TAG: Viciados em Séries


Hey pessoal, tudo bem?

Fui tagueado pela Karine, do blog Books and Carpe Diem, para falar para vocês um pouco mais sobre minha vida de Viciado em Séries. Espero que gostem ;)

 
1 - Qual sua série favorita?
R: Teen Wolf. É uma série que acompanho há anos e, apesar de todos os defeitos, é uma das poucas séries que realmente me deixa ansioso para ver o próximo episódio. Muitas pessoas começaram a ver e desistiram logo na primeira temporada em decorrência dos efeitos especiais, mas garanto que com o tempo eles melhoram.

2 - Qual série você indica para todo mundo?
R: As que eu mais indico são Penny Dreadful e Reign. A primeira é um thriller sobrenatural com uma vibe bem literatura noir, ao passo que o segundo é a serialização da história de Mary Stuart, Rainha da Escócia entre 1542-1567. Ambas são excelentes à sua maneira e agradam diferentes tipos de pessoas.

3 - Qual série tem o melhor figurino?
R: Das que eu acompanho, devo dizer que é Reign. Apesar de Penny Dreadful ter um estilo de figurino mais sombrio e único, Reign ganha por ser uma série de época, ou seja, figurinos necessários para representar a vida na Corte Real francesa.

4 - Qual foi a última série que você assistiu?
R: The Magicians. É uma série nova que foi adaptada do livro Os Magos, de Lev Grossman, e conta a história de Quentin, um jovem que tem seu mundo virado de pernas pro ar quando é admitido em uma universidade para magos.

5 - Já ficou triste com o final de alguma série?
R: Não, contudo, já fiquei triste por terem cancelado uma série que eu gosto, o que acontece quase sempre. 

6 - Qual personagem você gostaria de ser?
R: No momento, Quentin de The Magicians. Sempre gostei de magos e bruxos, ainda mais quando aprendem magia a nível universitário HAHAHAH.

7 - Qual série você tem vontade de assistir?
R: Bones. Assisti alguns episódios da primeira temporada há alguns anos e apaixonei pela série, mas só de pensar que tenho mais de 8 temporadas para colocar em dia, fico com mega preguiça. Mas a vontade de assistir continua lá.

8 - Qual série você não tem vontade de assistir?
R: Breaking Bad. Mesmo que todo mundo fale que é ótimo e que eu deveria ver, a temática da série em si não me chama atenção.

9 - Você assistiu uma série só por assistir?
R: 2 Broke Girls. É uma série que acompanho há alguns anos também, mas assisto só por assistir, quando não tenho nada mais importante para ver ou fazer. Não é aquele tipo de série que você fica curioso para ver o próximo episódio, ou que vai sentir falta caso ela seja cancelada.

10 - Pense em alguém, diga o nome dessa pessoa e fale uma série que vocês gostam em comum.
R: Chrys, do TCDMM. Sempre ficamos discutindo séries e indicando um para o outro as novidades do momento. Dentre as séries que acompanhamos e gostamos estão Teen Wolf e Stitchers.

Vou deixar a TAG aberta para quem quiser fazer, mas gostaria de ver as respostas de:

Chrys - TCDMM
Nilad e Nutella - Lendo e Comentando

As Aventuras do Caça-Feitiço: O Destino - Joseph Delaney

 Hey pessoal, tudo bem?

Acompanho As Aventuras do Caça Feitiço desde 2011 e não me recordo de ter passado tanta raiva com um livro da série como passei com esse. O Destino é uma obra chave para a trama, pois traz uma grande reviravolta na história e em seus personagens, contudo, também é um livro que serve de prova definitiva de que Tom Ward, o personagem principal, é um ser humano idiota! Mesmo com três anos de treinamento, depois de ter enfrentados clãs de feiticeiras, ogros, fantasmas e o próprio Diabo, ele ainda tem atitudes infantis e simplesmente ignora os conselhos do Sr. Gregory, coisa que ele faz em todos os livros e acaba mal em todas as vezes. 



O Caça-feitiço, Tom e Alice continuam fugindo da guerra no Condado e, desta vez, foram para na Irlanda. Lá, Tom precisará enfrentar um grupo de magos ansiosos por banir o Caça-feitiço e seu aprendiz de suas terras e aumentar seus poderes malévolos. Essa perigosa missão levará Tom até a Espada do Destino, uma lâmina com um lado obscuro e ávida por sangue... Será que essa nova arma dará a ele alguma chance na luta contra o Maligno? Uma coisa é certa: para sobreviver, Tom precisará de treinamento, e somente Grimalkin, a feiticeira assassina, poderá ajudá-lo. Será a batalha das trevas contra as trevas... A série As aventuras do Caça-feitiço já vendeu mais de 100 mil exemplares no Brasil. O primeiro volume da série, O Aprendiz, chegou aos cinemas em fevereiro de 2015 em uma superprodução com grande elenco: Jeff Bridges, Julianne Moore, Ben Barnes e Djimon Hounsou.




A guerra no Condado continua e o Caça-Feitiço, Tom e Alice devem partir para a Irlanda, já que foram praticamente expulsos da Ilha de Mona. Contudo, os problemas começam a surgir logo na viagem quando uma grande tempestade atinge o barco e Tom avista no céu dois grandes olhos malignos, um azul e o outro verde. Como se não bastasse, ao chegar na ilha eles são apresentados a uma novo ser das trevas, o boquirroto, uma criatura que não está registrada nas páginas do Bestiário. Entre o Maligno querendo sua alma, uma seita de magos que querem invocar o deus Pã, uma nova criatura e um inimigo do passado, Tom e Alice precisam mais do que nunca da ajuda de Grimalkin, a feiticeira Assassina. Às vezes, somente as trevas podem combater as trevas.

