Vida de Escritor #08 - Ricardo Costac

Entrevista

Olá queridos leitores, tudo bem com vocês?

Hoje apresento a vocês esse talentoso e competente autor nacional. Seu romance de estréia, Círculo de Pedra - As Lendas Vivem, tem tudo o que um romance épico precisa.




1 - Quem é Ricardo Costac?

Ricardo Costac nasceu na cidade do Rio de Janeiro no verão de 1961. É formado em História e em Geografia, e por alguns anos lecionou em cursos de pós graduação que lhes foram particularmente gratificantes. Atua profissionalmente na indústria farmacêutica onde conheceu muitos amigos e pessoas interessantes. Desde muito jovem é um apaixonado pelas questões de Astronomia, Arqueologia e Geologia. Sempre foi um dedicado freqüentador de museus de diferentes áreas do conhecimento e por toda a sua vida esteve rodeado de livros que o inspiraram a escrever a sua primeira obra. Casado e com dois filhos, mora atualmente em Curitiba no Paraná. O Círculo de Pedra é o primeiro de dois volumes de uma grande aventura que atravessa quatro séculos.



2 - Quando pensou em se tornar escritora? O que te motivou?
           
Acho que já nasci com esse pensamento, mas a vida foi me empurrando para outras atividades e o sonho foi ficando para trás, sempre adiado, até que um dia resolvi colocar no papel, ou melhor, na tela do computador as muitas ideias que brotavam na minha mente. Essa fase foi de grande adaptação, pois um professor de História e Geografia praticamente só enxerga termos técnicos e textos acadêmicos diante de si. Porém, usei essa desvantagem a meu favor, pois utilizo esses conhecimentos para ambientar a minha história em um cenário mais convincente. No entanto cuidei para evitar exageros para não deixar o livro cansativo, e estou convencido que o resultado ficou bastante satisfatório. Os cenários foram descritos de maneira natural para não cansar o leitor, focando-me na aventura que se torna fantástica do início ao fim.
O que me motivou a escrever essa obra foram as inúmeras ideias que surgiam sem parar, ininterruptamente, até durante o sono. Uma carga que armazenei ao longo da minha vida de tanto ler sobre mitologias de muitos povos e histórias muito antigas.



3 - Onde tirou a ideia para a história?

Parece coisa de gente doida (se eu tivesse essa conversa com um psiquiatra ganharia uma camisa-de-força de presente). Desde muito garoto uso um artifício para pegar no sono. Imagino que estou no alto de uma montanha, na margem de um rio, no meio de uma floresta, no interior de um templo, ou qualquer outro lugar interessante. O cenário muda de acordo com a minha inspiração. E aí começa a minha aventura, no meio da noite, no escuro do meu quarto. A partir daí viajo por lugares espetaculares e me deparo com situações das mais variadas, sempre fantásticas. Calma, eu sei que é tudo fruto da minha imaginação. Mas é assim que minutos depois eu pego no sono. E foi assim que nasceram muitas das aventuras e personagens que fazem parte do "O Círculo de Pedra". 



4 - Você tem algum autor ou autores que você considera sua fonte de inspiração?

Vou citar três: Edgar Allan Poe, Howard P. Lovecraft e J.R.R.Tolkien. Cada um ao seu modo me fez mergulhar na magia da Literatura. 



5 - Qual seu estilo de literatura favorito? E quais os livros que mais gosta?

Sou um apaixonado pelos livros de Fantasia e Ficção Científica. Criar uma realidade diferente daquela que estamos acostumados é uma arte. E tem escritor que é simplesmente genial. Dizem que este gênero literário é menor, sem qualidade. Quem afirma isso não sabe o que fala. Alguns escritores ganharam o Nobel de Literatura explorando justamente esse maravilhoso gênero: Gabriel García Márquez e o seu Cem Anos de Solidão, e José Saramago com o seu "realismo mágico" de suas obras O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991 ; Ensaio Sobre a Cegueira, 1995, lhe deram a premiação máxima de 1998. Isso sem falar no sucesso Jangada de Pedra. 



