Cruzando o Caminho do Sol - Corban Addison

Resenha

Olá pessoal, tudo bem?

Tenho que parabenizar a editora Novo Conceito pelos títulos que ela vem lançando ultimamente, não apenas pelas histórias mas pelo capricho com o projeto gráfico e revisão.

Cruzando o Caminho do Sol foi um desses livros que me chamou a atenção pela capa e depois que vi a quantidade de resenhas positivas a respeito dele no Skoob, me convenci que precisava lê-lo. E foi uma surpresa e tanto.

Esse é aquele tipo de livro que nos modifica, altera nossas percepções sobre alguns assuntos e nos estimula a tentar mudar seja uma situação, um sistema ou simplesmente a nós mesmos. Foi assim que me senti quando terminei a leitura, apesar da revolta pelo que acontece na trama percebi que existem formas de se reverter a situação e que é possível ajudar se realmente quisermos.




Sita e Ahalya são duas adolescentes de classe média alta que vivem tranquilamente junto de seus familiares, na Índia. Suas vidas tranquilas mudam completamente quando um tsunami destrói a costa leste de seu país, levando com suas ondas a vida dos pais e da avó das meninas. Sozinhas, elas tentam encontrar um modo de recomeçar a vida. Mas elas não devem confiar em qualquer um... Enquanto isso, do outro lado do mundo, em Washington, D. C., o advogado Thomas Clarke enfrenta uma crise em sua vida pessoal e profissional e decide mudar radicalmente: viaja à Índia para trabalhar em uma ONG que denuncia o tráfico de pessoas e tenta reatar com sua esposa, que o abandonou. Suas vidas se cruzarão em um cenário exótico, envolto por uma terrível rede internacional de criminosos. Abrangendo três continentes e duas culturas, Cruzando o Caminho do Sol nos leva a uma inesquecível jornada pelo submundo da escravidão moderna e para dentro dos cantos mais escuros e fortes do coração humano.

Sita, de 15 anos, e Ahalya, de 17 anos, vêem suas vidas irem por água abaixo, literalmente, após o Tsunami que devastou a costa da Índia. Com a morte de seus pais e avó e a perda de todos os seus pertences as duas se vêem sem ter para onde ir e tentam chegar ao único lugar que acreditam poderem pedir ajuda; o internato em que estudaram. Mas no caminho as duas são sequestradas e vendidas a um aliciador dono de um bordel em Mumbai, a maior e mais populosa cidade da Índia. Mas aquilo seria apenas o começo do inferno que elas teriam de enfrentar.

Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, o advogado Thomas Clarke busca se recuperar da terrível perda de sua filha e da partida de sua mulher, Prya, para Mumbai, lar de seus pais. Após testemunhar o sequestro de uma criança dos braços da mãe em um parque de Washington, Thomas se sente revoltado e impotente com o ocorrido. Além disso, ele descobre ter sido utilizado como bode expiatório em um caso importante para a firma onde trabalha e com isso é obrigado a se ausentar do trabalho por alguns meses. A firma lhe oferece duas opções; tirar férias em algum lugar paradisíaco ou prestar trabalho voluntário para alguma instituição de ajuda humanitária entre elas uma ONG em Mumbai de combate ao sequestro e venda de menores para prostituição. Thomas acaba escolhendo trabalhar em Mumbai acreditando que dessa forma poderia conseguir falar com sua mulher e quem sabe reatar seu casamento. E é assim que o destino desses três personagens irão se cruzar onde Thomas promoverá uma busca pessoal para ajudar as duas irmãs encontrando a si mesmo no caminho.
“Como podia ser que, ao perseguir a honra, ele a houvesse perdido, e, ao mesmo tempo, ao perder o amor ele houvesse começado a encontrá-lo novamente? Como podia ser que a mesma dor profunda, que uma vez lhe parecera tão destrutiva, agora ressurgisse trazendo bonança?”
As meninas Ahayla e Sita são o exemplo da educação indiana onde a mulher depende de uma figura masculina para protegê-las. Elas se sentem completamente perdidas e sem ação com a perda de seus pais o que a torna alvos fáceis de qualquer pessoa que tente se aproveitar delas. Mas ao mesmo tempo é impossível não admirar a força e a fé que a duas buscam manter para conseguirem passar por tudo que lhes acontece. Ahayla transfere para si a responsabilidade pelo bem estar de Sita e faz de tudo que está a seu alcance para protegê-la passando por cima inclusive de si própria. E Sita também faz o possível para ser forte e ajudar a irmã a não enlouquecer com aquela situação.

O livro é narrado em terceira pessoa intercalando entre o ponto de vista das irmãs e o de Thomas. A narrativa é ótima e flui facilmente. A história é revoltante e comovente. Eu sofri e chorei por tudo que as meninas passaram e torci por todas as pequenas vitórias que eles conseguiam. O livro é um tapa na nossa cara nos fazendo enxergar um mundo que buscamos não saber que existe e nos levando a uma montanha russa de emoções.
“ - Você não está aqui porque eu sinto prazer no comércio sexual. Você está aqui porque existem homens que gostam de pagar por sexo. Eu sou apenas o intermediário. Alguns homens de negócios vendem objetos. Outros vendem conhecimento. Eu vendo fantasias. É tudo a mesma coisa.”
No final do livro o autor expõe algumas informações obtidas por ele em sua pesquisa para a história, incluindo endereços de sites e livros sobre os assuntos abordados na trama. E como ele mesmo comenta é possível ajudar seja como for.

Esse foi um dos livros mais lindo e emocionante que li esse ano. Com certeza esse se tornou um dos meus livros favoritos. Recomendadíssimo a todos, independente do estilo literário preferido.


Abraços,
   Carol Mylius
CAROLINA MYLIUS
Colaboradora e Resenhista aqui no VDL e tem um BLOG com todos os seus trabalhos. É ilustradora por profissão e por paixão. Ama os livros desde criança e tem a sorte de trabalhar com eles buscando ajudar os autores a mostrar um pouco de sua obra através das capas que ilustra. Seus livros favoritos são: Tiger's Curse, PerdidaA Primeira Regra do Mago, Série Academia de Vampiros.
Twitter/Facebook/Skoob - carol@vidadeleitor.com
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