 Irlanda

Uma coroa, uma coroa de rosas, um punho com espinhos,
Uma coroa, uma coroa de rosas, uma cabeça com chifrinhos. 
Vou dar uma risada e então a testa franzir,
E todos vão cair!
Pág. 278

Esse livro dividiu bastante minha opinião, como vocês puderam perceber logo no começo do texto. Por um lado, temos uma trama muito bem elaborada, novas criaturas das trevas, inimigos poderosos e um desenvolvimento de enredo excelente. Por outro, Tom continua a ter atitudes estúpidas e desprovidas de qualquer raciocínio. Para vocês terem ideia do que estou falando, em uma cena ele está perdido, cansado e com fome no meio de uma terra desconhecida, até que encontra um homem com aparência fantasmagórica que diz que ele deve pedir abrigo em uma cabana próxima. Ele vai, vê que a cabana está caindo aos pedaços, bate na porta e pede abrigo, momento este em que uma mulher, também de aparência fantasmagórica, abre a porta e fala que ele pode entrar, mas que deveria deixar seu bastão de caça-feitiço do lado de fora da casa E ELE DEIXA!!! Ele está em um local novo, cheio de perigos, o próprio Diabo quer a alma dele, várias feiticeiras juraram sua morte, e ele entra na cabana de uma desconhecida no meio do nada e deixa sua única defesa do lado de fora! Minha vontade era de entrar no livro, pegar o bastão e bater na cabeça dele até ele deixar de ser tão idiota!

Apesar dos pontos negativos, a obra traz uma narrativa muito bem trabalhada, pois temos o desenvolvimento de outros personagens, como foi o caso do Sr. Gregory em relação com as trevas. Em um determinado momento ele mesmo admite que é de uma geração diferente da de Tom, e que talvez quando seu aprendiz for o Caça-Feitiço, ele possa usar as trevas a seu favor, como já vem sendo feito com a ajuda de Alice e Grimalkin. O ponto ápice da trama é o treinamento para derrotar o Maligno. A Feiticeira Assassina se tornou uma de minhas personagens favoritas, mesmo que ela seja uma sem escrúpulos e tenha ódio  do caça-feitiço, assim como ele, ela está disposta a engolir o orgulho e a trabalhar ao lado de Tom para alcançar um objetivo em comum.

 Arte conceitual de Grimalkin. Créditos na imagem. 

- Entre - disse com voz gentil. Lembro-me de pensar que contrastava com a rouquidão coaxante de Thin Shaun. - Mas deixe seu bastão do lado de fora. Não haverá necessidade de trabalho de caça-feitiço aqui.
Sem desconfiar de nada, obedeci sem fazer perguntas, apoiei meu bastão contra a parede ao lado da janela e entrei na cabana. 
Pág. 119

O final foi sensacional. Todos sabíamos qual seria o verdadeiro destino de um determinado personagem e estávamos esperando isso desde o terceiro livro, e finalmente aconteceu. Quem leu sabe de quem estou falando e o que essa mudança representa para a trama em si. A cada página estamos mais perto da batalha final contra as trevas que é descrita no começo de cada livro da série, o momento da criação da Wardstone, a pedra do Guardião. Apesar dos pontos negativos que citei sobre o protagonista, não vejo a hora de concluir essa série *__*.

A edição segue os mesmos padrões dos livros anteriores. Temos uma capa verde com a ilustração de uma das cenas do livro, um efeito que faz com que ela pareça ser feita de couro e lindas ilustrações ao longo da história. As páginas são amareladas e não encontrei nenhum erro de revisão. Leitura mais que recomendada.

O Último dos Canalhas - Loretta Chase

Olá pessoal, tudo bem com vocês ?

Adoro romances de época e O Último dos Canalhas me impressionou justamente por ter uma protagonista que não pensa da mesma forma que a maioria das mulheres do Século XVIII. Ela é uma moça à frente do seu tempo, pois trabalha, é responsável pelo próprio sustento e não pretende conseguir um marido, até que um duque surge em sua vida e bagunça todos os seus ideais.


O devasso Vere Mallory, duque de Ainswood, está pronto para sua próxima conquista e já escolheu o alvo: a jornalista Lydia Grenville. Só que desta vez, além de seduzir uma bela mulher, ele deseja também se vingar dela.
Ao se envolver numa discussão numa taverna, Vere foi nocauteado por Lydia e se tornou alvo de chacota de toda a sociedade. Agora ele quer dar o troco manchando a reputação da moça.
Mas Lydia não está interessada em romance, principalmente com um homem pervertido feito Mallory. Em seus artigos, ela ataca nobres insensatos como ele, a quem considera a principal causa dos problemas sociais.
Nesse duelo de vontades, Vere e Lydia se esforçam para provocar a derrota mais humilhante ao mesmo tempo que lutam contra a atração que o adversário lhe desperta. E, nessa divertida batalha de sedução e malícia, resta saber quem será o primeiro a ceder à tentação.



Apesar de ter sofrido durante a infância, Lydia Grenville conseguiu superar todas as dificuldades e construir uma carreira de sucesso como jornalista. Com 1,75 de altura e um enorme mastim como acompanhante, jamais se deixou intimidar. Seu mais recente projeto era denunciar os maus tratos que muitas moças enfrentavam após fugirem para Londres em busca de um futuro melhor, por isso, além de fazer constantes entrevistas com cortesãs, ela tentava livrar as jovens moças das garras de cafetinas cruéis como Coraline.

Conhecido como o mais libertino de sua linhagem, duque Vere Mallory fazia questão de gastar seu tempo livre com brigas, bebedeiras e prostitutas. Após evitar que um homem fosse atropelado pelo cabriolé de Grenville, ele decide ir atrás dela e acaba se deparando com uma briga entre a jornalista e uma alcoviteira muito perigosa e, ao se intrometer na discussão, ele vira alvo da ironia de Lydia. A única forma que ele viu para fazer com que parasse de falar era  beijá-la, mas em troca acaba ganhando um soco e se tornando motivo de chacota. Contudo, a vingança é um prato que se come frio e Vere fará questão de apreciá-lo. 

As palavras são as principais defesa dela.

- Deus nos livre das metidas a intelectuais. Sabe qual é o problema delas, Jaynes? Como não trepam com regularidade, algumas mulheres assumem as fantasias mais estranhas, como a de imaginar que conseguem pensar. – O duque limpou a boca com as costas da mão.
Pág.: 19

Uma das cenas mais marcantes de O Príncipe dos Canalhas, outro livro da autora, é a briga entre lorde Belzebu e um amigo, e neste volume descobrimos um pouco mais a respeito dessa confusão. A medida que vamos conhecendo o duque de Ainswood, podemos ter uma breve ideia do que está acontecendo na vida de Dain. Apesar das referências, não é necessário ler o livro acima citado para entender este, pois são histórias independentes e as cenas em que o Lorde aparece são como um bônus para quem leu os dois.

