Idade do Sangue: Agnus Dei - Ju Costa

Resenha

Hey pessoal, tudo bem?

A cada dia que passa, os autores nacionais estão ganhando espaço, merecido, na estante de muitos bookaholics e é com maestria e uma mente digna de Tyrion Lannister que nossa querida Ju Costa conquistou seu devido espaço em minha prateleira.





Em A Idade do Sangue, podemos acompanhar a jornada de vampiros antigos, monstros sedutores. A jornada de recém transformados, como nossa personagem principal - que de forma alguma se encaixa no papel de heroína - e das pessoas que convivem com tais seres. Trazendo a tona uma lente psicológica e com um nível maravilhoso de verossimilhança a uma série de acontecimentos, que são nada além de naturais, se você considerar possível a existência do fantástico e do maravilhoso. Partindo dessa nova premissa - passando por uma filosofia Dostoévicista e bebendo de fontes profundas como a literatura de Saramago e jovens como J. K. Rowling - Ju Costa constrói um livro mais cativante e inspirador a cada página e deixa um gostinho ferroso de quero mais ao final de cada capítulo.

O livro gira em torno de duas grandes instituições que tem por objetivo a eliminação daqueles que perturbam o balanço natural do mundo com sua maldade e sede por sangue. Uma delas é a Ordem de Aset, liderada por Theresa, que tem como guarda-costas um vampiro milenar chamado Maasi (Nosferatu para os mais íntimos....rsrsrsrs), e que está atrás de Julie/Jules (depois explico o porque do nome assim O_O) , que segundo uma espirito demoníaco, seria a reencarnação de um dos fundadores da Ordem e que tem por direito seu lugar na liderança. A outra, mas não menos importante, é a Agnus Dei, uma instituição controlada pelo Vaticano e que possui o mesmo interesse por Julie, porém, o objetivo deles é vê-la morta e não governando. E é sabendo disso que mergulhamos em uma jornada onde, como nos grandes jogos de RPG, em apenas uma rodada, tudo pode mudar e a morte pode estar sussurrando em seus ouvidos.

"Meu nome é Arthur, sou o segundo conselheiro, o que significa que trabalho aqui todos os dias e acompanho todos os movimentos, opinando como posso. Sou um velho ranzinza e sem paciência, brinque comigo e eu te mato. Vê aquele senhor na cadeira de rodas? Aquele cuja vida parece estar se esvaindo do corpo? Seu nome é Robert Drake, ele é o primeiro conselheiro. O que significa que ele está aqui todos os dias acompanhando todas as decisões, e se acha mais importante do que eu, você, a líder da Ordem, os Beatles ou o Imperador Romano responsável pela compilação da Bíblia. Brinque com ele e ele não te mata pessoalmente porque não pode, mas vai arranjar quem o faça."

Pág. 34

Enquanto degustava esta obra, meu cérebro estava a "1000km/h". A maneira com que Ju Costa consegue narrar uma trama vampiresca de maneira com que você se sinta em Westeros é incrível. Os jogos de poder, as traições, as conquistas e, acima de tudo, o brilhantismo presente na narrativa que, como fora supracitado, beira ao do nosso ilustre Tyron. Contudo, nem tudo são rosas e, infelizmente, algumas coisas no livro não me agradaram. Uma delas foi a ausência de uma boa revisão que, mesmo sendo uma edição de autor, corrigisse alguns erros gritantes como o nome da protagonista que em alguns momentos é Julie e em outros é Jules (O.o). Outro ponto negativo é que não temos uma divisão onde mostre quem está narrando a história. Em alguns momentos estamos observando tudo sob a perspectiva de Julie/Jules e logo no paragrafo seguinte estamos sob a visão de Maasi e isso deixa qualquer um perdido pois quebra a dinâmica do texto, fazendo com que o leitor pare para deduzir quem está falando naquela hora.

"-Isso é tão clichê! - bufou ele, jogando os braços para cima.- Vampiros recém-transformados que não querem beber sangue humano, porque bu bu bu é o sanguezinho de uma criatura viva medíocre."
Pág. 110

Se você é fã de um bom RPG envolvendo vampiros, antigas sociedades e reencarnações com poderes lindamente diabólicos, esse é o livro que eu recomendo para você. Ele não só me proporcionou horas de prazer como também restaurou minha fé nos vampiros, os de verdade, e não aquelas fadas que brilham no sol e se alimentam de pobres e inocentes coelhinhos. XD

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do VDL. Cursa o 5º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, O Sussurro Mais Sombrio  e  Withe Cat.
Twitter/Facebook/Skoob - matheus@vidadeleitor.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.