Dois Irmãos - Fábio Moon & Gabriel Bá

Olá Vintagers, como vão?

Ando meio sumida por aqui devido a projetos pessoais, mas sempre que posso apareço por aqui para dividir com vocês minhas experiências literárias. Hoje é a vez do livro Dois Irmãos, baseado na obra do escritor Milton Hatoun e adaptado em forma de quadrinho por Fábio Moom e Gabriel Bá. Para que está se perguntando: Sim, essa é a história que a Globo adaptou para minissérie.

Um dos livros mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Dois irmãos vem, desde seu lançamento há quinze anos, conquistando novas gerações de leitores. E foi com o mesmo entusiasmo desses leitores que Fábio Moon e Gabriel Bá embarcaram na missão de adaptar o romance de Milton Hatoum para uma graphic novel. Entre os mais premiados da última década, os irmãos quadrinistas vêm igualmente arrebatando fãs e trazendo uma verdadeira legião de leitores às HQs. Suas obras foram publicadas em diversos países, atravessando fronteiras culturais e políticas.
Ao mesmo tempo que preserva a força narrativa de Hatoum, esta adaptação evidencia o talento de Bá e Moon na construção de histórias que alternam entre a tragédia, a delicadeza, a brutalidade e o humor. No traço deles, a vida dos gêmeos Yaqub e Omar ganha novos contornos épicos. A Manaus dos quadrinhos, feita de um jogo de luz e sombras, acolhe este drama que cruza gerações e, seja nos grandes planos ou nos mínimos detalhes, carrega o enredo original de energia e vitalidade.


Resumo

Zana já não aguentava mais as rivalidades entre seus filhos gêmeos, e em uma conversa com o marido decidiram separá-los por um tempo para que os ressentimentos sumissem de vez. Porém o que os pais não sabiam eram que os anos em que Yaqub ficou no Líbano só fizeram aumentar a angustia e o sentimento de desprezo que habitavam nele.

Era justo ele, o mais velho ir? Por que logo ele? Yaqub se perguntava sempre. Enquanto ele ficava naquele país que também era seu mas não fazia parte dele, seu gêmeo caçula estava no Brasil se esbaldando de tudo que era do bom e do melhor. Seria Omar o preferido de sua mãe?

Ao voltar para casa, Yaqub constatou que todos realmente eram omissos às barbaridades que Omar fazia, então, como refúgio, se aprofundou na Matemática e resolveu provar através do conhecimento que ele era melhor que o seu irmão. Após se formar, juntou suas coisas e partiu para São Paulo em busca de oportunidades. Enquanto isso, Omar mal se prestou a terminar a escola.

A trama de Dois Irmão se desenrola ao redor do desabrochar dos gêmeos e nos retrata o triste drama familiar de uma família desestruturada. Uma intrigante história de romances mal correspondidos, super proteção parental e muita inveja. Será que os irmãos um dia se entenderão?


Opinião

Não costumo ler quadrinhos, não por não gostar, mas porque raramente me dei uma oportunidade de ler histórias nesse estilo. Em Dois Irmãos, me senti muito à vontade com esse estilo de escrita. Me Surpreendi, positivamente, com o poder que os dramas familiares presentes na trama te fazem se envolver. A obra narra os eventos cronológicos de uma família libanesa que vivia em Manaus bem como as desavenças e conflitos de opiniões dos personagens e, em destaque conhecemos os gêmeos Yaqub e Omar, iguais na aparência, porém totalmente diferentes na personalidade e caráter. O foco central é a rivalidade entre os dois.

Os personagens são bem construídos e isso deixa a história bem consistente. Nela, conhecemos Yaqub, o gêmeo retraído que se sentia excluído pela mãe, e que é mandado para o Líbano ainda criança como uma forma de se afastar do irmão, situação que o fez se dedicar aos estudos em excesso, fazendo-o se tornar um grande engenheiro. Vemos também Omar, o gêmeo caçula e inconsequente. Para mim, Omar é um “chato de galocha”, mimado e que adora usufruir dos prazeres da vida. Como deu para perceber, devido à personalidade de Omar, os gêmeos nunca se deram bem, havia naquela casa um ar de rivalidade que os fazia brigar por tudo e, infelizmente a mãe Zana alimentava os distúrbios de Omar. Por falar em Zana, ela nos é apresentada no início da história como uma mulher, além de apaixonada pelo marido, uma mãe super protetora que passa dos limites quando o assunto é filhos. Halim é o pai que nunca quis ter filhos, mas aprendeu que a paternidade também engrandece o homem. Vemos Domingas, que é uma índia órfã e empregada da mansão e que também  é considerada da família. Rãina é a irmã mais nova dos gêmeos e não possui muito destaque na obra. E por ultimo conhecemos Nael, que é filho de Domingas com um dos gêmeos e um dos personagens centrais da história.


A trama é toda narrada em terceira pessoa e no decorrer da trama é que percebemos que Nael é o narrador dessa complexa história. A leitura é bem rápida, porém, sem deixar de ser complexa devido às trocas de cenas e palavras diferentes, em outros idiomas. Em certos momentos precisei parar e pensar um pouco. 

As ilustrações são simplesmente maravilhosas e muito bem elaboradas, elas são de uma sensibilidade extraordinária e em vários momentos nem é necessária a leitura do texto para a compreensão da cena. Porém preciso compartilhar minha opinião com vocês: Achei a fonte muito pequena, o que dificulta um pouco a leitura - apenas um detalhe de uma pessoa meio ceginha (haha)-. Não se assuste com o tamanho do livro, apesar da quantidade de páginas, a leitura pode ser concluída em apenas dois dias.

Confessar que após ler essa obra fascinante, estou com muita vontade de ler a história original. Super recomendo o livro para você que gosta de histórias com personagens impactantes e dramas intrigantes. É um casamento bem perfeito de uma obra clássica com um trabalho artístico memorável.


Espero que gostem. Rock Kisses!

Ardente l Em Chamas - Sylvia Day

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Se eu soubesse que a escrita da Sylvia Day era tão boa, teria passado todos os livros dela na frente da fila de leituras, fiquei adiando para conhecer um pouco melhor essa autora, e agora confesso que me arrependi de não ter lido nada dela antes. Adoro romances com um toque de erotismo, e esse tem de sobra.




