Diablo III: A Ordem - Nate Kenyon

Resenha

Hey pessoal, tudo bem?

Por mais que eu ame o jogo, infelizmente o autor não foi feliz ao fazer a adaptação dessa franquia que rendeu milhões de dólares e angariou milhares de fãs ao redor de todo o mundo. O publico alvo do livro foram apenas aqueles que já jogaram o jogo, ou seja, quem não jogou ficará perdido em face ao amontoado de referências sobre os acontecimentos dos jogos anteriores ao Diablo III.







Baseado no game Diablo III — lançado em março de 2012 nos Estados Unidos (e no início de junho no Brasil) após uma década de espera pelos fãs, com mais de 3,5 milhões de cópias vendidas em um dia e mais de 7 milhões em uma semana, quebrando diversos recordes de venda —, o romance narra a jornada épica de Deckard Cain, último sobrevivente de uma misteriosa e lendária ordem, Horadrim, na busca pelos outros integrantes perdidos, para salvar o mundo de Santuário das forças demoníacas do Inferno Ardente, anos antes dos acontecimentos do jogo. O autor, Nate Kenyon, é finalista do prêmio Bram Stoker, da Associação de Escritores de Terror
O livro conta a história de Deckard Cain, o último membro da Ordem Horadrim, e Léa, uma menina de oito anos que possui um poder muito além do imaginável. Como disse acima, esta obra narra os acontecimentos após a aventura de Diablo I, II e II Expansão, jogos nos quais os três Males Supremos, Diablo, Senhor do Medo, Mefisto, Senhor do Ódio e Baal, Senhor da Destruição, são derrotados e a paz reina em Santuário. Entretanto, o Inferno Ardente ainda cobiça a dominação da Terra e Belial, Senhor das Mentiras, juntamente com o Errante Sombrio, estão se aproveitando do abalo cósmico que Santuário sofreu após a destruição da Pedra do Mundo para conseguir finalmente tomar o poder. O destino da humanidade descansa nos ombros de um do mais sábios homens que já caminhou pela terra e de uma pequena criança, que possui em suas veias o sangue de uma antiga e poderosa linhagem de feiticeiras.
"- Medo de quê?
 -Dos próprios sonhos. Dizem que este homem, ou o que quer que ele tenha se tornado, havia sido corrompido por uma criatura mais poderosa do que qualquer um poderia compreender. Os tentáculos dessa criatura já estão se espalhando pelas nossas terras, na forma de abominações mortas-vivas que visitam as pessoas na calada da noite e roubam suas almas enquanto elas sonham, deixando soldados do mal em seus lugares. O mercador percebeu o medo no rosto das pessoas e, certa vez, viu um dos tais mortos-vivos em uma tenda de comércio a alguma distância das muralhas de Caldeum, além das montanhas. Ele não falou mais nada sobre o assunto, só disse que era horrível e que a visão ainda o assombra."

Pág. 77
Quando comecei a leitura desta obra eu sinceramente esperava algo que iria me impressionar e fazer pensar durante horas após ler o último capítulo. Contudo, quando cheguei próximo às páginas finais, já estava desesperado para que o livro acabasse pois não aguentava mais as divagações e repetições de ideias presentes em toda a narrativa. Cain não perdia uma única oportunidade sequer de relembrar a todos que um mal diferente de tudo já visto iria acabar com Santuário e que o balanço cósmico que existia entre céu e inferno estava acabando. Sempre que ele começava a falar sobre o assunto eu sentia vontade de largar a leitura de tão saturado que estava o assunto. Era o mesmo que ler o mesmo capítulo inúmeras vezes, mudando apenas algumas falas e lugares. Outra coisa que ficou repetitiva era o remorso que Cain sentia por ter negligenciado, por anos, os ensinamentos Horádricos e ele faz questão de nos lembrar de tal fato a cada 30 páginas. ¬¬

Os personagens são bem trabalhados, mas o foco excessivo em em Deckard é um pouco irritante. Tudo bem que o livro é narrado pelo ponto de vista dele, mas já vi muitos livros narrados em primeira pessoa que o autor consegue trabalhar vários personagens de maneira que nenhum deles fique de fora ou que tenha muito destaque. Tirando esta observação, eu gostei particularmente de Mikulov, o Monge. Achei super interessante a doutrina dos monges e seu estilo de luta corpo-a-corpo. Léa é a tipica criança de 8 anos, chora, fica de birra e tudo mais. Porém, quando ela encarna a bruxa-toda-poderosa-com-olhos-asssassinos-from-the-hell eu senti uma vibe meio Bonnie de Diários do Vampiro quando ela usa magia de sangue e isso foi muito legal. *__*

Também achei alguns errinhos de revisão na obra. Palavras sem acento ou um "e" repetido não são muito comuns durante a leitura, mas isso não apaga o fato de que estão lá.

Em face ao que foi exposto acima, não recomendo a leitura do livro para quem não tem conhecimento do que ocorreu nos jogos uma vez que se você não tiver tal conhecimento poderá ficar perdido ou até mesmo achar que o autor sumiu com alguns trechos da obra. Entretanto, creio que cada um deve formar a própria opinião, por isso fica a critério de cada um se irá ou não ler, já que o fato de eu não gostar não quer dizer que outros também não gostarão.


Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 6º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos.
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