Iniciada - Amanda Hocking

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Trocada foi o primeiro livro que li para o VDL, portanto, tenho um carinho especial por essa série. Quando recebi Iniciada, um sentimento de nostalgia tomou conta de mim, comecei a pensar nas diversas histórias que conheci nesse período entre primeiro e o último volume da série e conclui que pude rir, chorar, me apaixonar e odiar com tanta intensidade que era impossível não relatar para vocês minhas experiências. Agora me preparo para dizer adeus a série que me apresentou como blogueira literária.






Trylle chega ao fim com Iniciada, terceiro volume da saga de Wendy Everly, uma criança troll trocada secretamente logo após o nascimento por uma humana normal. Depois de descobrir sua verdadeira origem e ser levada para o mundo mágico de Trylle em Trocada e de se deparar com uma rival que a faz questionar qual é realmente o seu lugar em Dividida, os dois primeiros livros da série, agora a jovem precisa fazer a escolha certa para salvar o reino de Trylle, do qual ela se tornou rainha. Mas será que seu coração está pronto para esta decisão?






A doença de Elora tem avançado de forma rápida, por isso as responsabilidades do reino Trylle estão recaindo cada vez mais sobre a princesa Wendy. O dia de seu casamento com Tove se aproxima de forma rápida, mas os sentimentos que ainda mantém por Finn são confusos e para piorar a situação, Loki, o markis Vittra que a ajudou a fugir de Oren precisa de anistia para se defender dos castigos, mas ele não se contentará em ser apenas um hóspede. O coração dessa jovem deverá escolher entre a obrigação, um antigo amor e uma atração crescente.

O reino Trylle vem passando por uma série de conflitos, o constante medo de um ataque Vittra aterroriza os cidadãos, as limitações impostas para organizar a sociedade faz com que muitos decidam abandonar suas raízes e poderes para ir viver entre os humanos. A monarquia começa a ser abalada, mas a rainha deverá ser forte, pois os Vittra estão se preparando para a guerra e não medem esforços para enfraquecer os adversários.

O reino precisa de uma rainha firme.

- Valeu a pena - disse Loki, de repente.
- O que valeu a pena? - Eu me virei outra vez para ele.
- Tudo o que passei- disse ele. - Por sua causa. Valeu a pena.
Pág.:43

Detesto esperar muito tempo para ler a continuação de uma história, sempre me esqueço de alguns detalhes e preciso ficar consultando para lembrar. Os livros anteriores giraram em torno da guerra iminente contra os Vittra, entretanto fiquei um pouco decepcionada quando ela enfim ocorreu, apesar de ser mais focado no romance de Wendy e seus pretendentes, o enredo nos deixa curiosos para saber como será a batalha, quando ela enfim chega é resolvida em poucas páginas, sem grandes emoções, porém é uma conclusão satisfatória.

É notável a evolução dos personagens, especialmente de Wendy, que se torna uma mulher mais madura e responsável, já era possível notar essa mudança de postura em Dividida, essas características se tornam mais acentuadas. Finn aos poucos deixou de ser relevante para o enredo, ele era o par romântico de Wendy em Trocada, mas como diz o ditado: “A fila anda” e a da princesa caminhou rumo a algo bem melhor. O markis Loki é atraente e sarcástico, as cenas mais divertidas foram protagonizadas por ele. Elora enfim começa a demonstrar seu lado emotivo ao invés de permanecer sendo a rainha fria e temida, isso faz com que ela e a filha fiquem mais próximas.

A batalha se aproxima.

- Pessoas nas nossas posições não escolhem com quem vão ficar – acrescentou Tove, e acho que escutei um pouco de tristeza em sua voz. – Mas pelo menos vamos ficar com alguém de quem gostamos.
Pág.: 51

Para quem ainda não leu a série Trylle, diria que é um bom investimento. Gostei de vários aspectos, o mundo criado é incrível, a história abordada é consistente e cativante e a conclusão apesar de se arrastar muito no romance e acelerar na hora da tão esperada luta entre Wendy e Oren é boa, mas não espetacular. O conto adicional Para Sempre me comoveu muito, adorei ver um pouco mais a respeito do final feliz dos personagens.

A capa não é maravilhosa, mas é bonita e tem cores chamativas. A diagramação é agradável aos olhos, as páginas são de tom amarelado e a fonte é mediana. Não encontrei erros na tradução feita por Priscila Catão. Leitura recomendada.


Meio Mundo - Joe Abercrombie

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Em Meio Rei - resenha -, descobrimos que o mundo criado por Joe Abercrombie é um pouco cruel com aqueles que desejam algo atípico, como ocorreu com Yarvi, que experimentou o preconceito e o desprezo simplesmente por ter uma deficiência física em uma das mãos. Assim como ocorreu com ele, em Meio Mundo, segundo volume da série Mar Despedaçado, somos apresentados a uma jovem protagonista detentora de uma personalidade aparente e forte que sofre a discriminação só por ser uma mulher. 


Os tolos alardeiam o que vão fazer. Os heróis fazem.
Thorn Bathu não é uma garota comum. Mesmo tendo sido criada numa sociedade machista, ela vive para lutar e treina arduamente há anos. Porém, após uma fatalidade, ela é declarada assassina pelo mesmo mestre de armas que deveria prepará-la para as batalhas.
Para fugir à sentença de morte, Thorn se vê obrigada a participar de um esquema do ardiloso pai Yarvi, ministro de Gettland. Ao lado dela se encontra Brand, um guerreiro que odeia matar, mas encara a jornada como uma chance de sustentar a irmã e conquistar o respeito de seu povo.
A missão dos dois é cruzar meio mundo a bordo de um navio e buscar aliados contra o Rei Supremo, que pretende subjugar todo o Mar Despedaçado. É uma viagem desafiadora, em que Brand precisa provar seu valor e Thorn fará o necessário para honrar a memória do pai e se tornar uma verdadeira guerreira.
Guiando os personagens por caminhos tortuosos em busca de amadurecimento e redenção, Joe Abercrombie mais uma vez nos maravilha com uma história grandiosa, que se sustenta sozinha por seu vigor, mas também dá continuidade à saga de Gettland e Yarvi. Finalista do prêmio Locus, Meio Mundo deixará o leitor na expectativa do desfecho desta série épica.