Nunca misture trabalho com prazer. Nunca fale de política dentro do quarto. De certa forma, no momento em que me tornei amante de Jackson Rutledge, fiz exatamente essas duas coisas. E não posso dizer que foi por falta de aviso. Dois anos depois, ele voltou. Mas eu não era mais a garotinha que ele havia conhecido, enquanto ele não mudara nada. Ao contrário da última vez em que nos esbarramos, eu sabia exatamente com quem estava lidando e quão viciante seu toque poderia ser. Só que desta vez eu conhecia as regras do jogo. No ambiente competitivo e impiedoso do mundo dos negócios, há uma regra que vale para todo mundo: mantenha seus inimigos por perto, e seus ex amantes mais perto ainda.





Em Ardente conhecemos Gianna, filha de donos de um restaurante italiano ela sempre sonhou um pouco mais alto que seus irmãos, não queria ter somente uma filial do Rossi’s, almejava se tornar uma grande empresária do ramo alimentício. Lei Yeung é uma das maiores restaurateurs de Nova York, capaz de transformar chefs desconhecidos em marcas, criou nome e imagem ao lado do marido, mas logo ele a traiu e subestimou sua possibilidade de obter sucesso. Gianna e Lei possuem uma coisa comum: ambas desejam provar aos homens que as julgaram que são capazes não somente de fazer melhor, como de superá-los. Para piorar a situação, esses homens do passado reaparecem como seus concorrentes na firmação de um acordo importante, mas isso só torna a competição mais interessante.

Quais mistérios Jackson esconde por trás de seu humor sedutor? Gianna desconfia de que há mais coisas relacionadas ao término deles do que realmente lhe foi revelado e está disposta a descobrir. Em Chamas retrata a conturbada relação desse casal, a vida ao lado de um homem que lida com política é mais complicada do que ela imaginava, e ficar com ele coloca em risco seu emprego dos sonhos.

Autora

Jax enfiou a cabeça no carro e me fitou por cima dos óculos escuros. “No futuro, lembre que o tapa não era necessário. Você me nocauteou só com o beijo.”
Pág.: 89

Quando peguei esse livro, o primeiro tipo de leitor que me veio à cabeça foi aquele que tem um dia agitado e, portanto, acaba preferindo leituras leves, rápidas e divertidas. Precisei de poucas horas para chegar ao final da história, mas tenho certeza de que se estivesse passando por uma semana turbulenta ele seria perfeito para relaxar um pouco. A narrativa é perfeita, Sylvia usa uma linguagem real, carregada de erotismo, sem muitos rodeios e cenas desnecessárias.

Acredito que ninguém irá se surpreender quando eu disser que o casal protagonista é composto por um homem rico, viciado em trabalho, misterioso, sexy e bom de cama, e uma mulher esforçada que teve seu coração partido mas que trabalha bastante para conquistar tudo o que deseja. Ela tenta ser durona e aplicar uma lição em Jax por tê-la abandonado, contudo, essa tentativa não dura muito, em poucas páginas Gia já está se derretendo por ele. É o tradicional de romances água com açúcar, mas o diferencial desse é o fato de que quando o casal se encontra, as páginas do livro quase pegam fogo, eles tem química, um bom envolvimento e o relacionamento não é algo empurrado para cima do leitor sem que antes os personagens possam ao menos se conhecer.

Sorri, melancólica. Jackson Rutledge ia aprender uma coisa ou outra sobre brincar comigo, fosse nos negócios ou fosse na cama.
Pág.: 89

Adorei todos os aspectos dessa obra, só senti falta de um enfoque maior em Lei, ela começa sendo uma personagem marcante e incrível, porém quando Jax é apresentado, perde quase todo seu brilho, adoraria que estivesse presente em mais cenas. O relacionamento de Gia com a família é outro ponto bacana, eles são unidos e se preocupam em proteger uns aos outros, isso gera algumas cenas engraçadas.

A capa é maravilhosa, todas mulheres que me viram com o exemplar pararam para admirá-lo, isso é um bom sinal. A diagramação me incomodou um pouco, prefiro livros que tem as falas separadas por parágrafo e travessão no lugar de aspas, mas como esse livro tem muito diálogo, talvez essa alternativa não tenha sido tão ruim. As páginas são de tom amarelado. Leitura recomendada.

Ninfeias Negras - Michel Bussi

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Voo da Libélula foi um dos livros mais elogiados de Michel Bussi, no Brasil, em 2015 e desde então tinha vontade em descobrir o porquê disso. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de ler essa obra, contudo, felizmente pude apreciar Ninfeias Negras, um livro dotado de qualidades cuja trama se mostrou mais que inteligente ao trazer um caso enigmático e intrigante envolvendo três mulheres com vidas diferentes, mas interligadas por um ponto em comum. 



Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.
É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas.Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.

Nesta trama passamos a conhecer três mulheres que compartilham um único desejo: ir embora de Giverny, a bela cidade retratada nos quadros de Monet. Contudo, o brilho e a beleza deste local "acabou" quando um conhecido médico foi assassinado, dando início a uma investigação onde cada ação levava a mais perguntas do que respostas, além de agitar a população. Ao mesmo tempo, somos apresentados a vida das três mulheres, onde a primeira é uma idosa observadora, a segunda uma professora amargurada com seu casamento, e terceira uma menina de 11 anos que aspira ser uma pintora. A ligação ou interesses delas com o crime é um dos grandes mistérios a serem descobertos por nós, leitores. 

Nenúfares (Nymphéas), Claude Monet (1903)
Esses treze dias transcorreram em suas vidas qual um parênteses. Muito breve. E também impiedoso. Esse parênteses começou com um assassinato, no primeiro dia, e terminou com outro, no último. Estranhamente, os policiais só se interessaram pela segunda mulher, a mais bela; a terceira, a mais inocente, teve de investigar sozinha. A primeira, a mais discreta, pôde observar todo mundo com tranquilidade. E até matar!
Pág.: 12

Ao contrário de muitos livros onde a previsibilidade dos fatos é um caso recorrente, Ninfeias Negras é uma daquelas obras onde o leitor é surpreendido por não conseguir decifrar alguns acontecimentos com extrema facilidade ou o seu encerramento devido à algumas táticas adotadas pelo autor ao longo da trama, contribuindo para o suspense e a curiosidade, criando assim uma incrível atmosfera de pura tensão e ansiedade. Apesar de ser considerado um Thriller Policial, acredito que a trama do livro consegue ir além disso, já que ela se desprende da tradicional narrativa centrada no investigador e na motivação explicita, e abraça a arte e a dramaticidade como uma velha amiga de uma forma interessante e capaz de atiçar as emoções daqueles que estão lendo. 