Lydia e Vere são personagens extremamente divertidos, de um lado um devasso que acredita que mulheres são como objetos com vários graus de atratividade física e apenas uma utilidade; do outro uma feminista que vê o casamento como uma forma de dominação masculina onde a mulher se submete às vontades do marido. Nessa história, apesar do libidinoso ser Vere, quem foge do matrimônio é a moça, e isso torna tudo ainda mais divertido, pois enquanto ele fará de tudo para conquistá-la, ela fará o contrário.

Autora

E se lembrou de que tipo de homem ele era.
O tipo de libertino que despreza as mulheres.
Para ele, nós temos apenas uma utilidade e, se já fomos usadas, perdemos totalmente o valor.
Pág.: 87

O Último dos Canalhas possui uma narrativa cativante do começo ao fim, os protagonistas são irônicos e travam uma batalha de egos que nos garante boas gargalhadas, as cenas de aventura são bem construídas e a parte romântica do enredo não é melosa e enjoativa. Loretta Chase já lançou diversos romances de época, contudo, grande parte só foi publicada em outros países. Só nos resta torcer para que a Arqueiro nos presenteie com outros lançamentos dessa autora.

A capa é bonita, mas não supera a de O Príncipe dos Canalhas (gosto tanto dela que até uso como tela de bloqueio no meu celular). A diagramação é bastante simples, a fonte é agradável aos olhos e as páginas são amareladas. Encontrei poucos erros de digitação, mas nenhum que interfira no entendimento do contexto. Leitura recomendada.

Star Wars: Então Você Quer Ser Um Jedi? - Adam Gidwitz

Saudações, jovens padawans, como vocês estão?

Star Wars é sem dúvida uma das maiores sagas de sucesso nos cinemas. Com o lançamento do episódio VII, O Despertar da Força, surgiu a necessidade de estabelecer formas de conquistar novos fãs e ao mesmo tempo agradar os antigos. Então Você Quer Ser Jedi? é o segundo volume de uma trilogia que busca recontar as histórias exibidas nos filmes com novas perspectivas e uma narrativa diferenciada. 


Com a ajuda de Luke Skywalker, a Aliança Rebelde conseguiu uma grande vitória contra o Império. Mas a guerra está longe de acabar. Agora, instalados em Hoth, um planeta gelado, os rebeldes temem que seu esconderijo seja descoberto pelas forças imperiais. Infelizmente, não demora muito para que o temível Darth Vader os encontre e organize o ataque. Esta é uma versão de Star Wars: O Império contra-ataca (episódio V) como você nunca viu. A edição vem acompanhada de ilustrações incríveis e apresenta a história original a uma nova geração de leitores, assim como fornece uma perspectiva inédita para os fiéis fãs da saga. Aqui, você entrará na pele de Luke Skywalker, dando os primeiros passos para se tornar o maior Jedi da galáxia, e encontrará uma série de lições para aprimorar seus conhecimentos Jedi.




Após descobrir a localização da Aliança Rebelde, através de um dos droides-sonda, a recente instalada base rebelde em Hoth é atacada por walkers e soldados imperiais. Separado de Leia, Han Solo, Chewbacca, R2-D2 e C-3PO, Luke abandona o inóspito e gélido planeta em busca de Dagobah, um distante astro caracterizado por seus pântanos e florestas, onde ele irá conhecer o mestre Yoda, que iria dar início ao seu treinamento Jedi.

Se há algo que recomendo aos leitores é que leiam as Notas do Autor dos livros, pois elas, às vezes, são ricas em informações, suas escolhas e como ele pretende prosseguir com sua história. Neste caso, Adam Gidwitz nos conta que George Lucas pensou em Star Wars como um conto de fadas moderno, algo que captasse o interesse dos mais jovens. Além disso, ele explica por que escolheu Luke Skywalker para ser o grande protagonista desta obra, mostrando que há motivos para o personagem ser desprovido de personalidade, o que de fato possibilita que o espectador possa se colocar no lugar do protagonista. E foi exatamente isso que ele fez... 

Venha, meu jovem, para o lado negro da força!

Você tem outra pergunta.
- Yoda, o lado sombrio é mais forte?
- Não, não... Mais rápido, sim. Mais fácil, sim. Mais sedutor, sim. Como um grande bolo de açúcar do pântano. Coma inteiro e doce será seu sabor. Satisfeito você se sentirá. E energizado. Mas esvair-se a energia irá, e doente em breve você estará. Melhor comer frutas, peixes, alimentos saudáveis. Não tão doces. Mais tempo eles a fome irão matar.
Pág.: 132

Fazendo jus à proposta desta trilogia, Adam nos apresenta um O Império Contra-Ataca de uma forma totalmente inusitado e inesperada, com uma narrativa que destoa bastante da apresentada no primeiro volume que seguiu de maneira linear e em terceira pessoa. Neste livro, o autor coloca o leitor no papel de Luke Skywalker. Com isso levantamos dois pontos interessantes: (1) isso provoca uma submersão maior e de certa forma uma interatividade entre a história e o espectador; (2) essa tática pode ou não ser funcional, pois pode proporcionar uma completa imersão ou tornar a leitura cansativa/desagradável, causando irritação em alguns leitores. Além disso, ao término de cada capítulo há lições interativas que podem lhe tornar um Jedi, o que torna essa leitura uma experiência singular, uma vez que elas são aplicáveis no seu cotidiano e trabalha questões de respiração, memorização, comportamento e razão.  

Após o sucesso absoluto de Star Wars: Uma Nova Esperança em 1977, surgiu a necessidade de criar uma continuação para o longa. Para suprir essa demanda, George Lucas, que não esperava tanto sucesso, escreveu o roteiro de O Império Contra-Ataca, o episódio mais aclamado pela crítica especializada e pelos fãs; e também é considerado um dos maiores filmes de todos os tempos devido a sua riqueza cultural e estética. Contudo, o desenvolvimento da história presente no livro é um grande divisor de opiniões, bem como a sua narrativa, pois há aqueles que gostaram e os que criticaram. Entretanto, o considerei agradável, já que há uma grande fidelidade ao roteiro do filme. Além disso, Adam optou por ser breve e direto em algumas partes românticas que não causariam tamanha influência na leitura, o que deu a trama certa fluidez. Assim como no longa, todos os personagens tiveram suas devidas responsabilidades e foram bem apresentados no decorrer da obra. 