Nesta trama passamos a conhecer Thorn Bathu, uma jovem que, segundo a sociedade em que vive, tem pensamentos e desejos incomuns. Inspirada em seu pai, um guerreiro falecido em duelo por Grom-gil-Gorm, ela deseja se tornar uma forte combatente. Para isso, ela acaba participando de uma série de treinamentos administradas por um treinador machista que acaba colocando-a em uma péssima situação quando ela se vê obrigada a lutar com três garotos ao mesmo tempo. Neste momento, uma fatalidade surge: um dos garotos é morto por ela. Desta forma, é declarada assassina e condenada à morte, porém, acaba sendo salva por Brand, um dos garotos que participava da luta. Jurando lealdade ao ministro de Gettland, Yarvi, ela se vê obrigada a segui-lo em busca de aliados para uma guerra iminente. 

Mapa presente no livro
Existiam histórias. Existiam canções. Mas até mesmo a Velha Fen, a mais idosa de Thorlby e, segundo diziam alguns, do mundo, jamais tinha visto algo assim em seus incontáveis dias. 
Até agora. 
Todo aquele trabalho. Todo aquele desprezo. Toda aquela dor. Mas Thorn havia derrotado todos. Fechou os olhos, sentindo o vento salgado da Mãe Oceano beijar seu rosto suado, e pensou em como seu pai ficaria orgulhoso.
Pág.: 13

Uma coisa que notei lendo este livro foi como Joe Abercrombie trabalha assuntos contemporâneos de uma forma orgânica e dinâmica, inserindo eles na estrutura de seu mundo e/ou na personalidade de seus personagens. Em Meio Rei tivemos o preconceito por uma deficiência física e neste somos apresentados a um campo há muito tempo discutido: a discriminação de gênero. Se a história da trama não passasse em um período medieval, poderia dizer facilmente que esses são nítidos exemplos da realidade de uma parcela da sociedade atual e as dificuldades enfrentadas por essas pessoas. Nas últimas décadas, tivemos um aumento considerável de manifestações de mulheres que buscam direitos iguais e uma atenção maior a essas diferenças sociais que ainda existem, querendo ou não. Essa relação história como ficção e história como realidade acabou se tornando algo interessante e marcante nesses dois volumes.

A trama de Meio Mundo se passa três anos após o encerramento do volume anterior. Desta forma, vemos antigos personagens já com uma forma diferente de pensamento e de vida. Apesar de ter sido o protagonista de Meio Rei, Yarvi nesta história assume um papel secundário, servindo como um elemento para unir Thorn e Brand, além de ser o responsável pelo recrutamento de aliados através de uma viagem por meio mundo que vai além do Mar Despedaçado. Por nos apresentar um pouco mais do universo criado por Joe, a narrativa, feita em terceira pessoa, tornou-se um pouco lenta em alguns trechos, principalmente naqueles onde temos presença de novos personagens ou localidades. Em contrapartida, todo o restante se fez de forma intensa, contribuindo para a fluidez da leitura. 

Em termos de personalidades, Meio Mundo consegue ser superior em relação ao volume anterior, justamente por nos apresentar Thorn, uma protagonista forte cujas ambições rompem paradigmas da sociedade em que vive, além de ser obstinada e possuir um temperamento raivoso e vingativo. A vida de Brand, por outro lado, já apresenta situações um pouco diferentes, mas dominada pelo sofrimento. Devido a sua obrigação em sustentar a si mesmo e sua irmã mais nova, ele acaba se tornando um bom homem capaz de ajudar as pessoas ao seu redor. Ao contrário de Meio Rei, neste os personagens secundários foram bem desenvolvidos, sendo que todos tiveram seus desenvolvimentos de forma gradual e suas importâncias dentro da história. 

Capa Internacional
Brand nunca vira pai Yarvi abalado. Mesmo quando lutaram contra o Povo dos Cavalos, ele sempre pareceu ter certeza do que fazer. Agora o garoto se perguntou se não teria sido uma máscara, que estava começando a rachar. Pela primeira vez tinha a consciência dolorosa de que Yarvi era apenas alguns anos mais velho do que ele e precisava carregar o destino de Gettland - e tinha apenas uma das mãos boas. 
Pág.: 199

O encerramento deste livro foi bem agitado e estabeleceu uma base para Half a War (Meia Guerra em tradução livre), o terceiro e último volume, até mesmo em termos de vontade em lê-lo. Trazendo assuntos interessantes que podem fazer relações com a nossa realidade, Meio Mundo se mostrou capacitado em ser um novo capítulo para a série, levando ao leitor novos personagens, situações e cenários bem elaborados por Joe Abercrombie, incorporando ainda mais o seu universo. Deixo a minha recomendação aqueles que gostam de apreciar uma ótima obra medieval e high fantasy.

A diagramação está simples, mas com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho agradável de fonte. Na edição temos páginas amareladas, um mapa mostrando todos os reinos citados na trama e uma capa com títulos em papel "furta cor" metalizado, assim como uma bela ilustração mostrando um pouco da aparência de Thorn. Não encontrei erros de revisão aparentes. 

Dois Irmãos - Fábio Moon & Gabriel Bá

Olá Vintagers, como vão?

Ando meio sumida por aqui devido a projetos pessoais, mas sempre que posso apareço por aqui para dividir com vocês minhas experiências literárias. Hoje é a vez do livro Dois Irmãos, baseado na obra do escritor Milton Hatoun e adaptado em forma de quadrinho por Fábio Moom e Gabriel Bá. Para que está se perguntando: Sim, essa é a história que a Globo adaptou para minissérie.

Um dos livros mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Dois irmãos vem, desde seu lançamento há quinze anos, conquistando novas gerações de leitores. E foi com o mesmo entusiasmo desses leitores que Fábio Moon e Gabriel Bá embarcaram na missão de adaptar o romance de Milton Hatoum para uma graphic novel. Entre os mais premiados da última década, os irmãos quadrinistas vêm igualmente arrebatando fãs e trazendo uma verdadeira legião de leitores às HQs. Suas obras foram publicadas em diversos países, atravessando fronteiras culturais e políticas.
Ao mesmo tempo que preserva a força narrativa de Hatoum, esta adaptação evidencia o talento de Bá e Moon na construção de histórias que alternam entre a tragédia, a delicadeza, a brutalidade e o humor. No traço deles, a vida dos gêmeos Yaqub e Omar ganha novos contornos épicos. A Manaus dos quadrinhos, feita de um jogo de luz e sombras, acolhe este drama que cruza gerações e, seja nos grandes planos ou nos mínimos detalhes, carrega o enredo original de energia e vitalidade.