Tirando alguns detalhes, todos os fatos e dados expostos ao longo da trama são reais, como o fato da cidade de Giverny, na Normandia (França), ser o berço de um dos maiores nomes do Impressionismo, Claude Monet. Poucos livros conseguiram submergir a minha imaginação quase que em sua totalidade. Dito isso, é impossível ler Ninfeias Negras e não se colocar dentro dos cenários e locais ou sentir as sensações que os personagens estão experimentando. A escrita do Michel Bussi também foi crucial para isso, pois ele intercala sua narrativa entre a primeira e a terceira pessoa, o que acabou por impulsionar a leitura e ajudar com a compreensão da história. 

Ninfeias Negras é um livro recheado de informações sobre as ninfeias, Giverny e a história da arte, sobretudo Monet e o movimento Impressionista, levando grandes parágrafos ou trechos para expressar esses conhecimentos, o que pode acabar cansando alguns leitores. Além disso, tanto os personagens principais quanto os secundários foram bem desenvolvidos e apresentaram histórias de vida envolventes, além de terem tido a sua importância para o desenvolvimento da trama. 

Giverny, França
[...] Nós aqui vivemos dentro de um quadro. Estamos emparedados! Achamos que estamos no centro do mundo, que valemos a viagem, como se diz. Mas o que acaba escorrendo em nós é a paisagem, o cenário. Uma espécie de verniz que nos cola ao cenário. Um verniz diário de resignação. De renúncia... Louise, a catadora de dentes-de-leão de Giverny transformada em princesa da Boêmia; ela é uma lenda, Laurença. Esse tipo de coisa não acontece. Não mais.
Pág.: 166

Por mais que você colete informações e dicas ao longo da leitura, é impossível prever o final do livro. Esse talvez seja o maior diferencial de Ninfeias Negras dentro do subgênero Thriller Policial e o que mais me surpreendeu. Esta obra mescla elementos artísticos com um ótimo suspense capaz de te surpreender onde você menos espera, além de ser uma excelente leitura para os amantes da história da arte e aos que querem conhecer um pouco mais sobre o movimento impressionista. Desta forma, deixo a minha recomendação a essas pessoas e aos que adoram um ótimo suspense. 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Quanto a edição, contamos com páginas amareladas, títulos com verniz localizado e uma arte na capa representando uma ninfeia negra. Não encontrei erros aparentes na revisão. 

Crave a Marca - Veronica Roth

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Essa semana pude conhecer um pouco sobre o estilo de escrita da Veronica Roth, autora da série Divergente. Estava ansiosa por essa oportunidade, pois raramente leio livros que já viraram filmes (acredito que os filmes estragam um pouco da magia da leitura, portanto acabo perdendo a vontade de ler depois que sou bombardeada por trailers e pôsteres de divulgação), então esperei até que ela lançasse uma série nova para poder acompanhar.




Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, Crave a marca é aguardado novo livro da autora da série Divergente, Veronica Roth, que terá lançamento simultâneo em mais de 30 países em 17 de janeiro, e surpreenderá não só os fãs da escritora, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.




A Corrente é uma energia que liga todos os seres vivos, ela flui dentro de cada um e garante dons únicos. O toque da pele de Cyra Noavek causa uma onda de sofrimento capaz de levar à morte, nem mesmo ela está imune a sensação que a corrente provoca em seu corpo, precisando conviver com a dor constante de seu dom.

Após a Assembleia (órgão governamental da galáxia) divulgar as fortunas (futuro) das linhagens afortunadas, Akos e seu irmão são sequestrados e levados ao planeta-nação inimigo. Ryzek Noavek, o tirano governante do povo Shotet, tem um interesse muito grande no talento da irmã, e após descobrir que o dom de Akos é capaz de conferir a ela certo conforto, decide colocar o rapaz á disposição de Cyra. O destino dos dois está entrelaçado, um pode ajudar o outro a atingir seus objetivos, precisam apenas aprender a superar o ódio e as diferenças de seus povos.

Em uma galáxia movida pela corrente, todos possuem um dom.

- Você é uma Noavek – insistiu ele com teimosia, cruzando os braços. – A brutalidade está em seu sangue.
- Eu não escolhi o sangue que corre em minhas veias- retruquei. – Do mesmo jeito que você não escolheu seu dom, sua fortuna. Você e eu, nós nos tornamos o que era esperado de nós.
Pág.: 102

A narrativa se desenvolve de forma interessante, o ponto de vista de Cyra é narrado em primeira pessoa, enquanto o de Akos é em terceira pessoa, no primeiro momento essa característica pode causar estranhamento ao leitor, mas depois fica fácil de entender. Os primeiros capítulos são chatos, de difícil compreensão e monótonos, demorei pra avançar na história. Veronica criou um universo totalmente novo, composto por vários planetas, cada qual com singularidades únicas responsáveis por modelar seus habitantes, fazendo com que eles a assumissem características físicas e culturais marcantes.

Cyra foi criada para ser uma guerreira, está acostumada com a tirania do seu pai e do seu irmão, seu povo é visto como cruel, mas aos poucos vamos percebendo quem realmente são os vilões da história. O que mais gostei nela é o fato de ser esperta e independente. Akos teve uma vida feliz, até ser sequestrado e passar a viver como serviçal da família Noavek, nesse momento o personagem sofre uma mudança considerável e toma como meta a missão de tirar o irmão daquele planeta. A evolução desse personagem é espetacular, percebemos que o garoto medroso das primeiras páginas logo se transforma em um guerreiro admirável.

Autora

- Honra – falei, bufando. – Não há lugar para honra na sobrevivência.
Pág.: 103

Como já disse, a introdução é monótona e excessivamente detalhada, precisei reler algumas informações para me sintonizar. Os nomes de certos personagens são parecidos, por isso confundi-los é fácil. Infelizmente essa obra não tinha os artifícios necessários para me prender, até a parte que li, o enredo era totalmente sem emoção, tedioso e de difícil compreensão, gastei muito tempo para avançar nos capítulos e por fim decidi que seria melhor abandonar a leitura e retomá-la em outro momento.

