O Príncipe - Maquiavel

Olá pessoal!
Antes de mais nada quero agradecer pelos comentários e carinho de todos, especialmente da companheira de equipe Carol Myllius. Essa que vos escreve ficou tão feliz que vocês nem podem imaginar. 

Para hoje, escolhi me arriscar resenhando um clássico, que há séculos divide opiniões: O Príncipe - Maquiavel. Há um mito que corre que, ou se ama Maquiavel, ou se odeia - e não há meio termo. Bem, aqui estou eu para contrariar. 

O Príncipe fala basicamente sobre o Estado, sua organização, sua composição e governo, quando descreve a maneira como deve um príncipe (termo empregado com o sentido de governante) portar-se. Divido o livro em duas partes, a que eu não gostei e a que eu gostei. Brincadeira. Divido mentalmente o livro entre as características de conquista e as características de manutenção. 

Os primeiros capítulos, aproximadamente a primeira metade do livro, tratam sobre como o príncipe conquista o seu Estado e analisa falhas e acertos de algumas grandes figuras da época de Maquiavel. E aqui, leitor, a não ser que você conheça a fundo a história italiana, é possível que você se chateie tanto quanto eu. Maquiavel desdobra-se em páginas e páginas, onde explica onde erraram e em que acertaram os comandantes de destaque da época. Levei algum tempo para digerir estas páginas, um tanto quanto ásperas para meu parco conhecimento histórico italiano. 

Quando Maquiavel parte para as características de governo e manutenção, bem mais psicológicas, o livro se torna muito interessante. Tanto que, em uma manhã, li o mesmo número de páginas que havia levado meses na primeira parte. São métodos sem muitos escrúpulos, pouco preocupados com a moral, e de eficiência extrema. É clássica a opinião que resume o pensamento maquiavélico em "o fim justifica os meios". Entretanto, eu discordo quanto à essencialidade dessa ideia. 

A ideia essencial do livro, ao meu ver, é a conquista e a manutenção do poder através daquilo que se aparenta ser. O livro todo preocupa-se apenas com a imagem que aqueles que cercam o príncipe tem do mesmo. Expõe de forma única o conceito de virtú (na edição que li a palavra nem foi traduzida, para manter-se fiel), tanto que o alcance desse conceito é bem mais distante da moral do que a compreensão que temos hoje da palavra "virtude". 

E por falar em edições, há algumas com comentários divertidíssimos de Napoleão Bonaparte. Infelizmente, não tive a sorte de ler uma dessas, o que pode ter contribuído para minha impressão não muito simpática da obra. 

O poder é um assunto muito interessante, e do ponto de vista maquiavélico ainda mais. A frieza apaixonada com que ele trata o assunto é fascinante e repugnante. Isso torna a obra indicada a todos que se interessem pelo assunto ou pela forma que ele é tratado. Para quem tem alguma forma de contato mais direta com o Estado ou o poder, a leitura é fundamental. Mas o bom senso ao ler, também é essencial. A leitura deve ser atenta e crítica, pois, de tanta aparente crueldade, tira-se muito de racionalidade para a vida prática, do cidadão comum ao político. 

Abraços! 
Kássia