Dark House - Karina Halle


Hey pessoal, tudo bem?

Quando vi na capa da obra a frase "Experimente o Terror", achei que seria apenas uma jogada de marketing da editora para atrair mais leitores que são fãs de histórias macabras, como as de Edgar Allan Poe. Não poderia estar mais enganado. Dark House conseguiu o que nenhum outro livro conseguiu nos últimos anos, que é me fazer ler uma história somente durante o dia (quem acompanha o blog sabe que só consigo ler à noite). Com uma história que se encontra no meio do caminho entre A Mediadora e O Sexto Sentido, Karina Halle despertou, literalmente, o meu mais profundo medo.



Sempre houve algo fora do normal com Perry Palomino. Embora ela esteja vivendo uma crise ao passar pela síndrome pós-faculdade, assim como qualquer garota de vinte e poucos anos, ela não é o que chamaríamos de comum. Perry possui um passado que prefere ignorar, e há também o fato de que ela consegue ver fantasmas. Tudo isso vem a calhar quando se depara com Dex Foray, um excêntrico produtor que está trabalhando em um webcast sobre caçadores de fantasmas. Dex, que se revela um enigma enlouquecedor, arrasta Perry para um mundo que a seduz e ameaça sua vida. O farol de seu tio é pano de fundo de um mistério terrível, que ameaça a sanidade da moça e faz com que ela se apaixone por um homem que, como o mais perigoso dos fantasmas, pode não ser o que parece.




Perry Palomino sempre teve amigos imaginários quando criança, o que a fez ser submetida a tratamentos psicológicos durante alguns anos, para só então admitir que todas aquelas visões eram fruto de sua fértil imaginação. Mas e se o que ela via fosse verdade? Após começar a ter sonhos estranhos com um quarto escuro e uma sombra assustadora, Perry começa a ver pessoas estranhas ao seu redor, como uma idosa com maquiagem borrada e um sorriso sinistro e um pescador encharcado cujo rosto se esconde nas sombras do capuz. Eis que uma visita à propriedade de seu tio torna real seus piores pesadelos, pois o quarto de seus sonhos realmente existe e se encontra dentro de um farol abandonado que sempre foi envolvo em tragédias. Em uma das excursões ao referido farol, Parry conhece Dex, um cinegrafista que quer filmar um webshow sobre fantasmas. Os dois já estavam destinados a se conhecer, e este encontro despertou forças há muito esquecidas no reino dos mortos. 

Os mortos nem sempre ficam mortos

Comecei a me debater convulsivamente na água e me deparei com um rosto inchado, túrgido. Não tinha os olhos, por sua pele escorria um liquido escuro, e algas gosmentas saíam de sua boca. Ele submergiu, e eu senti uma mão ossuda agarrar minhas pernas. Gritei enquanto era puxada para baixo, o oceano invadindo minha boca aberta e preenchendo meus pulmões. A luz na superfície ondulava enquanto eu era puxada mais e mais para as profundezas até que a escuridão tomou meus olhos novamente.
Pág.: 124

O que mais me chamou a atenção na obra foi a capacidade que a autora tem para narrar cenas de puro terror. Como podem ver no quote acima, ela tem um talento para, em detalhes, passar para o leitor o que a protagonista está sentindo, seus medos, seu desespero, e isso é algo que me deixou de queixo no chão e em alguns momento com um real medo. Comecei a ler o livro na madrugada de terça-feira e quando terminei a leitura tive que acalmar meus nervos e repetir para mim mesmo que a sombra no canto do quarto era só uma sombra, e não uma criança demoníaca from the hell que veio buscar minha alma (O__O), motivo este que me fez dar continuidade à leitura somente durante o dia. Um fator que me incomodou um pouco foi o excesso de palavras de baixo calão utilizadas nos diálogos. Tudo bem que os americanos conversam assim, e palavras como fuck e shit são comuns em conversas corriqueiras, mas ler sobre isso pode ser um pouco incomodo.  

Os personagens são cativantes e me agradou muito o fato de que Perry não era mais uma adolescente. Não me levem a mal, eu adoro a série A Mediadora, escrita por Meg Cabot, mas chega uma hora que protagonistas adolescentes e todo aquele drama padrão acabam torrando nossa paciência. O que torna Perry tão única é que ela não foge do medo e fica reclamando, muito pelo contrário, ela gosta, sente prazer com esse terror, quase como se isso a fizesse se sentir mais viva. Dex também surpreende por ser mais velho e não ter aquelas crises narcisistas que os protagonistas muitas vezes tem. Ele apresenta uma personalidade instável e ao mesmo tempo madura, pois sabe da realidade e que as contas não se pagam sozinhas, fugindo à ingenuidade da juventude. Sem contar que, segundo a autora, ele tem uma voz tão grave e rouca que em alguns momentos imaginei ele falando com a voz do Cid Moreira, o que foi engraçado. 

Os mistérios deste farol violam a barreira da vida e da morte

Eu só queria enfiar meus braços e minhas pernas nos lençóis e mantê-los seguros. O medo era muito real,
No entanto, eu não conseguia me mexer. Não porque era fisicamente impossível, mas porque eu não queria.
Alguém estava em frente à minha porta.
[...] Por um segundo eu vi a coisa. Um casaco com capuz feito de pele oleosa e úmida e, então, um rosto, sem olhos, mas um sorriso largo, branco. O sorriso se partiu. Gengivas negras. Um abismo. 
Págs.: 23/24

A obra apresenta várias referências à cultura pop atual, como os momento em que a protagonista diz que se vê em um episódio de Ghost Whisperer ou quando relata a satisfação de receber atenção e comentários por um post em um blog. O final da obra deixa claro que esse livro faz parte de uma série e espero ansiosamente que a Editora Única publique todos os volumes no Brasil, pois preciso saber o que será da nossa protagonista e o significado dos avisos que a fantasma idosa de maquiagem borrada deu. Isso é apenas o começo. 

A edição está muito bonita. A arte da capa é simplesmente maravilhosa e repassa bem aquele ar de mistério que envolve o farol. A diagramação está simples, mas bem feita, com um espaçamento entre linhas mediano e letras de um tamanho que proporcionam um leitura fluida e dinâmica. Encontrei dois errinhos de revisão, mas nada que vá interferir no entendimento da obra ou fluências na história. Leitura recomendada. 

As Pedras Élficas de Shannara - Terry Brooks

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

É impossível negar a capacidade criativa do Terry Brooks. Felizmente, o segundo volume da trilogia foi lançado e a minha ansiedade foi amenizada logo nas primeiras páginas do livro. Como se já não bastasse ser melhor que o primeiro volume da série, As Pedras Élficas de Shannara conseguiu superar todas as minhas expectativas, sobretudo no quesito trama, já que está mais complexa, tensa e frenética em relação a que encontramos em A Espada de Shannara - resenha aqui.