A capa é simplesmente maravilhosa. A diagramação é agradável aos olhos, conta com uma fonte mediana e um ótimo espaçamento entre as linhas. As páginas são amareladas. Não encontrei erros de revisão. Como optei por não finalizar a leitura, aconselho que leiam e tirem suas próprias conclusões ^-^.

Redenção Pelo Amor - Nana Pauvolih

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Estou muito feliz por enfim concluir a trilogia de uma das minhas autoras nacionais favoritas, Nana Pauvolih. Me encantei por sua escrita desde a primeira página e, após rir, chorar e sentir muita raiva desse trio de amigos, enfim estou pronta para conhecer novos personagens e me apaixonar por cada um deles.



Filho mais velho de uma família abastada e tradicional do Rio de Janeiro, CEO do Grupo CORPÓREA & VENERE que eu tornei um grande império multinacional na área de cosméticos, produtos de higiene e beleza, sou o que se costuma chamar por aí de um verdadeiro CONTROLADOR. Tenho sempre tudo planejado e não desisto do que me proponho a fazer.
Peguei uma empresa familiar chamada CORPÓREA, da minha família desde o início do século XX, uni a outra igualmente conhecida, a VENERE, da família da minha esposa Ludmila. E transformei tudo em um grupo internacional, sendo eu o Chefão, o HOMEM por trás de tudo. Tenho milhares de funcionários e nada me afasta do caminho que tracei e que estou cumprindo.
Nem um grande amor.
O único e inesquecível amor que tive aos vinte e seis anos de idade.
Cecília Blanc.



Antônio é o tipo de homem que gosta de manter tudo que o cerca sob seu controle. No relacionamento com Ludmila nunca houve carinho, ambos sabiam que só estavam juntos pelo bem da família, já que após o casamento as empresas dos dois poderia se unir e formar um grupo poderoso, esse sempre foi o sonho de Arnaldo e o filho nunca se importou em sacrificar a própria felicidade para vê-lo se tornar real. Quando conhece Cecília durante um engarrafamento, tudo muda, sua vida minimamente planejada, concentrada em trabalho e faculdade passa a ser comandada por atos impulsivos e momentos alegres.

Cecília Blanc cresceu em uma cidade pequena, mas decidiu morar no Rio para concluir os estudos. Seu jeito humilde e simpático conquista as pessoas por onde passa, e o herdeiro do império Saragoça não estava imune. Ele tinha o sorriso mais lindo que ela já tinha visto, além de belos olhos azuis e um jeito mandão que a divertia. Apesar de ser uma mulher romântica, Cecilia sempre teve medo de se entregar a um relacionamento e acabar percebendo que a pessoa estava se aproveitando dela e de seus sentimentos, mas sentia que com Antônio tudo seria diferente.

Antônio e Cecilia

Não estava com ela para usá-la. Mas porque mexia comigo como nenhuma outra mulher. Eu tinha separado bem Cecília de Ludmila, pois uma era prazer, e a outra, compromisso e obrigação. No entanto, as dúvidas e a culpa começavam a me espetar. Porque não era só um caso passageiro e leve. Estávamos envolvidos. E eu tinha plena consciência de que não acabaria bem.
Pág.: 86

A série Redenção me encantou desde o primeiro volume, foi incrível conhecer Arthur e Maiana, Matheus e Sophia, e  Antônio e Cecília. Meu gosto literário mudou desde quando peguei o primeiro volume, mas continuo gostando da escrita da Nana, a história é incrível e tem um ritmo leve e viciante, com doses certas de romance e erotismo, no sentido geral não tenho do que reclamar, porque é uma obra excelente, meu único incomodo foi com algumas frases e linguagens utilizadas nas cenas mais picantes, pois ao longo de minhas leituras aprendi que há maneiras mais sensuais e delicadas de descrever esses momentos, senti falta desse toque.

Os personagens são incríveis, a vilã tem uma personalidade tradicional de novela das seis, é perfeita, educada e inocente na frente do mocinho, mas pelas costas está sempre armando alguma maldade sem que ele desconfie. A mocinha é a típica garota inocente que veio do interior, romântica e decidida, nos encanta pela simplicidade e inocência. Gostei bastante do jeito autoritário de Antônio, no requisito “bofe literário sexy” ele não deixa nada a desejar para os amigos.

Autora

Eu precisava dela. Não era querer ou escolher. Era necessidade. Era mais forte do que tudo que já senti e me golpeava por ser algo completamente novo, com o qual eu não sabia lidar. Tentei ainda me conter, mas a saudade já espiralava dentro de mim e subia por meu peito, ganhava um espaço cada vez maior, se tornava tão latente que era difícil até respirar.
Pág.: 149

É raro quando termino uma série e não fico me sentindo saudosa, com aquela sensação insuportável de que o autor poderia ter estendido um pouco mais, entretanto, após finalizar Redenção, me senti completamente satisfeita, o encerramento dessa trilogia foi incrível, o leitor além de receber uma conclusão perfeita para a história de Antônio e Cecilia ainda tem o bônus de saber o que aconteceu com eles e os amigos depois de vários anos e conhecer um pouco melhor seus filhos. Foi um encerramento totalmente satisfatório.

A capa segue o mesmo padrão dos volumes anteriores, um modelo representando Antônio na frente e Cecília atrás, há quem diga que não gosta de ver os personagens na capa porque limita muito a imaginação, mas isso não me incomoda. A diagramação segue o padrão da Coleção Violeta e é agradável aos olhos, amo as bordas cor de rosa chamativas. As páginas são de tom amarelado e a fonte é mediana. Leitura recomendada.

O Guia Para Ser Você Mesma - Lia Camargo & Melina Souza

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Dei uma sumida do blog, mas foi porque precisei de uns dias para colocar as coisas em ordem, depois de limpar muita poeira da minha estante e curtir bastante as últimas festas de 2016 (Adivinhem o que ganhei de Natal? Sim, livros!) estou de volta. Em minha primeira resenha do ano vou falar um pouco a respeito de um livro que nos inspira a desejar tentar coisas novas, então se é de novidades que o seu 2017 precisa, vem comigo se encantar pelo Guia Para Ser Você Mesma.




