A Espada de Shannara - Terry Brooks


Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Preencher a lacuna deixada por Tigana foi algo complicado. Sendo assim, não vinha mantendo muitas expectativas para essa, uma vez que estava vivenciando a famosa "ressaca literária". Contudo, logo nas primeiras páginas de A Espada de Shannara, percebi a originalidade do autor, impondo um mundo do qual aspectos nem imaginaríamos, justamente por se tratar de uma fantasia épica. 


Há muito tempo atrás, as guerras de um anciente Mal arruinou o mundo e a humanidade foi forçada a competir com muitas outras raças - gnomos, trolls, anões e elfos. No pacífico vale de Shay o meio-elfo Shea Ohmsford sabe pouco de tais problemas, isso até o gigante proibido com poderes druidas estranhos, Allanon, lhe revelar que o supostamente morto Lorde Warlock está tramando para destruir o mundo em pequenas parcelas. A única arma capaz contra seu poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada apenas pelo verdadeiro herdeiro de Shannara. E Shea é o último dessa linhagem e nele repousa a esperança de todas as raças. Logo o Portador da Caveira, um pavoroso favorito do Mal, se dirige para o Vale para matar Shea. Para salvar o Vale da destruição, Shea foge, levando em seu encalço o Portador da Caveira.




Antes das Grandes Guerras acontecerem, a civilização era composta por humanos que por milhares de anos vinham colecionando conhecimentos que os levaram à quase compreensão dos segredos da vida. Apesar das doenças estarem praticamente erradicadas, a morte sempre foi uma segunda opção para aqueles que estavam no poder, tornando contraditória a busca pelo prolongamento da vida humana. Assim, quando as Guerras chegaram, até mesmo a geografia do mundo foi alterada e a humanidade viera a descobrir que haviam outras criaturas habitando o mundo. Desta feita, gnomos, trolls, anões e elfos, estes últimos considerados os mais importantes, acabaram se isolando depois de uma Guerra entre raças nas quatro partes do hemisfério (Norte, Sul, Leste e Oeste). ´

Deixando o passado desse mundo para trás, passamos a conhecer Flick Ohmsford e seu irmão de criação Shea - que é metade elfo -, que após conhecer Allanon, passa a ficar sabendo que é único herdeiro vivo de Shannara. Assim sendo, depois de ter ciência de sua valiosa linhagem, Shea não estará mais seguro no Vale Sombrio, já que o Lorde Feiticeiro já estava a sua procura. Nisso, uma grande aventura está para começar, percorrendo lugares nos quais eles nunca passaram, conhecendo e/ou enfrentando criaturas inóspitas, além de encontrar aliados, como Menion - Príncipe de Leah, tal como o próprio Allanon e outros, resultando em um grupo de oito pessoas em busca de uma esperança, a Espada de Shannara. 

Mapa | Veja ampliadamente aqui

"[...] Brona estava obcecado com a necessidade de aumentar seu poder de dominar os homens e o mundo que habitavam através do domínio daquela força terrível. O resultado dessa ambição foi a infame Primeira Guerra das Raças, quando ele conseguiu dominar as mentes fracas e confusas da raça humana, fazendo aquelas pessoas guerrearem com outras raças, subjugando-as ante o poder de um homem que não era mais um homem, que nem sequer dominava a si mesmo."
Pág. 132

Apesar de ser um recente lançamento aqui no Brasil, A Espada de Shannara foi publicado nos anos 70 e desde então vêm recebendo duras criticas, sobretudo, pelas "semelhanças" apontadas pelos fãs da trilogia Senhor dos Anéis para com a trama em questão. Como já era de se esperar em uma fantasia épica, a sua narrativa é bastante detalhada, porém, a escrita de Terry Brooks é de fácil compreensão, uma vez que ele não faz o uso repetitivo de palavras rebuscadas. Contudo, apesar de ser feita em terceira pessoa, senti falta de uma narrativa feita sob o ponto de vista do vilão, mostrando sua visão sobre os acontecimentos e/ou até mesmo aprofundando em sua perversidade. Fora isso, há parágrafos e diálogos enormes, o que pode incomodar alguns leitores.

A parte que mais gostei durante a minha leitura foi justamente a originalidade que o autor teve quando criou o mundo de Shannara. Ao contrário do que a maioria espera em uma fantasia épica, a trama vai sendo desenvolvida sob as ruínas de um passado marcado por guerras. A premissa é bastante simples, porém, Brooks trouxe consigo inovação, mesmo para um livro de fantasia, o que podemos perceber durante a nossa leitura, assim como nas ambientações da história. Da mesma maneira, ele soube de forma coerente e bastante detalhista mostrar-nos tanto o passado dos personagens, quanto o do seu mundo, além do perigo eminente de que um novo conflito entre as raças possa ressurgir sob as "mãos" do Lorde Feiticeiro. Ademais, a caracterização do vilão foi algo que eu não esperava e acabou chamando a minha atenção exatamente pelo modo como ele é apresentado, bem como seu passado, o que envolve diretamente a sociedade dos Druidas*

Image and video hosting by TinyPic
Terry Brooks, autor da obra

"[...] O tempo tinha quase perdido o sentido nos dias intermináveis e cruéis de correr e se esconder, de lutar com criaturas que pertenciam a outro mundo. Os anos vividos, enquanto crescia em paz e solidão do Vale Sombrio, estavam distantes, dias esquecidos do começo de sua juventude. As únicas forças constantes em sua vida revirada nas últimas semanas foram seus companheiros, especialmente seu irmão. Mas eles também haviam se espalhado um a um, até que Flick estivesse sozinho, a ponto de cair de exaustão física e mental, seu mundo parecendo um louco quebra-cabeça de peças e espíritos que perseguiam e o assombravam até o limite do desespero."
Pág. 325

Apesar de ser uma trilogia, em A Espada de Shannara encontramos um final definitivo em relação a sua trama. Sendo assim, devo mencionar que o encerramento fora bem escrito e emocionante, algo que acaba nos motivando a continuar a ler os próximos livros. Fico no aguardo, ansiosamente, para ler o posterior a este, intitulado de As Pedras Élficas de Shannara, que irá contar com um dos elementos apresentados neste aqui resenhado. 