As Pedras Élficas de Shannara - Um mal antigo ameaça os elfos: a árvore Ellcrys, criada por magia élfica perdida há milênios, está morrendo, colocando em risco o feitiço que mantém os demônios afastados do mundo. Jogar a sua semente no misterioso Fogossangue é a única forma de trazer a árvore de volta à vida e afastar os demônios. Amberle, uma jovem elfa, assume essa difícil missão.
O caminho, no entanto, é perigoso, e ela vai precisar de um protetor. Will Ohmsford, herdeiro da magia élfica de Shannara, é o escolhido para acompanhá-la. Mas o temível Ceifador já conseguiu se libertar, junto com dois aliados. Será que Will conseguirá controlar a magia das misteriosas Pedras Élficas de Shannara para salvar as Quatro Terras?




Décadas já se passaram desde a derrota do Lorde Feiticeiro e a paz finalmente retornou... mas não por muito tempo. Nos primórdios dos tempos, as criaturas mágicas, como os elfos, entraram em conflito com poderosos demônios. Para derrotar esse mal, foi criada a Proibição, uma barreira que os isolavam do mundo, impedindo-os de retornarem às Quatro Terras. O que mantinha esse bloqueio funcionando perfeitamente era a Ellcrys, uma árvore concebida através de uma magia antiga élfica. Embora tenham mantido alguns rituais para cultuá-la, ela estava morrendo, ocasionando assim um enfraquecimento na Proibição, o que causou a libertação de um dos mais poderosos demônios, e a única forma de evitar uma grande catástrofe é um renascimento. Para que isso ocorra, é necessário que ele seja feito através de um Escolhido, que deve levar a semente da árvore até uma fonte de magia denominada Fogossangue e em seguida plantá-la nos Jardins da Vida. 

Capas estrangeiras da trilogia
Sua vingança chegaria, pensou. Assim como a liberdade chegara. Conseguia sentir. Esperara por séculos, posicionado na muralha da Proibição, testando sua força, procurando fraquezas - sempre sabendo que em algum momento ela iria começar a falhar. E o dia chegara. A Ellcrys estava morrendo. Ah, que palavras doces! Ele queria gritá-las! Ela estava morrendo! Ela estava morrendo e não podia mais sustentar a Proibição!
Pág.: 22

Às vezes fico imaginando o que deve passar na mente desses autores para terem tamanho talento para instigar o leitor e criar mundos. Apesar de ainda estar no segundo volume, já mantenho grandes considerações quanto a capacidade criativa do autor ao projetar toda a história do seu mundo. É encantador, simplesmente. A riqueza em detalhes que Brooks esbanja neste livro foi um dos pontos mais bem avaliados por mim durante toda a minha leitura, uma vez que ele consegue manter o foco na história central, mas ao mesmo tempo apresentar fatos passados sobre o mundo de Shannara, como os conflitos entre os povos feéricos e os demônios. A trama ainda continua sendo narrada em terceira pessoa e, diferentemente de A Espada de Shannara, nesse volume temos alguns trechos sob o ponto de vista dos vilões, que por sinal, pareceram-me mais resistentes e de gênio forte. 

O protagonista desta vez é o Wil Ohmsford, neto de Shea, que irá ajudar a Escolhida Amberle, princesa élfica, a levar a semente até seu destino final. Neste volume revemos velhas e saudosas personalidades que conhecemos no primeiro livro, uma até inesperada devido às circunstâncias, mas que faz todo sentido em estar inserida na trama, vez que sua participação é de extrema importância. Apesar do enredo do volume anterior ter me agradado, posso afirmar que este aqui consegue ser melhor, pois a trama conseguiu me agradar com mais facilidade.

Terry Brooks, autor
- Como você vai pegar as Pedras de volta? -  perguntou ele, cuidadosamente.
Ela sorriu pela primeira vez, aquele sorriso familiar e estonteantemente lindo que lhe tirava o fôlego.
- Como vou pegá-las? Curandeiro, sou cria dos nômades e a filha de um ladrão, comprada e quitada. Ele as roubou de você, eu as roubarei dele. Eu conheço o assunto melhor que ele. Só preciso encontrá-lo.
Pág.: 373

Originalidade é o que não falta nos livros do Terry Brooks, só lendo para entender todo o meu delírio e ânsia para ler todos seus títulos. Não poderia deixar de concordar que as obras do Tolkien serviram de inspiração para o autor, mas neste volume ele conseguiu se distanciar dessas taxações feitas pelos fãs da trilogia Senhor dos Anéis. Apesar das obras contarem com desfechos definitivos, não recomendo uma leitura fora da ordem de lançamento, vez que alguns elementos e spoilers de A Espada de Shannara estavam presentes neste livro. 

No que diz respeito à diagramação, posso afirmar que a editora manteve as mesmas características da obra anterior, isto é, um tamanho de fonte pequeno, capítulos terminando e iniciando na mesma página e um mapa (frente e verso) posterior ao sumário. Já na edição contamos com páginas amareladas e uma bela ilustração na capa. Encontrei um minúsculo erro de revisão, mas nada que possa interferir no seu entendimento. Leitura para ontem!

PS: Aos que não sabem, a MTV vai produzir uma série sobre Shannara ainda em 2015, sendo que a primeira temporada será baseada neste livro aqui resenhado. O seriado terá Austin Butler, como Wil Ohmsford, Poppy Drayton, como Amberle Elessedil, Ivana Baquero, como Eretria, dentre outros. 

Quer concorrer a um exemplar de A Morte de Sarai autografado?


Hey pessoal, tudo bem?

Quase todos já ouviram falar do novo lançamento da Suma de Letras intitulado A Morte de Sarai, da autora J.A. Redmerski. O que vocês não sabiam, era que a autora publicou um vídeo exclusivo para os fãs brasileiros falando sobre a obra e que irá sortear 5 exemplares AUTOGRAFADOS - #HappyDance - para 5 leitores que participarem. Abaixo vocês podem conferir o vídeo, capa e sinopse do livro, e como participar:


Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte.
Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo.


OBS: No vídeo a autora fala que a promoção é válida para a primeira semana de fevereiro, contudo, a Suma de Letras prorrogou o sorteio até dia 15 de Março. Assim sendo, está esperando o que para participar?


Para participar é muito simples, você só tem que tirar uma foto sua com o livro/e-book (a capa do livro tem que aparecer no seu e-reader/tablet/smartphone) usando a hashtag #SaraiBrasil e enviar para a autora através de sua fan page ou Twitter (@JRedmerski). Pronto, você já está concorrendo ^_^.

Hotelles: Quarto 1 - Emma Mars {+18}


Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Você já se perguntou por que Paris é considerada uma das cidades mais românticas do mundo? Confesso que essa dúvida é responsável por alguns dos meus devaneios, não me canso de pensar nos casais que caminharam por aquelas ruas, nos cenários que poderiam ter visto e nas promessas que compartilharam, afinal, a Cidade Luz é capaz de inspirar nosso imaginário a este ponto. No livro Hotelles, além de nos depararmos com uma envolvente trama, somos levados a conhecer um pouco da história dessa cidade tão encantadora.