Resumo

Zana já não aguentava mais as rivalidades entre seus filhos gêmeos, e em uma conversa com o marido decidiram separá-los por um tempo para que os ressentimentos sumissem de vez. Porém o que os pais não sabiam eram que os anos em que Yaqub ficou no Líbano só fizeram aumentar a angustia e o sentimento de desprezo que habitavam nele.

Era justo ele, o mais velho ir? Por que logo ele? Yaqub se perguntava sempre. Enquanto ele ficava naquele país que também era seu mas não fazia parte dele, seu gêmeo caçula estava no Brasil se esbaldando de tudo que era do bom e do melhor. Seria Omar o preferido de sua mãe?

Ao voltar para casa, Yaqub constatou que todos realmente eram omissos às barbaridades que Omar fazia, então, como refúgio, se aprofundou na Matemática e resolveu provar através do conhecimento que ele era melhor que o seu irmão. Após se formar, juntou suas coisas e partiu para São Paulo em busca de oportunidades. Enquanto isso, Omar mal se prestou a terminar a escola.

A trama de Dois Irmão se desenrola ao redor do desabrochar dos gêmeos e nos retrata o triste drama familiar de uma família desestruturada. Uma intrigante história de romances mal correspondidos, super proteção parental e muita inveja. Será que os irmãos um dia se entenderão?


Opinião

Não costumo ler quadrinhos, não por não gostar, mas porque raramente me dei uma oportunidade de ler histórias nesse estilo. Em Dois Irmãos, me senti muito à vontade com esse estilo de escrita. Me Surpreendi, positivamente, com o poder que os dramas familiares presentes na trama te fazem se envolver. A obra narra os eventos cronológicos de uma família libanesa que vivia em Manaus bem como as desavenças e conflitos de opiniões dos personagens e, em destaque conhecemos os gêmeos Yaqub e Omar, iguais na aparência, porém totalmente diferentes na personalidade e caráter. O foco central é a rivalidade entre os dois.

Os personagens são bem construídos e isso deixa a história bem consistente. Nela, conhecemos Yaqub, o gêmeo retraído que se sentia excluído pela mãe, e que é mandado para o Líbano ainda criança como uma forma de se afastar do irmão, situação que o fez se dedicar aos estudos em excesso, fazendo-o se tornar um grande engenheiro. Vemos também Omar, o gêmeo caçula e inconsequente. Para mim, Omar é um “chato de galocha”, mimado e que adora usufruir dos prazeres da vida. Como deu para perceber, devido à personalidade de Omar, os gêmeos nunca se deram bem, havia naquela casa um ar de rivalidade que os fazia brigar por tudo e, infelizmente a mãe Zana alimentava os distúrbios de Omar. Por falar em Zana, ela nos é apresentada no início da história como uma mulher, além de apaixonada pelo marido, uma mãe super protetora que passa dos limites quando o assunto é filhos. Halim é o pai que nunca quis ter filhos, mas aprendeu que a paternidade também engrandece o homem. Vemos Domingas, que é uma índia órfã e empregada da mansão e que também  é considerada da família. Rãina é a irmã mais nova dos gêmeos e não possui muito destaque na obra. E por ultimo conhecemos Nael, que é filho de Domingas com um dos gêmeos e um dos personagens centrais da história.


A trama é toda narrada em terceira pessoa e no decorrer da trama é que percebemos que Nael é o narrador dessa complexa história. A leitura é bem rápida, porém, sem deixar de ser complexa devido às trocas de cenas e palavras diferentes, em outros idiomas. Em certos momentos precisei parar e pensar um pouco. 

As ilustrações são simplesmente maravilhosas e muito bem elaboradas, elas são de uma sensibilidade extraordinária e em vários momentos nem é necessária a leitura do texto para a compreensão da cena. Porém preciso compartilhar minha opinião com vocês: Achei a fonte muito pequena, o que dificulta um pouco a leitura - apenas um detalhe de uma pessoa meio ceginha (haha)-. Não se assuste com o tamanho do livro, apesar da quantidade de páginas, a leitura pode ser concluída em apenas dois dias.

Confessar que após ler essa obra fascinante, estou com muita vontade de ler a história original. Super recomendo o livro para você que gosta de histórias com personagens impactantes e dramas intrigantes. É um casamento bem perfeito de uma obra clássica com um trabalho artístico memorável.


Espero que gostem. Rock Kisses!

Ardente l Em Chamas - Sylvia Day

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Se eu soubesse que a escrita da Sylvia Day era tão boa, teria passado todos os livros dela na frente da fila de leituras, fiquei adiando para conhecer um pouco melhor essa autora, e agora confesso que me arrependi de não ter lido nada dela antes. Adoro romances com um toque de erotismo, e esse tem de sobra.




Nunca misture trabalho com prazer. Nunca fale de política dentro do quarto. De certa forma, no momento em que me tornei amante de Jackson Rutledge, fiz exatamente essas duas coisas. E não posso dizer que foi por falta de aviso. Dois anos depois, ele voltou. Mas eu não era mais a garotinha que ele havia conhecido, enquanto ele não mudara nada. Ao contrário da última vez em que nos esbarramos, eu sabia exatamente com quem estava lidando e quão viciante seu toque poderia ser. Só que desta vez eu conhecia as regras do jogo. No ambiente competitivo e impiedoso do mundo dos negócios, há uma regra que vale para todo mundo: mantenha seus inimigos por perto, e seus ex amantes mais perto ainda.





Em Ardente conhecemos Gianna, filha de donos de um restaurante italiano ela sempre sonhou um pouco mais alto que seus irmãos, não queria ter somente uma filial do Rossi’s, almejava se tornar uma grande empresária do ramo alimentício. Lei Yeung é uma das maiores restaurateurs de Nova York, capaz de transformar chefs desconhecidos em marcas, criou nome e imagem ao lado do marido, mas logo ele a traiu e subestimou sua possibilidade de obter sucesso. Gianna e Lei possuem uma coisa comum: ambas desejam provar aos homens que as julgaram que são capazes não somente de fazer melhor, como de superá-los. Para piorar a situação, esses homens do passado reaparecem como seus concorrentes na firmação de um acordo importante, mas isso só torna a competição mais interessante.