Inspirado nos best sellers O livro perigoso para garotos e O livro das garotas audaciosas, este guia traz tudo que uma moça moderna precisa saber. O que inspira e o que não sai de moda. Textos motivacionais sobre etiqueta nas redes sociais, bullying virtual e sororidade. Histórias de mulheres inspiradoras como Audrey Hepburn, Nise da Silveira, Jane Austen e Chimamanda Ngozi. Do it yourself, receitinhas e decoração. Lugares para viajar e sonhar, e como tirar as melhores fotos. Listas interativas com filmes, séries, músicas e livros!






O Guia Para Ser Você Mesma possui várias dicas de comportamento, moda, beleza e viagem, além de receitas fáceis, ideias inspiradoras e textos motivacionais capazes de nos fazer enxergar com outros olhos nossas condutas no dia a dia. Lia e Melina trabalham assuntos importantes como bullying, sororidade e etiquetas nas redes sociais. O livro também reúne informações sobre algumas das mulheres que são símbolo de feminilidade e lutam por direitos, divas em quem devemos nos inspirar.



Não acho que precisemos decorar regras sobre como agir na internet. Basicamente, basta aplicar a nossa boa educação da “vida off-line” no que fazemos virtualmente.
Pág.: 10

As autoras são duas blogueiras talentosas que decidiram criar um livro onde tudo o que elas amam fosse retratado, o resultado foi um conteúdo bem escrito que expressa um charme único. Entre os textos que mais gostei está o que fala sobre o corpo e transtornos alimentares, acho que toda mulher já se sentiu insegura com o próprio corpo, é importante aprender a se amar. Também adorei ler sobre algumas das mulheres que admiro e as dicas de viagem *_*.

O mais incrível dessa obra são as imagens, dá para perceber o carinho e o empenho quea Mel e Lia tiveram para criar algo tão bonito e harmonioso, os tons pastel e a mistura de fotos, desenhos e fundos florais dão um ar romântico e alegre às páginas, o que em conjunto com as fontes e a escrita torna impossível não se apaixonar pela estética desse exemplar.

Autoras

Aprendi que ter um corpo perfeito não é ser super magra, mas sim ter um corpo saudável e gostar dele.
Pág.:55


Apesar de possuir todos os elementos necessários para proporcionar uma leitura rápida (conteúdo leve, de fácil compreensão e linguagem simples), esse guia não é para ser lido em poucas horas, pois o mais interessante dele é a riqueza de dicas e informações, por isso é mais interessante fazer isso aos poucos, tentar executar o que aprendeu, pesquisar, reinventar e anotar nos espaços próprios o que achar relevante, acrescentando um pouco de si às páginas. Ele é perfeito para ficar na cabeceira da cama, pois além de ser um bom manual de consultas, também parece um lindo enfeite.

Pelas fotos que vi, pensei que o livro fosse capa dura com um elástico igual a uma agenda/guia, porém, ela é de um material um pouco menos rígido e o elástico é impresso, mas isso não afeta em nada sua beleza. As páginas são brancas em papel couché fosco, são ricamente ilustradas e a sensação de tocá-las é maravilhosa. A diagramação está impecável. Leitura recomendada.

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo - Mo Daviau

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Após ter iniciado o ano com um ótimo livro - Até o Fim do Mundo -, esperava que a minha próxima leitura também tomasse os mesmos rumos em termos de boas qualidades, até mesmo pelo fato de sua sinopse dar indícios dessa possibilidade. Entretanto, acredito que fui com muita sede ao pote e acabei me decepcionando com 30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, livro de estreia de Mo Daviau. 

Imagine poder viajar no tempo para assistir a qualquer grande show da história: os Beatles no Shea Stadium ou no telhado da Apple Records, o Nirvana em um bar minúsculo de Seattle ou Miles Davis no lendário clube Birdland. A norte-americana Mo Daviau transformou esse desejo em realidade no engenhoso 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, uma espécie de cruzamento entre De volta para o futuro e Alta fidelidade protagonizado por Karl e Wayne, dois amigos de meia-idade que descobrem um meio de voltar no tempo para assistir a shows incríveis, e a ganhar dinheiro com o negócio. Tudo vai bem até que Wayne decide o óbvio: interferir no passado. Afinal, quem dispensaria a chance de reescrever uma ou outra linha da própria história? Movido a música e romance, 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é uma espirituosa, e um tanto nostálgica, reflexão sobre sonhos, escolhas de vida e a passagem do tempo.
Ponto forte: Com a inteligência irreverente de um Nick Hornby, a sinceridade bem-humorada de um Gary Shteyngart e o charme de um filme de John Cusack, o título é uma leitura perfeita para um público saudoso da juventude perdida, repleto de referências musicais.


Nesta trama somos apresentados a uma dupla de amigos que se encontra em uma péssima fase de suas vidas. Karl, ex-músico e dono de um bar, encontra o buraco de minhoca por acidente enquanto procurava antigos coturnos comprados em 1991 em seu armário. Por um momento ele se viu sentado em um bar no passado, mas acaba retornando ao presente devido ao toque do seu celular. Intrigado com o ocorrido, ele confia a Wayne DeMint, um antigo amigo que frequentava seu bar e cientista da computação, a informação sobre a viagem no tempo, com isso, ele acaba programando um software que possibilitou a eles decidirem as coordenadas e as datas. Percebendo a arma que tinham em mãos, Karl adotou um sistema de regras onde o buraco só seria usado para visitar antigos shows de rock. Porém, não demorou muito para que tudo isso virasse um comércio e uma renda a mais para os dois. Tudo começa a dar errado quando Wayne passa a se comportar de forma estranha, pensando em sua vida e querendo mudar algo no passado: salvar John Lennon em 1980. 

Capa Estrangeira

Ei, aventureiro do tempo!

Quando o show terminar, VOCÊ TEM QUE VOLTAR PARA CASA!!!

INSTRUÇÕES
1. Abrir o aplicativo.
2. Selecionar RETURN.
3. A DATA, HORA e LOCALIZAÇÃO de seu retorno devem aparecer automaticamente (exemplo: 1/6/2012 19:30, data e hora atuais, esquina de Western com Milwaukee, CHICAGO, Illinois, EUA)*
4. Aperte o botão vermelho! ZUM! Você vai voltar rapidamente para casa!