Um quarto de hotel no meio da tarde, na sempre sedutora Paris, é o cenário escolhido pela escritora francesa Emma Mars para contar a história de Annabelle, jovem jornalista que trabalha esporadicamente como acompanhante de luxo. É no Hôtel des Charmes que ela conhece o atraente David Barlet, um magnata da mídia com quem engrena um relacionamento, sem deixar de manter encontros com outros clientes. Presa a um arriscado e excitante jogo sexual, Annabelle protagoniza uma história rica em detalhes picantes, sem cair na vulgaridade. 
Mas nem tudo é um mar de rosas, pois entre eles há um segredo. Quem será o enigmático homem enviando a Elle mensagens que parecem adivinhar seus desejos mais secretos? Por que ela se submete a suas instruções e se deixa atrair novamente até o hotel, tornando-se prisioneira desse arriscado jogo sexual?




Annabelle é uma jovem recém formada em jornalismo, que após algumas tentativas frustradas de conseguir um emprego acaba seguindo os passos de sua amiga Sophia e indo trabalhar em uma agencia de acompanhantes de luxo até conseguir o dinheiro necessário para pagar o tratamento de sua mãe, que está morrendo de câncer. O serviço que exercia para a agência consistia apenas em ir com os clientes aos mais variados eventos sociais, contudo, caso quisesse arrecadar mais dinheiro poderia aceitar estender a noite no Hôtel dês Charmes, onde cada quarto é dedicado à figura de uma cortesã do passado. Apesar de evitar ao máximo ir além dos serviços para os quais era inicialmente contratada, muitas vezes a necessidade de conseguir mais dinheiro falava mais alto e assim Elle - nome "artístico" - acabava se entregando a um ou outro cliente.

Durante um destes eventos, Annabelle acaba conhecendo David Barlet, um dos herdeiros milionários da rede de noticias BTV, que se apaixona por ela à primeira vista e, mesmo sem saber de todo o passado de sua amada, ele aceita pagar pelo tratamento de sua mãe, lhe da um emprego como apresentadora de um programa e passa a mimá-la de todas as formas possíveis. Contudo, ele não sabe que ela recebe diariamente mensagens anônimas e de cunho sexual que exprimem seus pensamentos mais profundos,  bem como uma série de convites anônimos para que ela vá ao Hôtel dês Charmes e se redescubra, o que pode acabar colocando em risco o relacionamento.

Amor e luxúria caminham lado a lado

Um estudo concluiu que os homens pensam em sexo cerca de dezenove vezes por dia. As mulheres não mais do que dez. E você, quantas vezes se deixa invadir diariamente por esse tipo de pensamento?
Pág.: 12

A narrativa nos leva por uma viagem histórica pelos mais diversos cenários de Paris e ao mesmo tempo nos apresenta um pouco da sensualidade que essa cidade e as figuras históricas que nela viveram escondem. Esse livro me deliciou pela quantidade de conteúdo histórico que reúne, e tudo é contado de uma forma extremamente sexy. Confesso que adoraria passar horas a fio ouvindo sobre as histórias fantásticas que Louis poderia narrar durante um passeio pela Cidade Luz (momento inveja da protagonista... hehehe). O inicio da história se dá de uma maneira bastante confusa, o que me desanimou um pouco, porém à medida que vamos adentrando a trama, somos pego por um enredo envolvente e cheio de mistérios.

Os personagens me causaram um turbilhão de emoções conflitantes já que os mesmos possuem inúmeras facetas. Elle é uma moça que apesar de tudo luta para agradar aqueles que ama, ela consegue ser bastante burra e ingênua em determinados momentos e quase sempre age de maneira impulsiva, notamos uma evolução considerável em sua postura quando ela começa a se redescobrir e essa é a experiência mais extasiante que o contexto nos oferece. David é um verdadeiro gentleman com seu jeito é encantador, mas o segredo que ele guarda e a postura que assume muitas vezes o torna um personagem um pouco sombrio, ao passo que seu irmão Louis é bastante rude e age como se as pessoas ao seu redor não passassem de peças em um tabuleiro e esse seu jeito o torna sensual ao extremo. Existe um segredo que une esses dois irmãos, porém decifrá-lo será o maior desafio enfrentado pela protagonista.

Paris, a cidade do romance e do amor

Quantas mulheres David teve antes de mim? Nunca falamos disso. Devo contá-las em dezenas, em centenas... Mais? É possível não ter ciúme de casos do passado? Quando se possui um corpo, é possível apagá-lo da memória, é possível esmagar todas ou todos de que uma vez usufruímos?
Pág.: 281

A obra vai muito além da sexualidade e redescoberta de um personagem que boa parte dos livros eróticos nos proporciona, Emma Mars oferece ao leitor um emaranhado de enigmas e uma reunião de conhecimento histórico fascinante, intercalando tudo isso com várias cenas de sexo.  O final é um pouco previsível e ao passo que percebia que minhas conclusões sobre o destino da protagonista estavam corretas fui sentindo uma pontada de raiva e ao mesmo tempo alívio por ela to tomado tais decisões. Algo que achei inusitado foi a introdução de trechos do caderno de Elle no meio da história, é durante eles que conhecemos sua personalidade mais a fundo. Estou mega ansiosa pela continuação dessa trilogia, quero saber onde as escolhas de Elle a levarão.

A capa chama a atenção por ser bonita e ao mesmo tempo sensual, o título em letras douradas confere a ela um toque a mais de sofisticação. A tradução feita por Rejane Janowitzer deixou um pouco a desejar somente pelo fato de que no decorrer da história existem alguns trechos de música em inglês e eles não foram traduzidor. Compreendo que traduzi-los tiraria sua essência, contudo, ter que parar de ler para buscar a tradução é ainda mais incomodo, por isso de uma nota de rodapé ou tradução ao lado/abaixo da letra citada. A diagramação está impecável, desde o tamanho e a escolha das fontes, até o detalhe presente na numeração das páginas amareladas. O enredo possui seus altos e baixos, e eu achei alguns elementos mal colocados, porém avaliando-os como um todo, Hotelles é um livro fascinante! Leitura recomendada.

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A Autobiografia Interativa - Neil Patrick Harris


Hey pessoal, tudo bem?

Apesar das tentativas falhas de fazer algumas piadas da 87ª Edição do Oscar, Neil Patrick Harris possui um talento para escrita fora do comum. Combinando fatos reais e fictícios, ele deixa que o próprio leitor escolha o desenvolver de sua história, por isso, se ele será o famoso ator que encarnou o médico mirin Doogie Howser, ou um cara que veio de uma família abusiva e uma mãe drogada, dependerá unica e simplesmente das escolhas do leitor durante a leitura da obra. Complicado? Sim, mas garanto que a leitura será prazerosa e valerá cada minuto.


