Cidade das Sombras: O Guardião - Daniel Polansky

Resenha

Hey pessoal, tudo bem?

Este foi um livro que já me conquistou pela capa, e a medida que devorando suas páginas, me peguei preso em um mundo no qual não queria mais sair e que infelizmente chegou a um final. Só me resta deixar aqui minha maior dúvida: QUANDO LANÇA O SEGUNDO VOLUME?







Hoje, quando você sair à procura de Yancey, o Rimador, e tiver de abrir caminho em meio às prostitutas, aos valentões e aos viciados loucos por mais um dia de cheirada ou um trago, você irá se deparar com o corpo de uma criança. O cadáver exala um odor que não é dele, um cheiro que recende a magia e a um lugar, se Sakra quiser, para o qual você jamais irá querer voltar. Não fique tempo demais de bobeira perto do corpo; os gélidos vão querer saber o que você fez e o que há na sua bolsa. E quando eles te pegarem, é para a Casa Negra que você irá, onde o Comandante fará uma oferta que você não terá como recusar. Bem-vindo a um mundo como nenhum outro, com uma linguagem estranha e rica e uma violência tão sombria quanto o mais negro dos noires.

O desaparecimento de uma garotinha e o seu reaparecimento, morta, é o que da inicio a nossa aventura. O Guardião, nome dado ao personagem principal, decide investigar tal morte a fundo já que ele foi quem encontrou o corpo dela em uma viela no meio da noite. Contudo, embora muitos acreditem que isso foi obra de uma pessoa meramente cruel, o Guardião sabe que os dedos dos Artistas, nome dado aos praticantes de magia, estão no meio de toda essa bagunça, ele jurou encontrá-los, mesmo que isso custe sua vida, ou apenas alguns membros.

"Quando eu achar o filho da puta que fez aquilo com a menina, farei com que o que aconteceu com o Lábio Leporino se pareça com uma carícia de amor. Por tudo o que é sagrado, ele terá uma morte lenta."
Pág. 75

A história presente neste livro é algo fora do comum e diabolicamente deliciosa. Se você está esperando um protagonista montado em um cavalo branco e vestindo uma armadura reluzente, ou, brilhando que nem uma fada no sol, pode desistir. Nosso protagonista foge a todos os estereótipos de "cara bonzinho" já que ele é: Viciado em uma droga que ele mesmo trafica, não se importa com coisas triviais como amor, é um exímio lutador mas não luta (são seus inimigos que adoram bater a cabeça em seus punhos) e o principal, ele mata sem piedade e é isso que o torna tão especial e carismático.

Como um livro não se resume a apenas um personagem e, por mais que eu queira falar o quanto o Guardião se tornou meu personagem favorito de livros envolvendo um bom Thriller, temos também a presença de dois de meus outros personagens favoritos, que são: Adolphus, o brutamonte mais feio que um troll e Yancey, o bardo/rimador. Enquanto o primeiro é um taberneiro/dono de pensão carrancudo e que a seu modo cativa o leitor, Yancey é o típico amigo desleixado que mesmo tendo dinheiro e talento, são liga para nada alem de seguir seu sonho, o que no caso é a música/poesia.

"Não criamos caso com isso, mas a melhor coisa para um vidente não é cabelo, é carne. E não precisa ser muita, apenas um pouquinho. Os bons insistem nisso e, quando eu era um gélido, dava um jeito de levar sempre que possível. Pode ser um dedinho, às vezes uma orelha caso você ache que a vítima não vai ficar em um caixão aberto."
Pág. 210

A narrativa de Polansky, como já havia dito acima, é bem diferente de tudo aquilo que temos no mercado atualmente. Inaugurando um novo gênero, a Fantasia Noir (pronuncia-se Noar), que até então era vista apenas em filmes e nunca envolvia nada além da morbidez e dos assassinatos, Daniel conseguiu juntar todos os requisitos para um grande best-seller em uma única obra. Seus personagens são bem construídos e dotados de personalidades fortíssimas, seus diálogos são dinâmicos e em muitos casos rimos para não chorar e por último, mas não menos importante, temos a figura dos Gélidos (uma espécie de poder militar da Rainha) e dos Artistas, que são os magos deste mundo, dando ao texto aquele charme até então visto apenas nas grandes fantasias épicas.

Por mais que eu deseje dizer que esta obra é nada mais do que perfeita, aparentemente nem tudo são rosas,  e tenho que pontuar alguns pontos negativos presente na narrativa. Um deles é a introdução de palavras e entidades típicas desse novo mundo sem uma explicação do que realmente são, como Sakra, O Primogênito e Chinvat, que a medida que vamos lendo nos fica claro que são divindades mas que, em um primeiro momento, deixa o leitor confuso e perdido. Alguns errinhos de tradução e  também estão presentes, como a grafia do nome de Adolphus que em um dado momento era chamado de Adolfo. Outra coisa que me deixou muito incomodado foi quando Garrincha pergunta ao Guardião o que significa a palavra Negligente e ele responde que significa "que não é serio". O_O 

Pessoal, por mais que eu queria recomendar este livro para TODO MUNDO, infelizmente não posso, pois temos algumas palavras bem pesadas e muita violência entre as páginas dessa obra. Mas se você não se incomoda com o fato que nem eu, fica a dica então de uma ótima leitura que como disse, é diabolicamente deliciosa.

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do VDL. Cursa o 5º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, O Sussurro Mais Sombrio  e  Withe Cat.
Twitter/Facebook/Skoob - matheus@vidadeleitor.com
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