*Não tente alterar suas coordenadas de retorno! Tentativas de alterar o programa resultarão em multa de US$1.000 e o banimento perpétuo.
Pág.: 15

A meu ver, o principal problema deste livro é a falta de uma maior exploração nos outros assuntos presentes no seu desenvolvimento. Entendo que a "música" tem um destaque na trama, mas a autora deixa isso TÃO EVIDENTE que chega a ser exaustivo para o leitor, pois a todo momento, literalmente, ela está retornando nesse ponto, o que deixou todo o contexto da viagem no tempo em segundo plano e sem a sua devida importância em certos trechos. Desta forma, a sensação que tive era de estar lendo biografias de bandas em um velório, uma vez que teve muitos momentos em que a história pedia uma maior seriedade e dramaticidade dos personagens, mas eles sempre acabavam conversando sobre shows e conjuntos musicais, mesmo tendo um amigo para salvar no ano de 980 e outros problemas a serem resolvidos.

Outro ponto falho é a inexistência de uma diversidade de dramas nos personagens, pois, o que percebi é que todos praticamente compartilham histórias de vida com características muito próximas, tendo como exemplo Karl e Wayne: duas pessoas que sofrem pelo seu passado conturbado, seja ele amoroso e/ou profissional, além de terem o dom da autodepreciação. Lena, uma astrofísica que ajudou Karl em seu problema, apresentou uma trajetória de vida interessante e uma personalidade marcada por momentos feministas, o que a deixou mais dura em relação aos homens. O mesmo ocorreu com Sahlil, dono do prédio em que o ex-músico mora, onde é possível notar sua ganância e as suas consequências. 

Apesar desses problemas, a leitura é conduzida em meio aos mistérios que vão surgindo, como um estranho e-mail que Karl recebeu contendo algumas informações sobre Lena e um misterioso Pós-A, além de possíveis consequências no presente de suas interações no passado e como irá ser feito o resgate de Wayne. A parte do buraco de minhoca e como se dá seu funcionamento foi bem explicada, possibilitando o entendimento até mesmo dos mais leigos no assunto. A melhor parte deste livro se encontra em suas últimas 100 páginas, pois são nelas que algumas reviravoltas acontecem e as coisas começam a azedar de fato. 

Autora
Então eu soube aonde Lena tinha ido. Ela estava de volta à noite sobre a qual nunca queria falar, e algo que eu disse uma vez para Wayne surgiu em minha cabeça: "Você quer ser um super-herói? Vista sua capa e voe."
Pág.: 236

A trama é narrada em primeira pessoa e sob o ponto de vista de Karl. Desta forma, não é tão difícil perceber o quanto ele é egoísta e um completo babaca depressivo que vive lamentando seu passado. A escrita da autora foi uma das escassas boas qualidades presentes no livro, pois sua estrutura contribuiu para a fluidez da leitura, mesmo ela tendo os problemas supracitados. Acredito que algumas pessoas irão gostar de 30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, até mesmo pelo contexto nostálgico, mas a meu ver a autora exagerou nesse sentido. 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição temos páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma bela capa um tanto quanto saudosa da época em que tínhamos que rebobinar as fitas cassete e com isso acabávamos usando objetos diferentes dos tradicionais, como uma caneta. A tradução foi feita por Edmundo Barreiros e não encontrei erros aparentes na revisão.

Último Turno - Stephen King

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Iniciada em Mr. Mercedes - resenha aqui, a trilogia Bill Hodges finalmente chegou ao seu encerramento com Último Turno, um livro que pode surpreender alguns e decepcionar outros. Nesta obra, Stephen King "abandona" o lado investigativo adotado nos dois volumes anteriores e retorna, de uma forma não tão interessante, para o sobrenatural. 



Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.





As primeiras páginas de Último Turno retornam ao crime inicial de Brady Hartsfield, o Mr. Mercedes, visto sob o ponto de vista dos socorristas Rob Martin e Jason Rapsis, que quase colidiram a ambulância com a Mercedes que vinha na contramão enquanto se deslocavam para o local. Quando chegaram no City Center, a cena não poderia ser outra: caos e sofrimento já haviam se apoderado do lugar, onde pessoas corriam e sofriam. Martine Stover, a vítima que mais se feriu, foi socorrida pelos dois e levada imediatamente para o hospital, onde ela iria receber a notícia de que havia se tornado tetraplégica. 

Passados alguns anos, já em 2016, Bill Hodges recebe uma ligação de Pete, seu antigo companheiro que irá se aposentar, que lhe informa sobre um caso, sua provável e estrondosa última investigação: um curioso assassinato seguido de suicídio. Supostamente a mãe de Martine Stover havia matado a filha e suicidado após o ato, porém, quando Bill e Holly, companheira da Agência Achados e Perdidos, chegam ao local do crime, notam que algumas coisas não estavam se encaixando e insistem que isso deveria ser investigado de forma profunda, até mesmo pelo fato de uma das vítimas estar ligado a Brady, que naquele momento estava no hospital vegetando em uma cama. 

Trilogia Bill Hodges

- Ele ainda não acabou com você.
Pág.: 103

Último Turno é um verdadeiro caso de amor e ódio. Não posso dizer que amei, mas também não posso afirmar que odiei, uma vez que reconheço as qualidades e os defeitos presentes na trama. A minha decepção em relação a este livro gira em torno da sua potencialidade que não foi bem explorada pelo autor, visto que seus elementos e a sua construção possibilitavam algo singular e aterrorizante, que é a sua marca conhecida. Entretanto, os assuntos trabalhados em segundo plano se mostraram interessantes, além de evidenciar a evolução da história e dos personagens, como é o caso do próprio Bill, onde percebe-se um maior foco nas consequências da sua idade avançada. Desta forma, não é difícil vê-lo refletir sobre as pessoas ao seu redor, o seu cansaço e suas queixas das dores de uma possível doença.

Como dito no inicio do texto, King faz um retorno ao lado sobrenatural, mas ainda continua trabalhando assuntos que fogem do surrealismo, assuntos mais humanos que já foram aplicados e explorados nos outros dois volumes, como as consequências da obsessão e a perversidade humana, além da influência da tecnologia, que aqui se fez mais que presente e se tornou elemento importante para a construção de toda a trama. Os mistérios sustentados giram em torno, sobretudo, da possível ligação de Brady com os crimes, mas como ele estaria fazendo isso era um grande enigma a ser decifrado por Bill e Holly. 