Quais mistérios Jackson esconde por trás de seu humor sedutor? Gianna desconfia de que há mais coisas relacionadas ao término deles do que realmente lhe foi revelado e está disposta a descobrir. Em Chamas retrata a conturbada relação desse casal, a vida ao lado de um homem que lida com política é mais complicada do que ela imaginava, e ficar com ele coloca em risco seu emprego dos sonhos.

Autora

Jax enfiou a cabeça no carro e me fitou por cima dos óculos escuros. “No futuro, lembre que o tapa não era necessário. Você me nocauteou só com o beijo.”
Pág.: 89

Quando peguei esse livro, o primeiro tipo de leitor que me veio à cabeça foi aquele que tem um dia agitado e, portanto, acaba preferindo leituras leves, rápidas e divertidas. Precisei de poucas horas para chegar ao final da história, mas tenho certeza de que se estivesse passando por uma semana turbulenta ele seria perfeito para relaxar um pouco. A narrativa é perfeita, Sylvia usa uma linguagem real, carregada de erotismo, sem muitos rodeios e cenas desnecessárias.

Acredito que ninguém irá se surpreender quando eu disser que o casal protagonista é composto por um homem rico, viciado em trabalho, misterioso, sexy e bom de cama, e uma mulher esforçada que teve seu coração partido mas que trabalha bastante para conquistar tudo o que deseja. Ela tenta ser durona e aplicar uma lição em Jax por tê-la abandonado, contudo, essa tentativa não dura muito, em poucas páginas Gia já está se derretendo por ele. É o tradicional de romances água com açúcar, mas o diferencial desse é o fato de que quando o casal se encontra, as páginas do livro quase pegam fogo, eles tem química, um bom envolvimento e o relacionamento não é algo empurrado para cima do leitor sem que antes os personagens possam ao menos se conhecer.

Sorri, melancólica. Jackson Rutledge ia aprender uma coisa ou outra sobre brincar comigo, fosse nos negócios ou fosse na cama.
Pág.: 89

Adorei todos os aspectos dessa obra, só senti falta de um enfoque maior em Lei, ela começa sendo uma personagem marcante e incrível, porém quando Jax é apresentado, perde quase todo seu brilho, adoraria que estivesse presente em mais cenas. O relacionamento de Gia com a família é outro ponto bacana, eles são unidos e se preocupam em proteger uns aos outros, isso gera algumas cenas engraçadas.

A capa é maravilhosa, todas mulheres que me viram com o exemplar pararam para admirá-lo, isso é um bom sinal. A diagramação me incomodou um pouco, prefiro livros que tem as falas separadas por parágrafo e travessão no lugar de aspas, mas como esse livro tem muito diálogo, talvez essa alternativa não tenha sido tão ruim. As páginas são de tom amarelado. Leitura recomendada.

Ninfeias Negras - Michel Bussi

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Voo da Libélula foi um dos livros mais elogiados de Michel Bussi, no Brasil, em 2015 e desde então tinha vontade em descobrir o porquê disso. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de ler essa obra, contudo, felizmente pude apreciar Ninfeias Negras, um livro dotado de qualidades cuja trama se mostrou mais que inteligente ao trazer um caso enigmático e intrigante envolvendo três mulheres com vidas diferentes, mas interligadas por um ponto em comum. 



Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.
É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas.Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.

Nesta trama passamos a conhecer três mulheres que compartilham um único desejo: ir embora de Giverny, a bela cidade retratada nos quadros de Monet. Contudo, o brilho e a beleza deste local "acabou" quando um conhecido médico foi assassinado, dando início a uma investigação onde cada ação levava a mais perguntas do que respostas, além de agitar a população. Ao mesmo tempo, somos apresentados a vida das três mulheres, onde a primeira é uma idosa observadora, a segunda uma professora amargurada com seu casamento, e terceira uma menina de 11 anos que aspira ser uma pintora. A ligação ou interesses delas com o crime é um dos grandes mistérios a serem descobertos por nós, leitores. 

Nenúfares (Nymphéas), Claude Monet (1903)
Esses treze dias transcorreram em suas vidas qual um parênteses. Muito breve. E também impiedoso. Esse parênteses começou com um assassinato, no primeiro dia, e terminou com outro, no último. Estranhamente, os policiais só se interessaram pela segunda mulher, a mais bela; a terceira, a mais inocente, teve de investigar sozinha. A primeira, a mais discreta, pôde observar todo mundo com tranquilidade. E até matar!
Pág.: 12

Ao contrário de muitos livros onde a previsibilidade dos fatos é um caso recorrente, Ninfeias Negras é uma daquelas obras onde o leitor é surpreendido por não conseguir decifrar alguns acontecimentos com extrema facilidade ou o seu encerramento devido à algumas táticas adotadas pelo autor ao longo da trama, contribuindo para o suspense e a curiosidade, criando assim uma incrível atmosfera de pura tensão e ansiedade. Apesar de ser considerado um Thriller Policial, acredito que a trama do livro consegue ir além disso, já que ela se desprende da tradicional narrativa centrada no investigador e na motivação explicita, e abraça a arte e a dramaticidade como uma velha amiga de uma forma interessante e capaz de atiçar as emoções daqueles que estão lendo. 

Tirando alguns detalhes, todos os fatos e dados expostos ao longo da trama são reais, como o fato da cidade de Giverny, na Normandia (França), ser o berço de um dos maiores nomes do Impressionismo, Claude Monet. Poucos livros conseguiram submergir a minha imaginação quase que em sua totalidade. Dito isso, é impossível ler Ninfeias Negras e não se colocar dentro dos cenários e locais ou sentir as sensações que os personagens estão experimentando. A escrita do Michel Bussi também foi crucial para isso, pois ele intercala sua narrativa entre a primeira e a terceira pessoa, o que acabou por impulsionar a leitura e ajudar com a compreensão da história. 

Ninfeias Negras é um livro recheado de informações sobre as ninfeias, Giverny e a história da arte, sobretudo Monet e o movimento Impressionista, levando grandes parágrafos ou trechos para expressar esses conhecimentos, o que pode acabar cansando alguns leitores. Além disso, tanto os personagens principais quanto os secundários foram bem desenvolvidos e apresentaram histórias de vida envolventes, além de terem tido a sua importância para o desenvolvimento da trama. 