Alguns aspectos quanto a diagramação não me agradaram, dado que ela conta com um tamanho de fonte pequena e não há aquele espaçamento entre o término e o início de um capítulo, ou seja, se o capítulo 11 termina na página 151, o 12º irá começar na mesma folha, contudo, há um mapa posterior ao sumário. Temos também uma bela ilustração na capa e títulos em alto relevo, fora que há uma fita de cetim logo abaixo do nome do livro. Não encontrei erros de revisão. Leitura mais que recomendada. 

- Caso queira ler um trecho, clique aqui.

*Grupo de filósofos e estudiosos de todas as artes e ciências, responsáveis por manter os conhecimentos e as artes perdidas do mundo antigo. 

Abraços,
Gustavo Demétrio
GUSTAVO DEMÉTRIO
É Resenhista e CDC aqui no Vida De Leitor. Um ávido leitor que sonha um dia se tornar um Arquiteto de renome. Admirador do universo e grande fã do Stephen King. Seus livros favoritos são: Série Torre NegraTigana, Sherlock Holmes Sob a Redoma. 
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Promoção: Mangá Shakespeare - Sonho de Uma Noite de Verão


Hey pessoal, tudo bem?

Aproveitando o Especial - Quadrinhos e Afins, venho trazer para vocês o sorteio de um exemplar de Sonho de Uma Noite de Verão, da coleção Mangás Shakespeare - resenha aqui.  Então para concorrer é simples, basta preencher a primeira entrada, que é LIVRE, e você já está participando. Contudo, caso queira mais chances de ganhar, assim que a referida entrada for preenchida, as EXTRAS serão liberadas e algumas delas podem ser usadas todo dia, ou seja, muito mais chances para você!

A opção "tweet about the giveawey" é renovada a cada 24 horas, ou seja, todo dia que você tweetar a frase e preencher essa entrada, seu nome será adicionado mais vezes.

Qualquer dúvida quanto ao uso do formulário basta entrar em contato pelos comentários ou pela aba de "Contado" no menu do blog

a Rafflecopter giveaway

Importante

  1. O ganhador deverá responder ao e-mail que mandarmos em até 48 horas. Caso não o faça um novo sorteio será realizado.
  2. O livro será ENVIADO em até 30 dias pela editora.
  3. O blog não se responsabiliza por danos ou extravios causados pelos Correios.
  4. Caso o ganhador forneça o endereço errado e o pacote retorne, o mesmo perderá o direito ao prêmio.
  5. O ganhador deve ser residente e domiciliado em território nacional.
  6. O ganhador que descumprir alguma das regras será desclassificado.

"Que a sorte esteja sempre a seu favor!!"

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Evento em São Paulo


Hey pessoal, tudo bem?

Vim aqui convidar todos vocês que moram em São Paulo, Capital, para um evento que vai acontecer amanhã, dia 24 às 19h30, na Blooks Livraria. 

O evento tem a finalidade de discutir a arte literária e o que ela representa, bem como sua relação com o leitor. O endereço pode ser conferido no banner abaixo. Contamos com a presença de vocês!! ^_^


Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Duelo ao Luar - Andrea Cremer


Hey pessoal, tudo bem?

É raro eu ler o segundo livro de uma série cujo primeiro volume não gostei e é ainda mais raro eu ler o terceiro - e último, neste caso - puramente para dar uma chance à história para ver se o autor iria conseguir me fisgar no último minuto. Infelizmente, apesar das grandes melhorias no que tange à narrativa e acontecimentos, Andrea Cremer não conseguiu me prender. A história é criativa, alguns personagens são interessantes e o dinamismo presente neste último volume é muito bom... mas não bom o suficiente. Vocês podem conferir a resenha dos volumes anteriores clicando aqui.

Essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores!





Calla finalmente conseguiu salvar Ren e convencê-lo a se unir aos Inquisidores. Mas, depois que ele se juntou à matilha, as coisas ficam estranhas entre ela e Shay, o novo progênito. Tanto Ren quanto Shay vão disputar entre si pelo amor de Calla, colocando-a em uma situação bem difícil. E para piorar, agora que os poderes de Shay estão se desenvolvendo, ela sente uma distância crescente entre eles. Dividida entre dois amores intensos, Calla nunca esteve tão confusa. Mas antes que possa fazer sua escolha, ela tem outras prioridades que precisam ser atendidas. Como a iminente guerra contra os Defensores. A única chance da matiha Nightshade sair vitoriosa é encontrando as diversas espadas da Cruz Elementar, e para isso, a ajuda de Shay é imprescindível. Mas será que Calla conseguirá liderar em meio a tantas desavenças? E qual dos dois pretendentes ela vai escolher?