Neil Patrick Harris conquistou o mundo graças ao impagável Barney Stinson, do seriado How I met your mother, sucesso no Brasil, onde é exibido pelo canal a cabo Sony. Para o personagem, a vida é sempre divertida e, como adora repetir, lendária. Este primeiro livro do premiado e querido ator americano também é. Em vez de contar sua trajetória de maneira tradicional, Neil Patrick mistura realidade, ficção e muito humor. E o melhor: é o leitor é quem escolhe para que direção a história vai.
Em cada momento crítico, é o leitor quem decide como a trama vai continuar. Caso escolha corretamente, Neil Patrick encontrará fama, dinheiro e amor verdadeiro. Se o leitor optar errado, o resultado será miséria, sofrimento e uma morte horrível mordido por piranhas. E ainda tem mais: truques de mágica, receitas de drinks, fotos embaraçosas e até uma música para o grand finale.
Ele fala ainda do seu começo de carreira como ator-mirim prodígio e do relacionamento com o também ator David Burtka, com quem casou recentemente e tem dois filhos.


O livro conta a história de... bem... dele, obviamente. Contudo, a maneira como é narrada é que faz toda a diferença. Inicialmente começamos com a história de seu nascimento para em seguida decidir se ele terá uma infância feliz ou não. Isso mesmo, você que decide. Ao final de cada história, existe no rodapé uma mensagem com algo tipo: "Se quer viver uma infância feliz, vá para a página 8. Caso prefira uma infância miserável para depois se gabar de ter superado a pobreza contra todas as circunstâncias, vá para a página 5" e daí por diante. Você pode da página 9 ir para a 290 para em seguida retornar para a página 30, e é isso que torna o livro tão divertido, pois é você que está no controle da situação e de qual caminho irá seguir até que Neil se torne o sucesso que é hoje.

Barney Stinson, personagem de Harris em HIMYM

É complicado analisar personagens quando estamos falando de uma biografia, mas posso afirmar que várias pessoas contribuíram para que Neil seja o excelente ator e humorista que é hoje, dentre essas pessoas estão David, Harper e Gideon, seu marido e filhos, respectivamente. Na obra, acompanhamos sua jornada desde suas apresentações escolares até o momento em que ele foi host do Tommy Awards; desde a sua primeira namorada até a aceitação de sua homossexualidade; de um menino que morava em uma cidade no interior até o ícone médico adolescente em L.A.. E acima de tudo, conseguimos aprender uma lição que nos acompanhará a vida toda: não importa o quão para baixo você esteja ou o quão sozinho se sinta, as coisas eventualmente melhoram, basta você correr atrás de seus sonhos (Né!? Ficar sentado no sofá comendo Doritos e esperar alguém te convidar para o emprego do século é forçar um pouco a barra).

Mentira é apenas uma grande história que alguém estragou com a verdade.

A edição está simplesmente sensacional. Temos de literalmente tudo na obra: fotos, cartoons, palavras cruzadas, truques de mágica, receitas de drinks e até mesmo um comparativo entre a vida de Barney e Neil, bem como viagens pela Europa e noitadas em boates de Hollywood. Achei muito interessante esse estilo de Autobiografia Interativa, tão interessante que estou pensando seriamente em comprar mais livros do gênero, pois saber que estamos no controle da história é um sentimento único que apenas os autores conseguem ter, e pela mineira vez me senti assim sendo apenas um leitor. Bravo!

Resenha + Promoção: O Rei Demônio - Cinda Williams Chima


Hey pessoal, tudo bem?

As séries Os Sete Reinos e O Herdeiro possuem um denominador comum, a supra sumo da narrativa bem desenvolvida, Cinda Williams Chima. Os mundos e personagens criados por essa autora excedem qualquer expectativa do leitor, alcançando um nível de excelência que somente os grandes best-seller da literatura conseguem em atingir, e com a obra O Rei Demônio não poderia ser diferente. 




O jovem ladrão reformado Han Alister é capaz de quase qualquer coisa para garantir o sustento da mãe e da irmã, Mari. Ironicamente, a única coisa valiosa que ele possui não pode ser vendida: largos braceletes de prata, marcados com runas, adornam seus pulsos desde que nasceu. São claramente enfeitiçados — cresceram conforme ele crescia, e o rapaz nunca conseguiu tirá-los.
Enquanto isso, Raisa ana’Marianna, princesa herdeira de Torres, enfrenta suas próprias batalhas. Ela poderá se casar ao completar 16 anos, mas ela não está muito interessada em trocar essa liberdade por aulas de etiqueta e bailes esnobes. Almeja ser mais que um enfeite, ela aspira ser como Hanalea, a lendária rainha guerreira que matou o Rei Demônio e salvou o mundo.





Há muitos anos, um Mago - Rei Demônio - que atingiu o ápice do poder e da loucura, sequestrou a Rainha Guerreira, Hanalea, para torná-la sua esposa. Após uma grande guerra e a derrota do referido Rei, o tecido da realidade do mundo começou a se partir, momento este conhecido como a Cisão. Eis que um tratado foi feito para equilibrar a magia do mundo, ficando a Alta Magia na mão do Conselho dos Magos e a Magia Verde na mão dos Clãs, e é com esse cenário em mente que começa a aventura dos dois protagonistas da história.

Han Alister, um ladrão também conhecido como Caçador Solitário/Algemas, que após alguns acontecimentos rouba um amuleto que antes pertencia ao Rei Demônio; e a Princesa Herdeira, Raisa ana'Marianna, conhecida como Rosa Agreste, que está sendo obrigada a se casar com alguém que colocará o tratado e tudo o que acredita em risco. Estes dois mundos estão prestes a colidir, e o resultado pode ser catastrófico. 

Linhagem Real Lobo Gris*

E quando se está nas gangues, gostar de alguém é como servir o coração em uma bandeja de prata aos próprios inimigos.
Pág.: 156

O mundo criado por Cinda para narrar as aventuras dessa nova saga é incrivelmente bem construído, desde os mínimos detalhes. Quem acompanha o blog sabe que os mundos com narrativas envolvendo high fantasy são os meus favoritos, por isso sou muito criterioso quando estou analisando tais cenários e posso afirmar que a ambientação e divisão geográfica (o livro possui um mapa) não só é satisfatória, como também possui nomes que demonstram muita criatividade, como o Campo Demonai, a Academia de Vau de Oden e as montanhas Lady Gris.


Os personagens são incríveis e conseguem te conquistar facilmente. Até mesmo o mais mimado e mesquinho mago é capaz de despertar um sentimento de "esse cara ainda tem chance, existe algo mais por trás de suas ações". Han e Raisa são bem estruturados, tanto física quanto psicologicamente, de maneira a fazer o leitor torcer por seu sucesso. Perdi a conta de quantas vezes eu quase gritei "deixa de ser idiota menina, ele tá te enganando!" ou "empurra a Rainha da escada e acaba logo com isso, o trono é seu mesmo! #DançaDaVitória" HAHAHAHAHA. Livros que conseguem me fazer pensar assim geralmente são os que me fazem passar dias após a leitura imaginando como seria viver nesse tipo de mundo e ter amigos como esses personagens. 

