O Jogo do Anjo - Carlos Ruiz Zafón

Meus amados leitores!

Demorei mais de um mês para escrever resenha sobre esse livro, decidindo o que realmente penso sobre ele. E pra ser absolutamente sincera, ainda não estou segura sobre isso. 

O livro conta a história de Davíd Martin, que amadurece a cada página do livro. O menino Davíd teve uma infância triste, onde não pode realmente ser criança. A sua precoce paixão pelos livros é veementemente condenada pelo pai, um homem endurecido pela vida. O Davíd adolescente trabalha em um jornal esperando a oportunidade de mostrar seu talento naquelas páginas impressas. O homem Davíd, com quem a história realmente acontece, é um escritor solitário. Escreve contos de terror inspirados nas ruas da Barcelona que ele ama e odeia, sob um pseudônimo. Mora em uma casa antiquíssima. 

Um dia, aparece Andreas Corelli na vida de Davíd. Quem é Andreas Corelli é algo que não se pode responder com certeza absoluta em momento algum. A proposta feita por ele a Martin é tentadora: escrever um livro para mudar a história da humanidade, em troca de um polpudo depósito em sua conta bancária. É claro que a curiosidade de Davíd é aguçada por esse homem, e quando Davíd começa a investigar, sua vida é virada de pernas para o ar. Assassinatos, mistérios e traições, que para ele eram apenas uma ficção rentável, tornam-se rotineiros em sua vida. A complexidade da trama e dos personagens apenas cresce até a última página do livro. 

Eu não li "A Sombra do Vento", mas a própria capa do "O Jogo do Anjo" conta os elementos em comum entre as histórias: a Livraria Sempere e Filhos e o Cemitério dos Livros Esquecidos. E são criações grandiosas demais para serem utilizadas em uma única obra. O Sr. Sempere é fascinante e o Cemitério... bem, é simplesmente um sonho. 

A escrita do Carlos Ruiz Zafón é divina. É poética, mas é clara e tem descrições apenas na medida certa. Os diálogos são casos à parte. Entre Andreas e Davíd sempre são recheados de tensão, mas profundos e estruturados. Em diversos trechos fiquei encantada com a racionalidade de Andreas, que beirava a frieza.   Há também um diálogo com a Isabella (jovem assistente do nosso escritor) que é deliciosamente inteligente. A retórica de Andreas Corelli é magistral, e Davíd aprende com ele. 

É daqueles livros que permanecem contigo quando são fechados. Os fatos não parecem lógicos, mas ao mesmo tempo, tudo o que são é lógica pura. O final é perturbador, inquietante. E quando deveria esclarecer, surpreende e te mergulha em novas dúvidas. 

Recomendo muito, e merece nota máxima. Apenas não leia se teme jogos onde a realidade se confunde com a imaginação, e nada do que parece é. Mas o que é a vida, senão um desses jogos?

Beijos!
Kássia

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