Não vou fazer aquele resumo padrão da obra, afinal, por ser o terceiro livro da série posso acabar por falar mais do que devia e estragar a surpresa de quem ainda não leu Lua de Sangue, por isso leia apenas a sinopse acima. Ela consegue captar bem o que acontece no livro de uma forma geral, já que a autora conseguiu fazer com que o assunto mais importante, que é a guerra entre Inquisidores, Defensores e os Guardiões, ficasse em segundo plano, mantendo o triangulo amoroso e a indecisão de Calla (tadinha, vai morrer se não escolher um deles ¬¬) para com Shay e Ren tomem a maior parte da narrativa. 

Inquisidores podem utilizar apenas a magia da natureza.

Como disse acima, a narrativa da autora teve um grande upgrade. Seu dinamismo e diálogos estão mais bem elaborados e as cenas de ação são de tirar o fôlego. Li tão rápido que acabei me esquecendo de marcar as passagens que mais gostei e por isso não coloquei nenhum quote na resenha - sorry guys! Contudo, tal melhora acaba por ser ofuscada pela presença do triangulo amoro (desnecessário a meu ver, pois é óbvio que a personagem ama um mais do que ama o outro), já que a história é narrada somente pelo ponto de vista de Calla. Sinceramente não acredito que vou falar isso, pois não sou muito fã de livros que o fazem, mas penso que nessa obra a autora deveria ter intercalado os pontos de vista dos personagens, pois isso iria fazer com que tivéssemos uma visão mais ampla de todos os acontecimento e não somente aquela opinião que fica focada em uma escolha. Tudo bem que a justificativa dessa indecisão é até plausível - se ela escolher um, o outro vai embora e ela precisa dos dois no campo de batalha -, mas mesmo assim achei um pouco forçado. 

Os personagens continuam basicamente com a mesma personalidade, exceto Calla, que decidiu virar homem mudou um pouco de personalidade e passou a ser mais "alfa" e decidida, exceto em sua indecisão de com qual dos dois vai ficar. Confuso, não? Confesso que não esperava a morte de alguns deles, mas infelizmente elas foram necessárias, apesar de já ter lido opiniões dizendo que ela poderia ter feito um final feliz e sem mortes. Aham, tá! "Senta lá, Cláudia!"

A edição segue o mesmo padrão dos livros anteriores e a arte da capa está fenomenal, mas ainda mantenho minha opinião de que dos três livros, Sob a Luz da Lua tem a capa mais bonita e bem trabalhada. Não achei erros de revisão, as páginas são amareladas e a fonte utilizada não deixa o leitor cansado ou com dificuldade para ler. Se você já leu os dois primeiros livros, recomendo que leia este para finalizar a série e saber o que acontece. Se ainda não leu, recomendo que, infelizmente, continue assim. o/

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Mangá Shakespeare - Sonho de Uma Noite de Verão


Hey pessoal, tudo bem?

Trago hoje para vocês a resenha e indicação de uma ideia genial que foi publicada no Brasil pela Galera Record, uma coleção dos Clássicos de Shakespeare em Mangá. A obra em questão é Sonho de Uma Noite de Verão e recomendo que, quem não tem interesse de ler a obra original, por ter uma linguagem complicada ou até mesmo por não se interessar em clássicos, adquira esta obra, pois além de ser inovadora, possui um traço (desenho, vulgarmente falando) muito bonito.

Resenha Mangá Shakespeare – A Tempestade






"O caminho nunca é fácil para o amor verdadeiro”. Essa comédia romântica é a comprovação de uma das citações mais conhecidas de Shakespeare. A história se passa com quatro jovens prestes a desafiar as regras hierárquicas de Atenas em uma floresta habitada por fadas. E quando uma poção do amor faz com que os jovens se joguem nos braços uns dos outros, o caos da paixão e a última consequência.







A obra conta várias histórias que, paralelas entre si, se reúnem em torno de um grande acontecimento: o casamento entre Teseu, duque de Atenas, e Hipólita, rainha das Amazonas. Eis que enquanto planejam o casamento, Egeu decide queixar com o duque que sua filha, Hérmia, se recusa a casar com Demétrio, o marido que ele escolheu para ela, invocando então a Lei de Atenas, que dá a ela três opções: obedecer a seu pai, viver até o fim de seus dias como freira, ou ser condenada à morte. Hérmia, apaixonada por Lisandro, decide fugir com seu amado para escapar da ira de seu pai e da Lei ateniense, contudo, nem tudo sai como esperado quando Oberon, rei dos Elfos, em uma tentativa de punir Titânia, rainha das Fadas, por sua desobediência ordena que seu fiel servo, Puck, pingue o suco da flor mágica nos olhos da rainha para fazer com que ela se apaixone pela primeira pessoa em quem puser os olhos. Não é surpresa que após tanta confusão, Puck errasse o alvo e pingasse também o suco nos olhos de Lisandro, que se apaixona por Helena ao passo que Titânia se apaixona por Nick Botton, que teve sua cabeça transformada na de um burro. Confuso? Sim, mas não seria Shakespeare se fosse algo simples... HAHAHAHAHA

Apresentação de personagens no começo da obra. 

As estações romperam sua ordem. A grisalha geada cai no colo da rosa carmesim. Primavera, verão, o outono fértil, o inverno carrancudo misturam-se e o mundo não compreende o que é o quê.
Pág. 59

A história em si é muito um pouco confusa, como pode ser visto no pequeno resumo acima, mas mesmo assim ela ainda tem aquele “quê” de tragédia tão único e presente na maioria das obras de Shakespeare, seja pela filha que se necessário estará disposta a enfrentar a morte para ficar ao lado de quem ama, seja pelo amor não correspondido. Ou até mesmo pelo lado cômico, ao ter a tão imponente rainha das Fadas se apaixonando por alguém com a cabeça de um burro. Independente de qual aspecto você irá atribuir à obra, o fato é que Shakespeare sempre foi e será o rei das tragédias e construção de personagens, vide o amor mórbido e bipolar da Srta. Capuleto ou a vingança cega e alucinógena do príncipe da Dinamarca.