Giverny, França
[...] Nós aqui vivemos dentro de um quadro. Estamos emparedados! Achamos que estamos no centro do mundo, que valemos a viagem, como se diz. Mas o que acaba escorrendo em nós é a paisagem, o cenário. Uma espécie de verniz que nos cola ao cenário. Um verniz diário de resignação. De renúncia... Louise, a catadora de dentes-de-leão de Giverny transformada em princesa da Boêmia; ela é uma lenda, Laurença. Esse tipo de coisa não acontece. Não mais.
Pág.: 166

Por mais que você colete informações e dicas ao longo da leitura, é impossível prever o final do livro. Esse talvez seja o maior diferencial de Ninfeias Negras dentro do subgênero Thriller Policial e o que mais me surpreendeu. Esta obra mescla elementos artísticos com um ótimo suspense capaz de te surpreender onde você menos espera, além de ser uma excelente leitura para os amantes da história da arte e aos que querem conhecer um pouco mais sobre o movimento impressionista. Desta forma, deixo a minha recomendação a essas pessoas e aos que adoram um ótimo suspense. 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Quanto a edição, contamos com páginas amareladas, títulos com verniz localizado e uma arte na capa representando uma ninfeia negra. Não encontrei erros aparentes na revisão. 

Crave a Marca - Veronica Roth

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Essa semana pude conhecer um pouco sobre o estilo de escrita da Veronica Roth, autora da série Divergente. Estava ansiosa por essa oportunidade, pois raramente leio livros que já viraram filmes (acredito que os filmes estragam um pouco da magia da leitura, portanto acabo perdendo a vontade de ler depois que sou bombardeada por trailers e pôsteres de divulgação), então esperei até que ela lançasse uma série nova para poder acompanhar.




Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, Crave a marca é aguardado novo livro da autora da série Divergente, Veronica Roth, que terá lançamento simultâneo em mais de 30 países em 17 de janeiro, e surpreenderá não só os fãs da escritora, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.




A Corrente é uma energia que liga todos os seres vivos, ela flui dentro de cada um e garante dons únicos. O toque da pele de Cyra Noavek causa uma onda de sofrimento capaz de levar à morte, nem mesmo ela está imune a sensação que a corrente provoca em seu corpo, precisando conviver com a dor constante de seu dom.

Após a Assembleia (órgão governamental da galáxia) divulgar as fortunas (futuro) das linhagens afortunadas, Akos e seu irmão são sequestrados e levados ao planeta-nação inimigo. Ryzek Noavek, o tirano governante do povo Shotet, tem um interesse muito grande no talento da irmã, e após descobrir que o dom de Akos é capaz de conferir a ela certo conforto, decide colocar o rapaz á disposição de Cyra. O destino dos dois está entrelaçado, um pode ajudar o outro a atingir seus objetivos, precisam apenas aprender a superar o ódio e as diferenças de seus povos.

Em uma galáxia movida pela corrente, todos possuem um dom.

- Você é uma Noavek – insistiu ele com teimosia, cruzando os braços. – A brutalidade está em seu sangue.
- Eu não escolhi o sangue que corre em minhas veias- retruquei. – Do mesmo jeito que você não escolheu seu dom, sua fortuna. Você e eu, nós nos tornamos o que era esperado de nós.
Pág.: 102

A narrativa se desenvolve de forma interessante, o ponto de vista de Cyra é narrado em primeira pessoa, enquanto o de Akos é em terceira pessoa, no primeiro momento essa característica pode causar estranhamento ao leitor, mas depois fica fácil de entender. Os primeiros capítulos são chatos, de difícil compreensão e monótonos, demorei pra avançar na história. Veronica criou um universo totalmente novo, composto por vários planetas, cada qual com singularidades únicas responsáveis por modelar seus habitantes, fazendo com que eles a assumissem características físicas e culturais marcantes.

Cyra foi criada para ser uma guerreira, está acostumada com a tirania do seu pai e do seu irmão, seu povo é visto como cruel, mas aos poucos vamos percebendo quem realmente são os vilões da história. O que mais gostei nela é o fato de ser esperta e independente. Akos teve uma vida feliz, até ser sequestrado e passar a viver como serviçal da família Noavek, nesse momento o personagem sofre uma mudança considerável e toma como meta a missão de tirar o irmão daquele planeta. A evolução desse personagem é espetacular, percebemos que o garoto medroso das primeiras páginas logo se transforma em um guerreiro admirável.

Autora

- Honra – falei, bufando. – Não há lugar para honra na sobrevivência.
Pág.: 103

Como já disse, a introdução é monótona e excessivamente detalhada, precisei reler algumas informações para me sintonizar. Os nomes de certos personagens são parecidos, por isso confundi-los é fácil. Infelizmente essa obra não tinha os artifícios necessários para me prender, até a parte que li, o enredo era totalmente sem emoção, tedioso e de difícil compreensão, gastei muito tempo para avançar nos capítulos e por fim decidi que seria melhor abandonar a leitura e retomá-la em outro momento.

A capa é simplesmente maravilhosa. A diagramação é agradável aos olhos, conta com uma fonte mediana e um ótimo espaçamento entre as linhas. As páginas são amareladas. Não encontrei erros de revisão. Como optei por não finalizar a leitura, aconselho que leiam e tirem suas próprias conclusões ^-^.

Redenção Pelo Amor - Nana Pauvolih

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Estou muito feliz por enfim concluir a trilogia de uma das minhas autoras nacionais favoritas, Nana Pauvolih. Me encantei por sua escrita desde a primeira página e, após rir, chorar e sentir muita raiva desse trio de amigos, enfim estou pronta para conhecer novos personagens e me apaixonar por cada um deles.



Filho mais velho de uma família abastada e tradicional do Rio de Janeiro, CEO do Grupo CORPÓREA & VENERE que eu tornei um grande império multinacional na área de cosméticos, produtos de higiene e beleza, sou o que se costuma chamar por aí de um verdadeiro CONTROLADOR. Tenho sempre tudo planejado e não desisto do que me proponho a fazer.
Peguei uma empresa familiar chamada CORPÓREA, da minha família desde o início do século XX, uni a outra igualmente conhecida, a VENERE, da família da minha esposa Ludmila. E transformei tudo em um grupo internacional, sendo eu o Chefão, o HOMEM por trás de tudo. Tenho milhares de funcionários e nada me afasta do caminho que tracei e que estou cumprindo.
Nem um grande amor.
O único e inesquecível amor que tive aos vinte e seis anos de idade.
Cecília Blanc.



