Geek Love: O Manual do Amor Nerd - Eric Smith

Olá, jovens Padawans, tudo bem?

A resenha de hoje é um pouco diferente do convencional, pois o livro em questão não possui uma história propriamente dita, mas sim, um manual de auxílio a todos os nerds/geeks do mundo sobre como achar e cultivar sua tão buscada Player 2. Saiba quais suas skills e quais os atributos melhor se enquadram a todos os tipo de garota nerd, aprenda a identificar se você foi colocado em stand by na friendzone ou se sua guilda está disposta a te ajudar nessa quest




Eric Smith sabe mais do que ninguém que existem prazeres imensos na vida geek. Amigos incríveis, conversas até de madrugada sobre realidades alternativas ou até mesmo o simples prazer de ler aquele lançamento de quadrinhos. No entanto, chega um momento na vida de todo nerd em que o amor bate à porta e daí vem a hora de jogar o xadrez tridimensional que é o mundo dos solteiros.
Não se desespere, jovem Padawan! Deixe Smith guiá-lo por esse caminho e descubra que amar é muito mais do que flores e bombons. Afinal, nada é normal na vida do nerd, e o amor não é senão o mais extraordinário dos fenômenos humanos.





Por meio de várias referências à cultura geek atual, Eric conseguiu cumprir o que promete, que é ajudar o jovem garoto/homem nerd a encontrar uma namorada. O livro em si dividiu minha opinião, pois ao mesmo tempo que achei algumas passagens geniais e a narrativa deliciosamente divertida, em outras o autor pecou pelo excesso. Como o livro é todo dividido em tópicos e categorias, optei fazer  algo que vi no blog KuroNeko, da Yasmin: uma lista descrevendo alguns pontos da obra, como os prós e contras, cabendo a você a decisão de embarcar ou não nessa missão para encontrar a sua Lara Croft/Harry Potter. 


Prós

Referências - As referências são abundantes e muito divertidas. Temos comparações desde o Mario em busca da Princesa Peach até lições de que traição virtual ainda é traição, então não devemos fazer igual Howard e Glissinda, A Troll HAHAHAHA. 

Diagramação - Esse livro tem uma das diagramações mais perfeitas que já vi. Todos os capítulos possuem ilustrações no começo, sendo o título sempre escrito com uma fonte que lembra antigos joguinhos de Atari ou o famoso minigame. Ao longo do texto temos vários tipos de fonte em vários tipos de cores, listas do que pode ser feito e o que não deve ser feito em um primeiro encontro e um pequeno self manual que ajuda o geek a descobrir qual seu tipo nerd: Fã de Quadrinho, O Gamer, O Geek da Apple, O Nerd dos Livros, e muitos outros. Eu me enquadrei em Categoria: Nerd Acadêmico, Subcategoria: Nerd dos Livros. *__*

Linguagem - O autor usa uma linguagem bem jovial, de fácil entendimento, e em vários momento ele conversa com o leitor, seja para avisar de um spoiler de um filme ou game, seja para dar um puxão de orelha para avisar ao Nerd dos Livros que não se deve criticar o gosto literário de sua paquera e achar que todos devem ler só o que você acha ser legal. 

Divisão de Capítulos - Achei a divisão escolhida pelo autor muito bem estruturada. Ele começa ajudando o leitor a descobrir em qual categoria nerd ele se enquadra, para em seguida apresentar os demais capítulos como um passo a passo no estilo: Primeiro Contado: O Encontro, Além da cúpula do trovão: o dia seguinte e além, Nível de chefão: o namoro geek avançado, etc...


Contras

Referências - Ao mesmo tempo que as referências são o ápice da obra, pois garantem uma leitura divertida e interativa para o leitor nerd, achei em alguns momentos que elas foram um pouco excessivas. Alguns parágrafos tinham tantas referências, mas tantas, que às vezes me perdia ou achava enfadonho. Sem contar que muitas delas eram muito específicas em determinados momentos e nem eu, que jogo vários games, vejo séries e leio quadrinhos, entendi. Penso que ele poderia ter, em alguns momentos, cortado pela metade as referências usadas. 

Esteriótipos - É de se esperar que um autor nerd não vá usar de esteriótipos, mas infelizmente em alguns momentos ele o faz, como associar várias vezes o leitor nerd como alguém que não tem muito contato com o mundo real (sai de casa) ou algo do gênero. Entramos em uma era em que ser nerd não é mais algo pejorativo e que existem vários tipos de nerd, pois o garoto popular que faz academia e sai toda noite pode ser nerd na mesma proporção que o que prefere ficar em casa comendo um pacote de Doritos e assistindo Netflix (tipo eu T__T).

Diagramação

Já passei por dias que, como o jogador que está ficando velho e se apega ao seu Game Boy original com tela desbotada, senti saudades de tempos mais simples. Os dias de outrora em que alguém podia entrar numa sala de bate papo em um provedor e digitar "Quer tc?", e imediatamente encontrar sua alma gêmea. Uma época antes dos cutucões no Facebook e DMs no Twitter, na qual para ter atenção da sua paquera era preciso conversar frente a frente ou ao menos mandar um bilhetinho do tipo "Você gosta de mim? Marque [ ] Sim [ ] Não".
Nos meus tempos de garoto apaixonado, sempre enfiava um "Talvez" ali, só para dar uma apimentada nas coisas.
Pág.: 10

Bom pessoal, essas foram as minhas impressões sobre a obra e se você é um garoto nerd, ou quer saber mais sobre o nosso mundo, recomendo sim a leitura. Mas esteja preparado para ser bombardeado por varias referências das quais algumas não irá entender. ^_^

Sangue Mágico - Ilona Andrews

Saudações, caros leitores, como vocês estão?
Quem acompanha minhas resenhas aqui no blog sabe que adoro literatura fantástica devido a capacidade criativa de certos autores em arquitetar seu enredo e, consequentemente, criar seu mundo. Entretanto, até onde me recordo, nunca havia lido nada relacionado ao sub-gênero Fantasia Urbana. Dessa maneira, acabei lendo Sangue Mágico por completa curiosidade, mas sem manter expectativas. O livro em si tem suas qualidade e seus defeitos, mas posso dizer que a escrita surpreende, em partes. 