Os personagens, nessa versão, são um pouco "sem sal", afinal, não temos as longas descrições que são muito comuns em livros normais acerca das personalidades e características de cada um, já que tal fator é suprido pelas imagens. Contudo, ainda conseguimos captar certas nuances de cada um deles, principalmente as de Oberon e Titânia, que em uma guerra regada a ciúmes, influenciam a vida de todos que estão ao seu redor, principalmente a do casal de protagonistas.

Estilo de traço presente no Mangá.

Cada fada ronde agora toda casa antes da autora.
Ao leito mais importante abençoais a todo instante.
Os três casais que aqui estão amor eterno terão
Pág. 204

A edição segue os mesmos padrões das outras versões adaptadas de Shakespeare para Mangá que a editora já publicou, contendo uma história em preto e branco (exceto pela apresentação inicial dos personagens) e uma capa em papel cartão sem orelhas (aquela parte dobrada que algumas pessoas ousam usar como marcador de página). A fonte usada nos balões de conversa ou descrições de página e cenário são de um tamanho agradável, o que facilita a leitura. Obra mais que recomendada!!

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Especial - Quadrinhos e Afins

Hey pessoal, tudo bem?

Há algum tempo já tenho a vontade de fazer uma semana especial na qual postaria resenhas, recomendações e dicas de apps para quem é apaixonado por quadrinhos e, finalmente, consegui tempo para pesquisar e preparar os posts. 

Por isso, como dito, o tema abordado essa semana aqui no Vida de Leitor, além das resenhas de livros normais,  serão os Quadrinhos, HQ’s, Mangás, Graphic Novels e etc... e espero que todos vocês participem e também nos indiquem seus títulos favoritos ^_^


Assim sendo, nada melhor para começar essa semana do que apresentando um pouco da história dos quadrinhos e indicando para vocês os melhores apps para lê-los em seus dispositivos móveis.

Os quadrinhos nada mais são que uma arte sequencial com o objetivo de contar uma história ou passar alguma mensagem. É tida por muitos como a "nona arte" e tem suas origens datadas de muito antes da civilização que temos hoje, como é o exemplo das pinturas em cavernas, os hieróglifos egipcios e até mesmo os antigos vasos da Grécia e China (vide versão Disney de Hércules) que muitas vezes eram pintados para gravar a história de alguma família ou feito importante. Enquanto nos dias atuais temos várias opções de "memorizar" eventos, festas e viagens por meio das fotografias e por meio delas contar a história desses momentos para outros, nos dias antigos tal ato era perpetuado através dos tempos por meio das pinturas acima citadas, até termos hoje a propagação mundial dos quadrinhos, incluindo a facilidade que também temos com o advindo dos quadrinhos digitais.

Bom, passado o momento "aula de história do ensino médio", confira alguns apps* para leitura de quadrinhos.

Comic Zeal

Se você curte ler quadrinhos no seu iPad, esse aplicativo é perfeito. Ele não leva o título de melhor app para leitura de HQs à toa. A facilidade para organizar seus quadrinhos é incrível, o sistema de tags serve para que você encontre rapidamente o que quiser na sua biblioteca e a qualidade de exibição dos quadrinhos é sem igual. Para não dizer que tudo é flores, ele custa USD 4,99 (em torno de R$ 12,00), porém é um investimento sem perdas e que realmente vale a pena. (Disponível para iOS)

Comics

Uma boa alternativa para quem não tem um dispositivo Apple é o Comics. Além da qualidade de exibição e da organização dos seus quadrinhos, ele te oferece 600 títulos para leitura gratuita, o que acaba com qualquer desculpa para não ler. Além disso são mais de 45 mil quadrinhos pagos, que incluem desde os famosos quadrinhos da Marvel e da DC, até mesmo Watchman, Star Trek, Walking Dead e vários títulos da Disney. Seu único ponto contra é não ter versão em português, mas é uma boa oportunidade para deixar o inglês em dia. (Disponível para Android e iOS)

DC Comics

O aplicativo da DC traz mensalmente ao menos 80 novos títulos mensalmente. A qualidade dos quadrinhos em formato digital é fantástica e você tem a segurança de que não há risco de perda ou dano ao seu quadrinho. Como praticamente todos os aplicativos do gênero, ele é em inglês, mas vale a mesma dica de antes. (Disponível para Android e iOS)
Marvel Comics

Para não ficar para traz de sua grande concorrente, a Marvel fez um aplicativo extremamente simples e fácil para o uso. O inglês também é a língua oficial desse aplicativo, mas já existem rumores de que a Marvel estaria planejando suporte em outros idiomas. Semanalmente são liberados quadrinhos gratuitos, para que todos tenham acesso e possam criar interesse sobre os HQs. A qualidade é incomparável e o preço do material é bem acessível. Fãs da Marvel não podem ficar sem ele. (Disponível para Android eiOS)

Go Comics

Para quem curte quadrinhos mais casuais e tirinhas famosas o Go Comics é perfeito. Ele tem um acervo enorme com tirinhas clássicas, como Garfield, Dilbert, Peanuts, Calvin e Haroldo. Esse não tem apenas o inglês como idioma das tirinhas, mas a outra opção de língua é o espanhol. Mesmo com esse probleminha da língua, a grande vantagem do aplicativo é que você tem acesso a todo o acervo dele fazendo o cadastro de acesso. (Disponível paraAndroid e iOS)

Comic Strip It!