Antônio é o tipo de homem que gosta de manter tudo que o cerca sob seu controle. No relacionamento com Ludmila nunca houve carinho, ambos sabiam que só estavam juntos pelo bem da família, já que após o casamento as empresas dos dois poderia se unir e formar um grupo poderoso, esse sempre foi o sonho de Arnaldo e o filho nunca se importou em sacrificar a própria felicidade para vê-lo se tornar real. Quando conhece Cecília durante um engarrafamento, tudo muda, sua vida minimamente planejada, concentrada em trabalho e faculdade passa a ser comandada por atos impulsivos e momentos alegres.

Cecília Blanc cresceu em uma cidade pequena, mas decidiu morar no Rio para concluir os estudos. Seu jeito humilde e simpático conquista as pessoas por onde passa, e o herdeiro do império Saragoça não estava imune. Ele tinha o sorriso mais lindo que ela já tinha visto, além de belos olhos azuis e um jeito mandão que a divertia. Apesar de ser uma mulher romântica, Cecilia sempre teve medo de se entregar a um relacionamento e acabar percebendo que a pessoa estava se aproveitando dela e de seus sentimentos, mas sentia que com Antônio tudo seria diferente.

Antônio e Cecilia

Não estava com ela para usá-la. Mas porque mexia comigo como nenhuma outra mulher. Eu tinha separado bem Cecília de Ludmila, pois uma era prazer, e a outra, compromisso e obrigação. No entanto, as dúvidas e a culpa começavam a me espetar. Porque não era só um caso passageiro e leve. Estávamos envolvidos. E eu tinha plena consciência de que não acabaria bem.
Pág.: 86

A série Redenção me encantou desde o primeiro volume, foi incrível conhecer Arthur e Maiana, Matheus e Sophia, e  Antônio e Cecília. Meu gosto literário mudou desde quando peguei o primeiro volume, mas continuo gostando da escrita da Nana, a história é incrível e tem um ritmo leve e viciante, com doses certas de romance e erotismo, no sentido geral não tenho do que reclamar, porque é uma obra excelente, meu único incomodo foi com algumas frases e linguagens utilizadas nas cenas mais picantes, pois ao longo de minhas leituras aprendi que há maneiras mais sensuais e delicadas de descrever esses momentos, senti falta desse toque.

Os personagens são incríveis, a vilã tem uma personalidade tradicional de novela das seis, é perfeita, educada e inocente na frente do mocinho, mas pelas costas está sempre armando alguma maldade sem que ele desconfie. A mocinha é a típica garota inocente que veio do interior, romântica e decidida, nos encanta pela simplicidade e inocência. Gostei bastante do jeito autoritário de Antônio, no requisito “bofe literário sexy” ele não deixa nada a desejar para os amigos.

Autora

Eu precisava dela. Não era querer ou escolher. Era necessidade. Era mais forte do que tudo que já senti e me golpeava por ser algo completamente novo, com o qual eu não sabia lidar. Tentei ainda me conter, mas a saudade já espiralava dentro de mim e subia por meu peito, ganhava um espaço cada vez maior, se tornava tão latente que era difícil até respirar.
Pág.: 149

É raro quando termino uma série e não fico me sentindo saudosa, com aquela sensação insuportável de que o autor poderia ter estendido um pouco mais, entretanto, após finalizar Redenção, me senti completamente satisfeita, o encerramento dessa trilogia foi incrível, o leitor além de receber uma conclusão perfeita para a história de Antônio e Cecilia ainda tem o bônus de saber o que aconteceu com eles e os amigos depois de vários anos e conhecer um pouco melhor seus filhos. Foi um encerramento totalmente satisfatório.

A capa segue o mesmo padrão dos volumes anteriores, um modelo representando Antônio na frente e Cecília atrás, há quem diga que não gosta de ver os personagens na capa porque limita muito a imaginação, mas isso não me incomoda. A diagramação segue o padrão da Coleção Violeta e é agradável aos olhos, amo as bordas cor de rosa chamativas. As páginas são de tom amarelado e a fonte é mediana. Leitura recomendada.

O Guia Para Ser Você Mesma - Lia Camargo & Melina Souza

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Dei uma sumida do blog, mas foi porque precisei de uns dias para colocar as coisas em ordem, depois de limpar muita poeira da minha estante e curtir bastante as últimas festas de 2016 (Adivinhem o que ganhei de Natal? Sim, livros!) estou de volta. Em minha primeira resenha do ano vou falar um pouco a respeito de um livro que nos inspira a desejar tentar coisas novas, então se é de novidades que o seu 2017 precisa, vem comigo se encantar pelo Guia Para Ser Você Mesma.




Inspirado nos best sellers O livro perigoso para garotos e O livro das garotas audaciosas, este guia traz tudo que uma moça moderna precisa saber. O que inspira e o que não sai de moda. Textos motivacionais sobre etiqueta nas redes sociais, bullying virtual e sororidade. Histórias de mulheres inspiradoras como Audrey Hepburn, Nise da Silveira, Jane Austen e Chimamanda Ngozi. Do it yourself, receitinhas e decoração. Lugares para viajar e sonhar, e como tirar as melhores fotos. Listas interativas com filmes, séries, músicas e livros!






O Guia Para Ser Você Mesma possui várias dicas de comportamento, moda, beleza e viagem, além de receitas fáceis, ideias inspiradoras e textos motivacionais capazes de nos fazer enxergar com outros olhos nossas condutas no dia a dia. Lia e Melina trabalham assuntos importantes como bullying, sororidade e etiquetas nas redes sociais. O livro também reúne informações sobre algumas das mulheres que são símbolo de feminilidade e lutam por direitos, divas em quem devemos nos inspirar.



Não acho que precisemos decorar regras sobre como agir na internet. Basicamente, basta aplicar a nossa boa educação da “vida off-line” no que fazemos virtualmente.
Pág.: 10

As autoras são duas blogueiras talentosas que decidiram criar um livro onde tudo o que elas amam fosse retratado, o resultado foi um conteúdo bem escrito que expressa um charme único. Entre os textos que mais gostei está o que fala sobre o corpo e transtornos alimentares, acho que toda mulher já se sentiu insegura com o próprio corpo, é importante aprender a se amar. Também adorei ler sobre algumas das mulheres que admiro e as dicas de viagem *_*.

O mais incrível dessa obra são as imagens, dá para perceber o carinho e o empenho quea Mel e Lia tiveram para criar algo tão bonito e harmonioso, os tons pastel e a mistura de fotos, desenhos e fundos florais dão um ar romântico e alegre às páginas, o que em conjunto com as fontes e a escrita torna impossível não se apaixonar pela estética desse exemplar.