O Rei Demônio

O conselho que redigiu a Naéming me escolheu para guardar a lembrança daquela época, para lembrar Hanalea, caso as memórias dela desaparecessem. Fui amaldiçoado com a verdade e a compulsão de contá-la. É isso que me mantem vivo. Dessa maneira, por mais que todos queiram esquecer, há alguém que se recorda de tudo, de modo claro como se tivesse acontecido ontem. 
Pág.: 361 

Confesso que o final não me agradou muito, pois eu esperava um pouco mais de informações, ou algum tipo de cliffhanger, mas isso não apaga o fato de que estou louco para saber o que acontece no próximo volume, como será o treinamento de determinados personagens e quais as consequências que as ações do Grão Mago vão trazer para o reino de Fells e para os Clãs. O Rei Demônio é uma leitura mais que recomendada!

A edição é linda. A capa possui a imagem do amuleto usado pelo Rei Demônio, uma serpente de jade com olhos vermelhos, e é feita com verniz localizado, assim como as letras do título. A diagramação é simples e a fonte e espaçamento entre as linhas utilizado são proporcionais, fazendo com que a leitura seja fluida e dinâmica. Achei apenas um erro de digitação, fora isso a obra está impecável. 

* Créditos na imagem.


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Legend - Marie Lu


Hey pessoal, tudo bem?

Há algum tempo venho lendo resenhas e comentários positivos sobre a série Legend, da autora Marie Lu, e confesso que mesmo assim minha vontade de ler ainda não tinha sido despertada. Eis que surgiu a oportunidade e finalmente consegui entender o motivo de tanto elogios, já que Legend é uma obra prima da literatura atual e passou a ser uma referencia minha quando o assunto é "distopias".





Legend é ambientado na República, instalada numa região outrora conhecida como costa oeste dos Estados Unidos, e conta a história de June, uma garota de 15 anos nascida numa família de elite e que possui impressionantes habilidades militares, e Day, um garoto pobre considerado o criminoso mais procurado do país. Quando o irmão de June é assassinado, os caminhos desses dois jovens de origens distantes se cruzam, dando início a uma trama de forte conteúdo político e repleta de ação, reviravoltas e romance.







O livro conta a história de June e Day na República - antigo EUA - e a relação de gato e rato entre os dois. Ele é um dos criminosos mais procurados do momento e é acusado de matar o irmão de June. Ela, por sua vez, é uma garota prodígio que sempre foi acostumada ao luxo e aos treinamentos militares da Academia, fazendo dela a pessoa mais indicada para capturar o assassino de seu irmão. Contudo, um segredo obscuro envolvendo a República é revelado, e June não sabe mais quem é o verdadeiro inimigo. A Praga infecta mais pessoas a cada dia. Que comece a corrida contra o tempo.

A menina prodígio.

Vou perseguir você até o inferno. Vou vasculhas as ruas de Los Angeles à sua procura. Se preciso, vou procurar em todas as ruas da República. Vou enganar você, usar de truques, mentir, fraudar, roubar para encontrar você, atraí-lo para que saia de seu esconderijo, e persegui-lo até você não ter mais para onde fugir. Estou fazendo um juramento: sua vida é minha.
Pág.: 45


O cenário pós-apocalíptico criado por Marie Lu é sensacional, e a maneira como ela narra cada localidade foi capaz de me fazer sentir como se a história estivesse se passando ao meu redor. Confesso que esperava uma narração mais dinâmica da parte da caçada, esperava alguns acontecimentos mais estilo 007, afinal, quando ela fala que a menina é uma prodígio estrategista e que o cara é o mais procurado do país e que mesmo após vários crimes a polícia não sabe nem como ele se parece, nossas expectativas vão lá no teto. Contudo, mesmo não atendendo a todas as expectativas, a autora conseguiu narrar o que se propôs com maestria e habilidade. É sério, pessoal, quando um determinado personagem morria eu sentia como se fosse alguém que eu conheço pessoalmente senso assassinado na minha frente (que angustia hehehe).

Os personagens são conflitantes, uns são carismáticos e te fazem querer torcer por eles, outros já despertam seu mais profundo ódio. June, Tess e Day são os que mais me agradaram, cada um com suas qualidades e temperamentos, ao passo que Thomas me fez querer entrar na história e mergulhá-lo em ácido. Sério, esse cara conseguiu despertar minha raiva mais profunda. Eu gostei de Metias, pena que ele ficou pouco tempo na história, por isso acho que um spin off ou conto narrando a história dele e como ele descobriu o que descobriu seria algo bacana.

O criminoso mais procurado.

PROCURADO PELA REPÚBLICA

Arquivo Nº 462178-2333 "DAY"

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PROCURADO POR AGRESSÃO,
INCÊNDIO, ROUBO, DESTRUIÇÃO
DE PROPRIEDADES MILITARES E POR
PREJUDICAR O ESFORÇO DE GUERRA.
RECOMPENSA DE 200.000 NOTAS
DA REPÚBLICA POR INFORMAÇÕES
QUE LEVEM À PRISÃO DESSE ELEMENTO.

Pág.: 10

O final foi triste e sensacional ao mesmo tempo. A autora não tem medo de sair matando os personagens só para conseguir alcançar seu objetivo final, que eu não posso falar qual é sem estragar a surpresa para vocês. Mas posso afirmar que vale a pena, pois a leitura além de ser rápida - a obra possui apenas 243 páginas - possui um talento surpreendente, tanto nas partes de narração como nos diálogos. Recomendo a leitura e estou doido para ler a continuação.

A edição conseguiu me conquistar e ao mesmo tempo me deixar triste. Conquistar pelo fato de que a capa é simplesmente maravilhosa, a diagramação está linda, com as páginas manchadas e anúncios em fontes diferentes, como o quote acima. Triste pois a cola da lombada simplesmente soltou, aí tive que ler o livro pendurado de um lado e segurando com cuidado para não rasgar a outra parte que estava colada. A tradução foi feita por Ebréia Alves e a revisão está impecável. 

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As Confissões das Irmãs Sullivan - Natalie Standford


Hey pessoal, tudo bem?

Apesar de possuir uma capa chamativa e uma premissa muito interessante, a narrativa de Natalie Standford não só não me agradou, como também me fez querer abandonar o livro por várias vezes, afinal, toda vez que alguém se referia à matriarca da família Sullivan como "Poderosa", eu imaginava uma senhora de 90 anos vestindo látex, com um chicote de couro e cantando Anitta. 





A avó das irmãs Sullivan reúne a família para anunciar que em breve morrerá. E, possivelmente pior, que removeu toda a família de seu testamento. Como ela é a fonte de quase toda a renda familiar, isso significa que ficarão sem um tostão. Ela foi ofendida por alguém da família, mas diz que, se o ofensor se revelar com uma confissão do seu crime enviada para seu advogado, ela pode recolocar a família no testamento. Quando o futuro da família está em jogo, não há segredo grande ou pequeno demais. E que comecem as confissões.