Quem gosta de quadrinhos tem a chance de mostrar seu talento no Comic Strip It! Este aplicativo te deixa criar suas próprias histórias e personalizar da forma que preferir os quadrinhos. Você pode utilizar uma gama enorme de personagens, tipos de balões, de texturas para os quadrinhos, deixando com aparência mais moderna ou retrô. Depois de prontos você tem opção de compartilhar nas suas redes sócias. Existem duas versões desse app, uma paga e outra gratuita, exclusivas para Android.

Droid Comic Viewer 

É um visualizador leve para imagens, comics e mangás.
Abre CBZ/ZIP, CBR/RAR (beta), ACV, JPEG, PNG, BMP & pasta de imagens.







Então, pessoal, o que acharam da ideia? Qual programa vocês usam para ler?

Fiquem ligados essa semana aqui no blog, irei postar resenhas de quadrinhos e mangás que li, incluindo as adaptações de Shakespeare e últimos lançamentos da Cia dos Quadrinhos (selo da Companhia das Letras).

Fiquem de olho também no Universo HQ, um site que sempre traz notícias e o que está bombando no mundo das HQs. 

* Fonte das imagens e descrição dos apps - Universo Insônia

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Feitiço Azul - Richelle Mead

Hey pessoal, tudo bem?

Ando meio desaparecido aqui do blog em virtude do meu trabalho, mas isso não quer dizer que esqueci de vocês ^_^, e para para provar, venho trazer a resenha de um dos melhores livros que li em 2014, O Feitiço Azul, da mega master escritora, Richelle Mead.

Esta resenha pode conter spoilers dos livros anteriores.


A atual missão da alquimista Sydney Sage fez com que ela revisse seus conceitos não só sobre os vampiros, mas também sobre a própria organização à qual pertence, responsável por esconder a existência dessas criaturas do resto da humanidade. Sydney acabou descobrindo um grupo dissidente que tinha muito em comum com os alquimistas, mas objetivos bem mais radicais. Certa de que seus superiores estão guardando segredos sobre essa facção paralela, ela contará com a ajuda do misterioso ex-alquimista Marcus Finch para tentar desvendá-los. Mas isso só será possível se ela conseguir escapar de uma ameaça ainda mais urgente; uma feiticeira cruel que suga a alma de jovens usuárias de magia. Enquanto isso, a garota luta contra os sentimentos cada vez mais fortes pelo rebelde vampiro Adrian Ivashkov. Há tabus e preconceitos milenares arraigados entre as duas raças, que representam um obstáculo enorme para esse relacionamento. Mas Adrian é persistente e é o único em quem ela confia para enfrentar as ameaças que se aproximam. Será que Sydney conseguirá se libertar do seu modo de vida e se render a esse romance?


A história dá continuidade aos acontecimentos de Lírio Dourado - resenha aqui -, com Sydney e seus companheiros em uma luta constante para manter a princesa Moroi, Jill Dragomir, viva e a salvo, tanto dos Strigoi, quanto dos Guerreiros do Sol, um grupo de alquimista que declarou guerra aos vampiros e passou a caçá-los. Contudo, um perigo mais destruidor se aproxima quando jovens bruxas começam a ser encontradas em um estado catatônico e sem força vital, fazendo com que Sydney seja uma possível vitima, afinal, ela conseguiu quebrar os tabus impostos pelos Alquimistas e começou a praticar magia sob a supervisão de sua professora de estudos independentes, a Sra. Terwilliger, ao passo que ainda precisa dar continuidade à sua busca por Marcus Finch, um antigo Alquimista que traiu sua causa e se desligou da “corporação”.

Círculo de Transmutação Alquímica

A bola de fogo voou da minha mão diretamente contra ela – mas não encostou. Não consegui acreditar nos meu próprios olhos. A uns trinta centímetros da Sra. Terwilliger, a bola atingiu uma barreira invisível, dividindo-se em chamas pequenas que logo se dissiparam em fumaça. Fiquei boquiaberta.
- O que foi isso? - exclamei.
- Um feitiço de escudo poderosíssimo – ela disse, visivelmente satisfeita com minha reação.
Pág. 209

A narrativa da Tia Richelle está tão boa quanto sempre, afinal, é comum em seus livros encontrarmos aquele aspecto que faz com que o leitor queira sempre saber o que está por vir e não consiga parar de ler até ter acabado a obra toda. O dinamismo de seus diálogos e maneira como apresenta novos fatos, como o treinamento de Sydney na magia e a evolução de seu relacionamento com Adrian, é algo surpreendente e que só me faz pensar que ela é um dos ícones da fantasia atual.

Os personagens continuam tão cativantes quanto no livro anterior, o diferencial é que agora temos mais foco em Adrian, Sydney e sua professora, deixando os dramas envolvendo Jill, Eddie e Angeline como segundo plano, o que penso que foi uma mudança importante, afinal, não sou muito fã de obras que ficam “enchendo linguiça” só para que os livros fiquem grandes, já que isso tira o foco da história e os autores quase sempre acabam se perdendo e não conseguindo fechar todas as pontas soltas no final da série.

