pouco incomodo mesmo assim.  A diagramação está muito bonita e a cada começo de capítulo temos uma imagem de uma parte do corpo humano. Algumas no formato raio-x e outras de maneira que só aparecem os músculos e veias, mas não a pele.

Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 6º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos.
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