Sinta a Força

- Eu te amo - ela sussurra.
- Eu sei. - Ele dá um sorriso irônico e uma piscadinha.
Pág.: 223

A história de O Império Contra-Ataca é a minha preferida da saga inteira até o momento. Isso se deve muito às informações e segredos que são revelados no seu decorrer, além de conter as mais clássicas e nostálgicas cenas e falas dos personagens, como as do mestre Yoda: "Não. Tentar não. Faça ou não faça. Tentativa não há.". Enfim, Então Você Quer Ser Um Jedi? é uma boa leitura, com ótimos personagens, uma linguagem mais jovial e uma incrível história que aguarda novos fãs.

A diagramação está simples, mas com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre linhas. Na edição temos páginas brancas, o que pode não agradar alguns leitores mais exigentes, contudo, somos presentados com belíssimas ilustrações feitas pela dupla Ralph McQuarrie e Joe Johnston, bem como uma atraente capa mostrando a silhueta do mestre Yoda. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. Deixo a minha recomendação a todos.

Entrevista Com Sarah Dressen

Hey pessoal, tudo bem?

Em 2015 a editora Seguinte publicou o livro Os Bons Segredos, de Sarah Dressen, um livro que retrata a história de Sydney, uma jovem que sempre julgou viver à sombra do irmão, mas que aos poucos aprende a aceitar quem ela é. Vários blogueiros se reuniram e conduziram, por meio da editora, uma entrevista com a autora. Confira abaixo:

1. Para você, o que torna Os bons segredos especial em relação aos seus trabalhos anteriores? Você tem alguma preocupação quando começa a escrever um novo livro? - Priscylla Plauto (Três Coisas) & Aymée Meira (Macchiato)

Os bons segredos é especial para mim por vários motivos, mas um dos principais é que talvez seja o livro mais ambicioso que escrevi nos últimos tempos. É uma história sobre família e amizade, mas também tem um romance importante. Há várias peças em jogo, o que às vezes dificultava a escrita. Mas tenho muito orgulho da história de Sydney.

O que mais me preocupa quando começo a escrever é 1) não terminar; e 2) não conseguir fazer jus à minha ideia original. Em Os bons segredos, sinto que cumpri esses dois quesitos. Pra mim já é suficiente!

2. De quais autores você mais gosta e quais mais te inspiram a escrever seus livros? - Lucas Duarte (Capa e Título)

Eu cresci lendo muitos autores americanos sulistas, como Harper Lee, Lee Smith e Kaye Gibbons. Eu adorava o fato de que as histórias eram sobre cidades pequenas, mas ainda assim tinham muitas camadas e vozes diferentes. Também amo muito A Prayer for Owen Meany, de John Irving. É meu livro preferido, um dos únicos que reli várias vezes. Cada vez que leio encontro algo novo, diferente e significativo. Para mim, isso é o que caracteriza um bom livro.

3. Uma das coisas mais marcantes em seus livros são as reflexões que eles geram. É tocante vê-la abordando temas tão complexos e, infelizmente, reais no dia a dia dos jovens. Por isso, gostaria de saber qual das suas histórias foi a mais dolorosa de escrever (exatamente por causa da complexidade dos temas abordados). - Paola Aleksandra (Livros & Fuxicos)

Considerando a complexidade dos temas, acho que Just Listen e Dreamland foram os mais difíceis de escrever. Os enredos envolvem abuso sexual e violência doméstica, respectivamente. Então eu tive que construir minhas personagens e depois fazê-las passar por uma situação horrível. Você acaba se apegando e se emocionando. Especialmente com a Caitlin, de Dreamland, havia dias em que eu precisava me afastar do computador e tomar um ar. Eu sabia que ela ia ficar bem: eu estava decidida que ela ficaria. Mas até chegar lá, precisava passar por muita coisa. E eu tive que encarar tudo com ela, de certa forma.

4. O que mais me chamou atenção no livro foi o comportamento dos pais de Sydney. Apesar de todos os problemas com o filho mais velho, eles continuaram a defendê-lo e Sydney sempre ficou em segundo plano (e por muito tempo se acostumou a isso). A atitude dos pais dela me parecia, em muitos momentos, machista. Essa realidade é algo que você percebe em algumas famílias? Você se inspirou em alguém ao inserir esse drama familiar na história? - Raquel Araujo (Por uma Boa Leitura)

Já ouvi muita gente comentando isso sobre Os bons segredos desde que foi lançado, e entendo completamente seu ponto. Para mim a questão não era o machismo mas a própria forma como a mãe de Sydney encarava a vida. Seus filhos eram suas conquistas e, até onde ela sabia, Sydney estava bem. Estava segura em casa, sob seu teto, indo à escola. Peyton, por sua vez, estava totalmente fora do alcance e do controle dos pais, então eles focavam as energias nele. Isso não quer dizer que estejam certos. Mas também não acho que seja algo incomum. Você se envolve tanto com os filhos desde que eles nascem porque é sua função garantir que eles se saiam bem e se tornem boas pessoas. Se você sente que falhou nessa missão, é compreensível tentar recorrer a tudo que estiver ao seu alcance para consertar as coisas.

5. (A pergunta abaixo contém um spoiler sobre o livro, selecione o texto para lê-la.)
Em Os bons segredos, Sydney vive uma situação de abuso que só é realmente encarada por seus pais num momento crítico, devido à dificuldade em acreditar que alguém próximo à família poderia representar um risco para a própria filha. Isso é bastante delicado e sério. Você acredita que abordar esse assunto em seus livros pode ajudar meninas que estão passando por situações semelhantes a constatar o abuso e buscar ajuda? - Caroline Dias (Open Page)

Isso é, com certeza, o que eu espero. Eu passei por uma situação parecida durante o ensino médio. Me envolvi com um cara mais velho que eu conhecia e, com o tempo, percebi que ele queria ser mais que meu amigo. Era bom receber atenção de alguém que eu considerava adulto; ser levada a sério de um jeito que meus pais não levavam. Mas quando fiquei incomodada com a direção que as coisas estavam tomando, não tinha ferramentas ou maturidade para lidar com aquilo sozinha. Realmente espero que, quando os leitores terminarem Os bons segredos, eles entendam que alguém te deixar desconfortável é o suficiente. Não é necessário que algo ruim aconteça para justificar que você se afaste ou fale com seus pais ou responsáveis sobre o assunto. É o que eu queria ter ouvido quando estava nessa situação. Sou grata por poder passar essa mensagem através do livro!