A obra possui foco nas irmãs Jane, Sassy e Norrie, que em algum momento cometeram um ato de grande ofensa à sua avó, a Sra. Arden Louisa Norris Sullivan Weems Maguire Hightower Beckendorf - que foi BEM vulgarmente apelidada de "Poderosa" -, o que resultou na exclusão de toda a família do testamento da mesma. Contudo, ela prometeu que se a pessoa que cometeu tal ato se confessar para ela até determinada data, ela iria adicionar todos novamente ao testamento, ou iria pelo menos pensar com carinho. Eis que a família simplesmente decide que quem cometeu a ofensa fora uma das irmãs (afinal, ninguém mais seria capaz de ofendê-la, não é!? #Sarcasmo) e é aí que começam as confissões e histórias de vida de cada uma delas. 

Arden L. N. S. W. M. H. Beckendorf, vulgo Show da Poderosa

Eu confesso.
Sei o que fiz, e a senhora sabe a razão - foi por um verdadeiro amor. A senhora já se apaixonou alguma vez, Poderosa? Sei que já foi casada cinco vezes - mas já se apaixonou? É algo inevitável. A pessoa perde o controle. Fica sem saber o que fazer.
Pág.: 14

Como disse no começo do texto, o que me incomodou na história foi a narrativa. Um livro cujos personagens se referem à uma idosa rica como "Poderosa" e ao filho dela como "Paizão" só demonstra que a autora não conseguiu criar termos mais elaborados e menos irritantes. Sério, toda vez que eu lia "Paizão" e "Poderosa" eu revirava os olhos ao ponto de quase olhar meu próprio cérebro.

Outro fator que também não contribui com a história são os diálogos, que não só apresentam pouco dinamismo como passam uma imagem muito forçada. Contudo, apesar de todos esses pontos negativos, gostei do estilo utilizado nas confissões de Jane, que são apresentadas ao leitor como um website onde ela posta fatos e verdades sobre sua família, contendo até espaço para comentários e a transcrição dos mesmo. Achei isso bem legal, pois me lembrou de como é nossa relação com os leitores na blogosfera em geral. 

Os personagens até que apresentam um certo carisma, mas não o suficiente para ofuscar o fato de que as três protagonistas são mulheres ricas e mimadas que vivem na high society (senti uma vibe meio GG nesse quesito, mas foi só a impressão mesmo, são mundos diferentes). Os demais personagens não apresentam um papel muito relevante para a história, exceto no caso da confissão da Sassy envolvendo um outro personagem, que a meu ver foi a mais chocante, mas ainda assim pouco convincente. 

Alguns segredos não foram feitos para serem revelados. 

Querida Poderosa,
Eu, Saskia Wells Sullivan, venho por meio desta confessar assassinato.
Pág.: 264
O quote acima é um spoiler. Caso queira ler, basta sublinhá-lo com o mouse.

O final do livro foi deprimente. Entendo o motivo pelo qual a "Poderosa" fez o que fez, mas a conclusão da história apenas demonstrou que aquela família não tem mérito próprio e está acostumada a viver sendo sustentada pela matriarca. Gente, "o trabalho dignifica o homem", então bora arrumar um emprego e garantir o próprio sustento no lugar de se submeter à vontade de alguém só para ter mordomia e vida fácil. 

A Galera Record está de parabéns com a edição do livro. Apesar de não ter gostado da história e não recomendar a leitura da obra, ela é uma excelente adição à estante, sua capa é bem estilizada e possui cores bonitas nas imagens utilizadas, sem falar na fonte utilizada no título, que está perfeita e condizente com a obra. A diagramação é linda, contendo trechos de cartas, posts de websites e pequenos envelopinhos no começo de cada capítulo.

Dia 21 - Kass Morgan

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

The 100 foi uma das raras vezes em que uma série de livros me deixou contente com seu desenvolvimento, vez que a escrita da Kass Morgan, juntamente com a trama, conseguem despertar curiosidades e ansiedade para dar continuidade na leitura. Para minha felicidade, a Galera Record lançou o segundo volume, Dia 21, onde podemos perceber alguns enfoques e progressos significativos na história, em especial, os acontecimentos na Terra que antecedem a chegada dos 100. 





Dia 21 - Vinte e um dias após os cem terem chegado à Terra com a missão de recolonizar o planeta, um inimigo desconhecido é descoberto. Pensa-se que eles eram os únicos humanos a pisar na superfície terrestre em séculos, mas agora, nada mais é certo. Entre resgates, buscas e romances, segredos são revelados, crenças são quebradas e relacionamentos são testados.









Depois de terem ciência de que não estão sozinhos na Terra, os sobreviventes passam a viver com medo de serem atacados novamente pelos terráqueos que levaram Octavia. Diante da falta de recursos alimentícios e médicos, Wells passa a ter certa liderança sobre o grupo, tentando estabelecer a paz e algumas regras na clareira. No entanto, tudo muda quando eles conseguem capturar uma terráquea, aumentando ainda mais a tensão e medo de alguma revanche por parte do povo dela. Na visão de Bellamy e outros, ela deveria ser usada como moeda de troca, já Clarke e Wells acham que ela pode ser usada como uma rica fonte de conhecimentos sobre o passado do planeta. 

 Banner da série televisiva.
- Já ouviu o ditado "Não morda a mão que a alimenta"? - rebateu ele, com um sorriso. - Ou, por que não colocamos nesses termos? Temos dois coelhos, como você ressaltou de forma tão inteligente, e somos muito mais do que duas pessoas. - Noventa e três, para ser exato, embora ninguém precisasse ser lembrado do fato de já terem perdido tantos membros do grupo. - Nem todos vão ganhar um pedaço. E você acabou de deixar essa decisão um pouco mais fácil para mim. Então, obrigado. - Ele esticou a mão como se a oferecesse para Lila apertar. - Fico muito grato pela sua ajuda.
Pág.: 90

Um dos primeiros pontos que percebemos logo no começo da leitura é a forma como a trama irá se desenvolver. Diferentemente do primeiro volume, em Dia 21 Kass Morgan deu mais atenção à elaboração de seus personagens, mostrando seus conflitos internos, sentimentos e alguns segredos durante a "estadia" na Terra. Aproveitando esse gancho emocional, ela inseriu em seu enredo alguns mistérios e revelações acerca do passado do planeta, fazendo uso de argumentos consistentes e convictos, sobretudo nas questões ligadas a sobrevivência dos terráqueos e as bombas nucleares lançadas durante a guerra. Embora tenha tido um ótimo desenvolvimento, o romance de Glass e Luke foi quase que insignificante para o contexto da trama, servindo unicamente para mostrar a situação na Colônia.

Apesar da autora ter dado mais enfoque ao desenvolvimento de seus personagens, ainda podemos perceber as questões políticas como plano de fundo, principalmente quando nos referimos a distribuição de recursos e organização espacial, tanto na Colônia quanto na clareira onde os 100 vivem, uma vez que percebemos uma grande disputa por alimentos e espaço dentro das cabanas. A narrativa ainda continua sendo feita em terceira pessoa e em capítulos intercalados entre o ponto de vista da Clarke, Bellamy, Glass e Wells.