Acredito que o grande problema deste livro foram os rumos adotados pelo autor, que, após a finalização da leitura, mostraram-se de péssima escolha, além de desviar completamente do propósito inicial da trilogia que era o lado investigativo. A transição entre a investigação e o sobrenatural é mais que perceptível, uma vez que foi feita de forma bruta e apressada, incomodando até mesmo aqueles que já estavam aguardando o lado surreal/fantasioso. Por outro lado, no entanto, a construção da trama ajudou a amenizar um pouco esse sentimento, já que ela é feita de forma não-linear, como se todas as histórias fossem peças de um quebra-cabeça, e King foi capaz de uni-las de um jeito surpreendente. Em consequência, assim como nos outros volumes, temos diferentes pontos de vistas que fogem do tradicional Bill e Brady, além de ser narrado em terceira pessoa. 

Fim?

Brady observou a mulher com os olhos arregalados se movendo de um lado para outro, estudando a tela, e soube que tinha encontrado o que estava procurando. Os peixes rosa, ele pensou. São os que se movem mais rápido e, além do mais, vermelho é uma cor raivosa. O rosa é... o quê? Qual era a palavra? A palavra veio, e ele sorriu. Foi o sorriso radiante que o fazia parecer ter dezenove anos de novo.
Rosa era tranquilizador.
Pág.: 247

A sensação que tive ao ler o seu encerramento foi que não estou lendo um livro escrito por Stephen King. Não que ele tenha sido decepcionante, mas a sua construção e seus elementos não se caracterizavam algo típico do autor. A trilogia Bill Hodges tem suas qualidades e seus defeitos, assim como qualquer obra, mas o que percebi ao longo das leituras foi a falta de uma exploração maior nas suas potencialidades, além do já citado desvio tomado por S.K.. Entretanto, deixo a minha recomendação àqueles que já leram outros livros de King, mas não recomendo àqueles que estejam querendo experimentar essa escrita como pontapé inicial para ingressar no mundo literário do autor. 

A diagramação está simples, mas com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição temos páginas amareladas e uma diferente ilustração na capa que, apesar de divergir das demais, mostrou-se intrigante e bela. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. 

Até o Fim do Mundo - Tommy Wallach

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Imaginem receber a notícia de que a sua vida e a de outras pessoas estão ameaçadas e confinadas à morte devido a um asteroide em rota de colisão com a Terra. Esse não é um daqueles avisos que você espera receber um dia, no entanto, foi justamente isso que aconteceu no livro Até o Fim do Mundo, escrito pelo músico e escritor, Tommy Wallach. 


Antes do asteroide, eles eram definidos por rótulos: o atleta, a excluída, o vagabundo, a perfeitinha. Mas então tudo mudou. Agora eles têm dois meses para encontrar um significado. Dois meses para realmente viver.
Dizem que o colégio é a melhor época da vida. Peter, a estrela do time de basquete, está preocupado que essa afirmação possa ser verdadeira. Enquanto isso, Eliza não vê a hora de escapar de Seattle, e da reputação que a persegue; e a perfeita — ao menos no papel — Anita se pergunta se a admissão em uma das melhores universidades do país vale realmente o preço de abandonar seus sonhos. Andy, por sua vez, não entende todo o rebuliço em relação à faculdade e carreira — o futuro pode esperar.
Será? Porque parece que o futuro está prestes a se chocar com a Terra, vindo do espaço, com o potencial de acabar com a vida no planeta. Enquanto esses quatro estudantes do último ano aguardam — assim como o restante do mundo — para saber quais serão os estragos do asteroide, devem abandonar todos os pensamentos sobre o futuro e decidir como passar o que resta do presente. Neste livro esperto e envolvente, quatro adolescentes arriscam seus sonhos, seu coração e sua humanidade para ir em busca daquilo que realmente vale a pena.

Nesta trama iremos conhecer quatro adolescentes que viram suas vidas encurtadas diante de uma trágica notícia: um asteroide, Ardor (ARDR-1398) como foi chamado, tem 66,6% de chance de atingir a Terra e acabar com boa parte da vida como conhecemos. A partir deste momento, uma busca por seus verdadeiros Eu começa, assim como o caos nas cidades, como mortes, assaltos, incêndios criminosos, saques em comércios, abandonos e a busca da união de familiares durante esse curto intervalo de tempo. Porém, se não fosse esse acontecimento, eles provavelmente jamais iriam se tornar amigos, apesar de todos estudarem na mesma escola, a Hamilton, localizada em Seattle. Alguns valores irão ser colocados no chão e outro irão ser impostos na vida de todos, seja o amor, a amizade e até mesmo o ódio, fazendo muitos repensarem as suas ações e escolhas diante da morte. 

Viver a vida como se cada segundo fosse o último.

[...] Ele só tinha dezoito anos! Tantas coisas que não havia experimentado ainda - viajar pelo mundo, saltar de bungee jump, sushi. E que merda ele estava esperando? Por que ele tinha achado que o tempo era um recurso inesgotável? Agora a ampulheta tinha arrebentado, e o que ele sempre vira como um simples monte de areia tinha se transformado em um milhão de pequenos diamantes.
Pág.: 77

Até o Fim do Mundo foi uma daquelas leituras que te surpreende logo nas primeiras páginas, mas ao mesmo tempo é um daqueles livros que você mantém uma relação de amor e ódio. A trama em si carrega um grande potencial filosófico, uma vez que, em certos momentos, ela nos faz pensar acerca de algumas questões pertinentes do nosso cotidiano, como a vida, a morte, os valores individuais e coletivos, dentro outras coisas. Entretanto, muita dessa potencialidade que vi não foi totalmente aproveitada, já que em um certo momento a história acaba adentrando um plot um tanto quanto exaustivo e que não acrescenta em nada na experiência como leitor. Não que isso tenha sido um ponto negativo, pois entendo a devida necessidade do autor em mudar um pouco o tom naquele momento, assumindo assim o romance, que aqui se fez na figura do famigerado triângulo amoroso, o que pode ou não irritar algumas pessoas. 

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a ideia deste livro não é mostrar o caos em si, mas pontuar questões simples do dia-a-dia e que podem ou não serem intensificadas diante de uma tragédia. Desta forma, Tommy estrutura boa parte da sua história sob os pilares de pensamentos como: tentar fazer a diferença, você pode tomar suas próprias decisões, escolher seus caminhos e não deixar a vida escolher para você, dentre muitos outros que nos fazem pensar sobre nós mesmos. Apesar disso, ele ainda consegue mostrar para o leitor a dimensão do caos instalado nas cidades, focando mais em Seattle, cidade onde a trama se passa, expondo as situações políticas e de sobrevivência, como a racionalização de recursos alimentícios e de combustíveis, a implantação da Lei Marcial e algumas regras a serem seguidas pela população. 