Se não fosse pela magia, Atlanta seria uma boa cidade para viver. No momento em que a magia domina, os carros param e as armas falham.
Quando a tecnologia assume, os feitiços de proteção já não protegem sua casa dos monstros. Aqui, os arranha-céus são derrubados pelo ataque da magia; homens-lobo e homens-hiena rondam as ruas arruinadas; e os Mestres dos Mortos, necromantes impulsionados pela fome de poder, comandam vampiros com suas mentes.
Neste mundo, vive Kate Daniels. Kate gosta um um pouco demais de usar a sua espada e tem dificuldade de ficar calada. A magia em seu sangue a torna um alvo, e ela passa a maior parte da vida se escondendo no meio da multidão.
Mas quando o guardião de Kate é assassinado, ela deve optar entre não fazer nada e manter-se segura… ou perseguir o assassino sobrenatural. Esconder-se é fácil, mas a escolha certa nunca o é...


Na realidade criada pelos autores (sim, são dois), a magia não é constante, ela aparece em ondas e quando está "ativa", a tecnologia como a conhecemos deixa de existir, fazendo com que os aparelhos eletrônicos ficassem desligados. Contudo, quando o fluxo mágico está fraco as coisa se invertem e a tecnologia a domina. Para equilibrar as forças e manter a paz entre as espécies, foi estabelecida a Ordem, uma entidade que visa ajudar as pessoas com seus Mestres e Cavaleiros.

É nessa Atlanta que passamos a conhecer a Kate Daniels, dona de um gênio forte, poderosa e como todo ser humano, dona de segredos e dons. Após seu guardião ser brutalmente assassinado de maneira misteriosa, sua vida muda da água para o vinho. Na necessidade de sair do anonimato, quebrando uma de suas "regras", ela irá atrás de vingança e de maiores esclarecimentos sobre o caso, mas no meio disso tudo, alguns segredos sobre sua vida serão revelados e ela entenderá sua verdadeira importância. 

Arte conceitual de Kate

Proteja o seu sangue, pois ele a trairá. Se você sangrar, limpe-se e queime o pano. Queime as bandagens. Se alguém obtiver um pouco do seu sangue, mate-o e destrua a amostra. No início, era uma questão de sobrevivência. Mais tarde, tornou-se uma questão de vingança.
Pág.: 58

Aos que não sabem, Ilona Andrews é um pseudônimo utilizado por uma dupla de escritores casados, Ilona e Gordon. Pois é, e eu lendo o livro pensando que fosse uma única pessoa. Enfim, acredito que um dos maiores pontos de destaque nessa obra está na escrita - visto que a linguagem utilizada é de fácil entendimento - ou até mesmo pelo fato da narrativa ter sido feita a quatro mãos e não ser possível diferenciar qual parte foi redigida por quem, algo que não acontece em alguns livros do James Patterson e seus coautores, onde podemos perceber certa variação de qualidade. A narrativa é feita em primeira pessoa e desta maneira o leitor consegue captar todos os pensamentos e sentimentos da protagonista, o que foi sensacional, já que, como foi dito, ela tem uma personalidade forte e não tem receios em falar o que pensa.

A realidade criada pelos autores é bem estruturada e divida, uma vez que a trama envolve, além dos humanos, metamorfos, necromantes e vampiros. Apesar de já ter lido muitos livros de fantasia, confesso que foi difícil imaginar tais acontecimentos sendo ambientados em Atlanta, mas creio que isso seja uma consequência da minha inexperiência com a Fantasia Urbana, onde temos o mundo real mesclado com o misticismo. Outros personagens se destacam, além da Kate, no quesito personalidade, como é o caso do poderoso e imprevisível Curran. Quanto ao mistério, não poderei revelar, pois não quero estragar a leitura de vocês, mas posso afirmar que os autores conseguem instigar o leitor a continuar a leitura. 

Capa americana

Peguei um crânio e entreguei a ele. Jim pegou e recuou, sibilando. Seus olhos brilharam verdes. A lenda afirmava corretamente que na morte o corpo de um metamorfo retomava a forma em que nascera, fosse ela humana ou animal, mas o Vírus-L fazia algumas alterações permanentes na estrutura óssea que permaneciam na vida e na morte. Longas tiras brilhantes de osso criado pelo Vírus-L marcavam o crânio em lugares reveladores acima da mandíbula e ao longo das maças do rosto.
Pág.: 187

Como se trata de uma série, não contamos com um final definitivo, mas confesso que fica aquela vontade de ler o segundo volume. Apesar disso, não tenho certeza se irei continuar a ler a saga, visto que ela conta com dez livros (sendo que oito já foram publicados no exterior), sem mencionar seus spin-offs e short stories. Aos que gostam de fantasia e de séries longas (como o Matheus), deixo a minha recomendação. 

A diagramação está simples, com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Já  na edição, temos páginas amareladas, título em verniz localizado e uma bela capa com a imagem representando a protagonista. Minha única observação foi com a tonalidade escolhida para representar o brilho da espada no rosto da modelo na capa, que passou a impressão de que o livro ficou no sol e que aquela região teve a cor desbotada, fora isso, a ilustração e demais efeitos escolhidos estão lindos. 

Entrevista Com o Vampiro: A História de Cláudia - Anne Rice

Hey pessoal, tudo bem?

Quando vi que Ashley Marie Witter ia lançar uma versão Graphic Novel de Entrevista Com o Vampiro, mas com uma adaptação de texto para apresentar aos leitores a história sob o ponto de vista de Cláudia, a vampira recém transformada por Lestat em um momento de tédio e perversão moral, fui às nuvens. Apesar de não gostar muito do estilo narrativo de Rice, sou apaixonado por seus personagens e pelas adaptações cinematográficas de suas obras, e com essa GN não foi diferente. 