"O conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância." (Buda)
Wells o ignorou. Enquanto os outros cadetes sempre pareciam energizados pelos exercícios de treinamento em Walden, aquilo deixava Wells exausto. Não o componente físico - ele gostava de dar voltas correndo na pista de gravidade, e de lutar nos exercícios de combate. Era o resto que o deixava vagamente nauseado: conduzir invasões de treinamento em unidades residenciais, parar consumidores aleatórios no Entreposto para interrogá-los. Por que tinham que supor que todos nessa nave eram criminosos?
Pág.: 232

Bem como já sabem, o livro faz parte de uma trilogia, portanto, ainda não contamos com um final conclusivo. Todavia, posso afirmar que o encerramento desta obra consegue deixar o leitor ainda mais ansioso para ler o terceiro volume, Homecoming. Felizmente, ou infelizmente para alguns, a trama aqui presente se diverge bastante quando relacionamos com a apresentada na série televisiva, o que para mim é interessante, pois podemos ter uma visão diferente do que está acontecendo nas telas. Por esses e outros motivos, recomendo a leitura da obra. 

A diagramação está um pouco simples; com um tamanho de fonte mediano e um agradável espaçamento entre linhas. Já a edição conta com o estilo clean da capa, além de trazer páginas amareladas. Sobre a revisão, encontrei somente um erro, mas nada que interfira no entendimento. 

Alcatéia: Prateada - Eddie Van Feu


Olá Vintagers, tudo bem?

A resenha de hoje é sobre o livro Alcatéia - Prateada, da autora nacional Eddie Van Feu, uma obra onde os personagens principais são homens que se transformam em lobos (desencana, não é Crepúsculo, ok?! Hehehehe). Posso dizer que estou imensamente feliz em apresentar para vocês esse livro, porque me senti "em casa" ao lê-lo. Digo isso pois sou simplesmente apaixonada e alucinada com livros de fantasia, ainda mais quando existe uma variedade de seres encantados (gente, eu A.M.O Bruxas... hehehe). Convido vocês a entrarem comigo em um mundo repleto de criaturas mágicas como feiticeiras, fadas, silfos e homens-lobo. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.





Alcateia - Prateada' conta a história de uma cidade secreta de seres encantados que, de acordo com a Lua, podem se transformar em lobos ou bestas-feras. Acompanhamos a vida e a cultura desse povo mágico através dos olhos do jovem Philippe, um mestiço, fruto de um amor proibido entre uma humana e um dos membros do Clã dos Lobos Brancos, que vive marginalizado e perseguido, mas aguarda ansiosamente sua transformação para que possa ser aceito como parte da Alcateia.







Resumo

Em Alcatétia – Prateada a autora nos apresenta um vilarejo místico chamado Château das Vertentes, onde, longe dos olhos humanos, seus habitantes são especiais, pois eles possuem o poder dado pela Deusa de se transformarem em lobo quando surge a Lua Cheia. Eddie nos convida também a conhecer em especial o garoto Philippe e sua triste história de vida, vez que ele é um “mestiço” - filho de uma humana com um homem-lobo - e, enquanto todos do Château com a idade necessária já atingiram a transformação, a dele ainda não ocorrera.

A bela Celine

Diante de todos os obstáculos, nosso personagem principal não se abatia facilmente. pois além de sua enorme fé nos propósitos da Deusa, ele podia contar com dois grandes amigos: O Capitão Diderod, que conhecendo o grande coração de Philippe o tratava com amor, sempre o ajudando com o que podia, e Prateada, sua loba de estimação que, além de companheira e protetora para todas as horas, guardava um incrível segredo que irá surpreender a todos (uau, suspense... hehehehehe) e que poderá mudar tudo em torno do jovem rapaz.

Em paralelo à história dos homens-lobo, conhecemos uma misteriosa mulher que por possuir vários nomes se apresenta apenas como A Bruxa de Gévaudan (já disse que amo Bruxas, né?! hahaha), uma mulher esperta, que já viveu em muitos lugares, conheceu muitas pessoas e por isso possui um vasto conhecimento sobre muitos feitiços e encantamentos. Durante a história somos levamos a ler fragmentos do secreto Livro da Bruxa que nos ensina como conquistar várias coisas através da magia e nos ensina também várias lições sobre a vida que nos ajudarão a crescer como pessoa.

A Bruxa de Gévaudan

Opinião

Antes de qualquer coisa, preciso falar das ilustrações que dão mais vida e mais alegria ao livro. Fiquei simplesmente encantada com o trabalho da Carolina Mylius e como as suas belas ilustrações - feitas à MÃO! #ChocadaComOTalento - foram o reflexo perfeito da história contada por Eddie, cada traço e cada detalhe foram peças chaves para que meu processo de leitura ficasse completo, cada ilustração que encontramos pelo livro nos dá a impressão que estamos realmente dentro da história e os personagens estão diante dos nossos olhos. Parabéns Carolina! ^_^

Carolina Mylius e algumas de suas maravilhosas ilustrações do livro Alcatéia.

Como disse no começo do texto, sou uma amante de histórias que envolvem magia, bruxas, seres da floresta e não preciso dizer duas vezes que me A.P.A.I.X.O.N.E.I por Alcatéia. Não conhecia o trabalho da Eddie Van Feu e fiquei surpreendida com seu jeito de escrever e nos cativar em cada linha. Fiquei fascinada pela Bruxa de Gaudeván (*____* hehehe), gostaria muito de conhecer um pouco mais sobre a história desta mulher fascinante e estou aguardando ansiosamente a próxima Lua Cheia para fazer o meu primeiro ritual (não se preocupem, não envolve sacrifício humano HEHEHEHEHE). Eddie conseguiu fazer com que duas histórias completamente diferentes ocupassem o mesmo espaço no livro. A obra possui uma leitura gostosa e um enredo cativante.

Durante toda a leitura fiquei muito apegada ao personagem principal, por ele ser tão corajoso, meigo, sonhador e, é claro, lindo (homens + cabelo grande = Mayra feliz), e posso dizer que sofria com cada cilada em que ele caia (o menino sofreu mesmo gente, é de dar dó T_T), ao mesmo tempo fiquei querendo ter uma linda lobinha chamada Prateada para me seguir aonde quer que eu fosse (ela é uma fofa, sério).

Confesso que fiquei "mais feliz do que pinto no lixo" quando descobri que existe a continuação do livro (GEEENTEEEN, quase morri de felicidade), e ele se chama Lua Carmesin, porque não basta um livro ser perfeito: ele precisa de uma continuação.

Recomendo Alcatéia para todos os amantes de uma boa leitura e principalmente aqueles que amam uma história rica em detalhes que envolva fantasia, magia e um lindo romance com um desfecho incrível. A história nos mostra que apesar das diferenças, o que importa é o que temos no coração. Eddie Van Feu ganhou mais uma grande fã.

E que venha Lua Carmesin!

Rock Kisses!
  

HQ Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe


Hey pessoal, tudo bem?

Todos conhecem o famoso mestre do terror e do macabro, Edgar Allan Poe. Seu poema, O Corvo, foi traduzido para o português por outros grandes nomes: Machado de Assis e Fernando Pessoa, gerando também uma adaptação cinematográfica dirigida por James McTeigue. Eis que a Editora Farol Literário publica uma versão do conto Assassinatos na Rua Morgue em HQ, fazendo com que eu quase tivesse um ataque de tamanha felicidade, afinal, vocês já devem ter notado o quanto esse tipo de adaptação me atrai pelas resenhas dos Mangás das obras de William Shakespeare.