Capa Americana do 4º Livro da Série

- Uma área que você adoraria me educar, né? Mais uma garota para colocar na sua lista de conquistas.
Ele ficou sem palavras por alguns instantes e então erguei um dedo.
- Primeiramente, não tenho uma lista. - Outro dedo. - Segundo, se tivesse uma, poderia encontrar alguém muito mais fácil para colocar nela. - Para o terceiro dedo, ele se aproximou de mim. - E, por último, sei que você sabe que não é uma simples conquista, então não finja realmente acreditar nisso. Nós passamos por muita coisa juntos.
Págs. 283/284

O final foi hyper mega super extremamente alucinante. Eu imaginei inúmeros cenários de coisas que poderiam dar errado na vida da protagonista que a levariam à ruína, mas jamais imaginaria que aquilo (não posso falar o que é, pois é um huge spoiler) iria acontecer com ela e isso faz com que meu desejo pelo próximo volume da série só se intensifique. O seu lançamento ocorrerá na Bienal de SP, o que me faz querer ainda mais que o tempo voe para que essa Bienal chegue logo *__*

A edição continua seguindo o padrão de capas da série e nesta temos um tom azul metalizado que condiz com o título, bem como páginas amareladas. A revisão e diagramação estão muito bem feitas, ou seja, fonte em um tamanho que facilita a leitura, ilustrações no começo de capa capítulo e um espaçamento entre linhas de tamanho padrão. Se ainda não começou a ler essa série, está esperando o que?


Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Promoção: A Noite Devorou o Mundo - Pit Agarmen


Hey pessoal, tudo bem?

Depois de falar tão bem de um livro, seria quase covardia não sortear para vocês um exemplar, não é mesmo? Então para concorrer é simples, basta preencher a primeira entrada, que é LIVRE, e você já está participando. Contudo, caso queira mais chances de ganhar, assim que a referida entrada for preenchida, as EXTRAS serão liberadas e algumas delas podem ser usadas todo dia, ou seja, muito mais chances para você!

A opção "tweet about the giveawey" é renovada a cada 24 horas, ou seja, todo dia que você tweetar a frase e preencher essa entrada, seu nome será adicionado mais vezes.

Qualquer dúvida quanto ao uso do formulário basta entrar em contato pelos comentários ou pela aba de "Contado" no menu do blog

a Rafflecopter giveaway


Importante

  1. O ganhador deverá responder ao e-mail que mandarmos em até 48 horas. Caso não o faça um novo sorteio será realizado.
  2. O livro será ENVIADO em até 30 dias.
  3. O blog não se responsabiliza por danos ou extravios causados pelos Correios.
  4. Caso o ganhador forneça o endereço errado e o pacote retorne, o mesmo perderá o direito ao prêmio.
  5. O ganhador deve ser residente e domiciliado em território nacional.
  6. O ganhador que descumprir alguma das regras será desclassificado.

"Que a sorte esteja sempre a seu favor!!"

Abraços,
  Matheus Braga
MATHEUS BRAGA
É Administrador e Resenhista do Vida de Leitor. Cursa o 9º período de Direito na UNIPEL e sonha em se tornar juiz um dia. É apaixonado por livros e possui em sua humilde coleção títulos que vão de Fiódor Dostoiévski a Cinda Willians Chima. Seus livros favoritos são: O Nome do VentoA Descoberta das BruxasThe Summoning, Hunger GamesWithe Cat e Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos
Twitter/Facebook/Skoob/Instagram - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

Quem é Você, Alasca? - John Green


Olá pessoal, tudo bem com vocês?

John Green é sem sombra de dúvidas o autor mais comentado do momento, com um livro adaptado para o cinema e outros dois em processo adaptação, ele vem conquistando uma legião de fãs através de suas histórias comoventes. O primeiro livro que li desse autor foi A Culpa é das Estrelas, meu intuito inicial era apenas saber se concordaria com as críticas que essa história vem recebendo e confesso que adorei-o a ponto de ir ao cinema no dia seguinte ao lançamento do filme. Para me certificar que ACEDE não foi um golpe de sorte e que esse autor realmente escreve enredos fantásticos, li Quem é Você Alasca? e devo dizer quando ganhei o exemplar pensei que o presente seria só ele, uma dedicatória fofa e uma caixa de bombons, porém, assim que conclui a leitura percebi que ganhei muito mais do que isso.







Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".






O livro conta a história de Miles Halter, um garoto viciado em últimas palavras que, inspirado nas do poeta François Rabelais - "Saio em busca de um ‘Grande Talvez" - decide sair a procura do seu  próprio "Grande Talvez".

Miles sempre foi um garoto sem amigos e acostumado a uma rotina pacata e medíocre ao lado dos pais, mas isso muda assim que chega ao colégio interno Culver Creek e é apresentado a seu colega de quarto Chip – conhecido como Coronel – e a Alasca, a garota mais indecifrável e atraente que ele já conheceu. Apelidado de Gordo e inserido a esse grupo de amigos, ele vivenciará experiências inusitadas, descobrirá o amor, se arriscará e se verá cada vez mais inspirado pela pergunta levantada por Simón Bolívar: “Como sairei desse labirinto?” até que um acontecimento marca sua vida e descobrir o sentido da saída do labirinto torna-se seu principal objetivo.

Mas o que seria esse ‘Grande Talvez’ que buscamos?