Esta não é simplesmente uma adaptação para os quadrinhos de Entrevista com o Vampiro, best-seller de Anne Rice que virou filme em 1994. Meticulosamente ilustrado por Ashley Marie Witter, a versão em graphic novel do livro de estreia da rainha dos vampiros reconta a história sob um ponto de vista inédito: o da vampira criança Cláudia, a imortal de 6 anos de idade, órfã e assassina, vítima e monstro, representada por Kirsten Dunst na versão cinematográfica. As ilustrações em tons de sépia retratam fielmente os personagens andróginos de Rice e ainda reforçam o clima sensual e sombrio da obra original, renovando e enriquecendo a narrativa.





O livro conta a história de Cláudia (Capitão Óbvio mandou lembranças, Matheus ¬¬) e segue o mesmo desenrolar de fatos que o presente em Entrevista Com o Vampiro. O diferencial é que enquanto no livro original temos a narrativa na visão poética de Louis - que pensa estar condenado ao inferno por ser o que é - neste temos a história sob o ponto de vista inocente de uma criança que vê em dois monstros a exuberância e tentação de uma vida imortal. Contudo, décadas se passam e Cláudia se vê presa e sem escapatória, pois estava fadada a viver em um corpo que por toda a eternidade seria delicado e infantil; uma eterna boneca de porcelana cujos caprichos do tempo lhe fora negado.

A Graphic Novel toda é em tons sépia, exceto pelo sangue. 

Boneca... Deixe-me vesti-la, deixe-me pentear seus cabelos.

A narrativa, como dito acima, é inicialmente inocente e desperta no leitor simpatia e ao mesmo tempo pena, pois a vida de uma jovem foi ceifada para dar lugar à vida de uma imortal. Contudo, é claramente perceptível a mudança nas atitudes da protagonista e a forma como ela narra os fatos e expõe seus pensamentos, pois, apesar de continuar jovem e com rosto angelical, décadas vão se passando e às vezes esquecemos que dentro daquele corpo habita uma mente já centenária e que pouco a pouco foi banhada a sangue e crueldade. É clara a relação de idolatria que a protagonista tem com os vampiros Louis e Lestat, assim como também é claro o momento em que tais sentimentos se tornam desprezo e ódio (por Lestat) por ele ter condenado-a a uma vida presa naquele corpo.

Os personagens em si possuem as mesmas personalidades do livro original. Lestat continua vil e apto a realizar qualquer um de seus caprichos no momento que lhe da vontade, independente de quantas vidas ele terá que sacrificar para isso. Já Louis é o oposto, pois, ao pensar que Lestat o deu uma maldição e não um dom, se vê fadado ao inferno, o que torna o personagem mórbido e ao mesmo tempo poético, lembrando muito o estilo dos personagens do poeta inglês Lord Byron, que possuem como características o pessimismo, morbidade e a angústia. Cláudia, como fora dito, é inocente no começo do livro e completamente monstruosa no final, tomada pelo rancor, chegou ao ponto de arrastar pessoas e dá-las como "drink" a seu criador.

Cláudia, Louis e Lestat, na adaptação de Entrevista Com o Vampiro para o cinema.

Assim que o primeiro raio de sol surgiu, o medo se foi, seguido por uma contemplação harmoniosa.
[...] No entanto, ultimamente, minha existência era insustentável, com o rancor dentro de mim transbordando para este delicado recipiente. Não sofreria mais. Meu último pensamento foi em meu precioso e frágil Louis... e em como ele carregaria seu sofrimento pela eternidade.


O desfecho da história já é conhecido por todos aqueles que viram filme ou leram as Crônicas Vampirescas, mas gostei de ver como Marie Witter via as coisas, pois suas ilustrações conseguiram dar vida de uma forma diferente da presente no filme, algo que me agradou muito, pois deu um ar ainda mais antigo à narrativa.

A edição está simplesmente perfeita. A obra possui capa dura e título em dourado, tanto na frente quanto na lombada. As ilustrações são todas feitas em tom sépia, o que dá impressão de que estamos vendo a história através de fotos antigas e desgastadas pelo tempo, sendo apenas o fogo e o sangue representados por cores alaranjada e carmesim, respectivamente. Não encontrei erros de revisão ou de tradução aparentes. Leitura mais que recomendada para todos os fãs de Anne Rice, vampiros e Graphic Novels.

A Casa Assombrada - John Boyne

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Apesar da maioria dos livros escritos por Boyne não me atraírem, li O Menino do Pijama Listrado alguns anos atrás e, no último natal, Dia de Folga: Um Conto de Natal. Mesmo sabendo o estilo de narrativa do autor, não estava muito interessado nessa leitura, uma vez que estava meio receoso quanto ao seu conteúdo. Entretanto, acabei encontrando em A Casa Assombrada uma trama misteriosa e profunda que em muito me fez relembrar os velhos contos de fantasmas, mas também me deparei com algumas falhas que de início podem ser irritantes e até mesmo cansativas. 

A Casa Assombrada - Eliza Caine tem 21 anos e acaba de perder o pai. Totalmente sozinha e sem dinheiro suficiente para pagar o aluguel na cidade, ela se depara com o anúncio de um tal H. Bennet. Ele busca uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças de Gaudlin Hall, uma propriedade no condado de Norfolk – sem, no entanto, mencionar quantas são, quantos anos têm ou dar quaisquer outras explicações. Assim, ela larga o emprego de professora numa escola para meninas e ruma para o interior.
Chegando a Gaudlin Hall, Eliza se surpreende ao encontrar apenas Isabella, uma menina que parece inteligente demais para sua idade, e Eustace, seu adorável irmão de oito anos. Os pais das crianças não estão lá. Não se veem criados. Ela logo constata que não há nenhum outro adulto na propriedade, e a identidade de H. Bennet permanece um mistério.
A governanta recém-contratada busca informações com as pessoas do vilarejo, mas todos a evitam. Nesse meio tempo, fica intrigada com janelas que se fecham sem explicação, cortinas que se movem sozinhas e ventos desproporcionais soprando pela propriedade. E então coisas realmente assustadoras começam a acontecer…