6. Em seus livros noto sempre um toque de esperança: por mais que existam dramas, o leitor não espera pelo pior e sim por algo bom no final. A sua intenção é encorajar o jovem na busca pelo seu próprio final feliz? - Cida Oliveira (Moonlight Books)

No sentido prático e realista, eu sei que finais felizes nem sempre são possíveis. Coisas ruins acontecem e às vezes não conseguimos evitá-las. Mas nos meus livros tenho controle sobre o que acontece e gosto, sim, de deixar tudo resolvido da melhor forma possível. Como leitora, não gosto de passar horas lendo um livro para no fim ficar totalmente arrasada. Preciso de um pouco de esperança a que me apegar, tanto como leitora quanto como escritora. E, pela minha experiência, devo dizer que as coisas dão mesmo certo. Nem sempre acontecem exatamente do jeito que queríamos ou esperávamos, mas a gente sempre acaba chegando onde deve estar, de uma forma ou de outra. É o que espero para meus personagens e para mim.

7. Quando eu terminei de ler Os bons segredos, passei literalmente uns vinte minutos encarando a minha pilha de livros a ler com o único objetivo de resistir à tentação de voltar para a primeira página e começar tudo de novo. E isso porque eu só fiquei uma semana com os personagens. Imagino que, para uma autora que passa meses criando cada página e cada personagem, deve ser complicado se despedir. Qual é o seu processo para dar adeus a personagens tão carismáticos quanto os Chatham? Existe um processo ou para cada livro há uma despedida diferente? Você já se pegou pensando nos personagens depois de concluir um livro? - Talita Monteiro (Viciados em Leitura)

Ah, essa é uma pergunta tão legal! Obrigada! Eu realmente sinto falta dos personagens quando termino um livro. Passo meses diariamente com eles, ou até anos, com as revisões e tudo mais. Eles são reais para mim! Mas, ao mesmo tempo, sempre tento deixar meus personagens onde sei que vão ficar bem. Só assim posso partir para a próxima história. Não sou o tipo de autora que escreve séries, então não posso revisitar meus personagens em outros livros. É por isso que comecei a inserir pequenas aparições de personagens antigos em livros novos. É uma forma de mostrar aos leitores que todos ainda estão bem, felizes, que os casais estão juntos (pelo menos na minha cabeça). Se fiz meu trabalho direito, fico tranquila de partir para o próximo livro, porque sei que dei o meu melhor com o anterior. É como estou agora com Os bons segredos. É hora de começar outra história. Só que ainda não estou pronta!

8. Você dedicou Os bons segredos para as garotas invisíveis. Que conselho você daria a elas? - Kleris Ribeiro (Dear Book)

Eu diria que é muito provável que vocês não sejam tão invisíveis quanto pensam. Só porque algumas pessoas não estão te vendo não significa que ninguém está. E o que é mais importante, de verdade, é enxergar a si mesma com clareza. Todo mundo se sente meio ignorado às vezes: eu ainda me sinto, mesmo na casa dos quarenta. Não dá para todo mundo ser extrovertido! Mas só você vai saber como deixar sua marca. E você vai deixar.

Fonte: Blog da Companhia

O próximo livro da autora a ser publicado é This Lullaby e conta a história de uma garota que vê sua mãe já no quinto casamento e, como consequência, não acredita em relacionamentos duradouros. O livro tem previsão de lançamento para Julho/Junho de 2016.

Divulgação: As Oito Notas Musicais - Renan Augusto

Hey pessoal, tudo bem?

Como vocês já sabem, não estamos firmando parcerias com autores nacionais por vários motivos. Contudo, recebi um e-mail do Renan e achei a premissa do livro dele muito interessante, por isso vim apresentar para vocês a obra em questão:








Tudo começa numa época em que ocorre "O desastre sonoro da nossa geração". O que se segue é a redescoberta do som, mas de uma forma inteiramente nova. Após um combate intensivo entre a música e seus inimigos, o significado pleno de "música" e "som" por fim é entendido.






Nasci em 1992, sou paulista e sempre gostei de escrever. Narrativa sempre foi meu estilo preferido, e em 2013 comecei a escrever o primeiro livro, que foi lançado no ano seguinte, um musical com forte suspense. Atualmente estudo design gráfico. Penso em estudar música. Sou bem esportista. Gosto de desenhar. Luto muito pelos meus ideais, mas não tento revolucionar a sociedade. Acredito que todos tem um talento artístico dentro de si... basta explorarmos...

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Revival - Stephen King

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Não há forma melhor de passar o Natal que lendo algum livro do Stephen King. Sou meio suspeito para dizer isso, mas ele é um daqueles autores que consegue te surpreender quando você menos espera. Revival, um dos mais recentes lançamentos de King no Brasil, é um exemplo disso. Uma obra que promete ser um romance gótico com ares de H. P. Lovecraft, além de ser recheada de referências e trabalhar com vários assuntos interessantes, como a religião e o fanatismo, de forma simultânea.

Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes.
Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade.
Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.


Revival nasceu com a promessa de ser o livro mais assustador e dark do autor, como exposto pelo Stephen King em suas redes sociais quando finalizou a obra. A promessa foi cumprida? Sim e não. A atmosfera da trama é de fato pesada, com obscuridade e ares de H.P. Lovecraft, mas a história em si não chega a ser assustadora a ponto de causar medo e pânico. O que mais impressiona não só nesta obra, mas em outras como Joyland e Sob a Redoma, é forma como King organiza e trata os assuntos base de suas histórias, que geralmente são fanatismo, vícios e religião, que assumiu um importante papel dentro deste enredo. Essas temáticas servem de apoio para a construção de seus personagens, como é o caso do reverendo Charles Jacobs, um homem fanático no que ele próprio denomina de "eletricidade secreta", responsável não só por ligar eletrônicos, mas também por curar os enfermos, além de ser um dos grandes segredos deste romance. 