“Não!”, exclamou. E, de inicio, eu não sabia dizer se ela estava lendo meus pensamentos, adivinhando minha vontade de beijá-la, ou se estava respondendo a si mesma em voz alta. Afastou-se de mim e disse suavemente, talvez para si mesma, “Cruzes! Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.”
Pág. 55

O enredo vai se desenvolvendo de forma leve e despretensiosa, “João Verde” consegue retratar com perfeição experiências pelas quais muitos jovens passam, fazendo com que o contexto seja realista e divertido. O que mais me marcou na história foi o texto que Miles escreve no final e cita o motivo pelo qual os adolescentes se acham invencíveis, pela segunda vez ao terminar um livro desse autor me peguei imaginando um milhão de coisas a respeito da mensagem passada; ele tem o dom de nos deixar atônitos e ensinar-nos coisas que levaremos por toda vida. Ao chegarmos à metade do livro o foco passa de apenas um grupo de amigos aproveitando os momentos juntos para beber, planejar trotes e fumar cigarros, para algo ainda mais complexo, um acontecimento vira a vida dos personagens ao avesso e a história ganha mais intensidade, fazendo com que o leitor fique espantado e encantado, mas ao mesmo tempo com raiva e entristecido, e é essa mistura de sensações que torna a obra ainda mais interessante.

Apesar de a história ser narrada sob o ponto de vista de Miles, um nerd cheio de expectativas vivenciando pela primeira vez a sensação de estar fora de uma realidade sem conflitos, que carrega consigo uma série de questionamentos e receios, o foco principal acaba sendo a instável Alasca. Essa personagem me conquistou completamente, além de ser contra expressões machistas, ela tem sempre uma mente cheia de idéias geniais, contudo, é confusa e por ser assim todos a seu redor acabam sendo atingidos por seus pensamentos insanos. Seu humor muda em questão de segundos e ao mesmo tempo em que pensamos que ela é louca, vemos o quão divertida e única ela é - confesso que me identifiquei um pouco com essa personagem e por isso a adorei e odiei tanto. Conclui que o motivo que levou o Gordo a amá-la foi sua instabilidade, gostar de pessoas estáveis é muito fácil já que descobrir suas reações não é um mistério, decifrar o enigma que Alasca é com certeza é um desafio mais empolgante.

Algumas capas de Quem é Você Alasca?

"Eu me virei para o lado e puxei o edredom sobre a cabeça. Não sabia se podia confiar nela e já estava cansado de sua imprevisibilidade – fria num dia, meiga no outro; irresistivelmente sedutora num momento e insuportavelmente chata no outro. Eu preferia o Coronel: pelo menos, quando ele ficava mal-humorado, ele tinha um motivo."
Pág. 77

Assim como foi dito no inicio deste texto, além de A Culpa é das Estrelas, os livros Cidades de Papel Quem é Voce Alasca? também serão adaptados para o cinema, contudo ainda não possuem data de lançamento nem elenco definido; andei pesquisando um pouco sobre qual atriz os fãs acreditam que seria adequada para interpretar a Alasca e vi que a Kaya Scodelario (série Skins) é a mais cotada para dar vida à personagem, concordo que ela seria perfeita para o papel, mas acredito que os produtores vão nos surpreender com uma atriz completamente diferente da que acreditamos ser a correta (como sempre ¬¬), mas que mesmo assim nos cativará, assim como foi com o Ansel Elgort (Augustus Waters), mas de qualquer forma, vou esperar ansiosamente pela estréia desse filme.

Esse livro foi publicado em duas capas diferentes, uma com a foto de uma garota e outra toda preta com uma margarida desenhada, meu exemplar é o de capa preta e achei ela mais bonita e significativa que a outra. O material que a constitui se parece com um emborrachado (vide capa de Fallen), que apesar de charmoso não é um dos meus favoritos por dar muito trabalho para conservar. A diagramação é simples e agradável e a história é dividida em duas partes: Antes/Depois, ao passo que os acontecimentos são separados através de dias. A fonte é de um tamanho agradável e não encontrei erros de revisão. Por estar completamente encantada pela escrita desse autor, pretendo ler todos os livros dele publicados no Brasil até o momento e ver se vou continuar me surpreendendo a cada história, leitura super recomendada. ^^

Abraços,
  Tamires Souza
TAMIRES DE SOUZA
É Resenhista aqui no Vida De Leitor. Desenvolveu sua paixão pela leitura ainda criança através de revistas em quadrinhos e desde então não vive sem um livro dentro da bolsa. Recém formada e sonha um dia cursar uma faculdade de Direito. Seus livros favoritos são: Série Rangers Ordem dos Arqueiros, A Seleção e a Série A Mediadora
Twitter/Facebook/Skoob - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.

A Noite Devorou o Mundo - Pit Agarmen


Olá pessoal, tudo bem com vocês?

A Noite Devorou o Mundo é uma obra escrita por Pit Agarmen, que na realidade é um pseudônimo que o autor Martin Page resolveu usar para lançar uma obra que fugia um pouco ao seu padrão de publicação. Em uma entrevista, li que o objetivo dele era chegar até as pessoas que gostam de romances de gênero com um livro profundo, filosófico e ao mesmo tempo de entretenimento, ele também falou um pouco de onde tira as idéias para seus livros, confira: “Minhas ideias vêm dessa merda toda que surge em minha vida, na vida de meus amigos e de suas famílias. E de minha força vívida para superar a tragédia e sobreviver.” Essas características estão presentes nessa obra e o resultado é inovador e muito interessante.





Neste inusitado romance de terror e de zumbis, o francês Martin Page, autor do bestseller Como me tornei estúpido, faz uma fábula sobre a sociedade de consumo, sob o pseudônimo de Pit Agarmen. No livro, uma epidemia assola o planeta e transforma os humanos em seres demoníacos, selvagens e cruéis. Antoine Verney é um sobrevivente, mas não tem nada de herói. Como um Robinson Crusoé moderno, ele tem que aprender a sobreviver e a enfrentar a solidão.