Aos 21 anos Eliza Cane teve que lidar com a perda do pai e com a solidão causada por sua morte. Sem dinheiro para custear o aluguel, ela se vê obrigada a abandonar seu emprego como professora em uma escola para garotas e seguir com sua vida para o interior de Londres, aceitando a oferta de serviço do misterioso H. Bennet para trabalhar como governanta em um antigo casarão. Com algumas dúvidas a respeito do anúncio lido no jornal e sobre o tal homem que lhe estava contratando, Eliza é recebida em Gaudlin Hall por apenas duas crianças, sem qualquer presença de adultos. Logo em seguida começam a acontecer alguns eventos anormais, como o surgimento de vultos e barulhos estranhos. Qual será o mistério por trás disso? E o que há com essa família? 


"As coisas mais bonitas do mundo são sombras." - Charles Dickens
Conforme lia, comecei a temer que não conseguisse dormir naquela noite, tamanha minha certeza de que estava cercada pelos espíritos daqueles que deixaram suas formas corpóreas para trás, mas que ainda não tinham feito a passagem pelos portões do céu e que, portanto, foram largados para vagar pelo mundo, guinchando em desespero, provocando desordem e tormento onde quer que passem, sem saber se teriam liberdade para chegar à paz do além-túmulo e à promessa tranquilizadora de descanso eterno.
Págs.: 21/22

Mesmo já conhecendo a maneira poética com que John Boyne apresenta sua história ao leitor, confesso que achei o início um pouco lento. Compreendo que isso se deve, em partes, às informações ali contidas, bem como a apresentação de seus personagens e suas respectivas personalidades, mas isso não justifica a presença de alguns diálogos desnecessários que se retirados não fariam diferença e até mesmo agilizaria a leitura. A linguagem que o autor empregou neste livro foi um dos grandes chamativos, uma vez que ela condiz com a época em que a trama esta inserida, 1867. Não que ela seja de difícil compreensão, muito pelo contrário, mas é possível perceber certa sutileza nas falas e a presença de alguns termos rebuscados. A narrativa é feita em primeira pessoa, dessa forma, somos levados aos pensamentos e conflitos internos da protagonista. 

A trama não chega a ser assustadora, mas consegue despertar algumas sensações, como aflição e preocupação. O enfoque dado pelo autor foi em relação ao drama familiar e pessoal, até mesmo porque a história e todo o mistério ficam por conta desse desenvolvimento. A meu ver isso foi não foi um ponto negativo para a obra, uma vez que ficou claro o objetivo do autor em desenvolver um "terror leve" sobre fantasmas e conflitos pessoais. Além disso, outro fato que apreciei foram as personalidades dos personagens, tanto os principais quanto os secundários. Eliza apresenta um perfil de heroína e é persistente, já as crianças, Isabella e Eustace, são excêntricos e sombrios, sendo que a menina apresenta com maior clareza essas duas características. 

John Boyne, autor
"Não tinha mais ninguém ali", ele respondeu, enfim. "Só eu e Isabella. Mas o velho estava olhando para trás de nós e dizendo que ela devia ir embora."
"Quem devia ir embora?"
"Eu não sei!", disse Eustace, agora levantando a voz. "Ele só falou que ela devia ir embora. Que não tinha motivo para ficar lá."
Pág.: 184

O final foi algo que não me agradou, além de ter deixado pontas soltas. Entretanto, o mistério consegue ser respondido. A Casa Assombrada foi uma leitura mediana, mas que consegue surpreender o leitor em alguns momentos com seu leve teor de terror e pela escrita empregada pelo autor. Aos que procuram uma história mais assustadora, infelizmente este livro não será uma boa escolha, entretanto, aos que preferem ter uma experiência mais suave com esse gênero, fica a minha recomendação. 

A diagramação está simples; com um tamanho de fonte agradável, um ótimo espaçamento entre linhas e diálogos representados por aspas. Já na edição contamos com páginas amareladas e uma capa que dá mais destaque ao nome do autor em relação ao seu título e  é feita em papel soft touch (aquele com aspecto emborrachado).

Vintage Rock Resenha: Não Olhe Para Trás - Jennifer L. Armentrout


Olá Vintagers, tudo bem?
Imagine acordar em um lugar desconhecido, sem conhecer ninguém, e sem saber quem é você. Agonizante, não é? É assim que começa a história de Não Olhe Para Trás, que conta a vida Samantha, uma garota que se vê em uma terrível situação, pois o fato de não se recordar quem é pode ser um grande problema, principalmente quando se tem assuntos inacabados.





Samantha é uma jovem de 17 anos rica e popular que, depois de passar quatro dias desaparecida, retorna ferida e desmemoriada. A nova Samantha não se reconhece no retrato de menina má e mimada que todos à sua volta começam a pintar. E logo descobrirá que foi a última a ver Cassie, a garota com quem mantinha uma relação confusa de amizade e rivalidade e que desapareceu no mesmo dia que ela. O que aconteceu na noite fatídica em que as duas sumiram? E por que Samantha foi a única a reaparecer? Não olhe para trás é um daqueles suspenses que só paramos de ler para tentar nos antecipar à autora e descobrir qual é o mistério.





Resumo

Samantha acorda no meio da estrada, suja e ensanguentada e não se lembra de nada, nem de ninguém. Um policial a encontra e a leva para um hospital onde ela “conhece” sua família “podre” de rica e lá ela é questionada o tempo todo sobre o que aconteceu nos quatro dias que ficou desaparecida, porém ela não pode ajudar devido a sua condição, não sendo capaz de se recordar nem que estava com Cassie (sua melhor amiga) que até o momento continuava desaparecida.