6 - Como foi o processo de escrever o livro? Demorou quanto tempo desde a ideia até a finalização do texto?

Fiz muita pesquisa antes de começar, e se não tomasse logo a iniciativa de começar a escrever, estaria pesquisando até hoje. Em alguns momentos tive que voltar e alterar o que já havia escrito por cauda das novas ideias que apareciam durante o desenvolvimento do livro, dava trabalho mas era prazeroso. 
A construção da obra durou um ano e meio de muitas madrugadas e finais de semanas entretido na produção.



7 - Como foi o processo de conseguir uma editora?

Aí vem a pior parte. Para quem não é conhecido, editar um livro é uma verdadeira odisseia. Eu tinha o cuidado de procurar editoras que aceitassem publicar este tipo de livro: Literatura de Fantasia. Muitas editoras recusaram e algumas nem respondiam se sim ou não. Depois de mais de um ano nessa "batalha", acabei por fechar uma parceria com a Novo Século.



8 - Como foi para construir os personagens? Você se baseou em alguém conhecido?

Idealizei personagens comuns como nós, mas que reunissem habilidades que pudessem ser usadas para resolver um grande mistério diante delas. Mas fora isso, muitos outros personagens são fabulosos, oriundos de um mundo envolto em lendas e magia. Evitei personagens como vampiros, anjos, lobisomens, elfos, orcs, dentre outros. Não por ter alguma coisa contra, mas eu quis inovar, baseando-me na mitologia grega que se explica perfeitamente no livro. Além disso criei uma mitologia inédita para tornar O Círculo de Pedra um pouco diferente do que se vê publicado atualmente. Acredito que o resultado foi bastante satisfatório. 
Não cheguei a me basear em ninguém conhecido, os personagens nasceram das noites sonolentas em que me perdia nas minhas aventuras antes de dormir.



9 - Tem planos de escrever outros livros? Esse livro mesmo tem um final ou terá uma continuação?

Já estou escrevendo. O segundo e último volume de O Círculo de Pedra está em franca produção e estou me dedicando ao máximo para que a continuação tenha a mesma intensidade do primeiro. Também estão sendo preparados mais quatro livros que, acredito, darão boas aventuras para fazer o leitor mergulhar em mundo mágico.



10 - De onde saiu a ideia desse novo mundo?

Pode parecer coisa de gente louca, talvez seja mesmo. As ideias para escrever O Círculo de Pedra surgiram de um hábito que eu tenho desde muito jovem. Quando vou dormir, para pegar mais rápido no sono, viajo mentalmente por mundos inventados por mim. Percorro campos, florestas, montanhas, visito cidades fantásticas e interajo com seres fabulosos. Com o tempo essa prática se tornou mais frequente e hoje eu a utilizo combinada com conhecimentos que adquiri ao longo do tempo (História, Geografia, Arqueologia, Astronomia, Geologia e Mitologia). Com o passar dos anos a história que resultou no livro foi amadurecendo, até o momento em que eu fiquei convencido de que poderia escrevê-la.




11 - Qual foi sua inspiração para o povo Faogard?


Imagine um guerreiro faogard chegando em nosso mundo: corpo avantajado, cabelos e olhos escarlates e uma habilidade incomum no manejo do martelo. Agora imagine esse guerreiro tendo que ir viver em terras ao norte da região do Egeu na Grécia, influenciando e inspirando os povos do norte a também serem guerreiros ferozes. É isso, me inspirei nos legendários vikings. Esse bravo faogard teria dado origem a lenda de Thor e seu poderoso martelo. Repare na semelhança do nome desses dois lugares Faogard e Asgard (morada dos deuses nórdicos). Mas isso aconteceu milhares de anos antes da civilização viking florescer.