"Toda essa merda começa em mi" é uma frase muito presente nos trechos que mostram a vida de Jamie Morton como músico. A meu ver, o "mi" desta história foi a morte da esposa e do filho do reverendo Charlie Jacobs, pois é a partir deste ponto que ele começa a questionar as "obras divinas", culpando Deus pelo acontecido e com isso perdendo sua fé. Dentro deste contexto, o livro levanta várias questões interessantes ligadas não só à religião, mas a fé que mantemos nas coisas e como ela pode nos "trair" a qualquer momento, nas múltiplas religiões espalhadas pelo mundo e em como "cada igreja dedicada aos ensinamentos de Cristo acredita que é a única a ter uma linha direta com o Todo Poderoso".

 Onde habita a sua fé?

Olhei para a Lua, tremendo e imaginando quem ou o que estivera me controlando. Porque eu tinha sido controlado. Quando voltei ao quarto (aliviado por ninguém ter me visto com o negócio balançando ao sabor da brisa), vi que tinha pisado em um vidro quebrado e estava com um corte feio no pé. Aquilo deveria ter me acordado, mas não me acordara. Por quê? Porque eu não estava dormindo. Eu tinha certeza disso. Algo me tirara de mim, assumira o controle e dirigia meu corpo como se fosse um carro.
Pág.: 166

Revival é um livro autobiográfico narrado em primeira pessoa pelo fictício personagem Jamie Morton, mostrando todos os seus pensamentos, lembranças, sentimentos e emoções. Confesso que em um primeiro momento achei a trama um pouco lenta, parecia que ela caminhava mas não chegava a lugar nenhum. As primeiras cem páginas são dedicadas em mostrar sua infância, seu convívio familiar, a forma como o reverendo entrou em sua vida, seu primeiro relacionamento amoroso e a descoberta de seu talento musical, e dentro deste conjunto de eventos há muitas partes que poderiam ter sido descartadas, uma vez que elas não interferem no desenvolvimento da história. Entretanto, é inegável dizer que há uma enorme riqueza de detalhes que dão vida à imaginação e sentido ao enredo, elementos estes que vão desde o movimento de um dedo em um interruptor, até o detalhamento de uma cabana abandonada. 

A meu ver, King quis deixar sua trama o mais verossímil possível, uma vez que há menções a bandas e músicas de rock'n'roll (que são muitas), a atores como Vin Diesel, a mecanismos de pesquisas como o Google e o Wikipédia (nesta parte eles até duvidam dos resultados apresentados por este último, o que não é muito diferente da realidade) e ao Necronomicon, consagrada obra de H. P. Lovecraft. Além disso, há grandes referências a outros romances do autor, como 'Salem, quando é citada a cidade de Jerusalem's Lot, e a Joyland - resenha -, quando o reverendo diz ter trabalhado no parque, mencionando que aquele era um lugar adorável e que fora lá que ele teve a ideia do seu quadro Retratos com Raios

Como nem tudo são rosas, Revival também tem seus erros, e um deles é a falta de empatia entre o leitor e seus personagens. Apesar de serem altamente complexos, principalmente a personalidade de Jacobs, e bem desenvolvidos, não senti tanto apego quanto esperava, tornando a minha curiosidade em saber o que é e o que causa a "eletricidade secreta", bem como o tão aguardado desfecho, dois grandes influenciadores na minha leitura.

Não se engane com este sorrisinho... 

Sangue não fica frio, não de verdade, mas na hora pareceu que o meu tinha esfriado. "Alguma coisa aconteceu", pensei. "Alguma coisa aconteceu, e em breve a Mãe estará aqui."
- Quem? - perguntou Jacobs, segurando uma das mãos de Astrid. O meio sorriso tinha desaparecido. - Quem espera?
- Sim. - Os olhos de Astrid estavam fixos nos dele. - Ela.
- Quem, Astrid? Quem?
Pág.: 301

Surpreendente e trágico, estas são as minhas palavras para resumir o encerramento deste livro. Apesar dos problemas aqui relatados, Revival é uma ótima leitura que aborda vários temas, como os já citados aqui. Além disso, é uma grande homenagem Lovecraft e a Frankenstein, de Mary Shelley.

A diagramação está simples, com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre linhas. Na edição contamos com páginas amareladas, uma capa feita em papel "furta cor" que se desfaz facilmente com o suor das mãos ou em superfícies ásperas e uma ilustração que traduz toda a essência da trama. Não encontrei erros de revisão.

Alguma coisa aconteceu!
 

Doctor Who: Cidade da Morte - James Goss

Saudações, caros leitores, como vocês estão?
Originalmente escrito por Douglas Adams, juntamente com Graham Williams e David Fisher para a série televisiva, o roteiro de Cidade da Morte foi romantizado por James Goss, autor de outros livros que retratam as aventuras de Doctor Who, como Doctor Who: Dead of Winter e a adaptação de Shada, outra história inacabada de Adams para a BBC. 





O Doutor leva Romana para um feriado em Paris – uma cidade que, como um bom vinho, tem uma variedade própria. Especialmente quando você a visita durante um dos anos clássicos. Mas a TARDIS os leva para 1979, um ano de boa safra, coberto de rachaduras – não nas suas taças de vinho, mas na própria fábrica do tempo.









Com o intuito de tirar um dia de folga, o Doctor leva Romana, sua companheira de aventuras, para Paris, em 1979, onde presenciariam um fato curioso enquanto se entretinham em um daqueles charmosos cafés da cidade. Incomodado com o "deslizar do tempo", ele começa a investigar essa fratura no espaço-tempo e quem estava causando-a. Em um outro ponto da cidade luz, vemos o conde Scarlioni executando uma de suas perigosas experiências. O plano dele era roubar a Mona Lisa e revendê-la. Contudo, depois de alguns acontecimentos, Romana acaba descobrindo uma sala secreta que foi guardada por quase um século em que continha não uma, mas seis Monas Lisas. 

Romana e o Doctor em Paris.