Sam agora se vê obrigada a ter sua antiga vida de volta e, após conhecer seu namorado Del e suas amigas, a garota enxerga que essa não era uma vida para qual ela gostaria de retomar, pois está redeada de mentiras e falsidades. Contudo, após rever Carson, o filho do empregado de sua casa, Sam tem a absoluta certeza que vai fazer de tudo para recomeçar sua vida do zero.

Samantha me lembrou bastante a Regina George de Garotas Malvadas

Eu estava sempre sorrindo nas fotos, mas o sorriso tinha... algo de errado, o que me fez lembrar da maneira como todos sorriam para mim no hospital. Como o sorriso de uma boneca, falso, pintado. Mas meu sorriso também era frio. Calculista.
Pág.: 27

Opinião

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi como, durante o livro, o autor nos apresenta algumas pistas super enigmáticas (que são os fragmentos das lembranças de Sam) e a cada hora que era levada a por essas pistas, meu estômago embrulhava de tensão e curiosidade.

A capa é muito bonita e é a representação de um papel amassado com respingos de sangue, o que achei bem chamativo e que reflete bastante o que vamos encontrar durante a leitura. A narrativa é em primeira pessoa e isso me agrada bastante, pois assim temos a sensação de viver cada emoção que o personagem vive.


A autora soube trabalhar muito bem o suspense e a cada cena tensa ela consegue nos deixar ansiosos querendo saber a solução do problema, ao mesmo tempo que levantamos questionamentos como "O que será que aconteceu com Sam e Cassie?" e "Onde está Cassie agora?".

A obra conta com personagens bem estruturados e uma mistura de dramas adolescentes com um mistério mal resolvido. Em Não Olhe para Trás conhecemos Carson, um garoto lindo e inteligente em quem Samantha (que em sua antiga vida o detestava) enxerga agora um porto seguro. Também temos Samantha, uma garota que viveu uma vida de falsidades na qual ela era a abelha rainha e que agora vê a oportunidade de se redimir pelos erros do passado. A pitada de romance é bem fofa, digna de uma história melosa de adolescente (que eu por sinal adoro).

O que será que uma cabana no meio da floresta tem a ver com o sumiço de Sam e Cassie?

- Samantha – ele repetiu meu nome várias vezes, como se fosse um prece ou uma maldição. Eu não tinha certeza se era uma coisa ou outra, mas, toda vez que ele falava, meu coração se revirava de tontura.
Pág.: 394

Posso dizer de olhos fechados que adorei esse livro do começo ao fim, e digo mais, acho que ele é um dos melhores livros de mistério que já li e sua história é bem envolvente. Vou contar um segredo para vocês: A apresentação do livro é tão legal, que minha mãe ao ver o livro em cima da minha escrivaninha pegou ele, começou a ler e simplesmente amou a história também. Durante o livro ficávamos conversando sobre o que poderia ter acontecido com Samantha e Cassie e cada uma fazia seu palpite. Apostamos como seria o desfecho, e no final sabe quem ganhou? Nenhuma das duas (hahahahaha). O final é tão surpreendente que todos os nossos palpites foram em vão.

Super recomendo o livro para todos que adoram uma história bem escrita e com um final surpreendente. Ele com certeza está na minha lista intitulada Mayra Approves (haha) e na lista da minha mãe também ;-).

Samantha quer lembrar o que aconteceu... Mas alguém não quer que ela se lembre! #Mistério.

Rock Kisses!

A Rainha Exilada - Cinda Williams Chima


Hey pessoal, tudo bem?

Quem acompanha o blog sabe que sou fã de carteirinha da autora Cinda W. Chima desde a série Herdeiro, pois acredito que tudo o que essa mulher escreve é de qualidade, e com a série Sete Reinos não poderia ser diferente. Claro que, nem tudo são rosas e aventuras épicas, e esse segundo volume não me agradou em alguns pontos, mas é uma série que recomendo e que estou doido para saber o que acontece no final. Então bora lá conferir mais sobre os Sete Reinos:





Assombrado pela perda de sua mãe e irmã, a jornada de Han Alister rumo ao sul começa com seus estudos na Academia Mystwerk em Vau de Oden. Mas partir de Fells não significa que o perigo ficou para trás. Han é caçado a cada passo do caminho pelos Bayar, uma poderosa família de magos decidida a reaver o amuleto que Han roubou deles. E a Academia Mystwerk apresenta seus próprios perigos. Lá, Han conhece Corvo, um mago misterioso que concorda em ser seu tutor nas artes negras da feitiçaria – mas a barganha que eles fazem pode levar Han a se arrepender. Ao mesmo tempo, a princesa Raisa ana’Marianna foge de um casamento forçado em Fells, acompanhada de seu amigo Amon e seus cadetes. Agora o lugar mais seguro para Raisa é a Academia Wein, a academia militar de Vau de Oden.


Após os acontecimentos de O Rei Demônio, Han e Raisa se encaminham (em grupos separados) para a academia militar Vau de Oden. Ele, por descobrir que é descendente de um dos magos mais temidos de todos os tempos e por precisar de treinamento para controlar sua magia. Ela, por ter sido forçada a quase se casar com um mago e violar um tratado sagrado que remete à Cisão, e também para aprender mais sobre os Reinos que rodeiam Fells, pois assim poderia ser uma Rainha melhor e mais bem preparada. Contudo, a viagem dos dois é tomada por grandes perigos e quando chegam a Vau de Oden, os perigos não ficam para trás e parecem se esconder em cada esquina. O destino de Fells e dos Clãs está nas mãos desses dois jovens e tudo parece desmoronar quando os segredos de ambos estão para serem revelados. Nem sempre conseguimos fugir de nossos passados.