12 - Como você cria os nomes das novas raças e animais fantásticos?


Isso me deu algum trabalho. Eu considero a sonoridade das palavras muito importante para criar os nomes de tudo o que povoa esse mundo imaginário. Algumas vezes a palavra vinha pronta na minha mente, eu consultava o Google, e lá estava ela, e prontamente era descartada. Preferia não usar uma palavra existente. Fazia combinações de nomes e nascia outra palavra que eu achava interessante. Ótimo, essa não existia como foi com Loreuvena, Drallêngia, cramakau, gifenonte e tantos outros. Também sofri uma forte influência do vocabulário grego para batizar outros seres e lugares. Portanto, cada nome tem que me agradar e combinar com cada personagem segundo a minha interpretação.




13 - Se você vivesse neste novo mundo, qual seria seu povo?


Pergunta difícil de responder. Quando se cria um personagem ou uma nação inteira, nasce um forte vínculo entre o autor e sua criação, pelo menos é assim comigo. Simpatizo muito com os faogards, mas tenho uma admiração, um fascínio por Paleandrus e seu povo desaparecido. Viajei muitas vezes em meus sonhos por aquelas avenidas, praças e templos desertos. Vislumbrei todo o reino do alto do inexpugnável Kelatzandrus. Para mim Paleandrus é especial.




14 - Durante a leitura, percebi alguns elementos parecidos com hogwarts, como a floresta por exemplo. A escola mais famosa de magia foi sua inspiração?


Admiro muito a maravilhosa obra de J.K. Rowling, mas a minha inspiração para criar a floresta que rodeia o monte Cabeça do Rei veio da minha paixão pela Geografia (minha formação acadêmica). Densas florestas, altas montanhas, vales, rios cristalinos, vastas planícies, estão presentes em toda a aventura. Criei um mundo que sonhei como deveria ser o meu mundo real. Não existem rios poluídos ou desarmonia da natureza por qualquer lugar que se ande no mundo descrito no livro.

Quanto a escola, talvez exista, sim, uma influência de Hogwarts. Quem não gostaria de estudar em uma escola envolta em mistérios? E se essa escola se localiza em uma ilha isolada no meio do oceano? Bem, eu certamente gostaria de passar algum tempo em um lugar assim.




15 - Você pode contar algum spoiler ou trecho do próximo volume?


O segundo volume ainda está sendo escrito. Em primeira mão vou te passar alguns spoilers. É claro que os garotos atravessarão novamente o Portal com a missão de ir atrás de John Crowley, o pai de Daniel e Meg. Você sabia que existe um exótico museu no subterrâneo da Ilha da Coroa? Ao ler o próximo volume você vai conhecer Gazívia, a cidade em ruínas de onze mil anos, palco da antiga guerra entre os deuses irmãos, lá existem outros mistérios a serem desvendados. Uma estranha névoa habita uma das florestas da Cadecália. Outros reinos entrarão em cena como Fherózia, Esfégia, Nesdulácia e Misantreia. A guerra continental vai mesmo acontecer.


16 - Pode deixar uma mensagem para os leitores e também os teus contatos?

Na verdade eu quero fazer um reconhecimento. Os blogs literários são grandes aliados do autor que se interessa em divulgar a sua obra. São verdadeiros Faróis no universo literário da internet (poético, não? rsrsrs). Aconselho a quem precisa ter o seu livro visto e difundido a usar e abusar desse interessante meio de divulgação. Blogs, como o Vida de Leitor, são feitos por pessoas que amam os livros. Pessoas que estão do nosso lado, do lado do leitor e do escritor que se deliciam no mundo da literatura. 

Se quiser tirar alguma dúvida ou mesmo conversar me procure:

E-mail:  escritor-r.costac@hotmail.com


Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do VDL. Cursa o 5º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, O Sussurro Mais Sombrio  e  Withe Cat.
Twitter/Facebook/Skoob - matheus@vidadeleitor.com
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