Algo que chamou bastante a minha atenção foi o desenvolvimento dos personagens principais e alguns secundários, que foi feito de uma forma tão rica que ficou impossível não sentir seus dramas. Suas personalidades são extremamente contrastantes. Peter é um atleta que passa a refletir sobre seu futuro e suas escolhas. Eliza é uma fotógrafa excluída do meio social devido a um acontecimento envolvendo ela e Peter, o que, juntamente com a doença do pai, deixou-a mais dura e entorpecida. Andy, por outro lado, é uma daquelas pessoas que não ligam para o dinheiro, fazendo o que bem entende e sendo um pouco revoltado com a vida. Anita (a que mais gostei), cujo sonho era ser cantora e independente, vê seus sonhos sendo quebrados pelos seus autoritários pais, principalmente seu pai que a vê como mais um de seus investimentos, por isso ela segue a linha "certinha de ser" e tudo que ela fez até o momento foi para dar um retorno aos investimentos do pai. 

Autor

- Às vezes eu esqueço que a morte já existia antes do Ardor - Anita comentou.
Pág.: 228

A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, apresentando o ponto de vista dos quatros personagens principais. O que me incomodou neste sistema de intercalação foi que muito dos trechos que vimos em um personagem se repetia na perspectiva de outro, não mudando nem o ponto final e vírgulas, o que a meu ver poderia ter sido compactado em pequenas referências. Até o Fim do Mundo foi uma interessante leitura que me fez pensar muito sobre nossas escolhas, o que não é tão comum em livros desse gênero. Apesar dos problemas citados, não posso negar o excelente trabalho que Tommy Wallach produziu, até mesmo por ser seu primeiro livro publicado. Algumas das músicas citadas durante a trama fazem parte do CD We All Looked Up: The Album, produzido por ele mesmo e as músicas vocês podem encontrar tanto em seu site oficial para comprar, quanto no Spotify. Já escutei e adorei! 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição contamos com páginas amareladas e uma capa mostrando um grupo de pessoas observando o Ardor. Quanto a revisão, encontrei alguns erros, mas nada que interfira na sua leitura. 

Chapeuzinho Esfarrapado E Outros Contos Feministas do Folclore Mundial - Ethel Johnston Phelps

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Já pararam para pensar na imensidão de histórias que existiam, mas que infelizmente foram perdidas com o decorrer dos séculos por não haver coletores suficiente para registrá-las em obras? Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas reúne contos de várias culturas, e retrata mulheres fortes e inspiradoras.




Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. Este livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais — e indispensável para qualquer estante.





As protagonistas desse livro não são do tipo que esperam o príncipe encantado aparecer para salvá-las, se desejam algo, mostram que são capazes de conseguir sozinhas. O principal objetivo dessas histórias é ir em contrapartida aos contos que mostram princesas submissas, pois a mensagem de empoderamento feminino é clara, as mocinhas desse livro são tão fortes e competentes quanto os homens. São 25 fábulas recheadas de aventuras e lições importantes. Adorei a Chapeuzinho Esfarrapado, que é uma princesa que não se preocupa com aparência; Unana, uma mãe dedicada em busca dos filhos que foram sequestrados e a senhora otimista de O kow de Hedley.

Chapeuzinho Vermelho

- Você podia tirar esse capuz esfarrapado e limpar a fuligem do rosto – insistiu, irritada, pois queria que sua amada irmã estivesse bonita.
- Não – respondeu Chapeuzinho. – Vou assim, como estou.
Pág.: 33

É importante ler histórias onde as mulheres são vistas como valentes e ativas, mas algumas me deixaram incomodada por abordarem ideias que se desviam muito daquilo em que acredito. Em A Lagarta Gigante, os homens se acovardam ao ver o tamanho da lagarta que engoliu um menino, as mulheres, para mostrar que não sentem medo, matam a criatura e resgatam o jovem. Essa história poderia ser melhor se eles se unissem no salvamento ao invés de ocorrer essa inferiorização da imagem masculina. Kate Quebra-Nozes é outro exemplo, há uma inversão de papeis, existe um príncipe enfeitiçado e uma jovem quebra o encanto (Alô, Branca de Neve!), além disso, frases como: "Os homens tiveram que ficar onde estavam - abaixo das mulheres." acabavam com um contexto interessante.

As personagens são fortes, decididas e defendem o que acham certo. Algumas me cativaram mais do que outras, mas todas demonstram ter muita coragem. Os nomes, cenários e estilo das narrativas variam de acordo com a região onde se originaram, Paquistão, Escócia, Cornualha e Equador são apenas alguns dos diversos locais de onde foram extraídas. Esse passeio por diversas culturas nos mostra um pouco das crenças e justificativas que alguns povos utilizam para explicar certos fatos.

Kate Quebra-Nozes

Agora que as mulheres tinham ido embora, os maridos as queriam de volta. Sentiam-se sozinhos e tristes, então se juntaram para pensar no que fazer.
Decidiram usar suas próprias cordas de pena de águia para ir ao céu atrás das esposas.
Pág.: 52

Tenho certeza de que Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial  é capaz de agradar a todos os públicos, independentemente da idade, sexo ou princípios, isso ocorre porque apesar de ser um livro focado em demonstrar a força feminina, ele contém um enredo leve e divertido. Como já disse, algumas histórias não passam uma mensagem muito interessante para a atualidade, mas a maior parte data do final do Séc. XIX e início do Séc. XX, (ou seja, foram criadas durante a primeira onda feminista, onde a nossa força estava começando a ser vista). Considerei esses aspectos como marcos históricos da sociedade na época, segui em frente com a leitura e não me arrependi, dá para extrair muita lição bacana.

A capa é simplesmente maravilhosa, estou apaixonada pelo tom de azul, a combinação de cores e arte presentes deram a ela um charme especial. A diagramação é simples, mas bem elaborada, existem algumas ilustrações belíssimas que dão mais vida às cenas lidas. As páginas são brancas e a fonte é mediana. Leitura parcialmente recomendada.