Autoras

Aprendi que ter um corpo perfeito não é ser super magra, mas sim ter um corpo saudável e gostar dele.
Pág.:55


Apesar de possuir todos os elementos necessários para proporcionar uma leitura rápida (conteúdo leve, de fácil compreensão e linguagem simples), esse guia não é para ser lido em poucas horas, pois o mais interessante dele é a riqueza de dicas e informações, por isso é mais interessante fazer isso aos poucos, tentar executar o que aprendeu, pesquisar, reinventar e anotar nos espaços próprios o que achar relevante, acrescentando um pouco de si às páginas. Ele é perfeito para ficar na cabeceira da cama, pois além de ser um bom manual de consultas, também parece um lindo enfeite.

Pelas fotos que vi, pensei que o livro fosse capa dura com um elástico igual a uma agenda/guia, porém, ela é de um material um pouco menos rígido e o elástico é impresso, mas isso não afeta em nada sua beleza. As páginas são brancas em papel couché fosco, são ricamente ilustradas e a sensação de tocá-las é maravilhosa. A diagramação está impecável. Leitura recomendada.

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo - Mo Daviau

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Após ter iniciado o ano com um ótimo livro - Até o Fim do Mundo -, esperava que a minha próxima leitura também tomasse os mesmos rumos em termos de boas qualidades, até mesmo pelo fato de sua sinopse dar indícios dessa possibilidade. Entretanto, acredito que fui com muita sede ao pote e acabei me decepcionando com 30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, livro de estreia de Mo Daviau. 

Imagine poder viajar no tempo para assistir a qualquer grande show da história: os Beatles no Shea Stadium ou no telhado da Apple Records, o Nirvana em um bar minúsculo de Seattle ou Miles Davis no lendário clube Birdland. A norte-americana Mo Daviau transformou esse desejo em realidade no engenhoso 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, uma espécie de cruzamento entre De volta para o futuro e Alta fidelidade protagonizado por Karl e Wayne, dois amigos de meia-idade que descobrem um meio de voltar no tempo para assistir a shows incríveis, e a ganhar dinheiro com o negócio. Tudo vai bem até que Wayne decide o óbvio: interferir no passado. Afinal, quem dispensaria a chance de reescrever uma ou outra linha da própria história? Movido a música e romance, 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é uma espirituosa, e um tanto nostálgica, reflexão sobre sonhos, escolhas de vida e a passagem do tempo.
Ponto forte: Com a inteligência irreverente de um Nick Hornby, a sinceridade bem-humorada de um Gary Shteyngart e o charme de um filme de John Cusack, o título é uma leitura perfeita para um público saudoso da juventude perdida, repleto de referências musicais.


Nesta trama somos apresentados a uma dupla de amigos que se encontra em uma péssima fase de suas vidas. Karl, ex-músico e dono de um bar, encontra o buraco de minhoca por acidente enquanto procurava antigos coturnos comprados em 1991 em seu armário. Por um momento ele se viu sentado em um bar no passado, mas acaba retornando ao presente devido ao toque do seu celular. Intrigado com o ocorrido, ele confia a Wayne DeMint, um antigo amigo que frequentava seu bar e cientista da computação, a informação sobre a viagem no tempo, com isso, ele acaba programando um software que possibilitou a eles decidirem as coordenadas e as datas. Percebendo a arma que tinham em mãos, Karl adotou um sistema de regras onde o buraco só seria usado para visitar antigos shows de rock. Porém, não demorou muito para que tudo isso virasse um comércio e uma renda a mais para os dois. Tudo começa a dar errado quando Wayne passa a se comportar de forma estranha, pensando em sua vida e querendo mudar algo no passado: salvar John Lennon em 1980. 

Capa Estrangeira

Ei, aventureiro do tempo!

Quando o show terminar, VOCÊ TEM QUE VOLTAR PARA CASA!!!

INSTRUÇÕES
1. Abrir o aplicativo.
2. Selecionar RETURN.
3. A DATA, HORA e LOCALIZAÇÃO de seu retorno devem aparecer automaticamente (exemplo: 1/6/2012 19:30, data e hora atuais, esquina de Western com Milwaukee, CHICAGO, Illinois, EUA)*
4. Aperte o botão vermelho! ZUM! Você vai voltar rapidamente para casa!

*Não tente alterar suas coordenadas de retorno! Tentativas de alterar o programa resultarão em multa de US$1.000 e o banimento perpétuo.
Pág.: 15

A meu ver, o principal problema deste livro é a falta de uma maior exploração nos outros assuntos presentes no seu desenvolvimento. Entendo que a "música" tem um destaque na trama, mas a autora deixa isso TÃO EVIDENTE que chega a ser exaustivo para o leitor, pois a todo momento, literalmente, ela está retornando nesse ponto, o que deixou todo o contexto da viagem no tempo em segundo plano e sem a sua devida importância em certos trechos. Desta forma, a sensação que tive era de estar lendo biografias de bandas em um velório, uma vez que teve muitos momentos em que a história pedia uma maior seriedade e dramaticidade dos personagens, mas eles sempre acabavam conversando sobre shows e conjuntos musicais, mesmo tendo um amigo para salvar no ano de 980 e outros problemas a serem resolvidos.

Outro ponto falho é a inexistência de uma diversidade de dramas nos personagens, pois, o que percebi é que todos praticamente compartilham histórias de vida com características muito próximas, tendo como exemplo Karl e Wayne: duas pessoas que sofrem pelo seu passado conturbado, seja ele amoroso e/ou profissional, além de terem o dom da autodepreciação. Lena, uma astrofísica que ajudou Karl em seu problema, apresentou uma trajetória de vida interessante e uma personalidade marcada por momentos feministas, o que a deixou mais dura em relação aos homens. O mesmo ocorreu com Sahlil, dono do prédio em que o ex-músico mora, onde é possível notar sua ganância e as suas consequências. 

Apesar desses problemas, a leitura é conduzida em meio aos mistérios que vão surgindo, como um estranho e-mail que Karl recebeu contendo algumas informações sobre Lena e um misterioso Pós-A, além de possíveis consequências no presente de suas interações no passado e como irá ser feito o resgate de Wayne. A parte do buraco de minhoca e como se dá seu funcionamento foi bem explicada, possibilitando o entendimento até mesmo dos mais leigos no assunto. A melhor parte deste livro se encontra em suas últimas 100 páginas, pois são nelas que algumas reviravoltas acontecem e as coisas começam a azedar de fato. 

