O Estrangeiro - Albert Camus

Heeeyy, pessoal! 

E lá vou eu resenhar aqueles livros que não fazem aquele sucesso escancarado, mas são clássicos e agradam um grupo pra lá de seleto de leitores. E o Vida de Leitor também pensa nesse grupo pra lá de seleto, por isso, vamos desvendar O Estrangeiro! Camus não optou por uma leitura fácil nesse livro. Apesar de não ser extenso e possuir uma linguagem leve e descomplicada, a história de Meursault é um tanto quanto indigesta.

Pode alguém ser condenado porque não chorou no enterro da própria mãe?

Essa é a pergunta que permeia o livro, que leva a uma análise moral e psicanalítica do personagem principal. Meursault é um jovem argelino na época de colonização francesa, que leva uma vida banal, sem complicações. Um dia, recebe a notícia de que sua mãe havia falecido. Dirige-se ao asilo onde a mãe vivia, e, numa postura que não nos permite saber se a realidade não o afeta ou se ainda não o havia atingido completamente, bebe café, fuma e adormece junto ao esquife materno. No dia seguinte, encontra Marie na praia e envolve-se amorosamente com ela. 

Entre acontecimentos banalmente relevantes, Meursault acaba por se aproximar de um de seus vizinhos, e conhecer um grupo de árabes que o detesta. Em um passeio à casa de praia de um amigo do vizinho que se torna seu amigo, Meursault mata, aparentemente sem motivo, um daqueles árabes,  e é condenado a morte, devido à falta de empatia e de demonstrações efusivas de sentimentos. Como chorar no enterro da mãe.

Os detalhes da obra são muitos e relevantes, mas a filosofia por trás de uma história extremamente banal é o que fascina. Camus nos apresenta ao Absurdo, ao absurdo de uma morte justificada "por causa do sol" e ao absurdo de um homem que é estrangeiro em seu próprio mundo. O estrangeiro é Meursault e somos todos nós, porque nosso país é nossa mente.

Diferentemente do que pode parecer pela minha descrição inicial, Meursault não é um sonhador que vive no mundo da lua. Ele vive extremamente na terra, muito com os pés no chão. Não se atém a pensamentos e o que importa é o que se percebe pelos sentidos. Um tanto quanto hedonista, com a sutil diferença de que ele não se importava com a sensação que traria a satisfação dos sentidos. Meursault apenas não queria sentir o calor do sol. Tratava-se de uma necessidade de manter tudo o mais absolutamente em ordem para perceber sua realidade de forma mais completa.

A indiferença de Meursault à vida é palpável. No final das contas, frente à morte, essa ideia desaparece. O complexo é que Meursault é indiferente à vida e quer continuar vivendo, mas só a ideia da morte o apazígua. 

Há várias cenas interessantes, como a visita do padre a Meursault na prisão e a forma como ele ocupa seu tempo livre. Camus refere que um homem que já viu um único cômodo de uma casa em sua vida, tem coisas para pensar durante todo o resto dela.

O livro é uma reflexão filosófica profunda, e não é meu objetivo fazer uma análise completa ou exaurir o assunto. Apenas despertar a curiosidade sobre como o absurdo permeia nossa vida e pode ser analisado de formas que nem imaginamos.

Beijos, leitores queridos!
Kássia

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