Vau de Oden

Aquela era a questão. No mundo dos sangues azuis, seu inimigo jantava e dançava com você, falava bonito na sua frente enquanto dava a volta para esfaqueá-lo pelas costas.
Pág.: 241

A narrativa de Cinda é muito impressionante, pois ela consegue detalhar cenários e envolver o leitor de uma maneira que poucos autores conseguem; em vários momentos me senti em uma aventura épica igual a de O Nome do Vento, que é um dos meu livros favoritos, e acreditem, não é qualquer um que consegue essa façanha. Contudo, como disse no começo do texto, ela falhou em um pequeno ponto, que foi na enrolação em alguns momentos. Na sinopse nos é informado que o encontro entre Han e Raisa na academia ia ser algo arrebatador e que a atração entre eles seria palpável, mas os personagem levam mais de 100 páginas para CHEGAR na academia e só se encontram oficialmente depois da página 300, ou seja, mais da metade do livro foi basicamente eles tentando chegar na academia e tudo conspirando para que eles não se encontrassem dentro lá dentro até que fosse inevitável. Não se enganem, eu gosto de uma tensão e todo aquele mistério e curiosidade sobre como seria o encontro dos dois, mas acho que quando a autora demora demais para que isso ocorra, ela tira o leitor do "curioso" e vai para o "anda logo!". Entendem?

Os personagens em si me surpreenderam no quesito amadurecimento. Durante todo o primeiro volume, Raisa sempre dizia que não era igual as outras nobres da corte, mas não demonstrava isso; já em Rainha Exilada, ela se esforça para se tornar uma governante melhor, passando por treinamentos exaustivos, acordando cedo para ir para os campos de treinamento e não deixando que os outros lutem suas batalhas. Han também surpreende, parece que a morte de sua mãe e irmã fizeram com que ele tivesse um amadurecimento muito grande e rápido, fazendo com que ele não fosse mais aquele adolescente que só se preocupava em encher a barriga no momento, e passa a pensar no futuro e em como ele poderia ajudar seus amigos e o pessoal de sua cidade natal agora que possui magia.

Corvo

O estalo do trinco a fez erguer o rosto. O cadete tinha entrado e fechado a porta.
Olhando melhor, ele não parecia ser um cadete. Talvez fosse o uniforme com caimento ruim ou o fato de ser mais velho que a maioria dos colegas de Raisa. Talvez fossem seus olhos sem  emoção e a forma como seu nervosismo desapareceu como uma capa que ele usasse para se proteger do tempo. 
Talvez fosse pela maneira como ele se moveu na direção dela, como um predador.
Pág.: 407

No geral, gostei muito da obra e estou ansioso para ler O Trono do Lobo Gris, terceiro livro da série. Contudo, agora que li os dois primeiros volumes, posso afirmar que a autora poderia ter condensado um pouco alguns capítulos e diminuído algumas passagens que a meu ver estavam ali mais para dar um ar mais lírico à obra do que narrando a aventura em si. Penso que ela poderia ter feito uma única obra de 500/600 páginas reunindo os dois primeiros volumes, ou feito duas obras de mais ou menos 300 páginas. Mas não me entendam errado, mesmo com esse pequeno problema, apreciei cada minuto da leitura e não vejo a olha de ter em mãos a continuação, que tem previsão de lançamento para julho desse ano.

A edição segue o mesmo padrão da de O Rei Demônio e a única diferença é que agora, no lugar do amuleto de serpente, temos na capa o anel que Elena deu para Raisa para que ela não sucumbisse à magia de influência dos magos. O que achei interessante é que é nítido no anel a imagem de vários lobos cinzentos, que é a marca da Linhagem Real Lobo Gris. Leitura mais que recomendada.

Lançamentos Suma de Letras: Abril

Hey pessoal, tudo bem?

Hoje trago para vocês alguns dos lançamentos mais quentes da Suma de Letras para o mês de Abril. Dentre eles temos dois livros no famoso mestre do terror, Stephen King, e a obra de Camila Moreira, que promete virar seu mundo de cabeça para baixo em apenas 8 segundos. Confira:



Na ausência da luz, o mundo assume formas sombrias, distorcidas, tenebrosas. Em Escuridão total sem estrelas os crimes parecem inevitáveis; as punições, insuportáveis; as cumplicidades, misteriosas.
Em 1922, o agricultor Wilfred e o filho, Hank, precisam decidir do que é mais fácil abrir mão: das terras da família ou da esposa e mãe. No conto Gigante do volante, após ser estuprada por um estranho e deixada à beira da morte, Tess, uma autora de livros de mistério, elabora uma vingança que vai deixá-la cara a cara com um lado desconhecido de si mesma. Já em Extensão justa, Dave Streeter tem um câncer terminal e faz um pacto com um estranho vendedor. Mas será que para salvar a própria vida vale a pena destruir a de outra pessoa? E, em Um bom casamento, uma caixa na garagem pode dizer mais a Darcy Anderson sobre seu marido do que os vinte anos que eles passaram juntos.
Os personagens dos quatro contos de Stephen King passam por momentos de escuridão total, quando não existe nada — bom senso, piedade, justiça ou estrelas — para guiá-los. Suas histórias representam o modo como lidamos com o mundo e como o mundo lida conosco. São narrativas fortes e, cada uma a seu modo, profundamente chocantes.

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Com uma visão prática e interessante da profissão de escritor, incluindo as ferramentas básicas que todo aspirante a autor deve possuir, Stephen King baseia seus conselhos em memórias vívidas da infância e nas experiências do início da carreira: os livros e filmes que o influenciaram na juventude; seu processo criativo de transformar uma nova ideia em um novo livro; os acontecimentos que inspiraram seu primeiro sucesso: Carrie, a estranha. Pela primeira vez, eis uma autobiografia íntima, um retrato da vida familiar de King.
E, junto a tudo isso, o autor oferece uma aula incrível sobre o ato de escrever, citando exemplos de suas próprias obras e de best-sellers da literatura para guiar seus aprendizes. Usando exemplos que vão de H. P. Lovecraft a Ernest Hemingway, de John Grisham a J. R. R. Tolkien, um dos maiores autores de todos os tempos ensina como aplicar suas ferramentas criativas para construir personagens e desenvolver tramas, bem como as melhores maneiras de entrar em contato com profissionais do mercado editorial.
Ao mesmo tempo um álbum de memórias e uma aula apaixonante, Sobre a escrita irradia energia e emoção no assunto predileto de King: literatura. A leitura perfeita para fãs, escritores e qualquer um que goste de uma história bem-contada.