O livro conta a história de um escritor pouco sociável que após algumas tentativas frustradas de interação durante uma festa na casa de sua amiga decide se refugiar na biblioteca com uma garrafa de uísque nos braços e acaba bebendo até pegar no sono. Quando desperta, se depara com o cenário de um massacre, há sangue por todos os cantos da sala e um corpo sem cabeça jaze no chão. Desesperado, tranca a porta do apartamento e se dirige à sacada, onde percebe que um cenário caótico tomou conta da cidade, homens correndo atrás de homens, mordendo, mutilando e fazendo jorrar sangue por todos os lados enquanto alguns policias tentam, sem sucesso, abatê-los. Apavorado, ele decide que suas melhores chances de sobrevivência estão em um confinamento por tempo indeterminado, e assim passa a recolher utensílios e suprimentos úteis para a sobrevivência e a vasculhar e reforçar o prédio até bloquear todas as possíveis entradas, fazendo daquele local seu forte contra os invasores que desejam lhe arrancar a carne.

Será que estamos nos tornando zumbis em nossa busca desenfreada para saciar nossos anseios?
"Os zumbis chegaram no momento certo. Era hora de eles entrarem em cena. Vêm terminar a destruição da humanidade que havíamos começado com as guerras, com o desmatamento, com a poluição, com os genocídios. Eles realizaram nosso mais profundo desejo. Nossa própria destruição é presente que pedimos a Papai Noel desde o nascimento da civilização. Finalmente fomos atendidos."
Pág. 86

Por se tratar de um livro que tem zumbis como tema, a primeira ideia que nos vem à mente é uma história regada por sangue e cenas de ação eletrizantes, contudo, não é exatamente isso que encontramos em A Noite Devorou o Mundo. O enredo é basicamente uma crítica à sociedade, no qual o autor alega que não somos muito diferentes dos zumbis, enquanto eles tem fome por carne, nós mostramos a mesma gula durante nossa busca por dinheiro, sexo e poder, sem nos importarmos com o que precisamos destruir para alcançar nossos objetivos; nos tornamos tão cegos como essas odiosas criaturas. A forma como a ideia de que estamos sendo avisados aos poucos da possibilidade da natureza enviar uma catástrofe capaz de eliminar a raça humana é fixada na mente do leitor e faz com que ele pense no enredo como algo possível de ocorrer algum dia. Uma passagem do conto cita a famosa frase de Oscar Wilde - “A natureza imita a arte” -; não estamos livres de sermos aniquilados por versões monstruosas de nós mesmos, eu acredito piamente na teoria de que zumbis venham a existir daqui alguns séculos HaHaHa.

O protagonista é a idealização da teoria de que os solitários ou egoístas tem maiores chances de sobrevivência por não se arriscarem na missão de salvar a vida de outras pessoas. Por estar acostumado a viver de forma solitária, ele se sente mais do que preparado para sobreviver à catástrofe, contudo, a falta de interação social torna-se um desafio considerável até mesmo para os acostumados a levar uma vida de solidão, por isso o personagem começa a apresentar traços de esquizofrenia, suas atitudes tornam-se mais insanas e interessantes e as críticas à sociedade passam a ser cada vez mais ácidas.

Pit Agarmen / Martin Page
"Sempre soube que as pessoas eram monstros. O fato de hoje serem zumbis é apenas uma confirmação. A metáfora encarnou-se. Estou decidido a não me dar facilmente por vencido."
Pág. 157

Já que estou acostumada com histórias em que zumbis são um pouco mais vorazes do que os que encontrei nessa obra e com isso acabei achando alguns pontos fracos na narrativa, como a adaptação rápida do personagem a seu novo lar e com o quanto os mortos-vivos se mostram fracos, mesmo estando em grande quantidade, mas então percebi que walkers* são apenas um pano de fundo para uma metáfora que seria desenvolvida a partir deles. Durante a leitura somos instigados a questionar e compreender as críticas feitas à sociedade e ao modo de vida que levamos. O que torna o enredo interessante definitivamente é o humor ácido do autor ao abordar a teoria de que nós estamos nos aproximando a passadas largas da nossa ruínam enquanto nos denominamos superiores com nossas tecnologias e ciência. Esta obra é regada de ironias e temas polêmicos.

A capa é simples e apesar de não considerá-la muito bonita posso dizer que possui certo charme, o título é em verniz localizado. A tradução feita por Carlos Nougué está impecável e não encontrei nenhum erro de revisão, a diagramação é simples e a história é dividida de forma que lembre um diário, por isso os curtos capítulos são separados por datas ao invés de enumeração. Apesar de não possuir nenhum elemento capaz de comover o leitor, é um livro gostoso de ler e chegamos a seu final com a cabeça cheia de teorias. Recomendo a leitura.

*Termo usado principalmente por alguns fãs do seriado The Walking Dead para definir zumbi.

Confira mais novidades no Site, Twitter e Facebook da Editora Rocco.

Abraços,
  Tamires Souza
TAMIRES DE SOUZA
É Resenhista aqui no Vida De Leitor. Desenvolveu sua paixão pela leitura ainda criança através de revistas em quadrinhos e desde então não vive sem um livro dentro da bolsa. Recém formada e sonha um dia cursar uma faculdade de Direito. Seus livros favoritos são: Série Rangers Ordem dos Arqueiros, A Seleção e a Série A Mediadora
Twitter/Facebook/Skoob - Blogvidadeleitor@gmail.com
Observação: Caso o formulário de comentário não esteja visível, atualize a página.