A obra conta a história de dois brutais assassinatos de mulheres na Rua Morgue, em Paris, casos que parecem insolúveis até que o detetive C. Auguste Dupin assume o caso e, usando sua estupenda inteligência, desvenda esse grande mistério.
O detetive Dupin é considerado o precursor de Sherlock Holmes. Os métodos de investigação são semelhantes ao do detetive inglês e, as histórias policiais em que aparece, encontram-se no período da gênese da literatura policial internacional.







Como pode ser visto na sinopse, a obra conta a história de dois assassinatos que ocorreram na Rua Morgue e que, segundo a polícia local, parecem insolúveis. Contudo, para acalmar a população, eles acabam prendendo o homem errado, momento este no qual o detetive Dupin decide assumir as rédeas da investigação e tenta solucionar o caso, utilizando o método dedutivo tão famoso implicado por Sherlock Holmes.

Quem é o verdadeiro assassino?

Ler é o exercício do homem inteligente.
Pág: 08

É um pouco complicado fazer uma análise de personagens em um conto, contudo, pelo pouco que li, pude perceber claramente de onde Arthur Conan Doyle tirou a inspiração para seu mais marcante personagem. A maneira como Dupin resolve os mistérios e usa seus poderes de observação para encontrar novas pistas e fazer as perguntas certas é algo impressionante e assombroso, pois não é fácil acreditar que o cérebro humano seja capaz de tamanha façanha. 

A narrativa não poupa o leitor, muito menos as ilustrações. A linguagem sobre as mortes nas cenas dos assassinatos, como foram encontrados os corpos e as manchas de sangue e imagens presentes na obra, dão um toque de realidade e terror à narrativa, o que é o ponto mais característico de Poe.

Edgar Allan Poe

Não tem como dizer mais que isso sobre a obra, senão acabarei dando spoilers e isso não seria legal para quem vai ler a HQ, mas indico seriamente que leiam o mais rápido possível. A edição feita pela Farol Literário está linda: a capa é feita em papel cartão, as páginas em uma especie de papel couchê e a HQ é toda colorida de uma maneira a deixar as cores bem vibrantes, mas ainda assim preservar o estilo sombrio do autor.  

Dias Perfeitos - Raphael Montes

Saudações, caros leitores, como vocês estão?
Dias Perfeitos tinha tudo para se tornar uma das minhas melhores leituras, pois conta com uma sinopse atraente, personagens complexos e um clima de suspense sempre presente. Entretanto, alguns aspectos deixaram a desejar, principalmente quando citamos o final um tanto quanto inesperado. Apesar das falhas, posso dizer que Raphael Montes conseguiu construir uma intrigante, perturbadora e infeliz história de amor, surpreendo o leitor com os pensamentos histéricos e obsessivos do protagonista a cada página lida. 

Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

Realizando os desejos da mãe paraplégica, Téo decide se divertir um pouco e acaba indo a um churrasco. Contudo, ao não se sentir à vontade no local, decidiu se reservar em um jardim, onde instantes depois conheceria Clarice, uma jovem acadêmica em História da Arte, e que lhe encantaria à primeira vista pelo seu estilo e charmes. Eis que ele fica obcecado por ela e, através de suas loucas obsessões, ele acaba descobrindo algumas informações sobre a vida dela e onde ela morava. Convencido dessa paixão incerta, ele compra um livro em capa dura da Clarice Lispector para presenteá-la. Porém, quando foi à sua casa confessar seu amor, ela havia dito um "não" para o relacionamento e falado algumas coisas sobre a personalidade dele, o que o incomodou profundamente. Sua raiva acaba falando mais alto e ele dá uma "livrada" na cabeça de Clarice, deixando-a inconsciente. A partir desse momento suas vidas mudam, ao passo que Téo priva sua "amada" de sua liberdade.

São nos momentos mais inesperados que nossa vida simplesmente muda.
Téo não gostava de vingança, mas teve vontade de se vingar da garota. Poderia conseguir uma punição institucional, burocrática e ineficaz. Poderia providenciar um banho de formol - ver nos olhos da maldita o desespero ao sentir a pele ressecar. Mas o que ele queria era matá-la. E, então, pintar seus dedinhos pálidos com esmalte vermelho.
Pág.: 12

A minha vontade de ler Dias Perfeitos é fruto da minha paixão pelo gênero e pelo fato do livro ser aclamado pela crítica. É inegável dizer que o Raphael Montes tem uma escrita bem elaborada, capaz de transmitir sentimentos de ódio e sensações de pertubação e incomodo. Apesar da trama ser narrada em terceira pessoa, todos os acontecimentos são descritos sob o ponto de vista de Téo, permitindo que o leitor veja todos os pensamentos da mente psicopata doentia do protagonista. Ainda que esteja escrito na sinopse que ele "planeja os atos com frieza", percebi que em vários momentos ele teve que fazer uso do improviso e do medo para realizar suas obsessões.

Apesar das qualidades narrativas, foi impossível não perceber as falhas dentro da trama. A primeira delas foi o fato de Téo contar sempre com uma sorte quase inexplicável, obtendo sucesso em quase todas suas façanhas. Entendo fortemente que o autor usou dessa tática para dar continuidade ao seu objetivo maior, o final, mas seria interessante ver a história tomando outros rumos, onde ele não tem essa sorte toda. As outras falhas começam a pipocar na segunda metade do livro, principalmente em uma parte onde fica explícito a limitação criativa do escritor em determinados momentos, vez que seus argumentos para justificar tais acontecimentos beiram o absurdo.

Raphael Montes
Passeou os dedos pelo vidro do copo vazio, preparando o ataque. Num movimento rápido, passou o bocal pela borboleta, aprisionando-a no copo comprido. Ela se debatia. As asinhas tilintavam contra o vidro. Os dedos de Téo envolviam o copo, pressionando o bocal contra a mesa, impossibilitando qualquer escape, Era assim a vida dele. Vinte e dois anos. Sem nenhum escape.
Pág.: 141

Dias Perfeitos é aquele típico livro que começa muito bem e termina no abismo, de tão desagradável é o seu desfecho. Como se já não bastasse os "furos" dentro da trama, o final conseguiu desconstruir toda aquela imagem que eu tinha da obra antes de ler, fazendo-me pensar em alguns momentos que ela é superestimada demais para algo tão absurdo como este encerramento. Entretanto, ainda há aqueles que gostaram, por isso e outros motivos que recomendo que cada um leia e tire suas próprias conclusões.

A diagramação está simples, contando com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Já na edição, temos páginas amareladas, folhas finas e uma capa que remete a uma das passagens descritas na trama. Na revisão encontrei somente um erro de digitação, mas nada que interfira no entendimento.

Entrevista com o Raphael Montes produzida pela Saraiva Conteúdo