Limite Branco - Caio Fernando Abreu

Saaaalve amados! - Não, eu não inspirei no Pedro Bial para começar esse post, e prometo que mais nada vai lembrá-lo nas próximas linhas.

Prosa poética. Como eu adoro ler textos desse estilo literário! E Caio Fernando Abreu é mestre em assim escrever. Em Limite Branco, somos transportados ao universo de Maurício, um adolescente na antiga Porto Alegre, descobrindo a vida e relembrando-a.

Maurício passa por todos os dramas que um adolescente passa, a convivência difícil com a família, a falta de identificação com a profissão a ele imposta, e tantos outros problemas banais sob certo ponto de vista, mas que causam um abalo psicológico conhecido pela maioria de nós. Caio encontra na narrativa alternada entre primeira pessoa (os diários de Maurício) e a narração propriamente dita uma forma de manter a atenção do leitor e contar a história de maneira completa e abrangente. A alternância de tempo, entre passado e presente nos carrega tal qual uma onda, envolvendo e movendo coisas em nosso interior.

Sobre os diários de Maurício, preciso registrar a minha admiração. O texto em forma de diário muito me agrada também, e são relatos permeados de sensibilidade e inteligência. O escritor não gosta muito desses trechos e confessa na introdução, mas por ironia eles realmente me agradaram.
Limite Branco é um dos poucos romances desse autor, que prefere contos, mas é escrito com uma maestria memorável para um jovem de 19 anos (idade de Caio ao escrevê-lo). Copiando as palavras do prefácio, é um romance de despedida da adolescência, e nisso se encontra muita originalidade.
Recomendo para quem gosta de prosa poética, textos intimistas e bastante psicológicos. Apesar da palavra "romance", não se assustem, o mel não escorre das páginas do livro, porque simplesmente esse tema não é abordado com intensidade. 


Me despeço com um trecho, entre inúmeros simples, profundos e geniais do livro:


"Fico pensando se viver não será sinônimo de perguntar. A gente se debate, busca, segura o fato com duas mãos sedentas e pensa: Achei! Achei! Mas ele escorrega se espatifa em mil pedaços, como um vaso de barro coberto apenas por uma leve camada de louça." (p. 74)

Beijos!
Kássia
P.S.: Agradeço à Emanuelle Teles por permitir que eu viajasse nas letrinhas do seu amado Caio e me emprestar o livro.