Para começo de conversa, os seis quadros tinham que ser genuínos. Ninguém se daria ao trabalho de esconder seis gravuras coloridas por meio milênio. A lógica a levou até esse ponto, mas então precisou parar e ir tomar um chá. Por que alguém pintaria seis Monas Lisas e as esconderia em um quarto isolado? Elas não ficaram esquecidas em armários. Foram colocadas ali e escondidas de propósito. Em uma caverna funda. Longe de explosões de bombas. Sobreviveram a tremores e inundações. Foram tão isoladas que o château acima poderia queimar, mas os quadros sobreviveriam. Sorrindo para si mesmos.
Pág.: 128

Aparentemente o receio não era exclusivo meu, uma vez que o autor também tinha certo medo quanto a recepção e qualidade de seu trabalho, ainda mais quando há comparações com as qualidades apresentadas no roteiro de Douglas Adams. Um dos aspectos mais interessantes deste livro é a sua narrativa, especificamente a forma como ela é feita. Narrado em terceira pessoa, em Cidade da Morte temos o ponto de vista dos personagens principais e de alguns secundários, como o agente Duggan, o professor Kerensky, e outros, resultando em uma riqueza de detalhes que dão vida e emoção à história. Além disso, ela assume uma atmosfera mista onde temos momentos de descontração e seriedade, sendo este último o mais perceptivo.

Ao contrário de Mortalha da Lamentação e de O Prisioneiro dos Daleks, onde vemos um Senhor do Tempo mais atual, neste nos deparamos com a sua quarta encarnação, interpretado por Tom Baker nas telinhas entre 1974 a 1981. Desta forma, ler este livro foi mais que uma diversão, já que também foi um meio de conhecer mais desse Doctor e o universo da série. Apesar de ter gostado de sua personalidade (um pouco excêntrica, mas em certos momentos séria), minha atenção foi para Romana, uma vez que suas ideias confrontavam as dele e também por sua notável inteligência, bem como seus ares de aristocrata. Como não poderiam ficar de fora, há citações aos Daleks e referências a outras aventuras de Doctor Who.

O conde Scalioni e sua outra face, Scaroth.

Scaroth. Estamos aqui.
Juntos, somos Scaroth.
Eu sou Scaroth. Muitos unidos em um.
Os Jagaroth viverão em mim.
Juntos, guiamos essa raça medíocre,
esses humanos, demos forma ao destino miserável
para que servisse aos nossos objetivos.
Em pouco tempo, seremos.
Os séculos que me dividem serão desfeitos.
Os séculos que me dividem serão desfeitos.
Os séculos que me dividem serão desfeitos. 

Pág.: 189

O episódio referente a este livro foi exibido em 1979 e se tornou um dos mais assistidos da série. Apesar de seus acertos, como a escrita do autor, Cidade da Morte também tem suas falhas, como a organização e apresentação dos acontecimentos, já que tem momentos que você fica até perdido em tantas coisas acontecendo e com isso muitos detalhes são apresentados. Contudo, deixo a minha recomendação aos fãs e àqueles que estão querendo entender um pouco desse enorme universo de Doctor Who

A diagramação está simples, com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. A história é dividida em 4 partes e em cada início há uma foto de Paris com uma frase de autoria aleatória, como Nancy Mitford, Cole Porter, e outros. Na edição contamos com páginas amareladas, uma foto do Doctor com a Romana, interpretada por Lalla Ward na série televisiva, e uma ilustração na capa com alguns elementos da trama. Quanto a revisão, encontrei um erro, mas nada que interfira na história.

Desafio Literário Book-a-Month: O Desafio do Olimpo

Hey pessoal, tudo bem?

Depois do sucesso que foi o Desafio Literário 2015, Book-a-Month: 12 Mundos em 12 Meses, espero que estejam animados para o Desafio de 2016.

Ele será feito novamente em parceria com a Lívia do blog Wishing a Book, e vai seguir o mesmo padrão do ano passado, ou seja, um livro por mês. Contudo, dessa vez decidimos dificultar um pouco as coisas para deixar o desafio ainda mais emocionante. A ideia desse ano é cada mês será representado por um dos 12 Deuses do Olimpo, fazendo com que cada obra seja relacionada com pelo menos uma característica do deus daquele mês.

Todos estão convidados a participar. Quem não tem blog deve postar uma foto do livro no Instagram usando a #Bookamonth2016 e descrevendo o mês e o deus. As regras do desafio são as mesmas do ano passado, confiram abaixo:

- O leitor deve sempre começar a leitura do livro no mês referente ao tema e deve terminá-lo até o dia 15 do mês seguinte, ou seja, a leitura do livro do tema de Janeiro deve ser começada no mês de Janeiro e finalizada até dia 15 de Fevereiro.

- Caso não consiga ler o livro no prazo estabelecido e perca o mês, você deverá ler OS DOIS livros - o perdido e o atual - no mês vigente. Ex: Se você não conseguiu começar a leitura do livro de Março no mês de Março, deverá lê-lo em Abril junto com o livro tema de Abril. 

- Caso o leitor perca dois meses seguidos, terá falhado no desafio. T_T

Ao passo que o desafio vai se desenvolvendo, vou adicionando à lista os nomes dos livros que estarei lendo em cada mês. Não resenharei todos, pois alguns deles podem ser releituras, ou seja, eles já possuem resenha no blog, mas vou colocar o link para que vocês possam conferir ^_^.

