Travessuras da Menina Má - Mario Vargas Llosa

Oi pessoal!

A resenha de hoje é sobre um livro que eu mal conseguia esperar terminar de ler para contar para vocês: Travessuras da Menina Má - Mario Vargas Lllosa. É uma indicação que não poderia ter sido desprezada. Agradeço à Mariana Lanner por me apresentar Ricardito e Lily. 

Na cidade de Lima, capital do Peru, na década de 50, um Ricardo Somocurcio ainda adolescente conhece a chilenita Lily, também adolescente. O fascínio que Lily exerce em Ricardo torna o verão do rapaz especial, e perdura por toda uma vida. Ao longo de suas vidas, os encontros desse casal se multiplicam em diferentes cenários e a versatilidade da menina má contrasta lindamente com o imutável e eterno bom menino. 

Se eu contar muito sobre a trama, estraga a surpresa que é cada página do livro. Se eu revelar muito sobre a personalidade da niña mala, a graça de descobri-la se perde aos poucos. Mas preciso defender meu ponto de vista.

Ricardo realiza o sonho de morar em Paris e torna-se um tradutor com uma vida estável e pacata. Lily aparece e desaparece do cotidiano de Ricardo como uma labareda. E talvez Lily realmente seja isso: uma labareda. Incendeia Ricardito e sua vida, e tão repentinamente como surge, desaparece. Sempre outra, sempre diferente... Mas sempre a mesma: insensível, insolente e irônica com as breguices que o apaixonado Ricardito lhe diz com o coração aberto e lágrimas nos olhos. 

A cada capítulo, além do reencontro com Lily, Ricardito convive com outros personagens que por si só são um espetáculo à parte. Destaco o garoto Yilal, também conquistado pela menina má e o também tradutor Salomón Toledano. Nosso bom menino aprende a se despedir de todos eles, lidando algumas vezes com a dor da perda. Acredito que cada capítulo e tão completo e rico que por si só já valeria um pequeno romance individual. 

O estilo de escrita de Mario Vargas Llosa é um deleite à parte. Possui descrições perfeitas, detalhadas sem delongas e com um toque de poesia exuberante. Além disso, consegue tornar o romance tão bem localizado histórica e politicamente que aprendemos um pouco sobre a história e a política do Peru e até mesmo da França. 

La Niña mala é a personagem feminina mais complexa com que esbarrei em minhas andanças literárias. Uma mulher que se mantém uma menina a nível sentimental durante toda a sua vida. Ela não é incapaz de amar, como em muitos momentos chega-se a sentir: ela é incapaz de demonstrar fraquezas e, para ela, amar é uma fraqueza. Acredito que a menina má ame sobremaneira o seu bom menino, e por isso sempre retorna para ele. Ricardito é a segurança, é o conforto de um abraço apaixonado. Mas, é claro, isso jamais vai ser dito pelos lábios de uma menina má. 

Lily é intensa, é imprevisível, temperamental, interesseira, infantil e indomável. É a síntese do orgulho, que fascina e só é domado por alguém de personalidade ainda mais forte... 

Essa resenha será assim, breve, pra tentar produzir em vocês uma parte do meu interesse por esse livro. A menina má é uma faceta da personalidade de cada mulher. É impossível não se identificar com as mudanças repentinas e mesmo a rara ternura da chilenita, sua necessidade de segurança e sua sede de aventura. Somos todas niñas malas. E, sejamos sinceras, qual o bom menino que não deseja ter sua vida incendiada pela labareda de uma niña mala?

Abraços
Kássia