Os Gêmeos - Pauline Alphen

Resenha

Hey pessoal, tudo bem?

Este é um livro publicado pela Cia das Letras e por mais que a capa e a revisão feita pela editora estejam espetaculares, a história deixou um pouco a desejar, já que promete muito na sinopse, mas na realidade fica dando muitas voltas ao longo da narrativa.

Claris e Jad são irmãos gêmeos tão inversos quanto idênticos. Compartilham sentimentos e pensamentos, mas enquanto Jad tem um coração frágil e sofre de enxaquecas terríveis, condições que lhe impedem de passar muito tempo ao ar livre, Claris é uma garota cheia de vida, destemida, que sonha em viver grandes aventuras. Aventuras como as que lê na Torre dos Livros, onde seu melancólico pai vive enfurnado desde o sumiço da mulher; aventuras como aquelas que a mãe lia para ela; aventuras como as que Jad, com seus problemas de saúde, não pode experimentar. Eles vivem em uma aldeia chamada Salicanda, em um castelo cravado num vale isolado por uma cadeia de montanhas e encharcado por uma chuva fina e incessante, com o pai, Eben; um preceptor, Blaise; e a ama, Chandra. A mãe, Sierra, desapareceu em uma noite de temporal, no dia em que os gêmeos completavam três anos, deixando a família despedaçada e muitas perguntas no ar. Claris, que divide o tempo entre os livros, as aulas de esgrima e as cavalgadas na floresta, anda obcecada com a ideia de que as aventuras são sempre protagonizadas por meninos - o que ela acha extremamente irritante. Mas está enganada, pois vai viver uma aventura e tanto ao lado do irmão. À procura de respostas para os mistérios que envolvem o sumiço da mãe, a história de Salicanda e os dons sobrenaturais que parecem ter herdado de Sierra, os gêmeos vão ultrapassar as fronteiras do castelo onde vivem e também do seu mundo: aquele da infância dos dois, o de um passado que eles desconhecem.
Como não sou muito adepto a livros que ficam fazendo "vai e vem" com o tempo dos acontecimentos de sua narrativa, pois muitos autores acabam por se perder dentro da própria história, irei fazer um breve resumo linear dos acontecimentos do mundo criado por Alphen.

Nos denominados Tempos de Antes, a tecnologia e a genética chegaram a um ponto tão elevado em suas descobertas e desenvolvimentos, que humanos com poderes e vídeo games capazes de transportar sua mente para uma realidade virtual eram comuns no dia-a-dia da humanidade. Contudo, em um grande evento chamado Torneio Parapsíquico, muitos seres humanos "dotados" simplesmente desapareceram em pleno ar, deixando o mundo imerso em caos. Os anos se passaram e as pessoas que sobreviveram culpavam a tecnologia por todo o sofrimento existente, fundando assim algumas vilas onde qualquer item, por menor que fosse, que apresentasse qualquer desenvolvimento fosse banido, levando a humanidade para uma época semelhante à feudal, com direito a feiras de troca e tudo mais. É neste ponto, em Salicanda, que a história dos gêmeos Claris e Jad acontece.
"O Verdadeiro Leitor escreve o livro enquanto lê.
 O Verdadeiro Leitor é, ao mesmo tempo, o autor, as personagens e a história.
O Verdadeiro Leitor é o livro."
Quando os gêmeos eram ainda crianças sua mãe, Sierra, desaparece misteriosamente, fazendo com que Jad desenvolvesse certas habilidades, desconhecidas pelo mesmo, ao tempo que Claris simplesmente se fecha para qualquer emoção ou lembrança da mãe. Com o desenvolver da história, Jad recebe de Blaise um jogo muito completo chamado de O Jogo dos Mil Caminhos. Claris recebe uma espécie de "gravador" em forma de retângulo e ele simplesmente muda para a forma de um anel, do exato tamanho de seu dedo. E a partir desses dois acontecimentos que a história é desenvolvida, sempre com um foco voltado para os gêmeos e a busca pelas respostas que tanto anseiam envolvendo os novos presentes e o paradeiro da mãe.

Achei muito confuso a nova marcação de tempo no Tempo Presente. Não há mais o padrão dias, meses e anos, mas sim, luadas, lunações e eras, que por sinal são muito infantis, já que uma era chamada A Era do Unicórnio é algo bizarro de ler em um livro que promete uma grande aventura. Também achei o linguajar usado na leitura um pouco desconexo, ou seja, em alguns momentos, determinado personagens usa palavras e jargões cultos e que aparentam uma maturidade fora do comum, ao tempo que o mesmo personagem em apenas alguns parágrafos à frente demonstra o palavreado de uma criança de 12 anos.

Os personagens presentes na obra dividiram, e muito, minha opinião sobre a capacidade da autora de criá-los. Muitos deles são bem construídos, como o caso de todos os membros da família Borges e Ugh. Entretanto, alguns outros como Eben, chamado de O Duque, são meros preenchimentos de lacunas, já que os gêmeos precisariam de pelo menos um dos pais para que a história se desenvolva da maneira que ocorreu. Claris e Jad são, apesar de infantis e muito ingênuos até mesmo para crianças, são bem elaborados e possuem personalidades fortes. O legal que achei sobre os dois foi que, ao contrario da maioria dos gêmeos, eles não são parecidos psicologicamente, mas sim, opostos que se completam. Outro personagem que poderia ter um maior destacamento é o Falcão Branco, mas infelizmente ele teve poucos momentos de "fama".
"O que foi enterrado há de emergir.
O que foi negado hã de manifestar-se.
A Anja será reencontrada.
Do passado e do futuro ela há de surgir
As crianças separadas serão reunidas.
Os sonhadores serão incitados.
Os incitadores hão de cumprir seu destino."
Pág. 86

Infelizmente o problema que foi retratado no início desta resenha, acerca da promessa feita na sinopse, é algo comum na literatura fantástica atual. Muitos livros prometem uma aventura fantástica ou um romance épico, mas no final acabam por contar uma história mediana e lenta. E foi o que ocorreu com os Gêmeos. No início é compreensível que a narrativa fosse um pouco mais lenta, já que a autora precisa introduzir um novo mundo ao leitor, porém, tal morosidade no desenvolver da narrativa acontece até para mais da metade do livro, deixando a verdadeira aventura prometida apenas para os capítulos finais, deixando um ar de "feito às pressas" no leitor. 

Não tive boas impressões com este livro e não sei se estaria disposto a ler a continuação. Contudo, pelo que vi na blogosfera, muitas pessoas gostaram do estilo mais lento da narrativa, já que a mesma é descritiva e rica em detalhes. Assim sendo, recomendo que cada um leia para tirar as próprias conclusões, já que o que eu digo nunca e jamais será a verdade absoluta de uma obra, pois o mesmo livro pode apresentar inúmeras facetas, depende apenas de quem lê.



Abraços,
    Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 5º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos.
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