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Nunca provoque um peão: ele só precisa de oito segundos para te enlouquecer.
Pietra, filha única de um rico fazendeiro, sempre teve tudo o que quis. Para realizar mais um de seus caprichos – viver em Paris em seu próprio apartamento –, ela é obrigada pelo pai a passar uma temporada na propriedade da família.
Lá, ela conhece o veterinário Lucas, um homem simples e determinado, que sonha em competir nos grandes rodeios do país. Quando o peão conhece a patricinha, faz de tudo para não se deixar levar pelos lindos olhos verdes da filha do patrão.
Em 8 Segundos, Pietra e Lucas não conseguirão resistir à paixão. Mas antes que possam viver este amor, a revelação de um terrível segredo do passado mudará suas vidas para sempre.



O que acharam dos lançamentos? Já estão loucos para adicionar mais um livro do Mestre para a coleção? Ou que tal levar para casa uma história de amor e rodeio?

Minha Mãe É Uma Peça - Paulo Gustavo

Hey pessoal, tudo bem?

Conheci o trabalho do Paulo Gustavo com o programa 220 Volts, no MultiShow, e desde então venho acompanhando suas peças, vídeos e demais mídias. Então imaginem a minha felicidade quando recebi um e-mail da Editora Objetiva me oferecendo o livro Minha Mãe É Uma Peça para resenhar. Paulo mostrou que é um pacote completo: ator, comediante, autor... basicamente, tudo o que esse cara faz é de qualidade e um sucesso, e com essa obra não seria diferente, pois me peguei rindo do começo ao fim (literalmente, você começa a rir logo na introdução do livro).




Em sua estreia na literatura, Dona Hermínia — ou melhor, Paulo Gustavo, seu criador — fala sobre sexo, dietas e religião, dá conselhos de como criar os filhos, explica a antipatia que tem por Freud e sua “mania de colocar tudo que é culpa na mãe”, mostra como navegar na internet e faz seu guia de viagens. E, ao contrário dos manuais que ensinam como segurar o marido, conta os segredos para não perder o ex.
Paulo Gustavo ficou famoso com o monólogo Minha mãe é uma peça, em cartaz desde 2006. Pelo papel, foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator. Em 2013, o espetáculo virou filme, que teve o maior público do cinema nacional no ano, com 4,6 milhões de espectadores. Agora, a dona de casa divertida e mandona, que arranca gargalhadas cúmplices no teatro, na TV e no cinema, surge no livro Minha mãe é uma peça em fotos, ilustrações e textos inéditos escritos com a colaboração de Ulisses Mattos e Fil Braz.

O livro, como pode ser visto na sinopse, conta um pouco mais das aventuras da Dona Hermínia. Quando recebi o exemplar, pensei que seria algo semelhante à obra Put Some Farofa, do Gregório Desvivier, onde o autor colocou alguns textos inéditos, mas muitos deles já haviam sido publicados ou transformados em vídeos, mas estava completamente enganado. As histórias contadas em Minha Mãe é uma Peça são completamente inéditas e bem diferentes das situações apresentadas no filme homônimo. Paulo/Hermínia conseguiu criar novos cenários e temas para abordar, como um guia de viagem para brasileiros no exterior, ou como ela tentou arranjar um emprego para Juliano, cuja unica ambição era "decorar as coreografias daquela cantora que ele ama, a Cebion. Ou Becion, ou Bion-C, sei lá. Aquela negona linda, mas com nome de remédio, coitada". Sentiram o nível da coisa? HAHAHAHAHA


Juliano, Dona Hermínia e Marcelina

Eu queria fazer que nem num filme que eu vi quando criança, Volta ao mundo em 80 dias. Mas se eu viajo e fico fora cinco dias é o suficiente para Juliano e Marcelina morrerem de fome. Quando acabar a comida, vão comer o quê? Vão comer biscoito. Quando acabar o biscoito, aí é que vão partir para a fruta, porque é o que fica por último lá em casa quando eles vão comer. Quando acabar a fruta, Marcelina vai atar o quê? Calçados! Porque se deixar, essa garota come os tênis.
Pág.: 64/65

A narrativa é deliciosa, pois além de leve, consegue te prender do começo ao fim com um estilo de humor que somente Paulo Gustavo consegue dominar. Comecei a ler o livro na tarde da última sexta-feira e quando vi já havia acabado, e ainda nem tinha anoitecido. Posso afirmar que foram 150 páginas de muita risada e reflexões sobre o quão loucas nossas mães podem ser, mesmo sabendo que tudo o que elas fazem é para nosso bem.

O livro possui os mesmos personagens do filme: Dona Hermínia, Juliano, Marcelina, Carlos Alberto, "a vaca da Soraia", dentre outros. Contudo, não temos uma visão em primeira pessoa desses personagens, mas sim, Hermínia narrando o que acontece com eles, e é isso que faz da obra algo tão divertido, pois a personalidade da personagem principal é algo fora do normal e imensurável.

Marcelina, quando não quer levantar para tomar banho.

Mas e Marcelina na prisão? Eu tenho que estar o tempo todo lá, pra levar comida pra coitada. Senão ela mata uma pessoa e come. Capaz de virar canibal em 15 minutos se eu não seguro essa menina. A pena dela aumentaria por canibalismo.
Se bem que eu não vejo a menor possibilidade de Marcelina virar canibal, porque no primeiro dedo que ela morder do colega eu viro a mão na cara dela e ela larga o canibalismo em 10 minutos.
Pág.: 22

A obra não conta com um começo e final linear, como nos livros que estamos acostumados a ler, pois é composto por vários textos no estilo conto, nos quais a personagem divaga e narra suas "aventuras"  sobre como é ser mãe solteira de dois adolescentes. Há MUITO tempo não dava 5/5 estrelas para um livro no Skoob e foi com muito prazer que o classifiquei assim, e favoritei. Apesar de achar que não é necessário que você tenha visto o filme antes de ler o livro, recomendo que o faça, pois no filme temos uma introdução maior sobre os personagens e o mundo que estão inseridos. 