Lista

Janeiro 
Ares - Deus da Guerra - Um Livro Com Uma Espada Na Capa
Dica: A maioria dos livros de fantasia que se passa na idade média possui uma espada na capa. Ela não precisa ser inteira, pode ser só o cabo, como é o caso de vários livros sobre o Rei Arthur. Algumas opções: As Brumas de Avalon, Guerra dos Tronos em Graphic Novel, Percy Jackson, etc...
Livro Escolhido: As Aventuras do Caça Feitiço: O Destino - Joseph Delaney
Nota:
Resenha:

Fevereiro 
Athena - Deusa da Sabedoria - Um Livro Com Um Personagem Sábio/Inteligente
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

Março
Artemis - Deusa da Caça - Um Livro Com Uma Personagem Feminina Forte
Livro Escolhido
Nota:
Resenha:

Abril 
Hermes - Deus Mensageiro - Um Livro Que Ganhou de Presente 
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

Maio
Apolo - Deus do Sol - Um Livro Com A Capa Amarela Ou Laranja
Dica: Ela não precisa ser toda amarela ou laranja, mas as cores precisam ter grande destaque na capa (50% pelo menos).
Livro Escolhido
Nota:
Resenha:

Junho 
Hera - Deusa da Família - O Segundo Livro de Uma Série
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

Julho
Poseidon - Deus dos Mares - Um Livro Com Água na Capa
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

Agosto
Hades - Deus do Submundo - Um Livro Sobre Necromantes
Dica: Necromante é todo aquele que consegue controlar os mortos, ou seja, não precisa ser aquele que levanta os mortos propriamente ditos, sendo aceitável aqueles que controlam espíritos e fantasmas também. Exemplos: A Mediadora em um dos livros da série aprende a controlar, mesmo que moderadamente, alguns espíritos; Temos Invocação, publicado pela Novo Século; Na série MAGO, publicada pela Saída de Emergência Brasil, temos um personagem necromante; etc.
Livro Escolhido
Nota:
Resenha:

Setembro
Afrodite - Deusa do Amor - Um Romance
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

Outubro 
Hefesto - Deus das Forjas - Um Livro Com no Máximo 25 Capítulos
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

Novembro 
Dionísio - Deus do Vinho - Um Livro Com Mais de 400 Páginas
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

Dezembro 
Zeus - Deus dos Deuses - Um Livro Que Promete Ser O Melhor de 2016
Livro Escolhido:
Nota:
Resenha:

O Conjurador: Aprendiz - Taran Matharu

Hey pessoal, tudo bem?

Em um mundo onde nada do que é publicado consegue ser 100% original, Taran Matharu consegue juntar as melhores partes de diversas mitologias e criar uma obra envolvente do começo ao fim. Impossível não adentrar o mundo de O Conjurador: Aprendiz e não querer ter um demônio salamandra ao seu lado e juntos embarcar em aventuras que colocarão o destino do reino em jogo. 




Em O aprendiz, primeiro volume da série Conjurador, Fletcher é um órfão de 15 anos e, para sua surpresa, conseguiu invocar um demônio do quinto nível. O problema é que apenas os nobres deveriam ser capazes de conjurar criaturas e usá-las na guerra contra os orcs. Mas plebeus como Fletcher também podem ser conjuradores, e o garoto consegue uma vaga na Academia Vocans, uma escola de magos que prepara seus alunos para os campos de batalha. Lá, ele irá enfrentar o bullying dos nobres, mas também aprenderá feitiços e fará amigos incomuns, como anões e elfos. Além de se provar digno de uma boa patente na guerra, Fletcher e seu grupo de segregados precisam se unir e vencer o preconceito que sofrem na desigual sociedade de Hominum.




O livro conta a história de Fletcher, um jovem aprendiz de ferreiro que mora em um vilarejo onde o dinheiro vale mais que o caráter das pessoas. Abandonado quando criança, sempre viveu uma vida simples, mas difícil, onde tinha que trabalhar e caçar para garantir o próprio sustento e ajudar na loja do homem que o criou. Eis que algo inesperado acontece, e Fletecher se vê sugado para dentro de um mundo de magia e demônios quando descobre que nasceu com o dom de conjurar, ou seja, uma capacidade rara na qual um ser humano pode adentrar o reino dos demônios e fazer com que eles obedeçam à sua vontade, ou até mesmo fazer com que lutem em seu nome. O destino da guerra entre Humanos, Orcs, Anões e Elfos está nas mãos de um jovem Conjurador.


 Circulo de Conjuração

Ela lançou uma esfera de fogo-fátuo no ar, fazendo-a ziguezaguear pela arena em um padrão aleatório. Otelo riu e entalhou o símbolo do fogo, soltando uma língua de fogo que moldou numa bola e a lançou no rastro da luz azul. Serafim estava logo atrás. 
Pág.: 300

Confesso que, apesar de ter achado a narrativa genial e não ter conseguido largar a história até saber seu final, alguns elementos presentes na obra poderiam ter sido trabalhados de forma a não ser tão óbvia a comparação com outras grandes obras da literatura. A exemplo temos o grande Orc albino que está reunindo os exércitos dos Orcs sob uma só causa (Azog de O Hobbit), um jovem que descobre ter magia em si e vai para uma escola onde irá aprender a arte (Harry Potter), a guerra dos Elfos e Humanos contra os Orcs (Tolkien novamente), etc. Mas não entendam mal, mesmo com esse aspecto relativamente negativo, a história é cativante e muito bem elaborada, o que não é fácil de fazer hoje em dia com tantos livros sendo publicados a todo momento. 

Os personagens são super cativantes, apesar de te fazerem sentir um pouco de raiva no começo, como Sylvia, que tenta ser diplomática em todos os aspectos, mesmo que isso signifique abaixar a cabeça para um bando de nobres mimados. Em contrapartida, temos personagens que te fazem querer entrar no livro e trazer para o nosso mundo de tão legais que são, como foi o caso de Lovett e Ignacio. Outro ponto importante foi a construção do mundo, pois ele torna impossível não querer visitar a Academia Vocans depois de ler sobre sua grande estrutura e vastos corredores.

 Autor

O final foi condizente com tudo o que foi trabalhado ao longo do livro, mas achei que foi uma reviravolta meio que desnecessária em certos aspectos, pois penso que o autor poderia ter elaborado um pouco mais e deixado para finalizar de uma forma mais branda,ou seja, sem deixar o leitor arrancando os cabelos para saber o que vai acontecer T_T. Essa é a única coisa que mudaria em todo o livro.

A edição é simples, mas bem trabalhada. Na capa temos a imagem de Fletcher e alguns spoilers do livro em si, mas só quem já terminou a leitura que consegue perceber quais são (ficou curioso? kkkkk). O título é feito em tinta metalizada prata, o que não me agrada muito pois com o tempo e manuseio ela vai desbotando. A fonte é de um tamanho agradável e a obra conta com várias ilustrações dos símbolos de entalhamento de magia. Leitura recomendada para todos os fãs de Harry Potter, Tolkien e The Summoning