Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda

Olá, Leitores!

Senti muita falta de escrever pra vocês! E espero que possa me redimir com essa singela resenha, feita com saudade e um pedido de desculpas pela ausência nas entrelinhas. 

Poesia nunca foi meu gênero literário favorito. Até eu começar a escrevê-las, naturalmente, como se fizessem parte de mim.Em se tratando de poesia, Neruda sempre será um clássico. Cem Sonetos de Amor é uma das mais altas expressões de amor da literatura mundial, escrito com talento e principalmente com alma. Há quem diga que esse poeta simplificou demais o sentimento complexo que é o amor. Eu acho que as pessoas é que complicam o que é tão simples: apenas se ama. 

Neruda escreveu cada um desses cem sonetos para Matilde, sua esposa e amada. Dividiu o livro nos momentos do dia: Manhã, Meio-Dia, Tarde e Noite. Os poemas foram classificados entre cada um dos momentos conforme a intensidade da poesia e seu "cheiro", por assim dizer. Desse modo, as poesias do Meio-Dia cheiram a sol forte, calor e tontura, e as poesias da Manhã tem cheiro de coisa fresca, nova e vento no rosto. 

Por falar em elementos da natureza, Neruda abusa deles, e de coisas simples e campestres como "pão" e "trigo". Isso fica evidente nos poemas da Tarde, que se utilizam de um romantismo bastante arcaico (foi ruim, ok, e misturar duas escolas da Literatura confunde xD). 

Os sonetos mais lindos são os da Manhã, embora todas os momentos tenham obras fantásticas. É um livro pra quem gosta de poesia, pra quem sente poesia, e não se importa de chorar desesperadamente enquanto espera o ônibus numa estação lotada, à uma temperatura que beira os 30°C. Porque foi isso que aconteceu comigo. 

Pra finalizar, deixo pra vocês alguns versos do Neruda, apenas pra despertar a vontade de ler. 


VIII
Em teu abraço eu abraço o que existe, 
a areia, o tempo, a árvore da chuva,

e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo:
vejo em tua vida todo o vivente.


XLIV
Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
 Por isso te amo quando não te amo 
e por isso te amo quando te amo.

E do que me trouxe lágrimas, eu deixo o número: LXI, para os que amem poesia. Porque os poemas de Neruda soam como um oásis de pureza e calor. 

Beijos,
Kássia

Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.