A edição está simples, mas muito bonita. Na capa temos o autor do livro incorporando seu personagem de maior sucesso, a Dona Hermínia; a diagramação está muito bem feita, contendo uma fonte de tamanho mediano que favorece uma leitura fluida e dinâmica, bem como fotos de cartões, listas e da peça de teatro Minha Mãe é Uma Peça. Não achei erros de revisão ou digitação. Leitura mais do que recomendada!

Dona Hermínia falando de estilo.

Dominação Cultural

Saudações, caros leitores, como vocês estão?
Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que o presente texto nada mais é que minha humilde opinião e que não estou criticando o gosto literário de ninguém ou dizendo que o seu posicionamento sobre o assunto está errado. Estamos apenas propondo uma discussão saudável e expondo um ponto de vista sobre o assunto.

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Quando lemos em revistas e artigos científicos que os seres humanos são especiais, acredite, realmente temos muitas capacidades, e dentre elas a de produzir cultura. Mas o que isso quer dizer? Basicamente, é quando propagamos para os que estão ao nosso redor - ou até mesmo para quem está do outro lado do planeta - um conjunto de conhecimentos e manifestações sociais, artísticas e comportamentais que dizem respeito a uma determinada nação/raça/tribo/panelinha/etc. Entretanto, as questões culturais vão muito além de meras definições, principalmente quando as relacionamos com assuntos que versam diretamente sobre a geopolítica, como o capitalismo e a globalização da distribuição e acesso a informação de forma instantânea.

Muitos devem estar questionando o que este assunto está fazendo em um blog literário. Embora alguns leitores não percebam, é quase que assustador entrar em uma livraria e observar atentamente que as estantes mais cheias de possíveis compradores são as que contêm livros estrangeiros, em sua maioria as de escritores best-sellers norte-americanos. Claro que devemos levar em consideração a livre escolha da pessoa, entretanto, ainda podemos perceber que há certa desvalorização da cultura brasileira.

A Globalização possibilitou um maior compartilhamento de informações, todavia, percebe-se que os grandes eixos econômicos conseguem propagar com maior facilidade seus valores culturais, podendo causar o "esquecimento" de certas tradições locais. O Capitalismo por sua vez cooperou com o surgimento da Indústria Cultural, transformando as manifestações culturais em produtos a serem comercializados. A partir do momento em que os EUA assumiram o posto de maior potência mundial, podemos perceber sua hegemonia sob as demais culturas, ditando um estilo de vida a ser seguido, como por exemplo, seus hábitos alimentares, a forma como Hollywood influencia as demais produções cinematográficas ao redor do mundo, quais os temas são abordados no mercado editorial atual (vide a febre Crepúsculo e a atual 50 Tons de Cinza), dentre outros elementos. 


Podemos considerar esse fato como um de vários pontos que englobam a dominação cultural, onde temos uma cultura dominante, carregada com suas tradições e crenças, sobrepondo as demais. Infelizmente, este quadro é mais que perceptível nos dias atuais, principalmente quando notamos que algumas pessoas entendem melhor os costumes estrangeiros ao invés dos próprios. Precisamos de parar de pensar que tudo que é internacional (sobretudo estadunidense) tem uma qualidade superior a qualquer produto/serviço nacional, em especial, a nossa literatura que aos poucos vem mostrando sua força e resistência a essa "crise de identidade".

A culpa dessa transformação não fica só por parte desses processos, mas também pela falta de incentivos maiores por parte do governo e instituições à cultura brasileira, ocasionando assim maiores interesses em valores estrangeiros. Ainda assim, acredito que o fator central dessa problemática esteja nos próprios brasileiros, que por falta de conhecimento da própria cultura, acabam taxando a mesma como pobre e desmerecida de reconhecimento, levando-o a dar mais credibilidade a outros costumes e estilo de vida de outros países pelo simples fato de ser "pop".

Bem, como já devem ter percebido, este texto não teve muita ligação com o mundo literário, mas sim algo mais voltado ao desenvolvimento atual da cultura de outros países, quando comparadas com nossa própria cultura, além de buscar uma maior valorização interna através de um sistema interligado que demanda cooperação de todos os elementos envolvidos. Dessa forma, recomendo buscarmos maiores informações sobre a nossa identidade (política, economia, elementos artísticos, dentre outros), passando a reconhecer sua importância para a formação da sociedade, para que nossos próprios costumes não entrem em "extinção".

Promoção: Autobiografia Interativa Neil Patrick Harris


Hey pessoal, tudo bem? 

Que tal um exemplar da Autobiografia Interativa do Neil Patrick HarrisPara concorrer é simples, basta preencher a primeira entrada, que é LIVRE, e você já está participando. Contudo, caso queira mais chances de ganhar, assim que a referida entrada for preenchida, as EXTRAS serão liberadas e algumas delas podem ser usadas todo dia, ou seja, muito mais chances para você!

A opção "tweet about the giveaway/tweetar sobre o sorteio" é renovada a cada 24 horas, ou seja, todo dia que você tweetar a frase e preencher essa entrada, seu nome será adicionado mais vezes.

Qualquer dúvida quanto ao uso do formulário basta entrar em contato pelos comentários ou pela aba de "Contato" no menu do blog.

OBS: O formulário do Rafflecopter sofreu alterações nas entradas para curtir a página no Facebook. Para que tal entrada seja validada, é necessário CURTIR as páginas, e não só visitá-las como manda o formulário.

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Importante

  1. O ganhador deverá responder ao e-mail que mandarmos em até 48 horas. Caso não o faça um novo sorteio será realizado.
  2. O livro será ENVIADO em até 30 dias úteis pela editora.
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  4. Caso o ganhador forneça o endereço errado e o pacote retorne, o mesmo perderá o direito ao prêmio.
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"Que a sorte esteja sempre a seu favor!!"