Autora
Então eu soube aonde Lena tinha ido. Ela estava de volta à noite sobre a qual nunca queria falar, e algo que eu disse uma vez para Wayne surgiu em minha cabeça: "Você quer ser um super-herói? Vista sua capa e voe."
Pág.: 236

A trama é narrada em primeira pessoa e sob o ponto de vista de Karl. Desta forma, não é tão difícil perceber o quanto ele é egoísta e um completo babaca depressivo que vive lamentando seu passado. A escrita da autora foi uma das escassas boas qualidades presentes no livro, pois sua estrutura contribuiu para a fluidez da leitura, mesmo ela tendo os problemas supracitados. Acredito que algumas pessoas irão gostar de 30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, até mesmo pelo contexto nostálgico, mas a meu ver a autora exagerou nesse sentido. 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição temos páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma bela capa um tanto quanto saudosa da época em que tínhamos que rebobinar as fitas cassete e com isso acabávamos usando objetos diferentes dos tradicionais, como uma caneta. A tradução foi feita por Edmundo Barreiros e não encontrei erros aparentes na revisão.

Último Turno - Stephen King

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Iniciada em Mr. Mercedes - resenha aqui, a trilogia Bill Hodges finalmente chegou ao seu encerramento com Último Turno, um livro que pode surpreender alguns e decepcionar outros. Nesta obra, Stephen King "abandona" o lado investigativo adotado nos dois volumes anteriores e retorna, de uma forma não tão interessante, para o sobrenatural. 



Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.





As primeiras páginas de Último Turno retornam ao crime inicial de Brady Hartsfield, o Mr. Mercedes, visto sob o ponto de vista dos socorristas Rob Martin e Jason Rapsis, que quase colidiram a ambulância com a Mercedes que vinha na contramão enquanto se deslocavam para o local. Quando chegaram no City Center, a cena não poderia ser outra: caos e sofrimento já haviam se apoderado do lugar, onde pessoas corriam e sofriam. Martine Stover, a vítima que mais se feriu, foi socorrida pelos dois e levada imediatamente para o hospital, onde ela iria receber a notícia de que havia se tornado tetraplégica. 

Passados alguns anos, já em 2016, Bill Hodges recebe uma ligação de Pete, seu antigo companheiro que irá se aposentar, que lhe informa sobre um caso, sua provável e estrondosa última investigação: um curioso assassinato seguido de suicídio. Supostamente a mãe de Martine Stover havia matado a filha e suicidado após o ato, porém, quando Bill e Holly, companheira da Agência Achados e Perdidos, chegam ao local do crime, notam que algumas coisas não estavam se encaixando e insistem que isso deveria ser investigado de forma profunda, até mesmo pelo fato de uma das vítimas estar ligado a Brady, que naquele momento estava no hospital vegetando em uma cama. 

Trilogia Bill Hodges

- Ele ainda não acabou com você.
Pág.: 103

Último Turno é um verdadeiro caso de amor e ódio. Não posso dizer que amei, mas também não posso afirmar que odiei, uma vez que reconheço as qualidades e os defeitos presentes na trama. A minha decepção em relação a este livro gira em torno da sua potencialidade que não foi bem explorada pelo autor, visto que seus elementos e a sua construção possibilitavam algo singular e aterrorizante, que é a sua marca conhecida. Entretanto, os assuntos trabalhados em segundo plano se mostraram interessantes, além de evidenciar a evolução da história e dos personagens, como é o caso do próprio Bill, onde percebe-se um maior foco nas consequências da sua idade avançada. Desta forma, não é difícil vê-lo refletir sobre as pessoas ao seu redor, o seu cansaço e suas queixas das dores de uma possível doença.

Como dito no inicio do texto, King faz um retorno ao lado sobrenatural, mas ainda continua trabalhando assuntos que fogem do surrealismo, assuntos mais humanos que já foram aplicados e explorados nos outros dois volumes, como as consequências da obsessão e a perversidade humana, além da influência da tecnologia, que aqui se fez mais que presente e se tornou elemento importante para a construção de toda a trama. Os mistérios sustentados giram em torno, sobretudo, da possível ligação de Brady com os crimes, mas como ele estaria fazendo isso era um grande enigma a ser decifrado por Bill e Holly. 

Acredito que o grande problema deste livro foram os rumos adotados pelo autor, que, após a finalização da leitura, mostraram-se de péssima escolha, além de desviar completamente do propósito inicial da trilogia que era o lado investigativo. A transição entre a investigação e o sobrenatural é mais que perceptível, uma vez que foi feita de forma bruta e apressada, incomodando até mesmo aqueles que já estavam aguardando o lado surreal/fantasioso. Por outro lado, no entanto, a construção da trama ajudou a amenizar um pouco esse sentimento, já que ela é feita de forma não-linear, como se todas as histórias fossem peças de um quebra-cabeça, e King foi capaz de uni-las de um jeito surpreendente. Em consequência, assim como nos outros volumes, temos diferentes pontos de vistas que fogem do tradicional Bill e Brady, além de ser narrado em terceira pessoa. 

Fim?

Brady observou a mulher com os olhos arregalados se movendo de um lado para outro, estudando a tela, e soube que tinha encontrado o que estava procurando. Os peixes rosa, ele pensou. São os que se movem mais rápido e, além do mais, vermelho é uma cor raivosa. O rosa é... o quê? Qual era a palavra? A palavra veio, e ele sorriu. Foi o sorriso radiante que o fazia parecer ter dezenove anos de novo.
Rosa era tranquilizador.
Pág.: 247

A sensação que tive ao ler o seu encerramento foi que não estou lendo um livro escrito por Stephen King. Não que ele tenha sido decepcionante, mas a sua construção e seus elementos não se caracterizavam algo típico do autor. A trilogia Bill Hodges tem suas qualidades e seus defeitos, assim como qualquer obra, mas o que percebi ao longo das leituras foi a falta de uma exploração maior nas suas potencialidades, além do já citado desvio tomado por S.K.. Entretanto, deixo a minha recomendação àqueles que já leram outros livros de King, mas não recomendo àqueles que estejam querendo experimentar essa escrita como pontapé inicial para ingressar no mundo literário do autor. 

A diagramação está simples, mas com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição temos páginas amareladas e uma diferente ilustração na capa que, apesar de divergir das demais, mostrou-se intrigante e bela. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes.